quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Os cantos onde chega o nosso Canto

Confesso, que passo muitas semanas sem consultar o Sitemeter, onde ficam registadas todas as visitas efectuadas ao "Galo", horário e duração das mesmas e, mais importante, a sua origem.
Foi pois com espanto que, ontem, verifiquei que menos de metade dos nossos visitantes provêem da Europa e, por exemplo, 36% da América do Sul, 35 % dos quais do Brasil. Uau !!!
Termos seguidores no Reino Unido, Argentina e Estados Unidos, para além de 11% desconhecidos ( que engloba Cabo Verde, onde está o nosso amigo Nuno Minhava), também aumenta a nossa exigência de qualidade e estimula a nossa criatividade
.
Vamo lá, malandro...

Viver é...


Azul

Azul é a cor do teu sono
quando dormes sossegada
no teu castelo de menina
Azul é a cor com que me fitas
do fundo dos teus olhos
castanhos da cor da terra
Azul é a cor das tuas asas
quando voas, solta e livre
sobre o mar da tua ilha
Azul é a cor de te rever
quando voltas da neblina
em que, por vezes, te perdes
nos trilhos da floresta



















Os Crimes do Galo

Pois é verdade, a partir de hoje (melhor dizendo, amanhã), e durante cerca de dois meses, temos o prazer de apresentar a obra em fascículos " Os Crimes do Galo" da autoria de Jaime Varela, português radicado em São Paulo, e seguidor do "Galo" há algum tempo.
De 2ª a 6ª, publicaremos diariamente um capítulo ( e o fim de semana dedicaremos a outras leituras).
A novela, pois de uma novela se trata, é de cariz policial e os comentários enviados poderão condicionar, alterar, corrigir, a trama da mesma.
Será assim uma obra conjunta do Jaime Varela e de todos os seus comentadores.
Espero que apreciem o exercício...
Para vos facilitar a vida futura, passo a descrever, de forma sumária, as principais personagens dos "Crimes do Galo":

Teodorico Santana – Conhecido como Teo Santana.
Detective particular de segunda ordem.
Moreno, de cabelo encaracolado, alguns brancos, 1,75cm de altura.
Amante de Banda Desenhada e de aipo, que trinca a todo o momento.
Mulherengo e dado a paixões.

Deolinda Simões – Secretária e braço direito de Teo.
Nasceu e vive em Massamá, numa casa com muitos outros familiares
( mãe, irmãos, cunhadas e sobrinhos).
Bons contactos com elementos policiais.
Tem um fraquinho pelo patrão.

Gabriela Torres – Antiga top model, casada com o multimilionário
brasileiro Sérgio Cassini.
Loura, de olhos azuis, mulher de grande beleza e inteligência.

Sérgio Cassini – Playboy e milionário brasileiro com negócios escuros,
ligados à droga, ao trafico de armas e à prostituição.
Figura do jet set internacional, com casas em vários países.

Salvatore Cassini – Italiano, pai de Sérgio que depois de ter perdido
a grande fortuna conseguida por tráfico de influências, pôs termo à vida,
deixando a família, mulher, duas filhas e o filho, numa quase miséria.

Miltinho do Pagode – Abandonado em criança, cresceu num reformatório
até ter sido recolhido por Salvatore Cassini e empregado como guarda costas
de Sérgio, de quem se tornaria um colaborador fiel e elemento de contacto
com o submundo da droga e do crime, nas favelas.

Velic Ustinov – Sérvio, sócio de Sérgio Cassini.
Ex-militar condenado à morte por crimes praticados durante a guerra.
Sádico e senhor de múltiplas identidades e disfarces, que usa de acordo
com a situação.
Figura gigantesca, de cabeça rapada.

Hans Hahn – Alemão, responsável pela contabilidade dos negócios escuros
de Sérgio e Velic.

Marco Tupinambá – Detective da Polícia Federal brasileira, carioca, bom de papo, o que não é invulgar, e policial honesto, o que já é mais raro.

Clô – Viadinho de Ipanema, utilizado numa armadilha contra Miltinho.

Dr.Seabra – Delegado do Ministério Público, venal e corrupto como poucos ou, melhor dizendo, como muitos.

Não percam, amanhã, a estreia, neste mesmo Canal,
dos "Crimes do Galo", em qualquer horário, à vossa escolha !!!

Aqui temos a Shakira, para os marmanjões


Apesar dos protestos feministas ( ou, talvez, por isso mesmo), aqui deixo o último videoclip da grácil (?) cantora colombiana, mais magra e ainda mais, se possível, coleante...

Liberdade de Expressão

Em vez de borrachas autocontroladoras, as nossas cabeças têm que ser lápis bem afiados...

Olhó Canto do Galo! Olhó Canto do Galo!!!

Quando há seis meses falei, pela primeira vez, na hipótese de publicarmos, em livro, os MicroContos do Prémio Galo/Bizâncio, tenho a certeza que muitos de vós disseram, para com os seus botões, fechos eclaires, fitas velcro ou materiais quejandos, “Lá está o gajo a cantar de Galo!”.
E hoje, início da Rentrée e das celebrações do 1º Aniversário do Galo de Barcelos ao Poder, que ocorrerá daqui a uma semana, tenho o prazer de informar todos os Autores, Seguidores, Colaboradores, Leitores e Amigos do “Galo” que, ainda antes do Natal, poderão encontrar esse mesmo livro nas Livrarias ( ou encomendá-lo directamente para o blog).
Toda a equipa da Bizâncio, a começar pelo Luís Alves, mas a continuar nos restantes membros da mesma, está a envidar esforços para conseguir levar a bom termo esta tarefa, em tão pouco tempo.
A capa, autoria conjunta da Sofia Silveira e minha, originou o novo cabeçalho que passará a ornamentar o nosso Blog (Atenção: a foto acima é, apenas, um layout e não a peça definitiva).
Espero que gostem e que comecem já a fazer a vossa lista de amizades a quem oferecer o livro, no Natal.
Se for vosso amigo ofereçam-lhe um volume, que pode ser com dedicatórias várias.
Se for vosso inimigo, ofereçam-lhe dois…
E esta é, apenas, uma das muitas novidades que temos para apresentar…

Racismo - Luís Fernando Verissimo

Preconceito racial e discriminação racial
são duas coisas diferentes.

O preconceito é um sentimento, fruto de condicionamento cultural ou de uma deformação mental, mas sempre incorrigível.
Não se legisla sobre sentimentos, não se muda um habito de pensamento ou uma convicção herdada por decreto.
Já a descriminação racial é o preconceito determinando atitudes, políticas, oportunidades e direitos, o convívio social e o econômico.
Não se pode coagir ninguém a gostar de quem não gosta, mas qualquer sociedade democrática, para desmentir o nome, deve combater a descriminação por todos os meios - inclusive a coação.
Não concordo com quem diz que uma política de cotas para negros no estudo superior é discriminação.
É coação, certo, mais para tentar corrigir um dos desequilíbrios que persistem na sociedade brasileira, o que reflete na educação a desigualdade de oportunidades de brancos e negros em todos os setores, mal disfarçada pela velha conversa da harmonia racial tão nossa.
As cotas seriam irrealistas? Melhor igualdade artificial do que igualdade nenhuma.
Agora mesmo caíram em cima de quem disse - numa frase obviamente arrancada do contexto - que racismo de negro contra branco é justificável.
Nenhum racismo é justificável, mas o ressentimento dos negros é.
Construiu-se durante todos os anos em que a última nação do mundo a acabar com a escravatura continuou na prática o que o tinha abolido no papel.
Não se esperava que o preconceito acabasse com o decreto da abolição, mas mais de 100 anos deveriam ter sido mais do que suficientes para que a discriminação diminuísse.
Não diminuiu.
Igualar racismo de negro com racismo de branco não resiste a um teste elementar.
O negro pode dizer - distinguindo com nitidez preconceito de descriminação - "Não precisa me amar, só me dê meus direitos".
Qual a frase mais próxima disto que um branco poderia dizer, sem provocar risos?
"Não precisa me amar, só tenha paciência"? "Me ame, apesar de tudo"?. Pouco convincente.
É uma questão que vai e vem, como as marés.
A velha oposição, na seleção brasileira, do time do povo e o time do técnico.
Quando as coisas vão bem (Brasil 4, Chile 0) não há discussão, quando as coisas vão mal (Brasil ali ali, Gana 0) volta a questão.
O povo quer os melhores sempre no time.
Isto se repete há anos.
Mudam os técnicos, mudam os melhores, muda, em boa parte o povo, e a questão continua indo e vindo.
Como as marés.

Luís Fernando Verissimo

Donald Duck - Der Fuehrer's face


Convenhamos que não é dos filmes mais engraçados do Pato Donald. A cena deste na linha de montagem é, até, bastante maçadora, mas as marchas nazis e o insólito da descoberta deste desenho animado, quase desconhecido. justifica a sua inclusão e uma visão rápida...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

EXPERIMENTA DESIGN 09

TAKE YOUR TIME
na Fabrica Features Lisboa
Retirámos o tempo do seu contexto habitual
- relógios, calendários, cronómetros - para analisarmos o modo
como o nosso dia-a-dia é regulado pelos objectos que nos rodeiam.
A nossa vida consiste na soma de tempo que despendemos com cada objecto.
Desde o começo do dia, onde o valor é calculado pela quantidade de tempo
que um cubo de açúcar demora a dissolver-se no café,
até ao final, onde o avançar do marcador do livro nos informa
quanto tempo demorou a nossa leitura.
A passagem do tempo é assim medida
através do consumo de objectos do quotidiano,
cuja importância substituiu o regular tique-taque do relógio
pelo assobio da cafeteira, pelo riscar do fósforo na caixa
e pelo disparar da torradeira.
O tempo é apreciado, o tempo é poupado,
o tempo é ordenado, acelerado e abrandado.
Nas nossas actividades quotidianas e aspirações
o tempo é sentido através da nossa interacção com os objectos.
De 10 de Setembro a 10 de Outubro 2009

A Justiça Portuguesa está de Parabéns !!!

Depois de anos e anos a batalhar eis que surgem os primeiros resultados.
Desde a morte de Francisco Sá Carneiro
e do eterno mistério que a rodeia,
Ao desaparecimento de Madeleine McCann,
Ao caso Casa Pia
Do caso Portucale
Operação Furacão
Da compra dos submarinos
Às escutas ao primeiro-ministro
Do caso da Universidade Independente
Ao caso da Universidade Moderna
Do Futebol Clube do Porto
O Apito Dourado
Ao Sport Lisboa Benfica
Da corrupção dos árbitros
À corrupção dos autarcas
De Fátima Felgueiras
A Isaltino Morais
Da Braga parques
Ao grande empresário Bibi
Das queixas tardias de Catalina Pestana
Às de João Cravinho
As operações imobiliárias da Obriverca
As alterações dos PDMs para beneficiar construtores.
As acusações feitas por Marinho Pinto

bastonário da Ordem dos Advogados
e que o MP prometeu investigar.
Dos doentes infectados por acidente e negligência
com o vírus da sida?
Do miúdo electrocutado no semáforo
Dos outros afogados num parque aquático?
Das crianças assassinadas na Madeira
Do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?
Do autarca alentejano queimado no seu carro
e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
A miúda desaparecida em Figueira?
Todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?
As famosas fotografias de Teresa Costa Macedo?
Aquelas em que ela reconheceu imensa gente 'importante',
jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão?
Os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran
Os negócios escuros do grupo Carlyle
do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz,
apeado por causa de um pequeno crime sem importância,
o da cunha para a sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria,
suspeito de ter assassinado doentes por negligência?
A distribuição aos amigos das casas da Câmara de Lisboa
1º e 2º Freeport

Pois é... a justiça portuguesa está de Parabéns!

Depois de anos e anos a batalhar eis que surgem os primeiros resultados.
Prenderam um jovem que fez um download de música ...

YEAAAAAAAAH!... VIVA!!!!

Primeiro português condenado à prisão por pirataria musical na Internet!
... O Indivíduo poderá passar entre 60 a 90 dias atrás das grades por ter feito o download e partilhado música ilegalmente com outros utilizadores!...

Confirmam-se as declarações do Bastonário dos Advogados:
'O Ministério Público é muito forte com os fracos e muito fraco com os fortes', afirmou.
'Existe em Portugal uma criminalidade muito importante,
do mais nocivo para o Estado e para a sociedade, e andam por aí alguns impunemente
a exibir os benefícios e os lucros dessa criminalidade, sem haver mecanismos para lhes tocar. Alguns até ocupam cargos relevantes no aparelho de Estado português, ostensivamente',
afirmou Marinho Pinto, citado pelos jornais portugueses.

Segundo afirmou, 'o fenómeno da corrupção
é um dos cenários que mais ameaça
a saúde do Estado de Direito em Portugal'.

Enviado por Zé Manel

A Capa do Dia

Sócrates conseguiu pôr Louçã à defesa, um murro no (do) nariz; Juiz diz que provas contra Jardim são "sólidas"...narizinho enganador; Carolina Salgado nega todas as acusações, porque é que ela meteu o nariz onde não era chamada?; Portugal bate recordes a abrir centros comerciais, gostamos todos de ir, de narizinho no ar, ver as montras...

Corrida à Esquerda

E o Sócrates lá ganhou o frente-a-frente com o Louçã...

Cartoon de Henrique Monteiro

Conhecer - Miguel Esteves Cardoso

Nunca vou ao fim das coisas.
Tudo começa. Nada acaba. Eu não deixo.
No meu sonho, tudo continua, tudo se repete, mesmo que seja preciso interrompê-las de vez em quando.
Tenho medo que acabem. Porque é que se hão-de levar as coisas ao fim?
Amo o incompleto, o suspenso, o atravessado, o interrompido.
Os fins entristecem-me. Viver as coisas até ao fim é matá-las.
E trocá-las por outras novas é traí-las.
Melhor trazê-las sempre, duvidosas e imprevisíveis mas ainda gostadas e presentes.
Se acabo um livro, sinto-me derrotado, fico deprimido, queria que continuasse, e não continua. Reler não é a mesma coisa.
Lembrar não é tão bom como viver. Mas é melhor do que matar.
Repugna-me a ideia das relações humanas que se «esgotam».
Faz lembrar esgotos. Como se um sentimento se pudesse despachar.
É preferível abandonar a pessoa que se ama e guardar o amor que se tem por ela a segui-la até à saciedade.
As pessoas namoram e ficam casadas até se odiarem. Os amigos convivem de mais e começam a chatear-se. As famílias passam tempo de mais juntas, até descobrirem todos os defeitos de cada uma.
Dir-se-ia que as pessoas não suportam ter o coração dependente e então cansam-no propositadamente, para se verem livres do sentimento verdadeiro e bom que sentiam.
Porque é que as pessoas que querem ser livres, independentes e tudo o mais, são aquelas que mais mal aguentam a solidão?
Porque, para o mal e para o bem, habituaram-se a uma companhia constante.
Não percebem que as saudades, os desejos nunca realizados, os sonhos que ficaram suspensos, são a melhor companhia (embora também a mais triste) que se pode ter?
Nunca se deve conhecer nada a fundo. Não falando na pretensão de pensar que se pode conhecer.
Quando se diz «Conheço-o como as palmas das minhas mãos», há sempre uma insinuação feia e negativa.
As pessoas, quando estão tristes ou mal-dispostas, não deveriam expor-se.
É uma falta de respeito pelos outros. Deve-se ser turista nas coisas do amor.
Conservar o deslumbramento. Fechar os olhos quando desmorona a fachada.
A intimidade verdadeira é partilhar a descrença na ilusão.
Um navio visto ao longe. A lua.
Os microscópios são detestáveis. Quem quer conhecer os segredos da casa das máquinas ou a superfície das estrelas? Não é por se estar mais próximo que se está mais próximo da verdade.
A verdade é aquilo em que acreditamos.
Quem acredita ainda na distinção entre conhecimento e fé? Porquê provocar, remexer no passado, fazer perguntas? É como se as pessoas quisessem destruir o que as comove. É esse o sentido da frase de Wilde, que cada pessoa mata aquilo que ama. E tudo o que ele diz sobre a superfície é profundo. Não é só horrendo saber a «verdade» sobre James Dean ou Marilyn Monroe " é um engano arrogante.
As coisas também se percebem, também se amam, à distância.
Para mim, as fotografias de Inês Gonçalves é que são Portugal. Não são as reportagens e as notícias. E não admito que me chamem romântico. Eu sei que por trás daquele miúdo ou daquela árvore há não sei quê e não sei que mais. A Inês também sabe. Por isso é que fotografa como fotografa. Entre o que vê e o que fotografa vai a distância que eu admiro e, não só isso, sei que vai ficar. Entre ser esclarecido e ser iluminado, não há diferença. Mas, se houvesse, eu prefiro ser iluminado. Prefiro a revelação ao registo. Não me custa nada dizer que as fotografias da Inês são o «por trás» do «por trás», já que mostram a alma portuguesa fora do tempo e das circunstâncias, mas, ao mesmo tempo, sem mentir, dentro delas.
Gosto de tudo a que chamam «cerimónia» e «boa educação». Odeio-me quando cedo a ler biografias de escritores que admiro. Tenho a certeza que a chamada «face» pública, que é a obra, que é o rosto que mostram, é não só mais bonita como mais verdadeira que as pesquisas arqueológicas que tencionam revelar o lado particular com a ideia de que esta está escondida, é clandestina, e deita luz sobre o que já se sabe.
Com o tempo, o que é que fica da vida de Platão ou de Camões? O que é que interessa?
Mas as pessoas não devem aguentar o amor, porque, mal amam, logo procuram destruí-lo com a falsa noção do conhecimento. É a mania dos «bastidores». Que interesse podem ter os bastidores duma pessoa ou de uma peça de teatro? O que é que tem a tecnologia do cd a ver com a música? O sistema de canalização de uma casa? Uma ecografia? Não completam nada. São outras coisas separadas.
Em boa verdade, eu não sei por que é que um pássaro voa, nem quero saber. Voar já é tanto. Explicar o voo morfologicamente é reduzi--lo, é fazê-lo aterrar. O que é banal para o pássaro tem de continuar a ser maravilhoso para nós. Walt Disney é uma coisa. A biologia e as técnicas de animação são outras.Gosto das primeiras impressões, sobretudo quando se vão repetindo ao longo dos tempos.
Odeio e evito as descobertas, género «Descobri que Fulano era afinal um malandro». Este afinal, com o seu tom peremptório e arrogante, como se fosse possível definir definitivamente um ser humano, irrita-me. É um acto de amizade não estar sempre a vasculhar e a reinterpretar os amigos. Toda a gente sabe que as pessoas são polifacetadas " mas porque não restringirmo-nos à faceta que conhecemos de que mais gostamos?
A vida é muito complicada e o nosso coração precisa de simplificá-la, sem ter medo de se «enganar».
É preciso resistir à curiosidade e à arrogância.
Conhecer deveria ser só o primeiro passo.

Miguel Esteves Cardoso

O Lagarto (...não, não estou a falar de nenhum Sportinguista !)

Criado e realizado pelos alunos da Oficina de Animação 3D de Brasília, aqui deixo "Calango", um magnífico exemplo de como um trabalho escolar pode mostrar o alto nível técnico dos seus participantes.

O Destino


Hoje é Nove do Nove do Nove

Hoje, 9 de Setembro de 2009 (09-09-09), é para muitos o dia mais esperado do ano, especialmente para os chineses, que associam o número 9 a sorte e sucesso, esperando que este raro momento do calendário marque a diferença no rumo das suas vidas.
Na cultura chinesa, alguns números estão associados à sorte ou ao azar, de acordo com a ideia para a qual remete a pronunciação da palavra em chinês, e o 6, 8 e 9 são os que têm a carga mais positiva, uma vez que os seus nomes em chinês têm bons significados.
O número 9, quando pronunciado em chinês (gau), está associado a longa duração, sendo por isso escolhido pela maioria dos casais como o dia preferencial para darem o nó, já que é aquele que oferece, à partida, mais garantias de sorte e sucesso no futuro.
Mas o 9 tem um significado especial, não só na cultura chinesa, mas também na mitologia de diversas culturas, estando associado, em quase todas, à medida exacta da busca de proveito, ao corolário dos esforços, ao encerrar de um ciclo e início de outro superior, já que é o maior número singular.
Por isso, a superstição, uma das características mais fortes da cultura milenar chinesa, está intimamente aliada aos números, levando os chineses a procurarem associar diferentes hábitos quotidianos aqueles que julgam poder trazer-lhes mais sorte.
São muitos os que vão escolher o dia de hoje para se casarem, mas também para jogarem nos casinos de Macau e apostarem nove vezes no número nove ou em nove mesas diferentes.

A diversidade das situações em que os mais supersticiosos poderão buscar a sorte no dia 09-09-09 é grande e variada, dependendo apenas da imaginação.
O número de telefone, morada, matrícula do veículo, número da conta bancária são normalmente transformados em "amuletos" pelos chineses, que procuram garantir a sua sorte com a escolha dos números mais favoráveis, de acordo com as suas crenças.

O número 9 está também relacionado com o elemento fogo, talvez porque as vestes do Imperador normalmente apresentavam figuras de nove dragões e porque, segundo se acredita, estes tinham nove filhos cada um.
Também se julga que o palácio da Cidade Proibida, em Pequim, foi construído com 9.999 quartos.
Nove é, igualmente, o número de esferas celestes, de oríficios do corpo humano e dos meses de gravidez.
A cultura japonesa é provavelmente uma excepção no que se refere à simbologia em que o número nove está envolvido, estando associado a azar e sofrimento.
Por isso, os japoneses mais supersticiosos vão hoje, quarta-feira, dia 09-09-09, procurar evitar quartos de hotel com o número 9, hospitais e tudo o que esteja relacionado com 9, ao contrário da maioria dos locais do mundo, em que o 9 será o número mais desejado.
Para o "Galo" todos os dias são bons...só que uns são melhores que outros!!!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

João Vieira, o ABC da Pintura

Morreu este fim de semana o pintor João Vieira.
O artista estava internado no Hospital de Santa Marta, em Lisboa,
não tendo resistido a complicações surgidas
após uma operação ao coração na sexta-feira.
Nascido em 1934 em Vidago, Trás-os-Montes,
João Vieira foi um dos fundadores, juntamente com René Bertholo,
Lourdes Castro, Gonçalo Duarte, José Escada, Christo
e Jan Voss, do grupo KWY.

Como tenho estado fora, sem qualquer contacto com as notícias televisivas ou outras, só hoje terça feira soube da triste nova, mas, embora atrasado, quero deixar aqui o meu abraço
a um dos pintores que mais apreciava,
aprecio, na sua geração.
A sua forma de recriar clássicos de José Malhoa ou Nuno Gonçalves, os seus abecedários transformados em figuras de grande plasticidade, ficarão, para sempre, como momentos de grande prazer estético.
E depois o seu ecletismo, o Restaurante de que foi sócio durante algum tempo em Azeitão, a sua sedução e urbanidade permanente,tanto no 1º de Maio, no Bairro Alto, como na Expo de Sevilha...



Em relação à Expo de Sevilha passou-se, aliás,
uma história simples mas engraçada.
Tendo sido convidado pelo Comissário português da dita Exposição, o meu amigo Francisco Faria Paulino, fiquei alojado, com a Delfina, na casa que ele ocupava no recinto da Feira.
Aí, numa noite em que o Francisco fez um maravilhoso Spaguetti Vongole, estava presente uma sua amiga madeirense que me disse, entusiasmada:
"-Sabe, adoro os seus quadros!"
Ainda eu não me tinha recomposto de tal piropo aos meus dotes pictóricos, quando o Chico Paulino a corrigiu dizendo que eu era o João Viegas e a quem ela se referia era o... João Vieira.
Aqui fica um soriso breve de homenagem a um grande Pintor.

Parece mesmo que foi Yesterday...


Agora, que está a prestes a sair a reedição remasterizada de toda a discografia fabulosa dos Beatles, aqui fica esta peça de museu em que um solitário, e jovem, muito jovem, Paul McCartney, canta a sua Yesterday, "apenas" a canção com mais versões em toda a história da música.

Recordem a época em que Sir McCartney ainda não tinha rugas...nem nós !

A mais linda flor do meu (dela) Jardim

Talvez escorregue na casca...

Cartoon de Henrique Monteiro

Saudade - Pablo Neruda

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um Passado que ainda não passou,
é recusar um Presente que nos magoa,
é não ver o Futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Pablo Neruda

As Mulheres russas são fogo!

Com golpes baixos não vale...

Céu


A Capa do Dia

Hugo Chavez no Festival de Veneza com Oliver Stone, o verdadeiro artista; Ferreira Leite elogia Alberto João Jardim, a arte da (má) política; Louçã, ""o PS não é a força para a Esquerda ter maioria", palavras para quê? é um artista português; Portugal é dos piores países da OCDE no emprego de jovens qualificados, não tem problema, podem sempre trabalhar como artistas ...no circo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A Arte de Ver - Cecília Meireles

... As vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola,
pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos,
sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas,
como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega.

As vezes um galo canta, as vezes um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela..
Uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas,
e outros, que é preciso aprender a olhar,
para poder vê-las assim.

Cecília Meireles

É já para a Semana

Estamos quase na Rentrée oficial do "Galo".
É já para a semana, no próximo dia 10, que o nosso blog vai aparecer de cara lavada, com novas rubricas, colaboradores internacionais ...e muitas novidades.
Sete dias depois, será o Dia do 1º Aniversário do "Galo".
Enviem-me depoimentos sobre a efeméride ( sempre adorei esta palavra e nunca tinha tido ocasião de a usar), pequenas histórias, fotos, o que quiserem (jv@lunebleu.pt).
Fico a aguardar !!!

Nota: Para podermos fazer"obras" na capoeira, estaremos encerrados até ao próximo dia 8, terça feira. Até lá, divirtam-se !

Nunca é tarde para aprender a lavar as mãos - Ricardo Araújo Pereira

Estamos perante um compêndio da higiene manual e digital, uma bíblia da desinfecção do carpo e metacarpo
A tão negligenciada literatura de casa de banho acaba de obter o significativo patrocínio do Estado.
O recente panfleto que a Direcção-Geral de Saúde espalhou por todas as casas de banho públicas do País é, antes de tudo, inquietante - como toda a boa literatura deve ser.
Intitulado "Como lavar as mãos?", o texto começa por ser magistral no modo como manipula a arrogância do leitor para, em primeiro lugar, provocar o riso.
Um riso que depressa se torna amargo: em poucos segundos, o mesmo leitor que intimamente escarneceu da intenção de quem se propunha ensinar-lhe insignificâncias é tomado pelo assombro de verificar que nunca, em toda a vida, teve as mãos verdadeiramente lavadas.
O panfleto apresenta um plano de lavagem das mãos em 12 (doze) passos, incluindo manobras de esterilização com as quais o cidadão médio jamais terá sonhado.
Não haja dúvidas: estamos perante um compêndio da higiene manual e digital, uma bíblia da desinfecção do carpo e metacarpo.
Este detalhado e rigoroso guia não deixa nem uma falangeta por purificar. Mas - e isto é que é terrível -, ao mesmo tempo que o faz, esfrega-nos na cara a nossa imundície passada e presente.
Ao primeiro passo da boa lavagem de mãos é atribuído, misteriosamente, o número zero: "Molhe as mãos com água.
" Trata-se, é claro, de um momento propedêutico em relação à lavagem propriamente dita, mas não deixa de ser surpreendente que a Direcção-Geral de Saúde não lhe reconheça dignidade suficiente para lhe atribuir um número natural.
O passo número um vem então a ser o seguinte: "Aplique sabão para cobrir todas as superfícies das mãos."
É aqui que começa a vergonha.
Quem sempre ensaboou não deixará de sentir a humilhação de nunca ter aplicado sabão.
A instrução encontra na linguística um cruel elemento diferenciador do grau de asseio: quem sabe lavar-se aplica sabão; os porcos ensaboam-se.
Porcos esses que, como é óbvio, olham pela primeira vez para as mãos como extremidades dotadas de uma pluralidade de superfícies.
No passo número dois ("Esfregue as palmas das mãos, uma na outra", recomendação acompanhada de um desenho em que duas mãos se esfregam em movimentos circulares contrários ao movimento dos ponteiros do relógio), quem sempre esfregou no sentido inverso, como é o meu caso, sente que desperdiçou uma vida inteira de higiene pessoal.
Os passos seguintes fazem o mesmo, embora em menor grau: em terceiro lugar há que "esfregar a palma da mão direita no dorso da esquerda, com os dedos entrelaçados, e vice-versa"; o quarto passo apela a que se esfregue "palma com palma com os dedos entrelaçados"; e o quinto passo aconselha uma fricção da "parte de trás dos dedos nas palmas opostas com os dedos entrelaçados".
Bem ou mal, com os dedos mais ou menos entrelaçados, estes passos descrevem esfregas que estão ao alcance da imaginação de qualquer pessoa.
A partir daqui, o caso piora de novo. O passo seis determina que se "esfregue o polegar esquerdo em sentido rotativo, entrelaçado na palma direita e vice-versa", em movimentos semelhantes aos que se fazem quando se acelera numa motorizada, e o passo sete recomenda que se "esfregue rotativamente para trás e para a frente os dedos da mão direita na palma da mão esquerda e vice-versa".
O cuidado posto nestes preceitos amesquinha quem até aqui se limitava a esfregar as mãos uma na outra, descurando, por exemplo, o papel que os dedos devem desempenhar, e logo rotativamente, na higiene.
Enxaguar as mãos é o passo oito.
Secar as mãos com toalhete descartável, o passo nove.
Mas o passo dez volta a revelar que o processo é complexo: "Utilize o toalhete para fechar a torneira, se esta for de comando manual."
A torneira deve, por isso, continuar a correr durante todo o passo nove, provavelmente para prevenir eventuais emergências de enxaguamento, sendo fechada apenas no passo dez.
O décimo primeiro passo é o mais interessante: "Agora as suas mãos estão limpas e seguras."
A contemplação da limpeza e segurança das mãos constitui, portanto, um passo autónomo neste processo de lavagem manual.
No fim da lavagem, falta apenas, com as mãos impecavelmente limpas (e seguras), sair da casa de banho abrindo a porta em que toda a gente mexeu.
E, creio, voltar atrás para repetir o processo.

Ricardo Araújo Pereira in Boca do Inferno (Visão)

Hoje, sai um dia mais cedo

Pois é verdade, o Pedro Miguel P., uma das presenças mais constantes no "Galo", habituou-nos a uns breves comentários, sempre com ironia e uma certa dose de provocação.
Mas na vinda de férias, como a Quimera já referiu, veio para arrasar e, com todo o bom senso e lucidez, enviou um comentário, que recebe o galardão da semana.
"...Mas não existirá em Portugal ninguém, de uma Esquerda moderna e moderada a uma Direita idem, idem, aspas, aspas capaz de governar este País?
E não teremos todos nós de, igualmente, mudar de atitude e hábitos de trabalho, e passarmos a possibilitar a essa "avis rara" a possibilidade de levar o barco a bom porto?
Queixámo-nos do Salazar, do Spínola, do Eanes, do Soares, do Cavaco, do Guterres, do Durão, do PSL, e agora, cobertos de razão, do Sócrates...mas o mal estará só neles?E quem são "Eles"?
Não serão o reflexo de um Povo pouco exigente, habituado ao nacional porreirismo, à cunha, às "pontes", ao receber sem trabalhar, ao pouco estudo, ao Futebol como Religião, etc, etc?
Antes de termos bons Dirigentes, não deveríamos fazer algo
para ter...bons Dirigidos?"
Boa, Pedro !!!

A Castidade


E afinal o que é o Sexo ?


O Sexo tem interpretações variadas de acordo com as várias profissões:

Para os Médicos é uma doença, porque termina, quase sempre, na cama.

Para os Advogados é uma injustiça, porque termina, habitualmente,
com um por cima e outro por baixo.

Para os Arquitectos é um erro de projecto, porque a zona de lazer
fica muito perto da de saneamento.

E para SI, o que é o S E X O ?

A Tradição já não é o que era


E agora, digam-me lá se a tecnologia ( neste caso dos marcadores) não traz muitas vantagens à vida de qualquer casal ? Mesmo na Índia...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A justa invenção da toponímia municipal

2. ROMEU CORREIA, O PUGILISTA DAS MÃOS DE OIRO

Improvável que o nome de Romeu Correia seja alheio a qualquer habitante da cidade de Almada. Nome de rua, nome de um esplêndido fórum municipal e também de uma escola secundária na freguesia de Feijó.
Unanimidade inalcansável caso se perguntasse aos mesmos habitantes quem foi este homem, o que terá feito para merecer tão expressiva presença onomástica.
E nem arrisco uma estimativa em relação aos almadenses que tenham lido pelo menos uma das mais de três dezenas de obras do seu celebrado conterrâneo.

A minha relação de amizade com Romeu Correia nasceu no início dos anos 60, numa circunstância profissional.
Ele acabara de ser distinguido com um dos mais prestigiosos galardões da época – o então denominado "Óscar" atribuído pela Casa da Imprensa – e acedeu a ser entrevistado pelo muito jovem repórter que eu era. Marcou-se o encontro para uma conhecida pastelaria da Rua do Ouro, planeando-se que no final iríamos até ao Terreiro do Paço a fim de o repórter-fotográfico do jornal, Salvador Ribeiro, realizar uma sessão tendo o Tejo como cenário. Aconteceu porém que esse colega foi "desviado" para um serviço urgente e vi-me, finda a entrevista, sem "boneco", como se dizia na gíria dos jornais.
Perguntei então a Romeu Correia se teria uma boa foto que pudesse dispensar-me para ilustrar a peça. Logo, prazenteiro, rapa da carteira uma imagem, formato quase postal, que me deixou boquiaberto: era ele, em calções de banho, na praia, pose atlética!
Estou em crer que hoje não suscitaria espanto de maior uma entrevista com um escritor apresentando-o em calções de banho (quantas coisas mais insólitas tenho visto!) mas não duvido que há 50 anos um tal atrevimento se converteria em escândalo nacional.
O óbice jornalístico foi ultrapassado e a entrevista publicada com o devido decoro, mas o episódio persiste na minha memória como especialmente significativo da personalidade sui generis de Romeu Correia: um homem dividido entre a criação literária e a paixão pelo atletismo.
Era quase impossível, como testemunhei durante décadas, manter uma "conversa literária" com ele. Ao cabo de poucos minutos éramos surprendidos com um aparte do género: «... Isso faz-me lembrar o último combate que tive com fulano, o tipo era muito duro, venci-o, mas com dificuldade, devo reconhecer...». E não mais parava. O pugilista batia o escritor por K.O. ao primeiro assalto e tornava-se o senhor soberano do ringue, ou seja, da conversa.
No princípio do nosso relacionamento, contava ele mais de 40 anos, já havia deixado a alta competição. Chegou a ser campeão nacional de boxe amador, nome de cartaz nos recintos da modalidade e abrilhantava amiúde as primeiras páginas da imprensa desportiva.
O atletismo representava o seu mundo, tanto que casar-se-ia com uma colega atleta, a Almerinda, também campeã. Nos intervalos escrevia contos, romances e peças de teatro que as editoras recusavam.
Um dia saudei-o ao telefone com um «olá, pugilista!». Notei ter-lhe agradado a expressão, continuei a tratá-lo desse modo. Quando publicou a biografia de Francisco Stromp, lendário paladino do ideal desportivo, fiz uma recensão na qual lhe chamava "o pugilista das mãos de oiro" numa alegoria à mais famosa das suas peças, a farsa trágica O Vagabundo das Mãos de Oiro, um dos maiores êxitos de sempre do teatro português, cujo manuscrito, confidenciou-me, foi rejeitado sucessivamente por quantas editoras existiam no País.
Recorreu então às suas economias e empreendeu uma edição de autor, com tiragem reduzidíssima, agora valiosa raridade bibliográfica.

A partir de uma determinada fase, os amigos começaram a notar-lhe uma gradual transfiguração: o rosto fechado numa opressiva amargura, queixumes morosos, permanentes. Depauperado da antiga força física, Romeu ia desvivendo na nostalgia da pujança e das glórias de outrora.
O padrão atlético, irremovível da sua maneira de ser, desfigurara-se de forma para ele insuportável. E lamuriava-se.
Quando nos avistávamos, temia que a qualquer instante repetisse o gesto do primeiro encontro, sacando da carteira a foto-testemunho do atleta em calções de banho, para que eu visse e confirmasse os tempos idos.

Num dia infeliz, beirando o fim, fui ao Chiado participar na sessão de lançamento de um livro na galeria de arte adstrita à antiga livraria do Diário de Notícias.
Já o evento ia a meio, apareceu Romeu Correia. Logo reparei que a mágoa da decadência persistia nos seus passos, no seu olhar.
Terminada a sessão, eu e Baptista-Bastos (outro dos seus amigos de longa data) entabulámos com ele, num recanto da galeria, uma conversa brincalhona.
Mas Romeu, desinteressado de tudo, dele próprio, apenas desfiava, com enorme crueza, lúgubres episódios («misérias humanas», nas suas palavras) que pertenciam ao território muito íntimo do seu corpo.
Sofri naquele fim de tarde ao ver o meu "pugilista das mãos de oiro" – campeão de primeira página – de braços caídos, sombrio, perdido, vencido – autor e actor da peça derradeira da vida, um drama.
Assim aconteceu a despedida.

A SEGUIR (conclusão):
AUGUSTO CABRITA, O REPÓRTER DO SILÊNCIO
Pedro Foyos
Jornalista


Nota: Uma saudação especial a Henrique Tigo, que reagiu à minha última crónica de uma forma inesperadamente comovente.
Ignorava que o autor da caricatura de Raul Rêgo era filho de H. Mourato, um artista extraordinário que conheci na redacção do diário “República”, onde ao tempo eu trabalhava.
Posso agora revelar que seu Pai muito se envaidecia do filho Henrique por considerar que «começava a manifestar um grande talento artístico.»
Pois bem: o trabalho gráfico reproduzido aqui no “Galo” comprova que a vaidade era justificada…

A Capa do Dia

Portugal esconde 125 mil desempregados, escondidos com o rabo de fora; suecas loucas por Cristiano Ronaldo, que segredo esconde este rapaz?; homem rapta mãe e irmão, onde será que os escondeu?; Sócrates:"A verdade vem sempre ao de cima"( no caso do "Galo"vem no post mais abaixo...), não lhe queremos esconder nada.

O susto de Sócrates

"...José Sócrates chegou, ontem, bastante cedo à RTP, onde afirmou que a “verdade virá sempre ao de cima” no caso Freeport e que o PSD de Manuela Ferreira Leite “é o mais à direita da sua história”.
Eram 20h15 quando o secretário-geral do PS entrou para a sala de maquilhagem do novo centro de produção da televisão pública. Maquilhou-se em dez minutos e ainda não eram 20h40 quando entrou no estúdio. Sozinho.
Judite de Sousa demorou largos minutos.
Nesse penoso período, Sócrates, sério, fechava os olhos e preparava-se para a entrevista.
Alertado por um assessor para o facto de nem esboçar um riso, o secretário-geral do PS abriu um enorme sorriso, voltou-se para os fotógrafos, levantou-se, passeou um pouco pelo estúdio e voltou a sentar-se.
Foi então que olhou em volta, com um ar aflito, e chamou um assessor.
Tinha-se esquecido de um papel importante no carro.
Foi nesse momento que entrou no estúdio Judite de Sousa, sorridente, que de imediato pediu desculpa a Sócrates por o ter feito esperar.
Mas, nessa altura, quase com a entrevista a ir para o ar, a preocupação do secretário-geral do PS era o tal papel misterioso que nunca mais chegava.
Chegou, e começou a entrevista.
Sócrates procurou mostrar as diferenças com a líder do PSD e considerou que o uso da palavra “verdade” é uma forma de atacar o seu “carácter” e o dos outros adversários.
Sobre a votação do ‘Sexy 20 Platina’ do CM, onde foi o mais votado, respondeu que não liga a frivolidades, mas, no entanto, tem a vaidade de um cidadão comum..."

In Correio da Manhã

A Águia estava esfomeada


Vejam lá se não vos vai fazer falta, no futuro, algum destes golos !!!
Cartoon de Henrique Monteiro

Beat it, expontâneo ( mais ou menos!)


E hoje, a caminho do emprego, na estação de Metro ou no parque de estacionamento, porque é que não começa uma coreografia destas? Pode ser que pegue...

Depois, quando chegar a Polícia, não lhes vá dizer que a ideia foi minha !!!

Educação

Cóltura Geráli

Um alentejano apanha um comboio para ir ao Porto e senta-se ao lado de um senhor muito bem vestido.
O alentejano começa a olhar e pergunta:
- Por acaso você nunca apareceu na televisão?
Ao que o Sr. responde:
- Sim, eu costumo ir a muitos concursos de cultura geral e por isso o senhor deve-me conhecer daí. Como a viagem vai ser longa, você por acaso não quer fazer um jogo comigo?
- Pode ser. - respondeu o alentejano.
- Então fazemos assim: como eu tenho mais cultura que o Sr., você faz-me uma pergunta sobre um assunto qualquer e se eu não souber responder, dou-lhe 50 euros.
A seguir faço-lhe eu uma pergunta e se não souber a resposta, dá-me só 5. Concorda?
- Vamos a isso. - respondeu o alentejano confiante.
- Então eu faço-lhe a primeira pergunta. Diga-me o nome da pessoa que escreveu "Os Lusíadas", aquele poeta só com um olho, que dignificou Portugal?
O alentejano começa a pensar e passados alguns instantes diz:
- Nã sei. Ê nã sei lêri.
- A resposta era Luís de Camões. Dê-me os cinco euros e faça-me uma pergunta qualquer.
- Tomi. Bem, qual é o animali que se o encostar a um chaparro sobe-o com quatro patas
e desce-o com cinco patas?
- Olhe, essa nem eu sei. - respondeu o homem muito admirado.
- Então passe para cá os 50 euros.
- Tome. Mas agora diga-me, que animal é esse?
- Tamém nã sei. Tomi lá 5.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Distracção

Até no Nepal, um simples zumbido de mosquito, pode-nos distrair, momentâneamente...

Foto de Art Wolf

We are the World


Ainda se lembram desta música e de toda a agitação que causou?

Então puxem pelas cabecinhas e descubram todos os artistas que participam neste clip.

Eu dou uma ajuda e o pontapé de saída - Michael Jackson...

A Luta continua


Não percam o próximo round, num ringue perto de si.
Cartoon de Henrique Monteiro

A Capa do Dia

Indústria e Turismo recusam aumento do salário mínimo, nem do mínimo?; Benfica humilha V.Setúbal, foi o máximo; falta de seguro camarário pôe em risco seguro das vítimas do carrocel, e um mínimo de vergonha?, líderes fazem treinos diários para debates na televisão, são mesmo o máximo, não são ?11% dos médicos em Portugal são estrangeiros, no mínimo...

SPIN


Na pré preparação da Rentrée, inauguramos hoje um novo tag - as Curtas.

Será uma tribuna para pequenos filmes ( de imagem real, já que os outros continuarão como ANIMA são). Aqui fica este, SPIN, quanto a mim, muito bem conseguido.

Ai Jasus, que ninguém segura este Benfica

Como disse já aqui, por diversas vezes, cá em casa somos três do Sporting, uma do Santa Clara, por raízes açorianas...e um do Benfica.
E esse do Benfica, o Afonso, vibra, sofre, luta, sózinho, mais do que todos os outros juntos.
Talvez esteja aí a célebre Mística, que nos falta a nós Leões, mais Lagartos que Leões.
Mas ontem, torcemos todos em conjunto, a apoiar o Afonso e o Benfica, que não pareceu precisar muito da nossa ajuda.
8 a 1 ao Vitória de Setúbal.
Será que a Isa, a La Payita e o Zé Manel, sadinos de alma e coração, ficaram tristonhos?
Aqui ficam os Parabéns a todos os Benfiquistas no geral e aos deste blog, no particular, com destaque para o Mário Ortet e o Jorge Nascimento, entre outros "doentes"...

A dentada da Rua Sésamo

O “Monstro das Bolachas”, personagem da série Rua Sésamo, deu uma dentada no prémio “Lifetime Achievement”, durante a 36ª edição dos Daytime Emmys.
A série, de nome original "Sesame Street", foi galardoada no seu 40º aniversário, pelo seu contributo para a educação das crianças, numa cerimónia que decorreu no Orpheum Theatre, em Los Angeles.

Fotografia: Danny Moloshok/Reuters

o Júri