quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Rio que dá piranha, jacaré nada de costas

18

Fiquei tão desconcertado quando vi o Miltinho do Pagode, quase em cima de mim, que sem saber bem o que fazer, saquei dum mapa do bolso e abordei-o eu.
“- Ôi, podia-me indicar onde fica a Barata Ribeiro?”
Vi, de imediato, que tinha metido o pé na argola pois ele, afinal, não me reconhecera e vinha a escutar música nos fônes que retirou das orelhas, contrariado.
“- Qué que você falou?”
“- Desculpe, sim ? Perguntei onde é que fica a Rua Barata Ribeiro. É perto?”
“- Bem perto, cara”
e esticou o braço, na direcção contrária à praia “ fica logo aqui por trás, qual é o número ?”
Por essa pergunta é que eu não esperava, e, entretanto vi que a Gabriela Torres à porta do hotel, nos observava intrigada.
Resmunguei qualquer coisa e agradeci, começando a andar, enquanto olhava de soslaio para os movimentos de Gabriela, que avançou para os lados do Leme, num passo firme.
Por essa altura, já Miltinho encolhera os ombros e recomeçara a sua corrida, sem se ter apercebido do aparecimento da mulher do patrão .
Eu apressei-me a encurtar a distância que me separava dela, para não perder de vista nenhum dos seus movimentos.
Chegada à esquina com a Princesa Isabel, onde na noite anterior eu tivera ocasião de observar o maior desfile de prostitutas, as célebres piranhas cariocas, e travestis, de que tinha memória, Gabriela posicionou-se para apanhar um táxi, que arrancou da praça existente junto ao hotel da outra esquina.
Depois seguiu viagem, enquanto eu gesticulava furiosamente, perdendo uns preciosos minutos até conseguir um fusca a cair de podre, conduzido por um motorista de palito na boca, que ouvia, em altos berros um jogo entre o Flamengo e o Vasco da Gama.
Quando lhe disse “siga o táxi que vai ali à frente” senti-o endireitar-se no lugar e acelerar, com ruído o velho wolksvagen que arrancou, a toda a brida.
Rapidamente, demais para o meu gosto, o meu táxi aproximou-se do outro que, nessa altura percorria já a Avenida Vieira Souto, em Ipanema.
O motorista tentou então entabular conversa “ patrício, quem é a dona? sua mulher?” e vendo que não obtinha resposta, resolveu castigar-me” deve ir para a Barra, para algum Motel”.
O trajecto do primeiro carro pareceu-lhe confirmar o prognóstico, porque depois de passar o Leblon entrou na Avenida Óscar Niemayer, que segue nessa direcção.
Ao passarmos em frente ao Vip’s, um dos mais antigos moteis do Rio, segundo me informou o meu companheiro de viagem, a saída de dois caros, que bloquearam momentaneamente a estrada sinuosa, fizeram-nos estar parados mais de cinco minutos.
Quando prosseguimos viagem, não havia qualquer sinal do táxi onde Gabriela viajava.
Um pouco mais à frente, tendo que escolher entre a direcção São Conrado ou Barra, resolvi seguir a intuição do meu motorista, mas com resultados nulos.
Tinha perdido Gabriela Torres, logo na minha primeira missão de vigia…

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Twilight Zone - A 5ª Dimensão


A 5a Dimensão, como esta série de televisão era chamada
entre nós, foi dos primeiros programas que, logo no início
das transmissões televisivas em Portugal, me fez
estar preso em frente ao desajeitado aparelho a preto e branco
e, depois, aguardar ansioso pela emissão seguinte.
Criada por Rod Sterling, com realização inicial
de Stuart Rosenberg, Twilight Zone teve,
nos seus mais de quarenta anos de existência,
divididos em 9 temporadas
(as cinco primeiras entre 1959 e 1963,
as três seguintes entre 85 e 89, e, finalmente,
a última em 2002/2003), mais de 300 episódios.
Os argumentos descritos, por muitos,
como sendo de Fantasia, Terror e Ficção Ciêntifica
são, para mim, pequenas Histórias do Insólito que ,
perdoem-me o egocentrismo, muito influenciaram os meus gostos,
leituras e, até, forma de escrever e temas escolhidos.
Em 1983 seria realizado um filme com quatro episódios
e quatro realizadores (Spielberg,John Landis, Joe Dante
e George Miller) que, apesar dos meios técnicos e materiais
postos à sua disposição, não acrescentaria nada
à magia dos velhinhos episódios, parcos de recursos,
com cenários rudimentares e efeitos quase amadores
mas que nos prendiam hipnotizados ao écran do televisor.
Se der pela passagem da Twilight Zone numa qualquer TvMemória,
não perca. Vai-me agradecer!

...Once more time?!???

Lembram-se da experiência que fizemos no outro dia
( com uma ilustração em que dois rapazes
estavam presos um ao outro pela gravata)?
Pois, hoje, a imagem inspiradora será esta...
Agora, é só escreverem uma pequena história
de cinco/seis linhas e enviarem-na, como comentário.
Até já...

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Rio !!! - Tony Bellotto

Minha sogra sempre fala do silêncio no Maracanã na final da Copa de 1950, depois que perdemos o jogo para o Uruguai.
Mesmo quem não estava lá, ou quem ainda nem tinha nascido, conhece aquele silêncio.
Faz parte de nosso DNA. É um tijolo importante na construção da nossa identidade cultural.
Se o Brasil estava na época preparado ou não para realizar uma Copa eu não sei.
Mas a poesia e a tristeza daquele silêncio permanecem como a inauguração de alguma coisa difusa, porém fundamental para nós, brasileiros.

Imagens do Rio povoam a mente de qualquer brasileiro.
Seja num cartão postal, num calendário ou numa cena de novela.
Algumas imagens eu não vou esquecer nunca: a noite em que os Titãs abriram o show dos Rolling Stones, eu em cima do palco, o coração saindo pela boca, vislumbrando aquele formigueiro sem fim, mais de um milhão de pessoas na praia de Copacabana.
E o que mais me impressionou: o número de barcos ancorados na baía, uma verdadeira favela iluminada em que barracos se transformaram em barcos.
E os Stones, intrigados: um milhão de pessoas e nenhum incidente grave, nenhuma rebelião, nenhum pisoteamento?

Para os cariocas nada demais, todos os revéillons na praia são assim, brother.
Como é que um negócio desses pode dar certo?
Numa das cidades mais violentas do mundo?
Ninguém jamais saberá explicar. Ou entender.
A insustentável leveza do ser carioca.
A cidade em que o aeroporto leva o nome de um compositor de música popular.
Aqui estão o bom-humor, a corrupção, a alegria, as balas perdidas e as licenças poéticas.

Das velhinhas de cabelo azul passeando por Copacabana aos gringos em safári pela favela, dos flanelinhas banguelas guardando carros na Barra às madames botocadas saindo do Gero, dos sambistas sorridentes da velha guarda aos clubbers doidões, virados de ecstasy, dos fotógrafos de celebridades aos bebês chorões, brincando na areia, dos pitboys lutadores de jiu-jitsu aos casais gays abraçados na Farme de Amoedo, ninguém se preocupará em entender. Ou explicar.

Continuam as imagens na minha cabeça: a ECO 92, Jello Biafra passeando despercebido pelos stands ecológicos. Não é o cara do Dead Kennedys?
Rubem Fonseca caminhando pelo Leblon, finjo que não vejo pra não encher o saco do Mestre. Não é a Juliana Paes? Onde? Ali! Os arrastões na praia, o abraço na Lagoa.

Meu filho de catorze anos foi assaltado pela primeira vez na semana passada.
Não liga, João, é assim mesmo. Ser assaltado, nessa cidade, é como participar de um rito de passagem.
Como uma primeira comunhão, ou um bar mitzvah.
Como sair numa escola de samba, ou comer biscoito de polvilho Globo na praia de Ipanema num domingo de sol.
Ou assistir a um Fla Flu no Maracanã. Ver uma peça de Nelson Rodrigues, adentrar um prédio projetado por Oscar Niemeyer.

A cidade vai penetrando a gente, mineiros, paulistas, franceses, marcianos, e não desgruda mais. Rock in Rio em Lisboa. Na boa.
O Brasil como ele é. Ronald Biggs, lembram dele? O mais carioca dos ingleses, a prova viva de que aqui até o crime compensa.
Ex-terroristas, generais de pijama, maconheiros e padres surfistas, crianças cheirando cola, empresários contando grana, ninguém jamais poderá explicar. Ou entender.
Meca de todos os grandes golpistas no cinema e na vida real, ex-capital da colônia, ex-capital do Império Lusitano durante as guerras napoleônicas, ex-capital do Império do Brasil, ex-capital da República, perene cidade maravilhosa, terra da beleza e do caos, o paraíso depois que Adão e Eva foram expulsos, mas ainda sob as bênçãos sólidas de um barbudo concreto com braços permanentemente abertos.
As contradições desabando sobre nossas cabeças como pedras numa avalanche.
Eu explico: as cidades, como as mulheres, não precisam ser entendidas, precisam ser amadas.
O barulho que escuto agora vindo da rua – buzinas, gritos, rojões – contrasta com o silêncio do Maracanã em 1950.
Mas confirma que vivemos novamente a inauguração de alguma coisa difusa, porém fundamental para nós, brasileiros.
A mim, resta conjugar na primeira pessoa do singular do presente do indicativo o verbo que expressa a alegria: Rio!!!

Tony Bellotto
( Guitarrista da banda Rock "Titãs" e autor de diversos romances policiais, tendo como herói o detective Remo Bellini )

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O Pequeno Príncipe

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A Capa do Dia

Famílias perdem 17 mil milhões com a crise, o Fado da desgraçadinha; o Benfica continua a ganhar, o Fado é quinduca; Ferreira Leite e Paulo Portas no Porto, à desgarrada; Cavaco e Sócrates em locais diferentes no 5 de Outubro, o Fado do 31; Amália hoje, Amália sempre, o Fado tout court...

Não ao Calão


Os Gato entrevistam o 1º Ministro


Uma entrevista esclarecedora, sem tabus, nem rodeios...

Enviado por Mário Ortet

Café da manhã no Copacabana Palace

17

Apesar da ilha em Angra dos Reis e da imensa cobertura na Delfim Moreira, o meu marido insiste, muitas vezes, em que fiquemos no Copacabana Palace.
O argumento é que lhe é mais conveniente para reuniões de negócios, contactos com políticos e autoridades que não se sentiriam tão à vontade ao irem visitá-lo a casa.
Eu não o contrario porque, também para mim, é mais agradável o movimento cosmopolita do hotel versus a vida enclausurada no apartamento gigantesco mas que ultimamente, já me vai causando momentos de pânico e claustrofobia.
O hotel, que conheceu os seus momentos de glória, nos anos 50 e 60, quando ainda pertença da família Guinle, recebeu estrelas como Ava Gardner, Gina Lollobrigida, Za Za Gabor, Brigitte Bardot ou Kim Novak, já foi ultrapassado por outros em modernidade e conforto, mas nunca em charme e carisma.
Jorguinho Guinle, pequeno em estatura mas grande, segundo ele, em sedução, namoriscou, também segundo ele, todas estas vedetas, com as quais gastou fortunas, vindo a morrer, recentemente, numa situação, se não de pobreza, pelo menos, remediada.
Sérgio Cassini, admirador confesso das suas aventuras galãs, a que junta as de Porfírio Rubirosa e de outros conquistadores sul-americanos, gosta de ficar aqui instalado, penso eu, para beber alguns eflúvios sedutores que ainda perdurem nestes corredores.
Mas falta-lhe muita classe para chegar aos calcanhares destes seus antecessores.
Temos alugada só para nós, uma ala inteira do hotel o que engloba a suite presidencial onde ficamos, composta por vários quartos, salão de refeições, escritório e um pequeno ginásio, outras suites mais pequenas para convidados e vários quartos para o guarda costas, o motorista e uma figura sinistra que começou a acompanhar-nos, alguns meses atrás – um alemão, saído directamente dum filme nazi, de nome Hans Hanh, e que, pelo menos oficialmente, exerce as funções de contabilista do grupo.
Quando me encontra sozinha, esse homem de feições angulosas e cabelo a rarear, despe-me com os olhos o que, sem ser uma experiência totalmente nova, me faz sentir suja e conspurcada.
Pensei transmitir esta situação ao meu marido mas, dado o estado de degradação em que a nossa relação se encontra, achei por bem não o fazer.
Contudo, este é um dos poucos motivos de desagrado da minha estadia no Copacabana, porque tudo o mais, do serviço, à comida, à proximidade da praia e aos diversos espaços interiores existentes, me é simpático e faz-me sentir confortável.
E confortável é a expressão exacta como me sinto, sentada junto à piscina do hotel, a tomar uma agradável café da manhã, como chamam ao pequeno almoço por estes lados, enquanto através das grandes vidraças vou vendo o movimento lá fora, no Calçadão, junto ao areal de Copacabana.
Há largos minutos que contemplo Teo Santana, de sentinela, como combinado, em frente à entrada do hotel quando para meu espanto vejo Miltinho, o guarda costas do meu marido ir ao seu encontro e ambos começarem a falar com grande gesticulação.
-De onde é que estes dois se conhecerão? pergunto-me, perplexa.

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Surprise

A receita é misturar um ambiente Hitchcockiano com uma montagem à la Tarantino, de trás para a frente. O resultado é uma curta meio estranha...

O Escuta

Aquele trabalho era de uma sensaboria a toda a prova.
Fazia escutas desde que saíra da tropa, depois
da comissão na Guiné, muitas décadas atrás,
mas nunca tinha vigiado ninguém tão pouco interessante.

Lembrava-se, ainda, do seu primeiro serviço…
Passara dias, semanas mesmo, a ouvir os telefonemas
da Cilinha Supico Pinto, à altura, a dirigente
do MNF- Movimento Nacional Feminino.
O Presidente do Conselho, coisas da idade, metera na cabeça que ela podia ser uma agente moscovita infiltrada.
E ela só a falar de chás canastas, de jantares de beneficência, de viagens às colónias, para distribuir uns cigarritos à tropa fandanga…

Depois da revolução, é que tinha sido um fartote.
Escutara o Costa Gomes a mando do Spínola.
E, depois, o Spínola por ordem do Costa Gomes. Fizera imensos trabalhos para o Otelo.
Ouvira, em pormenor, conversas de tenebrosos banqueiros, empresários perigosos, militares de facções contrárias, políticos reaccionários e, até, uma corista que o general trazia debaixo de olho.
Mas a vida continuou. Nunca lhe faltara trabalho.
Fora ele que descobrira o affaire da Snu com o Sá Carneiro, que despoletara a zanga entre o Zenha e o Soares (ao denunciar que, este último, apelidava o outro de nariz de pica pau), que apressara a saída do Freitas do CDS, estivera por trás do divórcio do Soares (filho), das primeiras suspeitas do caso da Casa Pia ( do qual fora, rapidamente, afastado, quando as pistas se começaram a aproximar perigosamente do Poder) e muitos outros casos, que nem sequer envolviam políticos.
As trafulhices do Vale e Azevedo, ouvidas num telefonema, interceptado com a simples intenção de saber se o João Pinto sempre ia para o Sporting, é apenas um exemplo entre dezenas, centenas mesmo, de outros…

Mas trabalho, enfadonho como este, nunca tivera.
Quando o chefe lhe falou em porem o palácio sob escuta, até que ficou entusiasmado.
Pensou que iria escutar conversas sérias com o Obama ou brejeirices com o Sarkosy, negociatas com o Eduardo dos Santos ou, quem sabe, alguma encomenda que a mulher do Presidente fizesse à rainha de Inglaterra, para aproveitar os saldos do Harrod’s ou dos Selfridges.

Mas, até agora, nada.
Nem conspirações para derrube do Governo nem, ao menos, algum idílio platónico com a amiga Manela, nos corredores do edifício.
Uns telefonemazitos para o Algarve a encomendar mais alfarroba, umas conversas de circunstância, à hora do jantar ”Maria, passa-me o sal …” e pouco mais.

Resolveu telefonar ao chefe, a saber se poderia sair mais cedo.
Andava a chegar a casa tardíssimo e até estranhava que a mulher ainda não lhe tivesse dito nada.
O Presidente depois de ter tentado resolver, mais uma vez com insucesso, as palavras cruzadas da Visão Júnior, dormia há muito a sono solto, na poltrona em frente ao televisor, sintonizado no “ Salve-se quem puder!” enquanto a sua Maria tagarelava com a cozinheira sobre a melhor maneira de fazer farófias.

O telefone do chefe estava interrompido. Nada que ele não solucionasse…
Com um simples click, introduziu-se na conversa.
“..É o que lhe digo, o gajo é um incompetente, e cornudo, ainda por cima.”
Era a voz do Marques, o seu colega mais chegado.
A resposta do chefe foi imediata “ E porque é que julga que o coloquei neste caso de Belém ?. Para o queimar e ter um pretexto…”.
Desligou abruptamente, suores frios a escorrem-lhe pela testa.
Tinha que contar à Odette, a sua mulher ia, certamente, animá-lo.

O telefone de casa estava também ocupado. Repetiu a operação.
“…Mas querido, eu não si a que horas é que meu marido vai chegar. Com ele nunca se sabe,,,”
“Está bem, amor, mas desce só um bocadinho. Estou cá em baixo no carro, no sítio do costume”. O Salvador, vendedor de carros usados do stand lá do bairro…

Cortou a ligação, em silêncio.
Accionou, de novo, os botões necessários, que o conectavam
com o Palácio de Belém.
A Primeira Dama cantarolava uma música do Tony Carreira,
enquanto tirava a maquillagem, na casa de banho.
O Presidente ressonava, sibilante, num sono descansado.
A vida continuava. Nada como as rotinas…

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Feminino

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Mercedes Sosa - Gracias a la Vida


Calou-se uma das vozes mais célebres da América Latina.
Mercedes Sosa faleceu aos 74 anos, após um longo combate contra a doença.
Nascida na Argentina, em 1935, foi, durante os anos da ditadura, a voz dos que não tinham voz, com um vasto repertório de músicas de intervenção.
Obrigada ao exílio, voltou ao seu país em 1983, de onde saía para concertos, com nomes como Luciano Pavarotti, Sting, Joan Baez, Andrea Botcelli ou Chico Buarque.
Com ela o mundo inteiro aprendeu a cantar “Gracias a la vida”.

Não há rapazes maus

16

Nos Anos 80, as principais mudanças em relação ao Rio dos nossos dias, falando apenas da Zona Sul, que é afinal a única que os turistas conhecem, é que a cidade ainda não se expandira na direcção do Recreio dos Bandeirantes, chegando apenas até São Conrado, e as casas de Ipanema e Leblon não apresentavam os gradeamentos hercúleos, que agora circundam todos os edifícios.
Também as favelas, com a Rocinha na dianteira, não tinham a pujança actual.
O resto, praias e avenidas marginais, principais edifícios, praças e jardins, continua imutável, como era à época.
Tudo isto o olhar sôfrego de Miltinho, então ainda sem ser do Pagode, apreendia, enquanto o esguio cabriolet do “Dôtor” Salvatore Cassini percorria as ruas em direcção ao Alto da Boa Vista, onde se situava a mansão Cassini, por muitos apelidada de Cassini Royal, pois ali se podiam ganhar fortunas nos negócios engendrados nos jardins, onde as mangas impregnavam o ambiente dum leve cheiro a gás, cortado pelo forte perfume francês das senhoras presentes.
Quando o jovem pé descalço entrou naquela casa de escadarias de mármore, quadros pendurados nas paredes, elevador entre os pisos, salões imensos, piscina, sauna e ginásio, pensou estar a chegar ao Paraíso.
De seguida, indicaram-lhe o quarto, que iria partilhar com o ajudante de jardineiro, um tímido, mas sorridente, parabaiano, e o banheiro onde tomou o mais demorado e saboroso banho de toda a sua vida, com água quente…
Depois de lavado e vestido com uma camiseta e uns calções novos, sentou-se à mesa da cozinha e engoliu um pernil com arroz e feijão que lhe fez chegar as lágrimas aos olhos.
Mais tarde, foi apresentado ao adolescente mais bonito que alguma vez vira.
Sérgio, alto, moreno, esguio, mas já bem musculado, sorriu-lhe e estendeu-lhe a mão, em sinal de boas vindas .
“- Então é você o cara que vai ser meu anjo da guarda?”
Miltinho, encabulado ficou sem resposta, mas percebeu ter encontrado a sua razão de viver – proteger aquele moço, mesmo arriscando sua vida, ser fiel aquela família que o tratava como um ser humano, pela primeira vez em toda a sua existência.

O crescimento de ambos deu-se em simultâneo.
Enquanto Sérgio tinha aulas, Miltinho dava um salto, com a cumplicidade do motorista, até às favelas dos arredores, onde era sempre bem recebido.
Quando estavam juntos, jogavam box, praticavam judo e capoeira, faziam tiro ao alvo.
Apesar de mais destro nas lutas corpo - a - corpo, Miltinho tinha o cuidado de deixar que o seu jovem patrão ficasse com a sensação de ter vencido.
Sérgio, frontal e amigo, era também capaz dos maiores ataques de violência se fosse contrariado ou derrotado, no que quer que fosse.

Eram estes pensamentos do passado que ocupavam a mente de Miltinho do Pagode, enquanto fazia a sua marcha matinal, de todos os dias.

Distraído, quase foi de encontro a um branquelas com ar de turista, que olhava para ele, parado no Calçadão.

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Costa a caminho da meta

Cartoon de Henrique Monteiro

Las Tapas de nuestros Hermanos

Adoro comida espanhola.
Perto do meu escritório, onde sou escriturário das 9 às 5,
abriu, agora, o “ Retiro de las Tapas”.

E hoje resolvi experimentar.

Entrei e olhei com deleite, o comprido balcão repleto de iguarias coloridas expostas em dezenas de pequenos pratos, platillos, segundo eles.
Encomendei Pan de Ajo frito y Chorizo, Mejillones con Mantequilla de Hierbas, Empanadillas de Queso y Aceitunas e Judias Verdes con Piñones.
Saboreei tudo, lentamente, acompanhado de um Tinto de Rioja.
Mas, no fim, a fome mantinha-se igual.

Pedi Patatas fritas con Pimentón picante, Salsa de Berenjena y Pimiento, Buñuelos de Queso, Calamares Sevillanos e Langostinos con Guindilla Chisporreante.
Desta vez, como bebida, mudei para uma caña San Miguel.
O vazio no estômago, esse, permaneceu.

De seguida, foi a vez das Tartaletas de Cangrejo, Atún con Aceitunas Rellenas, Pinchos de Rape, Romero y Beicon, Sardinas marinadas en Vinagre de Jerez e Salmón fresco en Mojo Picón.
No final, paguei e fui, a correr, apanhar o 22.

Chegado a casa, saboreei um belo bife do lombo, com batatas fritas e um ovo a cavalo.
O estômago ronronou, por fim, satisfeito.
Razão, tem, a Tia Manela…

Viajar é preciso

domingo, 4 de outubro de 2009

Desastre incrível


Beba à vontade, mas, por favor, não conduza...

Enviado por Maria Moura

A Capa do Dia

Braga segura a liderança da Liga com 7ª vitória, yes; em Famalicão faz-se 90% das Leica, Yes; há um João Cordeiro ( com pele de lobo) que não conhecemos, Yes?; depois do "Sim"irlandês, a Europa quer tratado até Janeiro de 2010, YES !!!!

Os Homens


Como as Mulheres nos vêm:

Os homens bons são feios.

Os homens bonitos não são bons.

Os homens bonitos e bons são gays.

Os homens bonitos, bons e heterossexuais estão casados.

Os homens que não são bonitos, mas são bons, não têm dinheiro.

Os homens que não são bonitos, mas que são bons e com dinheiro, pensam que só estamos atrás de seu dinheiro.

Os homens bonitos, que não são bons e são heterossexuais, não acham que somos suficientemente bonitas.

Os homens que nos acham bonitas, que são heterossexuais, bons e têm dinheiro são cobardes.

Os homens que são bonitos, bons, têm dinheiro e, graças a Deus, são heterossexuais, são tímidos e NUNCA DÃO O PRIMEIRO PASSO!

Os homens que nunca dão o primeiro passo, automaticamente perdem o interesse em nós quando tomamos a iniciativa.

AGORA... QUEM NESSE MUNDO ENTENDE OS HOMENS?

Moral da História: Homens são como um bom vinho. Todos começam como uvas, e é dever da mulher pisoteá-los e mantê-los no escuro até queamadureçam e se tornem uma boa companhia pro jantar.

A resposta dos Homens, representados por alguém que percebia do assunto

"Mulheres existem para serem amadas, não para serem entendidas."
Vinicius de Moraes

O mais Chato


Luta de Machos


Primeiro temos que lutar contra os outros pretendentes para a conseguirmos conquistar aquela que julgamos ser a Mulher da nossa Vida. E quando esse assunto fica, por fim, resolvido, passamos a ter a competição feroz dos nossos filhos. Haja coragem...

Enviado por Moira de Trabalho

Viver despenteada


Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie.
Por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade…
O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é bom, engorda. O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto, enruga.
E o que é realmente bom nesta vida, despenteia…

– Fazer amor – despenteia.
- Rir às gargalhadas – despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar – despenteia.
- Tirar a roupa – despenteia.
- Beijar a pessoa amada – despenteia.
- Brincar – despenteia.
- Cantar até ficar sem ar – despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa ideia calçar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…

Então, como sempre, cada vez que nos vejamos eu vou estar com o cabelo despenteado…
Mas podes ter certeza que estarei a passar pelo momento mais feliz da minha vida.
É a lei da vida: Vai estar sempre mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir.
Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável,toda arrumada por dentro e por fora…
O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:Penteia o cabelo, põe, tira, compra, corre, emagrece, come coisas saudáveis, caminha direita, fica séria…
E talvez até devesse seguir as instruções, mas…quando me vão dar a ordem para ser feliz?
Por acaso não se dão conta que para ficar bonita eu tenho que me sentir bonita???
A pessoa mais bonita que posso ser!
A única coisa que realmente importa é que ao me olhar no espelho, veja a mulher que devo ser.
Por isso, a minha recomendação a todas as mulheres:
Entrega-te, come coisas gostosas, beija, abraça,dança, apaixona-te, relaxa, viaja, salta,dorme tarde, acorda cedo, corre, voa, canta, arranja-te para ficares linda, arranja-te para ficares confortável, admira a paisagem, aproveita, e acima de tudo:Deixa a vida despentear-te!!!!

O pior que pode acontecer é que, rindo em frente ao espelho, precises pentear-te de novo...

Lisa Daniel (Our Swedish Girl)

sábado, 3 de outubro de 2009

Tenha o interruptor sempre para cima

Enviado por Contessa

Gostam de andar de avião?

Dizem que o avião é o meio mais seguro de viajar. Será?

Estes passageiros não devem ter ganho para o susto...

Porque fazem Sexo as Mulheres?

Com base em cinco anos de pesquisa,
dois psicólogos identificaram 237 razões
para o ser humano ter relações sexuais.
No caso das mulheres,
o sexo depende do contexto.

Algumas, como Manuela Ferreira Leite, dizem que é para procriar.
Outras, que é para ter prazer.
A imensa e silenciosa maioria não diz nada.
Faz ou não e pronto.

A 'Newsweek' desta semana revela no seu site um novo livro
que aborda o tema: por que fazem sexo as mulheres.

O tema é antigo e mantém a polémica, pelo que este
é mais um contributo para a discussão.
Intitulado "Porque as Mulheres Fazem Sexo",
o livro de Cindy Meston e David Buss , dois psicólogos
da Universidade do Texas, tenta iluminar as complexidades
da vida sexual feminina, dando palavra às próprias mulheres.
Foram cinco anos de pesquisas e mais
de mil mulheres entrevistadas.

As respostas vão desde razões altruístas ("tinha pena dele")
às vinganças e até à necessidade
de resolver uma dor de cabeça. Literalmente.
Um inquérito online e sob anonimato realizado em 2007
deu origem ao livro de Meston e Buss, tendo identificado
237 razões para que os humanos tenha relações sexuais.
No universo masculino domina a necessidade de diversão,
mas o universo feminino revelou-se bastante mais complexo.

Situação que se reflecte no facto de um quarto das mulheres
dizerem ser incapazes de ter orgasmos.

"O sexo feminino depende muito mais do contexto
em que acontece", afirma Meston à 'Newsweek'.
Laura Berman, professora de Psiquiatria na Universidade
de Northwestern e autora do livro "Real Sex for Real Women",
diz à 'Newsweek' que, embora possa haver dúvidas
(quanto ao rigor das respostas) , esta obra é um grande passo
para tentar perceber as ambições femininas
face às relações sexuais.


Expresso


E para si, Amiga e Leitora do "Galo",
quais são as três principais razões
que a levam, ou não, a fazer Sexo ?
E já agora, alargamos a pergunta
aos nossos Machos, sem ofensa, de serviço?

Sempre quero ver essas respostas...

Vamos puxar pela Criatividade ?

Então vamos fazer assim...olhem para esta imagem o tempo que considerarem preciso.
Depois, imaginem uma pequena história, dez, quinze linhas no máximo, e escrevam um comentário, com título e tudo ( Ex: O caso dos Gémeos Siameses).
E depois , faremos a crítica das mesmas. Alinham?

Desejo


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A explicação do inexplicável

O Comentário d(est)a Semana só podia ser este.

A "interpretação" que o Armando Cardoso fez da "explicação" do PR...
"...Não entendo como é que há pessoas que dizem não ter percebido o alcance ( e significado) do discurso do PR …
Descodificando ( e para aqueles que não ouviram ou não entenderam) será qualquer coisa do género:
"Venho aqui comunicar a todos os meninos que dois meninos da turma do lado disseram que um menino da minha turma tinha dito que eu desconfiava deles.
Venho dizer a todos os meninos que eu não disse nada disso e até fui para a minha casa de Boliqueime curtir as férias.
Só achei estranho que um menino da outra turma já soubesse que eu tinha dito aos dois meninos da minha turma que desconfiava dos meninos da outra turma e que se eles sabiam que eu desconfiava deles era porque tinham estado a escutar atrás da porta.
E a minha mãezinha sempre disse que era feio escutar.
Só foi isso que eu disse.
E os meninos da minha turma garantiram-me que não disseram nada a ninguém e que se o mail do jornal foi divulgado noutro jornal é porque os meninos da outra turma entraram no meu computador, porque eu não sabia nada do almoço do menino da minha turma com o menino do jornal e o menino da minha turma até me disse que só foram comer um gelado e nem falaram em escutas. Espero ter sido claro e espero que todo o País me tenha entendido."
Esta é a minha interpretação da interpretação que o senhor PR fez ao interpretar os acontecimentos …"
Boa, Armando, se o Alegre não avançar e o Sampaio mudar de ideias, ainda te vêm chamar para a Presidência...

A Capa do Dia

Sócrates Parte II...o que é que isto me faz lembrar?!??
Ah, já sei.
O Padrinho II...o Rambo II, o Rocky II ...o ExterminadorII.........

A arte de não ser artista

É fácil confundir conhecimento com cultura.
Decorar nomes e debitá-los numa vernissage
não nos faz cultos. Faz-nos parvos.
Especialmente
porque estamos convencidos do contrário.

Aqui há dias falava com um vizinho, no balcão do café, acerca de filmes.
Não se lembrava de um único nome de realizador, de actor, de director de fotografia; e no entanto, falava com imenso vigor acerca dos planos de filmagem; defendia com unhas e dentes que a câmara só deve mexer quando se justifique, e não daquela maneira blockbustiana que acompanha os olhos do protagonista, mesmo quando só está a existir.
Fiquei convicta da sua paixão pela arte – no caso, o cinema; não porque a procurou em livros e revistas para fixar termos técnicos – mas porque procurou dentro de si a razão das suas emoções ao ver um filme. E achou-a.
Quando Marcel Duchamp apresentou Fonte – um urinol de cerâmica, invertido e assinado
R. Mutt – na exposição da Sociedade para Artistas Independentes de Nova Iorque, em 1917, o presidente da sociedade terá então comunicado à imprensa que Fonte «não era uma obra de arte, sob qualquer definição».
Apesar de não ter sido aceite na exposição – ou talvez por isso mesmo – a obra de Duchamp serviu, como nenhuma outra até então, para pôr em causa o conceito de arte.
Escreveu-se, a propósito, na revista The Blind Man, sob o título «O caso Richard Mutt»:
É irrelevante que o Sr. Mutt tenha ou não
feito a fonte com as suas próprias mãos.
Mutt ESCOLHEU-A.
Pegou num objecto vulgar do dia-a-dia,
colocou-o de modo a que o seu significado
útil desaparecesse sob o novo título
e perspectiva – criou um novo
pensamento para esse objecto.

Portanto, uma coisa é certa: foi tão difícil há 100 anos como é hoje uma nova assimilação do conceito de arte.
Um exemplo muito actual disso é a arte urbana – graffiti – que muitos consideram simplesmente ‘lixo visual’.
O conceito de que a obra de arte tem de ser produto das mãos do artista, ou que tem de ser esteticamente bela e tocante, ou ainda que tem que demonstrar mestria do autor face a habilidades que “os outros” não conseguem dominar [o tal ‘jeito para o desenho’ que tanto me irrita, por exemplo] está, então, pelo menos 100 anos desactualizado.

Nas definições mais recentemente debatidas, arte passou a ser um fenómeno filosófico, ou pelo menos intricadamente relacionado com a filosofia do pensamento actual – de qualquer tempo - especialmente no que toca à reformulação de ideias e conceitos, o questionar de temas, [re]lançar novas perspectivas sobre assuntos geralmente intocáveis. Não confundir, no entanto, com provocação pura e simples.

A arte, quer nos entre pelos olhos ou pelos ouvidos, é uma coisa sentimental. Definitivamente, entra-nos pelo coração e, por isso mesmo, difícil de justificar. Eu sei muito pouco sobre arte. Daquela que se decora, se calhar até sei, mas não o suficiente para fazer boa figura nos jantares de sexta-feira. Mas o que eu queria mesmo era ser artista. Eu sei que isto pode soar a sonsice, uma vez que os meus desenhos têm sido entusiasticamente elogiados. Mas, são desenhos, sabem? São retratos, paisagens, objectos urbanos que reproduzo como os vejo, ou os sinto. Aqui e acolá procuro novas plasticidades mas não têm alma de arte. São cópias.

Aqui há tempos, porém, sucedeu algo extraordinário. Pintei o meu primeiro quadro. Para quem o vê, este sim, é uma cópia. Para mim, é a expressão artística na sua forma mais pura: a intervenção sobre um mundo pragmático, procurando a subversão do evidente e a discussão dos temas sociais mais prementes. Dito assim até parece arte…




Moira de Trabalho
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A primeira Aula

Copacabana, princezinha do Mar

15

Ainda me parecia estar a sonhar, ao olhar pela centésima vez para o calçadão que se estendia à minha frente.

Pedra portuguesa, preta de e branca, em ondas simétricas que se tinham tornado um dos ex-libris do Rio de Janeiro.E mais à frente, junto ao Hotel onde estávamos hospedados, a Deolinda e eu, os desenhos tornavam-se abstractos, acrescidos de pedra rosa, em magníficas composições do arquitecto Burle Marx, como me informaram na recepção do Othon.

Mas recuemos cinco dias atrás, ao jantar italiano em Lisboa, onde Gabriela Torres, sem papas na língua, foi directa ao assunto.“- Quanto é que você factura por mês, na sua Agência de Detectives?”

Limpei a boca, para ganhar tempo e respondi , multiplicando a realidade por três ou quatro vezes.“- Para aí uns dez mil euros” menti eu, com todos os dentes que tenho na boca.

Gabriela, sacou do livro de cheques, preencheu um e passou-mo .“ – Tem aqui um valor que cobre o exclusivo do seu trabalho, durante três meses, embora eu tenha esperança que tudo se resolva em muito menos tempo” e acrescentou “claro que as viagens e estadia, para si e para a sua…secretária, serão pagas à parte”.

“- Viagens?” perguntei eu, sem saber bem o que fazer àquele pedaço de papel que representava mais do que eu ganhava, habitualmente, num ano.

“- Óbvio, vocês têm que partir para o Rio, o mais rapidamente possível. Quero que não me perca de vista a partir de agora, e a sua colaboradora também poderá ser útil, embora ainda não saiba bem para quê…”

Senti-me na obrigação de defender a Deolinda “- Ela é uma excelente investigadora, tem contactos em todas as Polícias, e na do Rio também, com toda a certeza”.

“- Então está combinado” disse ela, levantando-se e estendendo-me a mãotratem de tudo e vamos mantendo o contacto”.

E assim foi. Uma correria para tratar dos passaportes ( o meu estava caducado e a Deolinda nunca tivera tal coisa ), telefonemas a avisar os nossos clientes mais habituais, que eram poucos, das nossas férias inesperadas, alguns contactos com colegas do outro lado do Atlântico, umas roupas frescas metidas numa mala e, pronto, estávamos preparados para a aventura.

No entretanto, nunca mais estivera com Gabriela pessoalmente, mas trocara impressões com ela através do telefone e assim soubera que o dinheiro com que ela me pagara viera das poupanças conjuntas que tinha com a mãe, já que ela não tinha acesso às contas do casal e que a sua viagem seria poucas horas antes do nosso voo, embora através de uma outra companhia.Como ia viajar acompanhada por um acólito do marido, um tal Miltinho, não queria que ele tivesse qualquer contacto visual connosco.

Aproveitei os poucos tempos livres para estudar a ficha do passarão, arranjada por Deolinda, graças a um dos seus amigos da Judiciária.

Cara de pitbull, cicatriz na testa…nunca iria esquecer uma cara como essa, tão pouco amigável.

E, de repente, em pleno calçadão vi o famigerado Miltinho a caminhar…direito a mim.

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Safari Orangina



Outro vídeo meio aparvalhado para (re)confirmarmos a conclusão a que já tínhamos chegado ontem...a de que os homens são, também eles, meio aparvalhados!!!

Um Camarada Brasileiro - Nilto Maciel

Gilberto da Silva não chegou a realizar o grande sonho de sua vida: um filme.
Foi mais longe, porém, que todos os seus conterrâneos.
Filho de um fotógrafo ambulante, alcunhado Chico Lambe-Lambe, desde menino Gilberto sonhou exceder seu diligente pai.
Um dia seria cineasta, amigo de John Ford, Fritz Lang, Orson Welles.
Via todos os filmes, lia tudo sobre cinema, apaixonava-se pelas mais belas estrelas de Hollywood.
Consumia-se na solidão, entregue àquele prazer feito de ilusão e arte.
Buscou o lado requintado da tela e descobriu Serguei Eisenstein, num cineclube.
E conheceu interessantes cineclubistas.
Tempos depois filiou-se ao Partido Comunista.
Em casa houve pânico. A mãe quis amaldiçoá-lo.
O pai, ódio a espumar na boca, chutou a velha máquina ambulante.
Não mais a usava, porém.
Instalara-se há pouco numa sala, à frente da qual mandara pintar: STÚDIO FOTOGRÁFICO SÃO FRANCISCO.
O pior ainda viria: sem qualquer aviso, Gilberto desapareceu.
No terceiro dia seus pais pereciam loucos.
Com certeza o “menino” morrera. A polícia o matara.
Por que fora se meter com os comunistas?!
Na verdade, o rapaz embarcara clandestinamente para a Europa.
E chegou a Moscou num dia de muita neve.
Tomou vodca, visitou museus e conheceu dezenas de camaradas.
Entre eles Vsevolod Pudovkin. Só de longe, é claro.
O cineasta não dispunha de um só minuto para conversas.
Filmava “A colheita”.
Gilberto queria aprender com Pudovkin a filmar o passado brasileiro, especialmente os tenentes de 30.
Ambicionava realizar um épico, como o “Encouraçado Potenkin”.
Os camaradas soviéticos conseguiram marcar uma audiência do aprendiz brasileiro com o mestre russo.
Mas Vsevolod faleceu exatamente no dia marcado para o encontro.
Desapontado, Gilberto viajou a Riga, para, pelo menos, assistir aos funerais.
E ainda tirou fotografias do evento.
Apesar disso, o filho de Chico Lambe-Lambe viu dezenas e dezenas de filmes, estudou cinema, conheceu outros cineastas.
E voltou ao Brasil pronto a realizar seu grande sonho.
Ao desembarcar, soube do suicídio de Getúlio.
Nervoso, saiu às ruas para registrar a História.
E carregou uma das máquinas de seu pai.
Daquele dia em diante se decidiu a fotografar mortos e enterros.
Gilberto da Silva deixou alguns álbuns, onde aparecem mendigos mortos nas calçadas, marginais fuzilados em favelas, personalidades descendo às covas...
De si mesmo quase nada ficou.
Há, no entanto, num museu de Riga, uma fotografia desbotada em que aparece a cinco ou seis metros de Vsevolod Pudovkin.
No verso dela Gilberto da Silva á chamado de “um camarada brasileiro”.

Nilto Maciel
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Mahatma Gandhi - 140 anos

Mahatma Gandhi
2 de Outubro de 1969 / 2 de Outubro de 2009

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A importância política do voto nulo - Ricardo Araújo Pereira

Quem tem a suprema lata antidemocrática
de dizer que um voto com um dito
ou um desenho indecoroso
é menos válido do que uma cruzinha
num dos partidos listados no boletim?

Mais uma vez, o principal aspecto das eleições legislativas passa sem o comentário dos analistas políticos.
Como é possível que a generalidade dos comentadores passe a noite eleitoral a dizer banalidades sobre os votos nos grandes partidos e não diga uma única banalidade sobre os votos brancos e, sobretudo, os votos nulos?
Os eleitores mais empenhados e que levam mais a sério o seu voto voltaram a ser ignorados em todos os comentários.
No entanto, e como é evidente, não há nenhum eleitor mais abnegado do que aquele que deposita na urna um voto nulo.
Trata-se de um cidadão que se desloca à secção de voto com o objectivo de inutilizar o seu boletim, muitas vezes escrevendo nele uma frase indecente, ou espirituosa, ou ambas - uma obra que será contemplada apenas pelos dois ou três desgraçados que despejam a urna e fazem a contagem dos votos.
Normalmente, a mensagem escrita no boletim é dirigida a um candidato, ou a vários, ou a todos - no entanto, na melhor das hipóteses fará corar apenas a presidente da mesa eleitoral.
Há nisto tanto de poético, de quixotesco e de belo (e é tão curioso que toda essa beleza seja produzida, na maior parte das vezes, pelo desenho de partes seleccionadas do corpo humano) que me dá vontade de chorar.
Mais ainda do que os próprios resultados eleitorais.
Os votos brancos caíram 4544 votos, enquanto os nulos subiram de 65 515 votos para 74 274, o que significa um importante aumento de 8759 votos.
Sem fazer campanha, sem dinheiro do Estado para propaganda, sem tempos de antena, a obscenidade democrática vai trilhando o seu caminho, subindo paulatinamente, sufrágio após sufrágio.
O mais triste, e até injusto, é o facto de este tipo de voto continuar a ser designado por nulo. Quem tem a suprema lata antidemocrática de dizer que um voto com um dito ou um desenho indecoroso é menos válido do que uma cruzinha num dos partidos listados no boletim?
Quando é que a Comissão Nacional de Eleições percebe que este sistema de denominação discrimina precisamente os votos mais livres, mais requintados, mais artísticos?
Nulo, um pirete? Válida, uma cruzinha? Não faz sentido.
O pirete agregador, porque desenhado democraticamente sobre todos os partidos, com a sua pujança fecundadora, é um voto que promete futuro.
A cruzinha, encarcerada num só quadrado, é exclusiva, porquanto elege um e repele todos os outros.
Uma cruz é uma cruz.
Um pirete tem diversos matizes, tamanhos, guarnições.
Há, evidentemente, muito mais num pirete que numa triste cruz.

Ricardo Araújo Pereira in Boca do Inferno"Visão"

...E tu?


Enviado pela Maria Moura ( mas dedicado ao Zé Manel)

Fúria de viver

14

Bem que avisara seu Sérgio que aquela putinha portuguesa ia trazer problema.
De olho azul, com cara de Madonna, mas sem nada que ver com os hábitos e gostos do patrão.
Ele, Miltinho, que acompanhara bem de perto as primeiras transas do, então, adolescente, sabia que o seu gosto ia para as cabrochas cor de chocolate, para as mulatas assanhadas do morros onde iam buscar a mercadoria no início de tudo, quando ele o apresentara aos amigos, ex-colegas do reformatório, e agora bem colocados na hierarquia do pó.
Ao lembrar-se dos anos no reformatório, Miltinho do Pagode, homem sem medo dos homens, e temente, apenas, dos orixás que baixavam no terreiro da sua Mãe de Santo em Niterói, estremeceu…
Tinha sido recolhido, junto à Candelária, a viver na rua, com apenas oito anos.
O seu forte sotaque, fez as autoridades pensar que fora abandonado por alguma nordestina que procurara a Cidade Maravilhosa para mudar de vida, sem o peso de um gurí às costas.
Mas isso eram apenas conjecturas, porque Miltinho, na realidade, nada sabia dos seus progenitores.
O que se lembrava bem, era das sevícias infligidas por parte dos outros “hóspedes” que lhe fizeram uma curra, logo no primeiro dia.
A que se seguiram muitas outras noites de pavor, até ter forjado uma arma rudimentar com uma lata de conserva cortada em forma de faca, que enfiou na garganta do primeiro que quis encurralá-lo, de novo.
A Direcção do Reformatório tentou esclarecer a morte, sem êxito, já que a lei do silêncio era a única que aqueles jovens desequilibrados conheciam.
A partir daí, mesmo os mais velhos, passaram a olhá-lo com respeito e nada mais foi tentado.
Começaram, até, a dividir com ele a maconha que corria livremente intramuros e a ensinar-lhe todos os truques relativos a assaltos, venda de droga, compra de armas e outras actividades ilícitas..
De vez em quando, um casal grã-fino visitava o reformatório e escolhia um dos jovens.
Não para adoptar, nem pensar nisso…mas para ajudante de bábá, para moço de recado, para cuidar do sitio em Petrópolis…
Mas, já isso era um sonho para qualquer daqueles rapazes fechados entre quatro paredes, com condições péssimas e comendo miseravelmente.
Bichas velhas também procuravam companhia para as suas práticas viciosas e os directores da instituição fingiam não perceber as intenções daqueles coroas perfumados e de gestos amaneirados.
Porém, ele, com o seu rosto fechado, demasiado entroncado para a idade, com músculos fabricados graças ao trabalho diário de levantamento de pesos e muitas horas de capoeira, não chamava a tenção de ninguém.
Até que um dia o “Dôtor”entrou no pátio onde se jogava uma peladinha.
Enquanto muitos dos seus camaradas corriam para junto do elegante cavalheiro, que falava com um ligeiro sotaque italiano, ele deixou-se ficar no mesmo lugar, sem um sorriso.
Foi então que Salvatore Cassini, apontou para ele e disse:
“ – Você aí giovane, venha comigo !”

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As (vossas) Aulas começam Amanhã !!!!

Preparem o material escolar, réguas, cadernos, borrachas e livros,
porque a Escola está prestes a começar.

Um pouco atrasada em relação ao calendário oficial, é certo,
e por isso vamos ter que recuperar o tempo perdido.

Mas a nossa Setôra é jovem e dinâmica, estudou
as modernas técnicas de Ensino, as teorias mais avançadas
de como cativar os Alunos, por isso, estou certo,
vamos gostar da sua companhia.

É o primeiro ano em que ela, a Setôra, dá aulas mas,
se tudo correr bem, não será certamente o último.
Se pelo contrário, o trabalho dela não agradar,
nem vai acabar o 1º período…

A partir de amanhã, começam as aulas.
Quem não chegar a horas ou não estiver
com a atenção devida,
apanha falta de comparência…

As Cores dos meus Amores

Tive um Amor vermelhão.
A paixão mais violenta.
Mas descobri, com horror,
era Amarelo e Magenta.
Tive um Amor amarelo.
Amarelo desespero.
Se tê-lo foi desespero
mais desespero, foi perdê-lo.
Tive Amores de várias cores,
violentos, matizados.
Foram dores e alegrias
nos mais variados tons.



Tive um Amor de cor púrpura
cor, p'ra mim, desconhecida.
De fugida, lhe toquei
mas deixei-o à deriva.



Tive um Amor transparente
transparente como água.
Mas com mágoa, de repente
perdi a sede de tê-lo.

Tive um Amor que foi pó

que ao assentar se desfez.

Ao procurar, não o vi.

e fiquei só, outra vez.

O Admirável Mundo Novo

- Telefonista: Pizza Hut, boa noite!
- Cliente: Boa noite, quero encomendar Pizzas…
- Telefonista: Pode-me dar o seu NIN?
- Cliente: Sim, o meu Número de Identificação Nacional é o 6102 1993 8456 5463 2107.
- Telefonista: Obrigada, Sr. Lacerda. O seu endereço é na Avenida Paes de Barros, 19, Apartamento 11, e o número do seu telefone é o 21549 4236, certo?
O telefone do seu escritório na Liberty Seguros, é o 21 574 52 30 e o seu telemóvel é o 96 266 25 66, correcto?
- Cliente: Como é que conseguiu todas essas informações?
- Telefonista: Porque estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.
- Cliente: Ah, sim, é verdade! Quero encomendar duas Pizzas: uma Quatro Queijos e outra Calabresa…
- Telefonista: Talvez não seja boa ideia…
- Cliente: O quê…?
- Telefonista: Consta na sua ficha médica que o senhor sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a saúde.
- Cliente: Claro! Tem razão! O que é que sugere?
- Telefonista: Por que é que não experimenta a nossa Pizza Superlight, com Tofu e Rabanetes? O senhor vai adorar!
- Cliente: Como é que sabe que vou adorar?
- Telefonista: O senhor consultou a página ‘Receitas Gulosas com Soja’ da Biblioteca Municipal, no dia 15 de Janeiro, às 14:27 e permaneceu ligado à rede durante 39 minutos. Daí a minha sugestão…
- Cliente: Ok, está bem! Mande-me então duas Pizzas tamanho familiar!
- Telefonista: É a escolha certa para o senhor, a sua esposa e os vossos quatro filhos, pode ter a certeza.
- Cliente: Quanto é?
- Telefonista: São 49,99.
- Cliente: Quer o número do meu Cartão de Crédito?
- Telefonista: Lamento, mas o senhor vai ter que pagar em dinheiro. O limite do seu Cartão de Crédito foi ultrapassado.
- Cliente: Tudo bem. Posso ir ao Multibanco levantar dinheiro antes que chegue a Pizza.
- Telefonista: Duvido que consiga. A sua Conta de Depósito à Ordem está com o saldo negativo.
- Cliente: Meta-se na sua vida! Mande-me as Pizzas que eu arranjo o dinheiro. Quando é que entregam?
- Telefonista: Estamos um pouco atrasados. Serão entregues em 45 minutos. Se estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas Pizzas na moto, não é lá muito aconselhável. Além de ser perigoso…
- Cliente: Mas que história é essa? Como é que sabe que eu vou de moto?
- Telefonista: Peço desculpa, mas reparei aqui que não pagou as últimas prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga e então, pensei que fosse utilizá-la.
- Cliente: F…….!!!!!!!!!
- Telefonista: Gostaria de pedir-lhe para não ser mal educado… Não se esqueça de que já foi condenado em Julho de 2006 por desacato em público a um Agente da Autoridade.
- Cliente: (Silêncio).
- Telefonista: Mais alguma coisa?
- Cliente: Não. É só isso… Não. Espere… Não se esqueça dos 2 litros de Coca-Cola que constam na promoção.
- Telefonista: O regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo 095423/12, proíbe a venda de bebidas com açúcar a pessoas diabéticas…
- Cliente: Aaaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!! Vou atirar-me pela janela!!!!!
- Telefonista: E torcer um pé? O senhor mora no rés-do-chão…!

Daniel Kurtzman in NYTimes

...Depois não digam que eu não avisei!

Enviado por Sofia Silveira

Le(ge)ndas do Século

Pois, para hoje, a tarefa é a seguinte:
Escolham uma destas fotos, todas elas emblemáticas
do século passado, e escrevam uma legenda
sobre os sentimentos, recordações ou factos
que ela vos transmite.Mesmo que outro já tenha comentado uma determinada imagem, não deixem de o fazer, porque o vosso ponto de vista será, certamente, diferente.



























Entre conquistas e assassinatos a sangue frio, beijos, afinal, encenados e cenas de guera, tem por onde escolher.

Ficamos à espera dos seus comentários sobre uma, ou várias, das fotos. Até já!

O Presidente não pode

Cinco coisas que
o Presidente da República
não pode fazer
- mas que Cavaco Silva fez

Na sua declaração desta terça-feira, sobre o chamado "caso das escutas", Cavaco Silva interroga-se, alínea a, sobre as razões de "toda a manipulação" a que o tema foi sujeito.
Mais adiante, refere, alínea b, que fez uma leitura pessoal de declarações de deputados do PS e a partilha, agora, com os portugueses.
Acrescenta, alínea c, que não é crime "alguém, a título pessoal, interrogar-se sobre as razões políticas de outrém".
E prossegue, alínea d, que "qualquer cidadão se poderá interrogar" sobre como é que os políticos do PS conheciam os passos de alguns assessores do PR.
Finalmente, alínea e, e depois de se debruçar sobre o episódio da publicação, no Diário de Notícias, de um email interno do jornal Público, anuncia que já pediu mais protecção para os seus próprios emails, considerados "vulneráveis".

Analisemos estas "alíneas", uma a uma:

a) O Presidente da República não pode queixar-se de que uma entidade exterior a Belém tenha manipulado o caso das escutas. A notícia foi colocada nos jornais por um membro da sua Casa Civil. Numa denúncia que carece, ainda por cima, de confirmação. Portanto, o mínimo que se pode dizer, é que quem começou a manipular foi, precisamente, Belém.

b) O Presidente da República não pode fazer leituras pessoais de declarações políticas nem, muito menos, partilhá-las com os portugueses. A Presidência da República é um órgão de soberania unipessoal. E os órgãos de soberania não fazem "leituras pessoais". O PR não é um analista político e, muito menos, um comentador.

c) O Presidente da República não pode colocar-se à defesa dizendo que não é crime "isto ou aquilo". Porque não é de crime que se fala, neste caso, mas do relacionamento entre a Presidência e o Governo. É uma questão política, não judicial. O PR não pode ignorar que uma fonte de Belém, pelo seu peso, não pode dedicar-se a interrogações académicas, em jornais, "a título pessoal", a não ser que dê a cara, especificando que o faz, precisamente, a título pessoal.

d) O Presidente da República não pode deixar uma insinuação sobre a possibilidade de estar a ser vigiado, sustentando-a nos "feelings" atribuíveis a "qualquer cidadão". Mais, o PR sabe que os factos a que se refere foram publicitados pela imprensa e pelo site de um dos partidos concorrentes às legislativas, o que, ainda por cima, esvazia a legitimidade das suspeitas a que se refere.

e) O Presidente da República não pode misturar o caso de um email revelado num jornal com a verificação que anunciou ter pedido ao seu próprio sistema de correio electrónico. Fazendo-o, confunde os portugueses menos atentos, que podem, como "qualquer cidadão", interrogar-se sobre se o tal email de que tanto se fala não terá sido interceptado, afinal, do computador presidencial.

Escrevi, em 2006, escassos dias depois da eleição de Cavaco Silva, que o PR iria, possivelmente, cumprir um único mandato.
Que não teria o mesmo desejo dos seus antecessores de ser reeleito e poderia não voltar a candidatar-se.
Essa tese teve, nos últimos dias, mais de três anos e meio depois, entre os analistas políticos, alguns adeptos.
Ora, a declaração de Cavaco Silva é própria de quem não tem a mínima intenção de se recandidatar ao cargo.


Filipe Luís in Sexto Sentido"Visão"

Como acordar a sua namorada

Eu sei que me vou arrepender de postar este vídeo, mas não resisti...

Para quem, ainda, tivesse dúvidas, fica aqui, bem patente, a criancice eterna de que, nós homens, usufruímos durante toda a vida. Somos imaturos, atrasados mentais, que seja, reconheço sem esforço...

...Agora, que esta ideia teve graça e que só para ver, ou rever, o salto da moçoila a coisa vale a pena, lá isso vale.

Ganda cena, meu...

Sexo oral