Todos nós já vivemos, uma, várias vezes, uma daquelas paixões 'de caixão à cova' em que toda a nossa vida se baseava no 'outro'.
Em que todo e qualquer instante, passado longe do objecto amado, se nos tornava doloroso e intolerável.
Momentos de um desejo tórrido e insaciável, de uma obsessão permanente, de um estado febril e eufórico que nos transmitia uma sensação única de vivência total, de satisfação plena, misturada com picos de desânimo, de insegurança, de saudade...
É nessas alturas que nos metemos num avião, num comboio, num barco, para passarmos alguns dias, horas, com o nosso amante, se ele está longe, que corremos perigos de modo inconsciente, se ele é comprometido, que nos portamos de modo acriançado, dançamos à chuva, escrevemos poemas de amor horrorosos, fazemos declarações impensadas, ultrapassamos os nossos limites físicos, esquecemos preconceitos morais, nos aproximamos, afinal, dos deuses.
A minha relação com 'O Galo de Barcelos ao Poder' já foi assim...
Todos os dias, quando me levantava ( e eu acordo por volta das seis) a primeira coisa que fazia era ligar o computador e colocar, 'postar' segundo o jargão próprio, notícias, cartoons, vídeos, anúncios, crónicas, colaborações várias, capas de jornais e, por vezes, texto confessionais em que me expunha de um modo tal como nunca antes ocorrera, mesmo perante os meus amigos mais íntimos.
E como todas as verdadeiras paixões, esse entusiasmo, esse inebriamento, esse tesão, encontrou reflexo do outro lado - o vosso.
Seguidores, comentadores, leitores, foram aparecendo e tornaram este blog uma coisa viva e interactiva.
Eu dava o pontapé de saída mas, depois, os acréscimos, críticas, discussões, divergências, que surgiam, encaminhavam as diversas peças, e foram quase 4000 posts, para horizontes que eu nem sequer vislumbrara quando os imaginara ou seleccionara.
E, assim, criámos, em conjunto, concursos fotográficos e literários, editámos um livro, demos à luz rubricas periódicas com assinaturas várias, publicámos dois folhetins, enfim, produzimos obra variada que, arrisco dizê-lo, deu gozo a muitas dezenas, centenas, de pessoas.
Sei de amigos, em países longínquos, para quem a companhia diária do 'Galo' encurtava distâncias; de outros que, em períodos de doença, encontraram nesta tertúlia ânimo para sorrir e seguir em frente; houve quem, graças aos nossos desafios tivesse, pela primeira vez, descoberto o prazer, e o talento, da escrita...
Por aqui falou-se de monstros consagrados e de talentosos desconhecidos, de mulheres fatais e de filmes de antologia, de livros e receitas, de viagens e assuntos supérfluos, de banda desenhada e de ópera, sem preconceitos ou fundamentalismos, com respeito pela salutar diferença de ideias, com abertura para as ideias contrárias que por vezes originaram uma troca de argumentos um pouco mais acalorada mas nunca ultrapassando os limites do respeito mútuo.
Todos nós já vivemos, uma, ou várias vezes, um daqueles finais de relação em que o que é escaldante se torna morno e, depois, frio.
Em que tudo o que é prazer, entusiasmo e descoberta se transforma em enfado, repetição e rotina.
A minha relação com 'O Galo de Barcelos ao Poder' está a começar a ser assim...
Não sei determinar qual a causa/efeito.
Primeiro, achei que o afastamento progressivo de comentadores emblemáticos e participativos como a Moira ou a MTH, a Sapho ou o Adriano, as longas ausências da Contessa ou as intermitências do Alv ega/ James seriam a razão para eu, que em qualquer tipo de relação preciso de sentir a envolvência total do parceiro, me começasse a sentir insatisfeito com este affair, mas com o passar dos tempos, adoptei uma atitude mais humilde mas, talvez, mais realista.
Não foi o afastamento dos 'fiéis' que me causou desinteresse...mas terá sido, sim, a evolução do meu desinteresse que terá afastado os tais elementos, sem os quais o ' Galo' não tem o mesmo brilho nas penas, arriscando-se, mesmo, a ficar depenado.
De tórrido, o nosso caso passou a quente e , agora, está morno...
Antes que arrefeça completamente, decidi fazer um compasso de espera.
Não é um final, não vou acabar ou encerrar o blog e poderei, sempre que tal me apetecer, colocar aqui um texto, uma colaboração, um post que o justifique, mas sem cair nunca mais na obrigação diária, na rotina, no enfado...
Amigos, vamos dar um tempo...
Adeus, até ao meu regresso.
...O Galo de Barcelos ao Poder!!!!
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quarta-feira, 19 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Casamento entre pessoas
Existem muitos tipos de relacionamento entre pessoas...
Observem que tive o cuidado de referir pessoas e não pessoas do mesmo sexo, gays ou heterossexuais.
O caso pode resumir-se ao 'one night stand', tipo toca e foge, ao affair mais ou menos prolongado, mais ou menos às escondidas, à amizade colorida, aberta e com vários participantes, ao noivado convencional, ao 'juntar dos trapinhos', ao namoro sem projectos futuros e, finalmente, ao casamento.
Mesmo neste último caso, pode optar-se pelo religioso e pelo civil, com partilha ou divisão de bens, com ou sem filhos, apaixonado ou rotineiro...
Enfim, um vasto leque de opções em que cada um pode escolher a situação que mais se coadune consigo, com a companhia ou com o momento.
Então se duas pessoas do mesmo sexo já podem partilhar todo o leque acima referido - rapidinha, namoro, caso, amancebamento...- porque é que não se poderiam casar?
Que o casamento religioso, e estamos apenas a falar de catolicismo, lhes seja impedido , compreendo, já que temos(?) que aceitar determinadas regras para fazer parte de um determinado clube, mas pelo civil?
Na minha opinião, ganhou o bom senso, o respeito à diferença, o direito de cada um organizar e definir a vida de acordo com as suas opções.
Vive la Difference, vive la Liberté!!!
Observem que tive o cuidado de referir pessoas e não pessoas do mesmo sexo, gays ou heterossexuais.
O caso pode resumir-se ao 'one night stand', tipo toca e foge, ao affair mais ou menos prolongado, mais ou menos às escondidas, à amizade colorida, aberta e com vários participantes, ao noivado convencional, ao 'juntar dos trapinhos', ao namoro sem projectos futuros e, finalmente, ao casamento.
Mesmo neste último caso, pode optar-se pelo religioso e pelo civil, com partilha ou divisão de bens, com ou sem filhos, apaixonado ou rotineiro...
Enfim, um vasto leque de opções em que cada um pode escolher a situação que mais se coadune consigo, com a companhia ou com o momento.
Então se duas pessoas do mesmo sexo já podem partilhar todo o leque acima referido - rapidinha, namoro, caso, amancebamento...- porque é que não se poderiam casar?
Que o casamento religioso, e estamos apenas a falar de catolicismo, lhes seja impedido , compreendo, já que temos(?) que aceitar determinadas regras para fazer parte de um determinado clube, mas pelo civil?
Na minha opinião, ganhou o bom senso, o respeito à diferença, o direito de cada um organizar e definir a vida de acordo com as suas opções.
Vive la Difference, vive la Liberté!!!
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Divagando se vai Longe
A Crise e o Casamento
A crise, fundamentalmente ela, travou o veto do Presidente da República à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo.O Chefe do Estado não escondeu o quanto esta matéria lhe desagrada e que, se seguisse as suas convicções religiosas o diploma seria vetado. "A ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções", sublinhou Cavaco Silva.
O Presidente da República quis sobretudo mostrar que o pragmatismo foi a base da decisão.
Cavaco Silva recusou-se a "a contribuir para arrastar o processo" e, desse modo, a "afastar os políticos da resolução dos problemas" que afectam Portugal. E nesta segunda semana, em que o País continua sob fogo cerrado dos mercados, Cavaco sentiu a necessidade de dizer aos portugueses que não se esquece dos "milhares" de desempregados, do "agravamento da situação de pobreza" e do "elevado endividamento externo".
As suas palavras soaram a crítica ao Governo, por ter demorado demasiado tempo a reagir aos sinais de degradação das condições económicas. "No Ano Novo alertei para o momento difícil", recordou cinco meses depois de o ter feito. Lembrou que nessa altura disse que "podíamos caminhar para uma situação explosiva".
Agora, advertiu, "não é tempo de inventar desculpas para adiar a solução dos problemas". Ou seja, dizia que com a promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo o Governo não tem nenhum pretexto para abrir uma nova frente de conflito com Belém, distraindo a atenção dos reais problemas nacionais.
Casamento e Crise, duas palavras que aparecem muitas vezes associadas embora, geralmente, não desta maneira...
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Divagando se vai Longe,
Imagens da Nossa Terra
domingo, 16 de maio de 2010
Trova do Alegre que passa...
Alegre, diz o próprio, é um humanista.
Alegre é livre e frontal.
Alegre é suprapartidário.
Alegre não é neutro.
Alegre é homem de causas e combates.
Alegre não tem medo.
Alegre não se rende.
Alegre não recebe lições de democracia.
Alegre quer alargar a cidadania.
Alegre quer uma esquerda nova.
Alegre quer um novo patriotismo.
Alegre quer um novo idealismo.
Alegre quer novos sonhos, esperanças e descobertas.
Alegre quer reposicionar Portugal no mundo.
Alegre quer ouvir a rua.
Alegre quer ser aliado e companheiro de viagem
de todos os portugueses.
Alegre quer mobilizar energias.
Alegre quer os jovens a dançar a vida.
( Extraido de um texto do DN)
Alegre é livre e frontal.
Alegre é suprapartidário.
Alegre não é neutro.
Alegre é homem de causas e combates.
Alegre não tem medo.
Alegre não se rende.
Alegre não recebe lições de democracia.
Alegre quer alargar a cidadania.
Alegre quer uma esquerda nova.
Alegre quer um novo patriotismo.
Alegre quer um novo idealismo.
Alegre quer novos sonhos, esperanças e descobertas.
Alegre quer reposicionar Portugal no mundo.
Alegre quer ouvir a rua.
Alegre quer ser aliado e companheiro de viagem
de todos os portugueses.
Alegre quer mobilizar energias.
Alegre quer os jovens a dançar a vida.
( Extraido de um texto do DN)
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Divagando se vai Longe
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Frase do Dia
"Se estamos mesmo destinados
a seguir o caminho dos gregos,
então comecemos
por envenenar o Sócrates."
Enviado pela Contessa
a seguir o caminho dos gregos,
então comecemos
por envenenar o Sócrates."
Enviado pela Contessa
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Divagando se vai Longe
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Seja um Idiota - Arnaldo Jabor
A idiotice é vital para a felicidade.Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz!
A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Ignore o que o boçal do seu chefe disse.
Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice.
Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
hahahahahahahahaha!...
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas.
E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar.
Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios.
Por isso cante, chore,dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!
Arnaldo Jabor
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Olhares do Brasil
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Fitas, capas e batinas
Estou em Coimbra.A aproximação da Queima das Fitas adivinha-se.
Os estudantes, com maior ênfase nas raparigas, ostentam com um orgulho indisfarçável engomadas capas e batinas pejadas de emblemas vários.
O tempo cinzento e chuvoso convida a um recuo no tempo, que me leva aos já longínquos anos 60.
A recente consciencialização dos alunos universitários e uma politização apressada, em que Mao, o grande timoneiro, e o guerrilheiro Guevara eram os cabeças de cartaz, faziam deste grupo social um polo de contestação ao regime político instalado.
A Guerra Colonial, sugadouro de vidas jovens, era outro elemento subjacente às manifestações, mesmo quando estas aparentavam apenas discutir critérios técnicos de Educação.
Nesses loucos Anos 60, a capa e batina, surgida inicialmente para esbater as diversas, e por vezes humildes, proveniências sociais, estava praticamente confinada à cidade do Choupal.
Os colegas de Lisboa e do Porto repudiavam o seu uso comparando-o à farda da Mocidade Portuguesa, símbolo máximo do Estado Novo.
É curioso que, alguns anos depois, após terem ocorrido tantas alterações sociais, este 'fardamento' tenha sido recuperado e ganho um estatuto de classe, passando a ser a demonstração exterior de um pretenso elitismo intelectual...
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...como por essa altura cantava José Mário Branco!
Nota do 'Galo': Texto escrito na passada sexta-feira, dia 6 de Maio.
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Divagando se vai Longe
domingo, 9 de maio de 2010
Todos (mais ou menos) iguais...todos(muito) diferentes!

A UE é um grande saco de gatos.
Com tigres dente de sabre, angoras de pelo bem tratado
e uns quantos gatos vadios, famélicos
e com as costelas à mostra.
Infelizmente, Portugal faz parte
deste último grupo.
Miauuuuuuu...
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Divagando se vai Longe
quarta-feira, 5 de maio de 2010
O Doutor e o Apelido
No Brasil quem manda engraxar os sapatos é Doutor, ou melhor, Dôtô...
Quem corta o cabelo na barbearia, idem, idem, aspas, aspas.
Em contrapartida, no México, Perú e demais países de língua hispânica, os Doutores dão lugar aos 'Licenciados'...
Muitas vezes nos cartões de visita a palavra Licenciado aparece com muito mais destaque que o próprio nome.
No outro extremo do fenómeno, nos States só os médicos recebem o tratamento de 'Doc'.
Todos os outros milhões de licenciados, doutorados e afins, são apenas o James, o Mr.Cook, e pouco mais.
Voltando ao Brasil, mais concretamente ao Rio, à sede da Soeicom ( empresa do Grupo Champallimaud) o, mais tarde assassinado por um empregado descontente, João Champallimaud, filho do dono do Grupo e administrador da empresa, perdia o apelido sonante e era somente o 'Dôtô' João. Ou então para os colaboradores mais íntimos o 'seu' João...
Chegados a Portugal deparamo-nos com o provincianismo do 'Doutor' e a ditadura do 'Apelido'.
Veja-se o caso do nosso PM, forjado e forçado 'Engenheiro'....
O Pedro, o Bernardo, o Ricardo são os Espírito Santos, outros são Mellos, ou Sotto Mayor ou Côrte-Real.
Ninguém perdoa ao Cavaco ser Silva, por isso ele vinga-se com o Professor Doutor, mas mesmo assim continuam a olhá-lo como um 'saloio'.
Apelidos com 'y' ou consoante dupla, são meio caminho na escalada social.
Nomes com ascendência estrangeira, seja polaca ou russa, italiana ou grega, são armas poderosas para o deslumbramento dos basbaques nacionais.
Sophia de Mello Breyner Anderson, independentemnte de todo o valor humano e poético que possuía, é o exemplo mais marcante do brilho que um nome pode conferir ao seu utilizador.
Esquecendo os personagens, se nos apresentam um Rebello de Souza, um Villaverde Cabral ou um Sotto Mayor Cardia, estamos mais preparados para ouvi-los do que se for o Manuel Santos, o Carlos Silva ou o José Pinto.
É hábito dizer-se "...é um Pereira Coutinho" independentemente do representante de tão ilustre família ser um alcoólico, um drogado ou, simplesmente, um indivíduo sem o mínimo interesse ou personalidade que, de diferente, tem apenas o apelido.
Que tal começarmos a olhar para as pessoas pondo de lado o acessório ( apelido, títulos, forma de vestir...) e concentrando-nos naquilo que eles têm realmente para nos oferecer - carácter, cultura, empatia, formação humana?
Quem corta o cabelo na barbearia, idem, idem, aspas, aspas.
Em contrapartida, no México, Perú e demais países de língua hispânica, os Doutores dão lugar aos 'Licenciados'...
Muitas vezes nos cartões de visita a palavra Licenciado aparece com muito mais destaque que o próprio nome.
No outro extremo do fenómeno, nos States só os médicos recebem o tratamento de 'Doc'.
Todos os outros milhões de licenciados, doutorados e afins, são apenas o James, o Mr.Cook, e pouco mais.
Voltando ao Brasil, mais concretamente ao Rio, à sede da Soeicom ( empresa do Grupo Champallimaud) o, mais tarde assassinado por um empregado descontente, João Champallimaud, filho do dono do Grupo e administrador da empresa, perdia o apelido sonante e era somente o 'Dôtô' João. Ou então para os colaboradores mais íntimos o 'seu' João...
Chegados a Portugal deparamo-nos com o provincianismo do 'Doutor' e a ditadura do 'Apelido'.
Veja-se o caso do nosso PM, forjado e forçado 'Engenheiro'....
O Pedro, o Bernardo, o Ricardo são os Espírito Santos, outros são Mellos, ou Sotto Mayor ou Côrte-Real.
Ninguém perdoa ao Cavaco ser Silva, por isso ele vinga-se com o Professor Doutor, mas mesmo assim continuam a olhá-lo como um 'saloio'.
Apelidos com 'y' ou consoante dupla, são meio caminho na escalada social.
Nomes com ascendência estrangeira, seja polaca ou russa, italiana ou grega, são armas poderosas para o deslumbramento dos basbaques nacionais.
Sophia de Mello Breyner Anderson, independentemnte de todo o valor humano e poético que possuía, é o exemplo mais marcante do brilho que um nome pode conferir ao seu utilizador.
Esquecendo os personagens, se nos apresentam um Rebello de Souza, um Villaverde Cabral ou um Sotto Mayor Cardia, estamos mais preparados para ouvi-los do que se for o Manuel Santos, o Carlos Silva ou o José Pinto.
É hábito dizer-se "...é um Pereira Coutinho" independentemente do representante de tão ilustre família ser um alcoólico, um drogado ou, simplesmente, um indivíduo sem o mínimo interesse ou personalidade que, de diferente, tem apenas o apelido.
Que tal começarmos a olhar para as pessoas pondo de lado o acessório ( apelido, títulos, forma de vestir...) e concentrando-nos naquilo que eles têm realmente para nos oferecer - carácter, cultura, empatia, formação humana?
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terça-feira, 4 de maio de 2010
Amizade - Betty Milan
O VALOR DA AMIZADE
"O amigo vê e ouve
o que não somos capazes de ver nem ouvir.
Assim sendo, pode fazer por nós
o que não temos como fazer por nós mesmos"
A mesma palavra tem significados diferentes
de acordo com o texto ou o discurso em que figura.
A importância disso é capital, pois significa que,
para interpretar uma palavra, precisamos nos debruçar
sobre o contexto do qual ela faz parte
ou escutar verdadeiramente quem a profere.
Do contrário, não a entendemos.
O ensinamento básico de Sigmund Freud é esse
e bastaria para justificar a psicanálise,
se isso ainda fosse necessário.
A maioria das pessoas, no entanto, não se dispõe a escutar.
Poucos nascem com essa capacidade,
que pode e precisa ser desenvolvida.
Escutar é um ato generoso.
Implica que eu deixe momentaneamente de falar
e esteja aberto para o que o outro tem a dizer.
A escuta é a característica do psicanalista
e também do verdadeiro amigo – que não impõe a sua presença,
não diz o que não deve ser dito e, assim,
faz com que a amizade floresça.
Ou seja, o amigo sabe se conter, exercita-se na ética da contenção.
Por isso, ele é de paz e a sua maneira de ser
pode servir de modelo para todas as outras relações:
marido e mulher, pais e filhos e irmãos.
O que o filósofo e historiador grego Xenofonte
escreveu 2 400 anos atrás poderia ter sido escrito hoje:
"Um bom amigo é o mais precioso de todos os bens.
Está sempre pronto a auxiliar...
Há homens, contudo, que investem toda a sua energia
no cultivo de árvores, para colher frutos,
e são negligentes com o amigo, o bem que mais frutifica".
O amigo vê e ouve o que não somos capazes de ver nem ouvir.
Assim sendo, pode fazer por nós o que não temos como fazer por nós mesmos. Como o analista, ele ilumina o caminho.
Ele sabe suspender o seu desejo para que o do outro se manifeste.
O que ele mais quer é o acordo.
Está menos interessado nos eventuais benefícios materiais
que a amizade pode trazer do que no fortalecimento desta.
Visa sobretudo ao contentamento do outro
e não deve ser confundido com o cúmplice,
que visa ao próprio interesse
e se liga a alguém em função do que almeja alcançar.
O elo de cumplicidade tende a ser efêmero,
enquanto o de amizade é para sempre.
Em outras palavras, o amor dos amigos nunca é de agora,
e sim para a vida inteira.
Também por isso, há milênios a amizade inspira escritores,
que se perguntam de que modo escolher um amigo,
quais as características de um amigo verdadeiro e o que nós devemos a ele.
Os escritores – os melhores, entre eles –
sabem que a amizade nasce espontaneamente,
mas só dará os seus melhores frutos se for cultivada.
Betty Milan
"O amigo vê e ouve
o que não somos capazes de ver nem ouvir.
Assim sendo, pode fazer por nós
o que não temos como fazer por nós mesmos"
A mesma palavra tem significados diferentes
de acordo com o texto ou o discurso em que figura.
A importância disso é capital, pois significa que,
para interpretar uma palavra, precisamos nos debruçar
sobre o contexto do qual ela faz parte
ou escutar verdadeiramente quem a profere.
Do contrário, não a entendemos.
O ensinamento básico de Sigmund Freud é esse
e bastaria para justificar a psicanálise,
se isso ainda fosse necessário.
A maioria das pessoas, no entanto, não se dispõe a escutar.
Poucos nascem com essa capacidade,
que pode e precisa ser desenvolvida.
Escutar é um ato generoso.
Implica que eu deixe momentaneamente de falar
e esteja aberto para o que o outro tem a dizer.
A escuta é a característica do psicanalista
e também do verdadeiro amigo – que não impõe a sua presença,
não diz o que não deve ser dito e, assim,
faz com que a amizade floresça.
Ou seja, o amigo sabe se conter, exercita-se na ética da contenção.
Por isso, ele é de paz e a sua maneira de ser
pode servir de modelo para todas as outras relações:
marido e mulher, pais e filhos e irmãos.
O que o filósofo e historiador grego Xenofonte
escreveu 2 400 anos atrás poderia ter sido escrito hoje:
"Um bom amigo é o mais precioso de todos os bens.
Está sempre pronto a auxiliar...
Há homens, contudo, que investem toda a sua energia
no cultivo de árvores, para colher frutos,
e são negligentes com o amigo, o bem que mais frutifica".
O amigo vê e ouve o que não somos capazes de ver nem ouvir.
Assim sendo, pode fazer por nós o que não temos como fazer por nós mesmos. Como o analista, ele ilumina o caminho.
Ele sabe suspender o seu desejo para que o do outro se manifeste.
O que ele mais quer é o acordo.
Está menos interessado nos eventuais benefícios materiais
que a amizade pode trazer do que no fortalecimento desta.
Visa sobretudo ao contentamento do outro
e não deve ser confundido com o cúmplice,
que visa ao próprio interesse
e se liga a alguém em função do que almeja alcançar.
O elo de cumplicidade tende a ser efêmero,
enquanto o de amizade é para sempre.
Em outras palavras, o amor dos amigos nunca é de agora,
e sim para a vida inteira.
Também por isso, há milênios a amizade inspira escritores,
que se perguntam de que modo escolher um amigo,
quais as características de um amigo verdadeiro e o que nós devemos a ele.
Os escritores – os melhores, entre eles –
sabem que a amizade nasce espontaneamente,
mas só dará os seus melhores frutos se for cultivada.
Betty Milan
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
Pensamentos de António Lobo Antunes
"Um parvo em pé vai mais longe que um intelectual sentado".
Livro de Crónicas, 1998
"A gente não pode compreender os sentimentos sem o contrário deles".
Expresso, 07.11.1998
"Não sou um senhor de idade que conservou o coração menino.
Sou um menino cujo envelope se gastou".
Livro de Crónicas, 1998
"O desgosto é a melhor forma de assassínio por nunca se encontrar a arma do crime".
Livro de Crónicas, 1998
"Só ficas adulto depois do teu pai morrer,
porque deixou de existir a última coisa que existia entre ti e a morte".
Jornal de Letras, 25.10.2006
"Quando morre um pai, tem-se a sensação de que,
na próxima vez que a morte aparecer à porta, seremos nós a abri-la".
Visão, 23.02.2006
"A morte das pessoas de quem gostamos amputa-nos".
Diário de Notícias, 08.12.2001
"Nós morremos quando desaparecem as últimas pessoas
que ouviram falar de nós".
Diário de Notícias, 08.12.2001
"É preciso viver, viver como homem comum entre homens comuns.
Só um homem comum pode fazer grandes coisas".
Courrier Internacional, Janeiro de 2007
"Nós somos casas muito grandes, muito compridas.
É como se morássemos apenas num quarto ou dois.
Às vezes, por medo ou cegueira, não abrimos as nossas portas".
Diário de Notícias, 09.11.2004
Livro de Crónicas, 1998
"A gente não pode compreender os sentimentos sem o contrário deles".
Expresso, 07.11.1998
"Não sou um senhor de idade que conservou o coração menino.
Sou um menino cujo envelope se gastou".
Livro de Crónicas, 1998
"O desgosto é a melhor forma de assassínio por nunca se encontrar a arma do crime".
Livro de Crónicas, 1998
"Só ficas adulto depois do teu pai morrer,
porque deixou de existir a última coisa que existia entre ti e a morte".
Jornal de Letras, 25.10.2006
"Quando morre um pai, tem-se a sensação de que,
na próxima vez que a morte aparecer à porta, seremos nós a abri-la".
Visão, 23.02.2006
"A morte das pessoas de quem gostamos amputa-nos".
Diário de Notícias, 08.12.2001
"Nós morremos quando desaparecem as últimas pessoas
que ouviram falar de nós".
Diário de Notícias, 08.12.2001
"É preciso viver, viver como homem comum entre homens comuns.
Só um homem comum pode fazer grandes coisas".
Courrier Internacional, Janeiro de 2007
"Nós somos casas muito grandes, muito compridas.
É como se morássemos apenas num quarto ou dois.
Às vezes, por medo ou cegueira, não abrimos as nossas portas".
Diário de Notícias, 09.11.2004
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Divagando se vai Longe
sábado, 1 de maio de 2010
Experiência Socialista
Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que nunca tinha chumbado um único aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma turma inteira.
Essa classe, em particular, tinha insistido em que o socialismo funcionava realmente: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e justo.
O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experiência socialista nesta turma. Em vez de dinheiro, usaremos as suas notas nas provas."
Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam 'justas.' Isso queria dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significava que ninguém seria reprovado. Isso também queria dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...
Depois da média das primeiras provas terem saído, todos tiveram "B".
Quem estudou com dedicação ficou indignado mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.
Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma e os que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se iriam aproveitar da situação. Portanto, agindo contra os seus hábitos, eles copiaram os dos preguiçosos. Como resultado a segunda média das provas foi "D".
Ninguém gostou.
Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".
As notas não voltaram a patamares altos mas as desavenças entre os alunos, procura de culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma.
A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma.
No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano... Para sua total surpresa.
O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela foi baseada no menor esforço possível por parte de seus participantes.
Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.
"Quando a recompensa é grande", disse ele, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós.
Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável.
É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar a alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a. "
Adrian Rogers, 1931
Enviado por Mário Ortet
Essa classe, em particular, tinha insistido em que o socialismo funcionava realmente: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e justo.
O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experiência socialista nesta turma. Em vez de dinheiro, usaremos as suas notas nas provas."
Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam 'justas.' Isso queria dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significava que ninguém seria reprovado. Isso também queria dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...
Depois da média das primeiras provas terem saído, todos tiveram "B".
Quem estudou com dedicação ficou indignado mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.
Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma e os que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se iriam aproveitar da situação. Portanto, agindo contra os seus hábitos, eles copiaram os dos preguiçosos. Como resultado a segunda média das provas foi "D".
Ninguém gostou.
Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".
As notas não voltaram a patamares altos mas as desavenças entre os alunos, procura de culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma.
A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma.
No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano... Para sua total surpresa.
O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela foi baseada no menor esforço possível por parte de seus participantes.
Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.
"Quando a recompensa é grande", disse ele, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós.
Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável.
É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar a alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a. "
Adrian Rogers, 1931
Enviado por Mário Ortet
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Divagando se vai Longe
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Dia da Terra. Vamos celebrar...ou começar a chorar?

O Planeta está à beira do "cataclismo" e o panorama da pegada ecológica é ainda muito negativo, alerta a Quercus a propósito do Dia da Terra, que comemora hoje 40 anos.
A capacidade do Planeta nos oferecer recursos suficientes e de absorver a poluição que produzimos é muito inferior à quantidade de recursos que gastamos, explica a presidente da Direcção Nacional da Quercus, Susana Fonseca.
“Se por um lado estamos a melhorar a eficiência em algumas áreas, nós estamos a precisar cada vez de mais recursos para alimentar o nosso estilo de vida. Estamos a falar de países desenvolvidos que têm pegadas que estão muito acima daquilo que o Planeta pode comportar”.
Só os portugueses consomem e produzem resíduos 70% acima da capacidade do país, números que seguem a média dos países desenvolvidos.
Esta situação traduz-se numa ameaça real à sobrevivência da espécie humana, avisa Susana Fonseca.
As alterações climáticas são apenas a mais visível consequência dos maus hábitos de consumo e é urgente mais educação e consciencialização real por parte de todos.
“Se nós queremos o nosso estilo de vida mais sustentável temos que ir às outras vertentes, temos que ir à redução, à prevenção, à reutilização, e só depois passar à área da reciclagem”, sublinha Susana Fonseca, da Quercus.
A capacidade do Planeta nos oferecer recursos suficientes e de absorver a poluição que produzimos é muito inferior à quantidade de recursos que gastamos, explica a presidente da Direcção Nacional da Quercus, Susana Fonseca.
“Se por um lado estamos a melhorar a eficiência em algumas áreas, nós estamos a precisar cada vez de mais recursos para alimentar o nosso estilo de vida. Estamos a falar de países desenvolvidos que têm pegadas que estão muito acima daquilo que o Planeta pode comportar”.
Só os portugueses consomem e produzem resíduos 70% acima da capacidade do país, números que seguem a média dos países desenvolvidos.
Esta situação traduz-se numa ameaça real à sobrevivência da espécie humana, avisa Susana Fonseca.
As alterações climáticas são apenas a mais visível consequência dos maus hábitos de consumo e é urgente mais educação e consciencialização real por parte de todos.
“Se nós queremos o nosso estilo de vida mais sustentável temos que ir às outras vertentes, temos que ir à redução, à prevenção, à reutilização, e só depois passar à área da reciclagem”, sublinha Susana Fonseca, da Quercus.
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Divagando se vai Longe
segunda-feira, 19 de abril de 2010
O Espelho
A imagem que vimos todos os dias no espelho é a nossa.
É a nossa.
E não é.
Ora reparem lá naquele sinal que têm na cara.
No espelho, surge-nos no lado contrário.
E a aliança da mão esquerda.
Lá está ela, mas...na mão direita.
Na imagem que vemos reflectida de nós próprios
somos sempre mais altos, mais magros, temos mais cabelo
e estamos muito melhor conservados
do que aquele colega da faculdade que não víamos há anos
e que está feito um caco velho.
Leiam aqueles inquéritos de Verão aos famosos
ou aos que apareceram uma vez que seja
num qualquer programa televisivo.
À pergunta " Qual o seu maior defeito?"
a resposta invariavelmente é " A teimosia "
ou " O ser confiante", " Ser demasiado amigo dos meus amigos...".
Ninguém responde " Sou corrupto", ou "Pouco inteligente", "Mentiroso", " Medíocre..."
Quando dizemos "Teimosia" queremos mesmo assim dizer que somos obstinados, convictos , lutadores de causas...
Ser confiante demonstra pureza, boa formação e ser demasiado amigo é uma redundância porque quando não se é "demasiado" amigo então somos vizinhos, conhecidos, colegas mas amigos, não, com toda a certeza.
Somos críticos implacáveis em relação aos defeitos dos outros.
E demasiado benévolos quanto aos nossos.
Nós temos qualidades e "feitios"...
Os outros, bem os outros, são um poço de deficiências.
Tenhamos cuidado com os espelhos em que nos miramos.
Pode ser o da casa de banho, ao sair do chuveiro.
O do elevador ao descermos para a rua.
O do retrovisor do carro ou o que está na pastelaria, ao correr do balcão.
Só não pode, não deve, ser um daqueles deformantes
que tantas gargalhadas provocam
numa qualquer Feira Popular perdida algures.
É a nossa.
E não é.
Ora reparem lá naquele sinal que têm na cara.
No espelho, surge-nos no lado contrário.
E a aliança da mão esquerda.
Lá está ela, mas...na mão direita.
Na imagem que vemos reflectida de nós próprios
somos sempre mais altos, mais magros, temos mais cabelo
e estamos muito melhor conservados
do que aquele colega da faculdade que não víamos há anos
e que está feito um caco velho.
Leiam aqueles inquéritos de Verão aos famosos
ou aos que apareceram uma vez que seja
num qualquer programa televisivo.
À pergunta " Qual o seu maior defeito?"
a resposta invariavelmente é " A teimosia "
ou " O ser confiante", " Ser demasiado amigo dos meus amigos...".
Ninguém responde " Sou corrupto", ou "Pouco inteligente", "Mentiroso", " Medíocre..."
Quando dizemos "Teimosia" queremos mesmo assim dizer que somos obstinados, convictos , lutadores de causas...
Ser confiante demonstra pureza, boa formação e ser demasiado amigo é uma redundância porque quando não se é "demasiado" amigo então somos vizinhos, conhecidos, colegas mas amigos, não, com toda a certeza.
Somos críticos implacáveis em relação aos defeitos dos outros.
E demasiado benévolos quanto aos nossos.
Nós temos qualidades e "feitios"...
Os outros, bem os outros, são um poço de deficiências.
Tenhamos cuidado com os espelhos em que nos miramos.
Pode ser o da casa de banho, ao sair do chuveiro.
O do elevador ao descermos para a rua.
O do retrovisor do carro ou o que está na pastelaria, ao correr do balcão.
Só não pode, não deve, ser um daqueles deformantes
que tantas gargalhadas provocam
numa qualquer Feira Popular perdida algures.
domingo, 18 de abril de 2010
As Mãos
Com um aperto de mãos se sela um negócio de milhões.
Com um murro se põe KO o campeão do mundo.
Com uma festa no rosto, um afago no cabelo, se inicia um romance.
Com gestos ritmados dirige-se uma orquestra.
E com outros mais autoritários comanda-se o trânsito.
São as mãos que seguram o bisturi que salva vidas,
o pincel que pinta uma obra prima,
a régua com que se projecta um novo edifício,
a colher com que se mexe a sopa,
a agulha com que se cose a roupa,
a esferográfica com que se escreve a redacção,
a espingarda com que se vai para a guerra.
Com as mãos amassamos o pão e o barro.
Com as mãos fazemos magia e roubamos carteiras.
Com as mãos rezamos e fazemos o V da vitória.
Com as mãos viajamos à boleia e ilustramos palavrões.
Com as mãos pedimos a conta ou outra rodada.
Com as mãos fazemos Amor.
Com as mãos podemos dar Vida, e dar Morte.
Prazer e sofrimento.
Prémio e castigo.
Com as mãos produzimos trabalho.
Mas, também, destruimos.
Limpamos e sujamos.
Despedimo-nos com um aceno.
Escondemo-las nos bolsos.
Chamamos a atenção.
Injuriamos os outros condutores.
Assinamos cheques.
Damos esmolas e coçamos a orelha.
Sem mãos não haveria pirâmides nem lutas.
Não se plantariam flores nem se colheriam os frutos.
Não telefonaríamos aos outros, nem folhearíamos um livro.
Sem mãos, não existiria Humanidade.
Com um murro se põe KO o campeão do mundo.
Com uma festa no rosto, um afago no cabelo, se inicia um romance.
Com gestos ritmados dirige-se uma orquestra.
E com outros mais autoritários comanda-se o trânsito.
São as mãos que seguram o bisturi que salva vidas,
o pincel que pinta uma obra prima,
a régua com que se projecta um novo edifício,
a colher com que se mexe a sopa,
a agulha com que se cose a roupa,
a esferográfica com que se escreve a redacção,
a espingarda com que se vai para a guerra.
Com as mãos amassamos o pão e o barro.
Com as mãos fazemos magia e roubamos carteiras.
Com as mãos rezamos e fazemos o V da vitória.
Com as mãos viajamos à boleia e ilustramos palavrões.
Com as mãos pedimos a conta ou outra rodada.
Com as mãos fazemos Amor.
Com as mãos podemos dar Vida, e dar Morte.
Prazer e sofrimento.
Prémio e castigo.
Com as mãos produzimos trabalho.
Mas, também, destruimos.
Limpamos e sujamos.
Despedimo-nos com um aceno.
Escondemo-las nos bolsos.
Chamamos a atenção.
Injuriamos os outros condutores.
Assinamos cheques.
Damos esmolas e coçamos a orelha.
Sem mãos não haveria pirâmides nem lutas.
Não se plantariam flores nem se colheriam os frutos.
Não telefonaríamos aos outros, nem folhearíamos um livro.
Sem mãos, não existiria Humanidade.
sábado, 17 de abril de 2010
Da Teoria da Garrafa Meio Cheia e da Garrafa Meio Vazia
Esta é uma frase antiga.
Utilizada em muitas circunstâncias.
Pretende que, quando uma garrafa tem metade do seu volume preenchido ( já agora por um bom vinho tinto alentejano encorpado e com laivos de madeira) para umas pessoas encontra-se já meio vazia e para outras, entre as quais me incluo, está ainda meio cheia.
Penso que é esta maneira de encarar a vida que faz a verdadeira cisão entre duas grandes fatias da Humanidade.
Muito mais do que as raças, religiões, culturas, situação económica ou profissional é a forma optimista versus a pessimista que faz com que, para uns, o dia esteja chuvoso mas com boas abertas e uns magníficos raios de sol e para os outros, apesar do sol " vem aí uma chuvada que vai alagar isto tudo..."
Tenho uma amiga optimista por natureza. Sózinha criou uns filhos magníficos, ultrapassou problemas profissionais, venceu uma doença complicada, tomou opções difíceis, sempre com um sorriso nos lábios, um brilho no olhar, uma vontade de viver contagiante.
É um prazer falar com ela, ver o entusiasmo que coloca nos seu projectos e a generosidade com que escuta os dos outros.
Em contrapartida, a maioria dos portugueses adora a prática da autocompaixão, o discurso miserabilista, o ter pena de si próprio, o não arriscar, o enterrar a cabeça na areia.
" Para que hei-de eu perder tempo com isso se já sei que não vai resultar..."
Nos dias que correm, muitos de nós acham que este é um país sem futuro.
Muitos, no seu íntimo, torcem para que a crise se instale, ainda mais definitiva.
O sonho de alguns seria que a nossa situação ultrapassasse rapidamente a da Grécia e que a bancarrota fosse uma realidade.
" Eles são corruptos. Eles não fazem nada. Eles são incompetentes..."
Só que 'Eles' somos, em última análise 'Nós'...
E, assim, com a nossa consciência apaziguada, já podemos voltar de novo à nossa vidinha, à falta de competitividade, ao alinhar com a mediocridade, com a corrupção " pois se todos fazem", a um baixo grau de exigência.
Tudo pautado pelos " Vai-se indo...", " Mais ou menos...", "Já estive melhor...", " Isto está uma desgraça...".
É altura de passarmos a olhar para as 'garrafas' de outra maneira.
Percebermos que uma garrafa meio cheia é um mundo de oportunidades.
Que ainda nos esperam imensos momentos de prazer, de convívio, de desfrute...
Enquanto que uma garrafa meio vazia caminha a passos largos ( melhor dizendo, a golos largos) para um fim sem glória.
Sejamos optimistas, mas com realismo q.b.
Sejamos activos, criando novos projectos, pensados, produzidos, acarinhados e desenvolvidos por nós próprios.
Só assim a garrafa, ou o país, ou a nossa vida, passará de meio vazia a meio cheia.
Três quartos cheia.
Totalmente.
Cheia.
Utilizada em muitas circunstâncias.
Pretende que, quando uma garrafa tem metade do seu volume preenchido ( já agora por um bom vinho tinto alentejano encorpado e com laivos de madeira) para umas pessoas encontra-se já meio vazia e para outras, entre as quais me incluo, está ainda meio cheia.
Penso que é esta maneira de encarar a vida que faz a verdadeira cisão entre duas grandes fatias da Humanidade.
Muito mais do que as raças, religiões, culturas, situação económica ou profissional é a forma optimista versus a pessimista que faz com que, para uns, o dia esteja chuvoso mas com boas abertas e uns magníficos raios de sol e para os outros, apesar do sol " vem aí uma chuvada que vai alagar isto tudo..."
Tenho uma amiga optimista por natureza. Sózinha criou uns filhos magníficos, ultrapassou problemas profissionais, venceu uma doença complicada, tomou opções difíceis, sempre com um sorriso nos lábios, um brilho no olhar, uma vontade de viver contagiante.
É um prazer falar com ela, ver o entusiasmo que coloca nos seu projectos e a generosidade com que escuta os dos outros.
Em contrapartida, a maioria dos portugueses adora a prática da autocompaixão, o discurso miserabilista, o ter pena de si próprio, o não arriscar, o enterrar a cabeça na areia.
" Para que hei-de eu perder tempo com isso se já sei que não vai resultar..."
Nos dias que correm, muitos de nós acham que este é um país sem futuro.
Muitos, no seu íntimo, torcem para que a crise se instale, ainda mais definitiva.
O sonho de alguns seria que a nossa situação ultrapassasse rapidamente a da Grécia e que a bancarrota fosse uma realidade.
" Eles são corruptos. Eles não fazem nada. Eles são incompetentes..."
Só que 'Eles' somos, em última análise 'Nós'...
E, assim, com a nossa consciência apaziguada, já podemos voltar de novo à nossa vidinha, à falta de competitividade, ao alinhar com a mediocridade, com a corrupção " pois se todos fazem", a um baixo grau de exigência.
Tudo pautado pelos " Vai-se indo...", " Mais ou menos...", "Já estive melhor...", " Isto está uma desgraça...".
É altura de passarmos a olhar para as 'garrafas' de outra maneira.
Percebermos que uma garrafa meio cheia é um mundo de oportunidades.
Que ainda nos esperam imensos momentos de prazer, de convívio, de desfrute...
Enquanto que uma garrafa meio vazia caminha a passos largos ( melhor dizendo, a golos largos) para um fim sem glória.
Sejamos optimistas, mas com realismo q.b.
Sejamos activos, criando novos projectos, pensados, produzidos, acarinhados e desenvolvidos por nós próprios.
Só assim a garrafa, ou o país, ou a nossa vida, passará de meio vazia a meio cheia.
Três quartos cheia.
Totalmente.
Cheia.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Fatalismo ou Infantilismo?
É um assunto que, periodicamente, me ocorre...
Estará o nosso Destino escrito e traçado desde que fazemos o nosso sonoro aparecimento neste mundo ou, pelo contrário, seremos nós que o vamos moldando com as nossas opções, escolhas e decisões?
Embora não aprecie muito essa posição, neste caso fico-me pelo Nim.
O fatalismo árabe de que nós somos dignos herdeiros não tem em mim um grande admirador.
O 'tinha que ser', 'estava escrito', 'seja o que Deus quiser' não são frases que orientem a minha vida.
Mas, por outro lado, o termos a pretensão do comando e gestão total do nosso futuro é algo comprovadamente falso.
Pergunto-me o que seria a minha vida se em vez de ter apanhado determinado avião tivesse escolhido o seguinte?
Não teria viajado ao lado de determinada pessoa, não teria chegado numa ocasião mas sim noutra, não teria apanhado o mesmo taxi...
Muitas vezes, basta o optarmos por descer pelas escadas em vez de usar o elevador para que o nosso destino se altere por completo.
Chegamos à rua dois minutos mais cedo, ou mais tarde, e já não somos atropelados, já não compramos o bilhete de loteria que, afinal, estava premiado...
O Tordo, numa das suas magníficas canções, diz ' A entrevista que era boa não saiu e o meu futuro foi aquilo que se viu...'
Uma entrevista, uma apresentação, uma bala perdida, uma bebida a mais, uma queda, uma onda, um vaso que cai de uma varanda, um livro que nos desperta uma ideia, um espectáculo para o qual arranjámos bilhete à última hora, um assalto, uma dor súbita, um riso contagiante que nos faz virar a cabeça....
Pequenos gestos, situações, acasos, que podem alterar toda uma vida estruturada até aí em determinada direcção.
Há cerca de vinte anos conheci numa pequena ilha no meio do Atlântico, a Mulher da minha vida e que viria a ser a Mãe dos nossos três Filhos.
Uma análise fria à lei das probabilidades dir-me-ia que eram parcas as hipóteses de ter ido tratar da realização do Festival de Música dos Açores e, a partir daí, tudo se ter desenrolado.
E se não tivesse sido eu a ir? Ou, se fossem outras as pessoas que viesse a conhecer? Ou se...? Ou se...?
A sorte, o destino, a coincidência têm um papel muito importante nas nossas vidas.
A determinação, a persistência, a força de vontade não são menos fundamentais.
Saibamos juntar à nossa pequenez de grão de areia, poeira ínfima do Universo, toda a grandeza de, em muitos casos, podermos dizer a última palavra e alterarmos o que, eventualmente, alguém decidiu para as nossas vidas.
Deuses e simples mortais.
Senhores e escravos.
Personagens e autores.
Vítimas e carrascos.
Desta dualidade nasce o que nos torna únicos, irrepetíveis.
Uma maravilha da Liberdade...
...fatal como o Destino!
Estará o nosso Destino escrito e traçado desde que fazemos o nosso sonoro aparecimento neste mundo ou, pelo contrário, seremos nós que o vamos moldando com as nossas opções, escolhas e decisões?
Embora não aprecie muito essa posição, neste caso fico-me pelo Nim.
O fatalismo árabe de que nós somos dignos herdeiros não tem em mim um grande admirador.
O 'tinha que ser', 'estava escrito', 'seja o que Deus quiser' não são frases que orientem a minha vida.
Mas, por outro lado, o termos a pretensão do comando e gestão total do nosso futuro é algo comprovadamente falso.
Pergunto-me o que seria a minha vida se em vez de ter apanhado determinado avião tivesse escolhido o seguinte?
Não teria viajado ao lado de determinada pessoa, não teria chegado numa ocasião mas sim noutra, não teria apanhado o mesmo taxi...
Muitas vezes, basta o optarmos por descer pelas escadas em vez de usar o elevador para que o nosso destino se altere por completo.
Chegamos à rua dois minutos mais cedo, ou mais tarde, e já não somos atropelados, já não compramos o bilhete de loteria que, afinal, estava premiado...
O Tordo, numa das suas magníficas canções, diz ' A entrevista que era boa não saiu e o meu futuro foi aquilo que se viu...'
Uma entrevista, uma apresentação, uma bala perdida, uma bebida a mais, uma queda, uma onda, um vaso que cai de uma varanda, um livro que nos desperta uma ideia, um espectáculo para o qual arranjámos bilhete à última hora, um assalto, uma dor súbita, um riso contagiante que nos faz virar a cabeça....
Pequenos gestos, situações, acasos, que podem alterar toda uma vida estruturada até aí em determinada direcção.
Há cerca de vinte anos conheci numa pequena ilha no meio do Atlântico, a Mulher da minha vida e que viria a ser a Mãe dos nossos três Filhos.
Uma análise fria à lei das probabilidades dir-me-ia que eram parcas as hipóteses de ter ido tratar da realização do Festival de Música dos Açores e, a partir daí, tudo se ter desenrolado.
E se não tivesse sido eu a ir? Ou, se fossem outras as pessoas que viesse a conhecer? Ou se...? Ou se...?
A sorte, o destino, a coincidência têm um papel muito importante nas nossas vidas.
A determinação, a persistência, a força de vontade não são menos fundamentais.
Saibamos juntar à nossa pequenez de grão de areia, poeira ínfima do Universo, toda a grandeza de, em muitos casos, podermos dizer a última palavra e alterarmos o que, eventualmente, alguém decidiu para as nossas vidas.
Deuses e simples mortais.
Senhores e escravos.
Personagens e autores.
Vítimas e carrascos.
Desta dualidade nasce o que nos torna únicos, irrepetíveis.
Uma maravilha da Liberdade...
...fatal como o Destino!
Amor
"Aquilo que provamos
quando estamos apaixonados
talvez seja o nosso estado normal.
O amor mostra ao homem
como é que ele deveria ser sempre".
Anton Tchekhov
quando estamos apaixonados
talvez seja o nosso estado normal.
O amor mostra ao homem
como é que ele deveria ser sempre".
Anton Tchekhov
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Divagando se vai Longe
terça-feira, 30 de março de 2010
A minha Mãe faz hoje 90 anos
A minha Mãe nasceu em 1920. Em Faro.
Numa família de classe média, Pai oficial da Marinha, Mãe doméstica, como se dizia e era de bom tom à época.
Primos direitos os dois.
Não dizem que os Netos de Primos direitos nascem com perturbações mentais? Isso explicaria muita coisa...
Aos 10 anos zarpou para Lisboa para uma casa junto ao Marquês de Pombal, onde ainda hoje, passadas oito décadas, continua a viver.
Andou no Maria Amália, começou a namorar o vizinho do prédio em frente, rapaz bem apessoado com ares de Rodolfo Valentino e cabelo esticado graças ao Brylcream e lá casaram.
Entretanto o meu Avô, Francisco Viegas como o meu Filho mais velho, suicidou-se num daqueles mistérios familiares de que nunca se fala e que nunca se chega a perceber muito bem.
Este vosso escriba nasce quando a minha Mãe acabara de fazer 25 anos.
O meu Pai, mulherengo e irrequieto, vai coleccionando conquistas até que três anos depois dá-se a separação.
O divórcio, em virtude da Concordata com a Igreja, só viria a ocorrer muitos anos depois, após a Revolução dos Cravos.
Sózinha, separada e com um filho, aos 28 anos, a minha Mãe viu-se forçada a trabalhar como Professora de Instrução Primária. Os tempos eram difíceis. O dinheiro curto, muito curto.
Foram aparecendo alguns admiradores, apaixonados ou simplesmente aproveitadores, mas o
'filhinho' (moi même) ciumento e possessivo foi-se encarregando de os pôr rapidamente a mexer.
E as décadas foram passando. Uma vida de rotina instalou-se e a minha Mãe passou a viver em função dos eventuais sucessos, e dos insucessos, do seu único descendente que só muito tardiamente, quando ela atingira já os 75 anos, lhe deu Netos.
Mas, verdade se diga, logo três em menos de dez meses.
O aparecimento desta nova geração deu novo alento à minha Mãe...
Que agora chega aos 90 anos, fresca da cabeça ( a saber tudo o que se passa por cá e pelo Mundo) e ligeira dos pés.
Hoje vamos reunir toda a nossa pequena Família, do meu lado, Netos, Sobrinhos, Sobrinhos-Netos, Nora e Filho, claro está.
E vamos cantar o 'Parabéns a Você' !!!
Parabéns Mamy!
Já falta pouco para chegar ao Século....
Numa família de classe média, Pai oficial da Marinha, Mãe doméstica, como se dizia e era de bom tom à época.
Primos direitos os dois.
Não dizem que os Netos de Primos direitos nascem com perturbações mentais? Isso explicaria muita coisa...
Aos 10 anos zarpou para Lisboa para uma casa junto ao Marquês de Pombal, onde ainda hoje, passadas oito décadas, continua a viver.
Andou no Maria Amália, começou a namorar o vizinho do prédio em frente, rapaz bem apessoado com ares de Rodolfo Valentino e cabelo esticado graças ao Brylcream e lá casaram.
Entretanto o meu Avô, Francisco Viegas como o meu Filho mais velho, suicidou-se num daqueles mistérios familiares de que nunca se fala e que nunca se chega a perceber muito bem.
Este vosso escriba nasce quando a minha Mãe acabara de fazer 25 anos.
O meu Pai, mulherengo e irrequieto, vai coleccionando conquistas até que três anos depois dá-se a separação.
O divórcio, em virtude da Concordata com a Igreja, só viria a ocorrer muitos anos depois, após a Revolução dos Cravos.
Sózinha, separada e com um filho, aos 28 anos, a minha Mãe viu-se forçada a trabalhar como Professora de Instrução Primária. Os tempos eram difíceis. O dinheiro curto, muito curto.
Foram aparecendo alguns admiradores, apaixonados ou simplesmente aproveitadores, mas o
'filhinho' (moi même) ciumento e possessivo foi-se encarregando de os pôr rapidamente a mexer.
E as décadas foram passando. Uma vida de rotina instalou-se e a minha Mãe passou a viver em função dos eventuais sucessos, e dos insucessos, do seu único descendente que só muito tardiamente, quando ela atingira já os 75 anos, lhe deu Netos.
Mas, verdade se diga, logo três em menos de dez meses.
O aparecimento desta nova geração deu novo alento à minha Mãe...
Que agora chega aos 90 anos, fresca da cabeça ( a saber tudo o que se passa por cá e pelo Mundo) e ligeira dos pés.
Hoje vamos reunir toda a nossa pequena Família, do meu lado, Netos, Sobrinhos, Sobrinhos-Netos, Nora e Filho, claro está.
E vamos cantar o 'Parabéns a Você' !!!
Parabéns Mamy!
Já falta pouco para chegar ao Século....
segunda-feira, 29 de março de 2010
Se Conduzir não Beba
Este é um filme violento com mais de 5 minutos.Mas que, na minha opinião, cumpre os seus objectivos - alertar que muitas vezes uma cervejinha a mais pode alterar a nossa vida e a de muitas outras pessoas.
Se quiserem começar a semana bem dispostos esqueçam o vídeo, se preferirem ficar a conhecer um excelente trabalho então vejam este Aqui.
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