Pablo era um mestre.
Um mestre na arte do toureio. Toureava letras.
Cresceu em páginas de livros de todo o género, numa biblioteca que há muito foi demolida.
O pai fora um Tratado de Ciências e a mãe um Romance Clássico.
Pablo em criança, começou por tourear letras soltas.
Mostrou mestria na juventude ao tourear frases inteiras, passando para os parágrafos e chegando mesmo a bandarilhar capítulos inteiros antes da idade adulta.
Iniciou-se em Crónicas de jornal, mas notabilizou-se em diversos formatos.
Foi aplaudido em praças A3 e em edições de luxo.
Frequentou ambientes variados. Desde Azerts a Qwertys.
Reconhecido mundialmente, foi vogal de muitas frases famosas.
Perdido de amores, casou com uma frase típica de revista “cor de rosa”.
Ela tinha umas boas imagens e um belo "body copy".
Deslumbrado, pelo sucesso, meteu-se nos "copys" rascas.
A sua vida boémia levou-o a ter muitas interjeições pelo meio, o que destruiu o seu casamento. Mal paginado e viciado em frases feitas, acabou por morrer num baseline publicitário.
“Muita imagem e pouco texto” foi a causa de morte, segundo os criticos.
Foi sepultado no prefácio de um Best Seller.
Descansa na prateleira das aventuras.
Deixou incompleto o seu livro de memórias...
João Cóias in Jugular
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
sábado, 19 de setembro de 2009
Teoria da Conspiração
O Presidente achava que o Governo o estava a espiar.Os Assessores do Presidente julgavam
que elementos do MAI os andavam a seguir.
O Director do jornal jurava que os fulanos do SIS
tinham entrado no sistema informático do diário.
O Primeiro Ministro queixava-se de que a imagem
da Manuela Moura Guedes o perseguia, em sonhos.
Manuela Ferreira Leite dizia que lhe tinham posto
algum produto estranho na laca do cabelo.
Paulo Portas afirmava o mesmo,
mas em relação à sua pasta de dentes.
Jerónimo de Sousa protestava porque o fantasma de Cunhal,
não lhe largava a porta.
Francisco Louçã manifestava o seu desagrado
por causa a de um ”érre” entalado na garganta.
Manuel Alegre chorava o facto da FNAC
lhe ter boicotado os livros.
Paulo Rangel vociferava por não ter ganho
o Prémio do Mais Sexy, o que achou uma injustiça.
António Costa irritava-se contra os lisboetas
que, de noite, atiravam lixo para a rua.
Santana Lopes sussurrava
que lhe tinham furado os preservativos…
…E até eu, neste clima de Teoria da Conspiração,
penso que alguém, enquanto escrevo este post,
me está a espiar…por cima do ombro!
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Tonas e Pêpê, Pirucas e Tony
Apresentaram-se os dois vestidos de igual.De fato escuro e gravata azul clara.
Cordiais de início, foram subindo o tom e a tensão.
Clara de Souza, a meio, ia picando um e outro.
Pedro acusou António de não ter feito nada.
De não deixar obra feita.
António avançou com o endividamento deixado por Pedro.
Que quadriplicou, durante o seu mandato.
Falou-se no túnel do Marquês e no vereador Sá Fernandes.
Um disse que o outro era um sonhador irresponsável.
O outro disse que ele fazia as coisas avançarem,
ao contrário do seu adversário.
Esgrimiram-se muitos números
e poucas ideias.
Crisparam-se os punhos, incharam as veias do pescoço.
Elevou-se o tom de voz.
Cerraram o sobrolho.
Fizeram-se acusações ferozes e juízos de carácter.
Pedro falou da miscelânia que eram os apoiantes de António.
Várias vezes, António perdeu a pose de buda ditoso.
Miraram-se com ódio, sorriram com desprezo.
Declararam o seu mútuo amor à cidade.
E cumprimentaram-se, educadamente, no final do debate.
A seguir, deram o braço, e foram até ao Gambrinus
para uma ceia leve.
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segunda-feira, 4 de maio de 2009
Choque Geracional
Eu nasci em casa, com a ajuda de uma parteira do bairro.
O meu filho nasceu num Hospital particular
com o apoio de uma equipa de médicos, anestesista, enfermeiras.
Eu fui sendo tratado à base de óleo de fígado de bacalhau,
clisteres e zaragatoas.
O meu filho teve médico pediatra desde pequeno.
Eu fui para a escola do Sr.Acácio e depois para uma Pública.
O meu filho esteve num Infantário
e depois num Colégio todo XPTO.
O meu primeiro jogo terá sido o “ da Glória”.
Em caixa de papelão.
O primeiro jogo do meu filho terá sido o Cars Racing
Para o Nintendo.
Eu só vi Televisão pela primeira vez aos 11 anos.
O meu filho, com essa idade, já há muito,
tinha um televisor no quarto, e a cores.
Eu passava horas a desenhar, pintar e recortar
legiões romanas com que fazia guerras intermináveis.
O meu filho passava horas a carregar, jogar e gravar
jogos de estratégia com que fazia guerras intermináveis.
Eu usava pullovers feitos em tricot pela minha Mãe.
O meu filho usa sweat shirts da Nike e da Billabong.
Eu tinha umas vagas aulas de Educação Física
em que saltava, mal, ao plinto.
O meu filho tem aulas de Natação, Ténis e Futebol.
As primeiras músicas que ouvi foi no Siera da cozinha.
Talvez o "Quando o Telefone toca" ou coisa parecida.
O meu filho tem um I-Pod com milhares de gravações.
Na pré adolescência eu já tinha lido centenas de livros
e visto meia dúzia de filmes.
Na pré adolescência, o meu filho tinha lido meia dúzia de livros
e visto centenas de filmes.
O mais longe que eu tinha ido, era até à Carreira do Mato,
perto de Abrantes.
O mais longe que o meu filho viajou foi até Carmel
perto de San Francisco.
As férias, eu passava-as na Costa da Caparica.
As férias do meu filho, já foram passadas no Rio.
Aos catorze anos, apaixonei-me à séria pela primeira vez.
Fiquei com um brilhozinho nos olhos.
E um sorriso meio apalermado.
O meu filho, aos catorze anos, apaixonou-se à séria
pela primeira vez.
Ficou com um brilhozinho nos olhos.
E um sorriso meio apalermado.
Afinal, nas coisas realmente importantes
não são tão grandes as diferenças…
O meu filho nasceu num Hospital particular
com o apoio de uma equipa de médicos, anestesista, enfermeiras.
Eu fui sendo tratado à base de óleo de fígado de bacalhau,
clisteres e zaragatoas.
O meu filho teve médico pediatra desde pequeno.
Eu fui para a escola do Sr.Acácio e depois para uma Pública.
O meu filho esteve num Infantário
e depois num Colégio todo XPTO.
O meu primeiro jogo terá sido o “ da Glória”.
Em caixa de papelão.
O primeiro jogo do meu filho terá sido o Cars Racing
Para o Nintendo.
Eu só vi Televisão pela primeira vez aos 11 anos.
O meu filho, com essa idade, já há muito,
tinha um televisor no quarto, e a cores.
Eu passava horas a desenhar, pintar e recortar
legiões romanas com que fazia guerras intermináveis.
O meu filho passava horas a carregar, jogar e gravar
jogos de estratégia com que fazia guerras intermináveis.
Eu usava pullovers feitos em tricot pela minha Mãe.
O meu filho usa sweat shirts da Nike e da Billabong.
Eu tinha umas vagas aulas de Educação Física
em que saltava, mal, ao plinto.
O meu filho tem aulas de Natação, Ténis e Futebol.
As primeiras músicas que ouvi foi no Siera da cozinha.
Talvez o "Quando o Telefone toca" ou coisa parecida.
O meu filho tem um I-Pod com milhares de gravações.
Na pré adolescência eu já tinha lido centenas de livros
e visto meia dúzia de filmes.
Na pré adolescência, o meu filho tinha lido meia dúzia de livros
e visto centenas de filmes.
O mais longe que eu tinha ido, era até à Carreira do Mato,
perto de Abrantes.
O mais longe que o meu filho viajou foi até Carmel
perto de San Francisco.
As férias, eu passava-as na Costa da Caparica.
As férias do meu filho, já foram passadas no Rio.
Aos catorze anos, apaixonei-me à séria pela primeira vez.
Fiquei com um brilhozinho nos olhos.
E um sorriso meio apalermado.
O meu filho, aos catorze anos, apaixonou-se à séria
pela primeira vez.
Ficou com um brilhozinho nos olhos.
E um sorriso meio apalermado.
Afinal, nas coisas realmente importantes
não são tão grandes as diferenças…
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sábado, 2 de maio de 2009
O Oleiro
Já o seu pai, e o pai e o avô dele tinham sido oleiros.
Ele desde miúdo que corria por entre os potes
que se amontoavam nos corredores apertados,
em cima de traves de madeira,
atravessadas em equilíbrios instáveis,
cobertos de pó e de teias de aranha.
As sua brincadeiras tinham todas a ver com o barro.
O preparar da massa, humedecer a mistura.
Moldar com as mãos, fazer girar a roda.
Por isso quando o pai desapareceu,
à mãe não a chegara a conhecer,
foi com naturalidade que ele tomou conta do negócio.
A trabalhar de manhã à noite para responder às encomendas.
Grandes talhas para guardar o azeite.
Outras mais pequenas, furadas, para as azeitonas.
Alguidares, tachos e panelas.
Vasos para as flores, com os pratos respectivos.
Tudo para as pessoas da vizinhança.
Homens e mulheres como ele, com as mãos calosas,
Vestidos com roupas grosseiras, de poucas palavras.
Que levavam as compras feitas às costas
ou nos alforges dum burro.
Mas naquele dia foi diferente. O carro parou mesmo à sua porta.
Já conhecia o condutor doutras vezes.
Uma figura importante, que por vezes o visitava
para encomendar potes de jardim.
Arrogante, de poucas palavras, a tentar sempre pagar menos.
Com uma mulher ,da mesma idade, que nem saía do carro.
“Tem alergia ao pó…”, disse o homem, num dia de melhor disposição.
E riu-se.
Mas hoje, a companhia era outra. Mais nova. Muito mais.
De longas pernas, que o oleiro contemplou ao saírem do carro.
Com um riso aberto, ao entrar na penumbra da olaria.
De ombros à mostra e seios saltitantes.
O oleiro forçou-se a fechar a boca.
Quando ela, olhando-o certeira no olhos, lhe fez perguntas sobre a sua arte
ele respondeu-lhe com monossílabos.
Ela roçou-o, ao de leve, e ele sentiu uma descarga eléctrica.
Nesse dia nem discutiu os preços que o homem lhe oferecia.
Muito tempo depois deles terem partido,
o perfume da mulher perdurava no velho e poeirento galpão.
Naquela tarde não conseguiu trabalhar mais nada.
Deitou-se cedo, mas não encontrou posição na cama, suada.
A meio da noite levantou-se, como em transe.
Escolheu o barro mais fino, aproximou-se da roda.
E começou a modelar.
Fechava os olhos para recordar os ombros lisos, os seio túrgidos,
as pernas esguias, as ancas torneadas, as nádegas firmes.
O sol já aparecia, quando terminou.
Olhou embevecido, o resultado. Perfeito.
Colocou a peça no forno.
Depois esperou impaciente, dando voltas pelos corredores escuros.
Levou-a, ainda quente, para a cama.
E pôde cair, finalmente, num sono profundo.
No outro dia, quando acordou, viu-a nua e morena
a preparar um café forte e bem cheiroso.
Quando, entre risos, ela voltou a tapar-se com o lençóis
ele soube o seu nome: “Eva”.
Vivem felizes, até hoje.
Ele desde miúdo que corria por entre os potes
que se amontoavam nos corredores apertados,
em cima de traves de madeira,
atravessadas em equilíbrios instáveis,
cobertos de pó e de teias de aranha.
As sua brincadeiras tinham todas a ver com o barro.
O preparar da massa, humedecer a mistura.
Moldar com as mãos, fazer girar a roda.
Por isso quando o pai desapareceu,
à mãe não a chegara a conhecer,
foi com naturalidade que ele tomou conta do negócio.
A trabalhar de manhã à noite para responder às encomendas.
Grandes talhas para guardar o azeite.
Outras mais pequenas, furadas, para as azeitonas.
Alguidares, tachos e panelas.
Vasos para as flores, com os pratos respectivos.
Tudo para as pessoas da vizinhança.
Homens e mulheres como ele, com as mãos calosas,
Vestidos com roupas grosseiras, de poucas palavras.
Que levavam as compras feitas às costas
ou nos alforges dum burro.
Mas naquele dia foi diferente. O carro parou mesmo à sua porta.
Já conhecia o condutor doutras vezes.
Uma figura importante, que por vezes o visitava
para encomendar potes de jardim.
Arrogante, de poucas palavras, a tentar sempre pagar menos.
Com uma mulher ,da mesma idade, que nem saía do carro.
“Tem alergia ao pó…”, disse o homem, num dia de melhor disposição.
E riu-se.
Mas hoje, a companhia era outra. Mais nova. Muito mais.
De longas pernas, que o oleiro contemplou ao saírem do carro.
Com um riso aberto, ao entrar na penumbra da olaria.
De ombros à mostra e seios saltitantes.
O oleiro forçou-se a fechar a boca.
Quando ela, olhando-o certeira no olhos, lhe fez perguntas sobre a sua arte
ele respondeu-lhe com monossílabos.
Ela roçou-o, ao de leve, e ele sentiu uma descarga eléctrica.
Nesse dia nem discutiu os preços que o homem lhe oferecia.
Muito tempo depois deles terem partido,
o perfume da mulher perdurava no velho e poeirento galpão.
Naquela tarde não conseguiu trabalhar mais nada.
Deitou-se cedo, mas não encontrou posição na cama, suada.
A meio da noite levantou-se, como em transe.
Escolheu o barro mais fino, aproximou-se da roda.
E começou a modelar.
Fechava os olhos para recordar os ombros lisos, os seio túrgidos,
as pernas esguias, as ancas torneadas, as nádegas firmes.
O sol já aparecia, quando terminou.
Olhou embevecido, o resultado. Perfeito.
Colocou a peça no forno.
Depois esperou impaciente, dando voltas pelos corredores escuros.
Levou-a, ainda quente, para a cama.
E pôde cair, finalmente, num sono profundo.
No outro dia, quando acordou, viu-a nua e morena
a preparar um café forte e bem cheiroso.
Quando, entre risos, ela voltou a tapar-se com o lençóis
ele soube o seu nome: “Eva”.
Vivem felizes, até hoje.
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sexta-feira, 1 de maio de 2009
O 1º de Maio
Naquele dia, levantou-se muito mais cedodo que o habitual.
Pudera, com tanta coisa para preparar.
Deixou a barba por fazer,
mas tomou um banho mais demorado.
Penteou-se, enquanto secava o cabelo.
Gostou do que viu. Aparou o bigode.
Para escolher a roupa é que foi pior.
A camisa nova, do Colombo, dava-lhe um ar de beto.
Até podiam pensar que era do Bloco.
A dos quadrados era demasiado rural.
A vermelha, muito óbvia.
Optou por uma t-shirt preta. Estava sol.
E com preto, não me comprometo.
Nas calças, pôs de lado as Calvin Klein
e procurou as mais velhas
guardadas para ocasiões como esta.
Nos ténis o mesmo cuidado, nada de marcas.
Os Adidas, os Nike ou os DC eliminados.
Onde estariam os da Feira do Relógio?
Ao fim de hora e meia estava pronto.
Saiu para a rua, apressado, e foi até ao Partido.
Deixou o BMW, estacionado longe,
e fez o resto do percurso a pé.
Quando chegou foi recebido com efusão.
"- Então pá que tens feito?
Há um ano que não te víamos..."
Fez um ar misterioso.
"- O quê? tens estado infiltrado?"
Sorriu e subiu a escada,
cumprimentando à esquerda e direita.
Depois foi ajudar as mulheres a fazer sandes de presunto
para os camaradas que estavem a chegar de Beja.
Foi pintar cartazes de pano, com letras garrafais.
Dividiu os cravos em molhos de dúzia.
Distribuiu autocolantes pelos que estavam a entrar.
Teve tempo, ainda, para criar novas palavras de ordem
Dá-lhe Forte, manda-o pró Freeport
que foram aplaudidas por todos.
Tudo isto entre abraços, promessas de
Agora é que isto vai...ou racha
sempre acompanhadas de fortes palmadas nas costas.
Depois, foi a vez de irem todos para a rua,
descerem a Avenida, fazerem discursos,
manifestarem-se em frente à porta do 1º Ministro,
gritarem palavras de ordem,
cantarem a Grândola e o Uma gaivota voava, voava...
discutirem com a Polícia, ouvirem impropérios,
quase chegarem às vias de facto,
apoiarem os Sindicatos, distribuirem panfletos,
comerem as sandochas, parcas e todas amolgadas.
No regresso vinham cheios de adrenalina.
Até discutiram Futebol e o Licínio Baptista.
Mais abraços, promessas de encontros para breve.
Quando chegou a casa, estava extenuado.
Nunca trabuquira tanto num dia...
Safa, ainda bem que o Dia do Trabalhador,
era só uma vez por ano !!!
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quarta-feira, 29 de abril de 2009
Rotina mecânica
Estavam os dois sentados, lado a lado.
De olhos fixos no écran, sem se tocarem.
Foi então que ela começou:
-Sim querido, sim querido…
Ele reagiu, de imediato:
- Meu amor, minha vida, deixa-me…
Sem o olhar, ela acedeu.
-Depressa, depressa, vá…
Ele continuava fixo nas imagens.
-Põe-te assim, não assim…
-Mais para cima, mais para baixo…
O ritmo, fazia-os falar de forma atropelada.
-Hum, ham, sim, sim, agooora…
-Uau, yeah, yeah…
Como tinham começado, acabaram.
Repentinamente.
Depois despediram-se da equipe técnica
e foram, cada um, para sua casa.
Mais um filme erótico, dobrado.
Que seca…
De olhos fixos no écran, sem se tocarem.
Foi então que ela começou:
-Sim querido, sim querido…
Ele reagiu, de imediato:
- Meu amor, minha vida, deixa-me…
Sem o olhar, ela acedeu.
-Depressa, depressa, vá…
Ele continuava fixo nas imagens.
-Põe-te assim, não assim…
-Mais para cima, mais para baixo…
O ritmo, fazia-os falar de forma atropelada.
-Hum, ham, sim, sim, agooora…
-Uau, yeah, yeah…
Como tinham começado, acabaram.
Repentinamente.
Depois despediram-se da equipe técnica
e foram, cada um, para sua casa.
Mais um filme erótico, dobrado.
Que seca…
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terça-feira, 28 de abril de 2009
O Casal Modelo
Eram considerados por todos, um casal modelo.Sempre enrolados um no outro.
Aos beijos sôfregos e abraços apertados.
Por vezes, em cenas algo confrangedoras, de tão íntimas.
Pareciam um só.
Não se sabia onde terminava o primeiro
e começava o segundo.
E agora, tudo mudou.
De costas voltadas, não querem saber do parceiro.
Frios, indiferentes, distantes.
Eram um "curioso número".
Tornaram-se um número sem história.
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sábado, 25 de abril de 2009
Turista Acidente(al)
Prenderam-no quando fotografava a velha igreja ortodoxa, ao lado do paiol das munições.
Dois militares, entroncados e fardados de cinzento, pegaram-lhe por debaixo dos braços e atiraram-no, sem cerimónias, para a parte de trás do furgão.
Um pouco afastado, o oficial, pálido e olheirento , atirou fora o cigarro, que pisou, e soltou uma ordem breve, naquela língua áspera, que lhe arranhava os ouvidos.
De seguida, enfiaram-lhe um saco pela cabeça , e uma coronhada no baixo ventre, quando se tentou sentar melhor.
A viagem demorou cerca de meia hora.
O caminho sentia-se acidentado e com curvas apertadas, que o faziam dançar, sempre à espera de novo correctivo.
As poucas vezes que tentou balbuciar algo, ouviu frases no dialecto local, que o inibiram de prosseguir.
Quando o carro parou, sentiu um forte cheiro a combustível.
Empurraram-no para fora da viatura e quando o libertaram do capuz, fechou os olhos com o impacto do holofote que apontava para si.
Foi então amarrado a uma cadeira, com as mãos atrás das costas e as pernaspresas pelos tornozelos.
Nesse momento, entrou na pequena sala onde se encontrava, um outro militar, uniformizado,.este, de negro, que se lhe dirigiu num inglês quase perfeito, não fora as arestas pouco limadas de algumas das palavras.
“- Que faz na nossa bela, e acolhedora, terra…
( pausa para olhar o passaporte)Mr.Walker ?”
“- Sou turista, vim passar uns dias de…”
O murro que lhe pareceu arrancar a cabeça do corpo,
surgiu do lado esquerdo.
Sentiu dois dentes a saltarem da boca e esta a encher-se de sangue.
“- Então, Mr…Walker, prefere a hard way ? Porque não confessa ?”
Enquanto tentava organizar os pensamentos, caiu-lhe o tecto em cima, ou pelo menos foi isso que lhe pareceu.
Afinal era um dos guardas que o vergastava com uma toalha molhada.
“-Trabalha para os gringos ou para os ingleses ?”
isto com um sorriso irónico, do militar de preto.
“Sou free lancer. Fotógrafo …”
Sem pressas ligaram-lhe dois eléctrodos ao mamilos.
“-Não quer repensar a resposta ?”
O seu silêncio foi entendido como uma negativa.
A corrente percorreu-o todo, como se estivesse na cadeira eléctrica.
Durante dois dias, foi espancado, torturado, sem comer, beber ou dormir.
Os guardas iam sendo substituídos e cada um, tinha a sua especialidade.
Arranque de unhas, queimaduras de cigarros,
cabeça mergulhada em baldes durante longos minutos.
Passadas 48 horas o primeiro oficial, de uniforme negro, concluiu:
“- É mesmo fotógrafo , deixem-no ir “.
E para ele “ Sorry, Mr.Walker…was a mistake !”
Deixaram-no à porta do Hotel.
Cambaleante subiu até ao quarto e deitou-se.
O camareiro entrou e deixou-lhe uma bandeja com comida,
sobre a cama.Quando ele saiu, desdobrou o guardanapo.
A pequena mensagem enrolada, caiu-lhe nas mãos.
“Parabéns Agente Walker. Informo-o que foi promovido
a Sub-Chefe do Departamento de Espionagem do Cazaquistão”.
Dois militares, entroncados e fardados de cinzento, pegaram-lhe por debaixo dos braços e atiraram-no, sem cerimónias, para a parte de trás do furgão.
Um pouco afastado, o oficial, pálido e olheirento , atirou fora o cigarro, que pisou, e soltou uma ordem breve, naquela língua áspera, que lhe arranhava os ouvidos.
De seguida, enfiaram-lhe um saco pela cabeça , e uma coronhada no baixo ventre, quando se tentou sentar melhor.
A viagem demorou cerca de meia hora.
O caminho sentia-se acidentado e com curvas apertadas, que o faziam dançar, sempre à espera de novo correctivo.
As poucas vezes que tentou balbuciar algo, ouviu frases no dialecto local, que o inibiram de prosseguir.
Quando o carro parou, sentiu um forte cheiro a combustível.
Empurraram-no para fora da viatura e quando o libertaram do capuz, fechou os olhos com o impacto do holofote que apontava para si.
Foi então amarrado a uma cadeira, com as mãos atrás das costas e as pernaspresas pelos tornozelos.
Nesse momento, entrou na pequena sala onde se encontrava, um outro militar, uniformizado,.este, de negro, que se lhe dirigiu num inglês quase perfeito, não fora as arestas pouco limadas de algumas das palavras.
“- Que faz na nossa bela, e acolhedora, terra…
( pausa para olhar o passaporte)Mr.Walker ?”
“- Sou turista, vim passar uns dias de…”
O murro que lhe pareceu arrancar a cabeça do corpo,
surgiu do lado esquerdo.
Sentiu dois dentes a saltarem da boca e esta a encher-se de sangue.
“- Então, Mr…Walker, prefere a hard way ? Porque não confessa ?”
Enquanto tentava organizar os pensamentos, caiu-lhe o tecto em cima, ou pelo menos foi isso que lhe pareceu.
Afinal era um dos guardas que o vergastava com uma toalha molhada.
“-Trabalha para os gringos ou para os ingleses ?”
isto com um sorriso irónico, do militar de preto.
“Sou free lancer. Fotógrafo …”
Sem pressas ligaram-lhe dois eléctrodos ao mamilos.
“-Não quer repensar a resposta ?”
O seu silêncio foi entendido como uma negativa.
A corrente percorreu-o todo, como se estivesse na cadeira eléctrica.
Durante dois dias, foi espancado, torturado, sem comer, beber ou dormir.
Os guardas iam sendo substituídos e cada um, tinha a sua especialidade.
Arranque de unhas, queimaduras de cigarros,
cabeça mergulhada em baldes durante longos minutos.
Passadas 48 horas o primeiro oficial, de uniforme negro, concluiu:
“- É mesmo fotógrafo , deixem-no ir “.
E para ele “ Sorry, Mr.Walker…was a mistake !”
Deixaram-no à porta do Hotel.
Cambaleante subiu até ao quarto e deitou-se.
O camareiro entrou e deixou-lhe uma bandeja com comida,
sobre a cama.Quando ele saiu, desdobrou o guardanapo.
A pequena mensagem enrolada, caiu-lhe nas mãos.
“Parabéns Agente Walker. Informo-o que foi promovido
a Sub-Chefe do Departamento de Espionagem do Cazaquistão”.
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sexta-feira, 24 de abril de 2009
Final In(esperado)
Era uma mulher confiante em si própria.
Adulta, madura, auto suficiente, ou, pelo menos, assim se julgava.
E nada a surpreendia.
Há muito, que o inesperado não existia para ela.
Começava a ler um livro e, a meio, já sabia como ia acabar.
Ia ao Cinema e, pouco depois do genérico, já antevia
como seria o final do filme.
Era assim nos negócios, nos casamentos dos amigos,
e, também, nas suas próprias relações.
Dias, horas, minutos, nos melhores casos, antes das situações acontecerem,
já ela pressentia o que se ia passar, ser dito, ocorrer de seguida.
Por isso, dizia que o inesperado não tinha lugar na sua vida.
Era como uma jogadora de xadrez, prevendo as jogadas futuras dos adversários, só que em vez de bispos, torres e cavalos , tratava-se de vidas, emoções, argumentos, afectos vários e, até, prognósticos políticos.
Por isso, quando, naquela noite, foi jantar com a sua conquista mais recente
e este lhe começou a falar do último carro que comprara,
da sua performance no squash, das viagens e da futura promoção
na multinacional onde trabalhava, ela teve uma sensação de déjà vu.
No final da refeição , adivinhou, com cinco minutos de antecedência o esperado “Que tal uma última bebida no meu apartamento?”.
Uma qualquer desculpa, serviu para ele a deixar à porta do seu condomínio
de luxo, não sem antes , ensaiar uma última tentativa.
“- Nem me oferece sequer um café?” Previsível, de novo.
Sorriu-lhe, contrariada. O que ela dava para ser surpreendida…
Quando o porteiro lhe abriu a porta, ainda olhou para trás.
A sua companhia masculina , dentro do carro, disfarçava a decepção,
girando o punho à altura do ouvido”Telefone-me, sim?”
queria dizer ele, mais uma vez, sem nada de original.
Pisou com firmeza o chão de mármore, da recepção.
Subiu no luxuoso elevador, enquanto uma música, sem surpresas,
ecoava no pequeno espaço.
Digitalizou o código de segurança e entrou no seu espaçoso loft.
Antes de conseguir acender a luz, sentiu o frio de uma lâmina,
junto à garganta, e ouviu: “- Se gritas, morres !”
O rosto iluminou-se-lhe, num sorriso largo.
Surpreendida, por fim.
Adulta, madura, auto suficiente, ou, pelo menos, assim se julgava.
E nada a surpreendia.
Há muito, que o inesperado não existia para ela.
Começava a ler um livro e, a meio, já sabia como ia acabar.
Ia ao Cinema e, pouco depois do genérico, já antevia
como seria o final do filme.
Era assim nos negócios, nos casamentos dos amigos,
e, também, nas suas próprias relações.
Dias, horas, minutos, nos melhores casos, antes das situações acontecerem,
já ela pressentia o que se ia passar, ser dito, ocorrer de seguida.
Por isso, dizia que o inesperado não tinha lugar na sua vida.
Era como uma jogadora de xadrez, prevendo as jogadas futuras dos adversários, só que em vez de bispos, torres e cavalos , tratava-se de vidas, emoções, argumentos, afectos vários e, até, prognósticos políticos.
Por isso, quando, naquela noite, foi jantar com a sua conquista mais recente
e este lhe começou a falar do último carro que comprara,
da sua performance no squash, das viagens e da futura promoção
na multinacional onde trabalhava, ela teve uma sensação de déjà vu.
No final da refeição , adivinhou, com cinco minutos de antecedência o esperado “Que tal uma última bebida no meu apartamento?”.
Uma qualquer desculpa, serviu para ele a deixar à porta do seu condomínio
de luxo, não sem antes , ensaiar uma última tentativa.
“- Nem me oferece sequer um café?” Previsível, de novo.
Sorriu-lhe, contrariada. O que ela dava para ser surpreendida…
Quando o porteiro lhe abriu a porta, ainda olhou para trás.
A sua companhia masculina , dentro do carro, disfarçava a decepção,
girando o punho à altura do ouvido”Telefone-me, sim?”
queria dizer ele, mais uma vez, sem nada de original.
Pisou com firmeza o chão de mármore, da recepção.
Subiu no luxuoso elevador, enquanto uma música, sem surpresas,
ecoava no pequeno espaço.
Digitalizou o código de segurança e entrou no seu espaçoso loft.
Antes de conseguir acender a luz, sentiu o frio de uma lâmina,
junto à garganta, e ouviu: “- Se gritas, morres !”
O rosto iluminou-se-lhe, num sorriso largo.
Surpreendida, por fim.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
Compulsão
Por ela, percorrera milhares de quilómetros.
Cruzara oceanos. Fizera vôos de muitas horas.
Metera-se em comboios pré-históricos.
Hospedara-se em hotéis de luxo.
Em pensões de mau porte.
Em móteis tropicais de alta rotatividade.
Pedira apartamentos a amigos.
Expusera-se a vergonhas em jardins públicos.
Em carros estacionados junto ao rio.
No local de trabalho. Fora d'horas.
Afrontara a ira de pais e maridos.
Namorados furiosos e irmãos corpulentos.
Deixara a roupa espalhada pelo chão.
Passara noites sem dormir.
Sofrera arranhões e entorses várias.
Escondera-se em armários, sotãos,
varandas, escadas de serviço
e. até, debaixo duma cama.
Durante anos, fora seu servo inconsciente.
Fizera tudo o que ela sugeria.
Seguira ordens, como um autómato,
sem discussões, sem questionar os porquês.
Escravo dela, por prazer.
Vítima inocente. Viciado em permanência.
Só há pouco soubera como ela se chamava.
Testosterona...curioso nome.
Cruzara oceanos. Fizera vôos de muitas horas.
Metera-se em comboios pré-históricos.
Hospedara-se em hotéis de luxo.
Em pensões de mau porte.
Em móteis tropicais de alta rotatividade.
Pedira apartamentos a amigos.
Expusera-se a vergonhas em jardins públicos.
Em carros estacionados junto ao rio.
No local de trabalho. Fora d'horas.
Afrontara a ira de pais e maridos.
Namorados furiosos e irmãos corpulentos.
Deixara a roupa espalhada pelo chão.
Passara noites sem dormir.
Sofrera arranhões e entorses várias.
Escondera-se em armários, sotãos,
varandas, escadas de serviço
e. até, debaixo duma cama.
Durante anos, fora seu servo inconsciente.
Fizera tudo o que ela sugeria.
Seguira ordens, como um autómato,
sem discussões, sem questionar os porquês.
Escravo dela, por prazer.
Vítima inocente. Viciado em permanência.
Só há pouco soubera como ela se chamava.
Testosterona...curioso nome.
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domingo, 19 de abril de 2009
Caçada Tripla
O Caçador aproximou-se, cauteloso, da lagoa.
Caminhava contra o vento, deste modo o animal
não iria sentir a sua chegada.
A jovem corça bebia a água límpida e tranquila,
onde se reflectia a imagem esguia.
O Cavaleiro ergueu a lança e, com a ponta,
tocou a flâmula do adversário escolhido.
O repto estava lançado.
Ao longe, viu o outro erguer as patas dianteiras
da montada, num resfolgar nervoso.
O Condutor percorreu a rua, com vagar.
Olhava as laterais tentando encontrar um lugar vazio.
Ao fundo da avenida pareceu~lhe ver um carro
prestes a sair.
Acelerou, com um sorriso a rasgar-lhe o semblante.
Foi então que reparou na outra viatura,
que esperava a vaga, quase junto à mesma.
Aconchegando ao corpo a pele de urso que o cobria,
o Caçador segurou, com firmeza, a moca de madeira,
e rastejou até perto da presa.
Com a lança colocada na horizontal,
o Cavaleiro baixou a viseira. e iniciou o galope
na direcção do seu adversário.
Sem ligar a um casal de velhotes que atravessava
a passadeira dos peões, o condutor avançou veloz
quando o outro carro já fazia pisca.
Mostrando uma agilidade que a sua corpulência
não deixava adivinhar, o Caçador alcançou rápido
a gentil gazela e destroçou-lhe o cérebro
com uma pancada seca.
Desviando a lança, no momento do embate,
e apanhando o outro combatente de surpresa,
o Cavaleiro quebrou-a de encontro à armadura
fazendo o adversário cair, com estrondo.
Numa manobra arriscada, pisando o risco contínuo
e cortando a frente ao carro que se aproximava,
o Condutor encaixou o automóvel no espaço exíguo
e fingiu não ouvir os impropérios furiosos.
O Homem Pré-Histórico molhou as mãos
no sangue quente da vítima e soltou
um urro de vitória, a plenos pulmões...
O Nobre Medieval saltou do cavalo
quebrou a espada do adversário vencido
e dedicou a vitória à formosa filha do Rei...
O Automobilista Moderno desligou o carro,
e fez um grande manguito
para o carro que se afastava, lá ao longe...
Caminhava contra o vento, deste modo o animal
não iria sentir a sua chegada.
A jovem corça bebia a água límpida e tranquila,
onde se reflectia a imagem esguia.
O Cavaleiro ergueu a lança e, com a ponta,
tocou a flâmula do adversário escolhido.
O repto estava lançado.
Ao longe, viu o outro erguer as patas dianteiras
da montada, num resfolgar nervoso.
O Condutor percorreu a rua, com vagar.
Olhava as laterais tentando encontrar um lugar vazio.
Ao fundo da avenida pareceu~lhe ver um carro
prestes a sair.
Acelerou, com um sorriso a rasgar-lhe o semblante.
Foi então que reparou na outra viatura,
que esperava a vaga, quase junto à mesma.
Aconchegando ao corpo a pele de urso que o cobria,
o Caçador segurou, com firmeza, a moca de madeira,
e rastejou até perto da presa.
Com a lança colocada na horizontal,
o Cavaleiro baixou a viseira. e iniciou o galope
na direcção do seu adversário.
Sem ligar a um casal de velhotes que atravessava
a passadeira dos peões, o condutor avançou veloz
quando o outro carro já fazia pisca.
Mostrando uma agilidade que a sua corpulência
não deixava adivinhar, o Caçador alcançou rápido
a gentil gazela e destroçou-lhe o cérebro
com uma pancada seca.
Desviando a lança, no momento do embate,
e apanhando o outro combatente de surpresa,
o Cavaleiro quebrou-a de encontro à armadura
fazendo o adversário cair, com estrondo.
Numa manobra arriscada, pisando o risco contínuo
e cortando a frente ao carro que se aproximava,
o Condutor encaixou o automóvel no espaço exíguo
e fingiu não ouvir os impropérios furiosos.
O Homem Pré-Histórico molhou as mãos
no sangue quente da vítima e soltou
um urro de vitória, a plenos pulmões...
O Nobre Medieval saltou do cavalo
quebrou a espada do adversário vencido
e dedicou a vitória à formosa filha do Rei...
O Automobilista Moderno desligou o carro,
e fez um grande manguito
para o carro que se afastava, lá ao longe...
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
Back to the Future
Dedicara toda a sua vida àquele projecto
Ainda jovem cientista, quando descobrira
um velho manuscrito de Da Vinci.
Tinha-lhe vindo daí a ideia.
Construir uma máquina de viajar no tempo.
Percorrer o espaço temporal nas duas direcções.
Ir ao Futuro buscar a cura para o cancro, para a sida.
Recuar ao Passado e ver, in loco, os torneios medievais,
as espécies há muito desaparecidas.
Não aproveitara a juventude. Nada de festas ou namoradas.
As horas passadas no laboratório
ou embrenhado em livros velhos, na biblioteca.
Cálculos. Ensaios. Protótipos.
Fórmulas e desenhos. Teorias e modelos à escala.
Mas agora aproximava-se do fim.
O que procurara durante quatro décadas estava,
finalmente, aos seu alcance.
As experiências com pequenas cobaias tinham resultado bem.
Era chegada a altura de fazer a primeira viagem no tempo
com um ser humano. Ele próprio.
Ia entrar na História da Humanidade pela porta grande.
E, em simultâneo, recuperar todos os anos perdidos.
Iria ser rico, famoso e ter, de novo, 30 anos.
Só que, desta vez, rodeado de mulheres, de luxo,
Sem pensar mais em pesquisas.
Esta sua contribuição já era mais do que suficiente.
A vida, como era conhecida até hoje, iria mudar, radicalmente.
O aparelho era de uma, aparente, grande simplicidade.
Uma esfera translúcida. Um lugar no interior.
E depois toda uma panóplia de instrumentos que só ele entendia.
Sentou-se, ajustou bem o capacete superior,
apertou os cintos de segurança.
Viu que se esquecera dos óculos, mas quem precisaria
de tal coisa no auge de toda a pujança física e juventude?
Acertou o manómetro da duração da viagem – 33 Anos.
A subtrair aos seus, envelhecidos e gastos, sessenta e três anos
iria dar os tais 30 anos míticos.
Carregou no botão vermelho.
Sentiu um zumbido e desmaiou, envolto numa luz azulada.
Pareceu-lhe que a viagem durara décimos de segundo.
Saiu do aparelho, trôpego e vacilante. Pudera…
No brilho da esfera viu a sua imagem reflectida.
Um velho e alquebrado ancião de 96 anos.
Enganara-se no sentido da viagem. Estava no Futuro.
A síncope não lhe deu tempo para mais.
Ainda jovem cientista, quando descobrira
um velho manuscrito de Da Vinci.
Tinha-lhe vindo daí a ideia.
Construir uma máquina de viajar no tempo.
Percorrer o espaço temporal nas duas direcções.
Ir ao Futuro buscar a cura para o cancro, para a sida.
Recuar ao Passado e ver, in loco, os torneios medievais,
as espécies há muito desaparecidas.
Não aproveitara a juventude. Nada de festas ou namoradas.
As horas passadas no laboratório
ou embrenhado em livros velhos, na biblioteca.
Cálculos. Ensaios. Protótipos.
Fórmulas e desenhos. Teorias e modelos à escala.
Mas agora aproximava-se do fim.
O que procurara durante quatro décadas estava,
finalmente, aos seu alcance.
As experiências com pequenas cobaias tinham resultado bem.
Era chegada a altura de fazer a primeira viagem no tempo
com um ser humano. Ele próprio.
Ia entrar na História da Humanidade pela porta grande.
E, em simultâneo, recuperar todos os anos perdidos.
Iria ser rico, famoso e ter, de novo, 30 anos.
Só que, desta vez, rodeado de mulheres, de luxo,
Sem pensar mais em pesquisas.
Esta sua contribuição já era mais do que suficiente.
A vida, como era conhecida até hoje, iria mudar, radicalmente.
O aparelho era de uma, aparente, grande simplicidade.
Uma esfera translúcida. Um lugar no interior.
E depois toda uma panóplia de instrumentos que só ele entendia.
Sentou-se, ajustou bem o capacete superior,
apertou os cintos de segurança.
Viu que se esquecera dos óculos, mas quem precisaria
de tal coisa no auge de toda a pujança física e juventude?
Acertou o manómetro da duração da viagem – 33 Anos.
A subtrair aos seus, envelhecidos e gastos, sessenta e três anos
iria dar os tais 30 anos míticos.
Carregou no botão vermelho.
Sentiu um zumbido e desmaiou, envolto numa luz azulada.
Pareceu-lhe que a viagem durara décimos de segundo.
Saiu do aparelho, trôpego e vacilante. Pudera…
No brilho da esfera viu a sua imagem reflectida.
Um velho e alquebrado ancião de 96 anos.
Enganara-se no sentido da viagem. Estava no Futuro.
A síncope não lhe deu tempo para mais.
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quarta-feira, 15 de abril de 2009
Um Outro Lado da Cidade Maravilhosa
Era a segunda vez que aterrava no Rio.
Só que as circunstâncias eram completamente diferentes.
Da primeira chegara como turista. Com dólares no bolso.
Hospedara-se num hotel de Ipanema.
Espreguiçara-se nas praias…
Agora vinha como emigrante. Por tempo indeterminado.
Com meia dúzia de tostões. Sem trabalho. Nem contactos.
A não ser aquela prima distante que o esperava no Aeroporto.
Viúva de uma familiar afastado. Com o filho.
Um adolescente meio disléxico
que o olhava com um sorriso acriançado.
Meteram-se num táxi.
A prima, tia como lhe chamava, a falar sem paragens.
A contar da Ditadura Militar. Dos estudos do filho.
Da luta pela herança com os herdeiros do falecido marido.
E ele a olhar lá fora a sujeira da Avenida Brasil.
O ar decrépito das fábricas, a anarquia do trânsito.
A pobreza dos transeuntes.
O calor sufocante e, ao mesmo tempo, húmido.
O cheiro apodrecido das jacas. O gás das mangueiras.*
Chegaram, por fim, ao Catete.
Nunca ouvira, como era natural, falar de tal bairro.
Antes só conhecera os endereços charmosos do Rio.
Ipanema, Leblon, Copacabana, Barra e pouco mais.
O Catete era outro campeonato.
Ruas, prédios, lojas, passeios e pessoas de uma sujidade endémica.
A escuridão envolvente e a fina garoa*que caía
Acentuaram, ainda mais, essa sua primeira impressão.
Que viria a aumentar, e muito, no dia seguinte, Domingo.
O “ apartamento” que a “tia” gentilmente lhe cedera.
Era o que os brasileiros baptizaram de “conjugado”
e, agora chamam de estúdio.
Uma única divisão com uma pequena kitchenette e,
a um dos cantos, um banheiro mínimo.
Que tinha que dividir com o tal primo meio débil mental.
Mas com uma grande vantagem, era de graça.
E, além disso, com direito a uma refeição sempre igual.
Filê com “arroiz”, ou com "fritas".
Ao descer no”ascensor” pareceu-lhe estar a viver um filme de terror.
A seu lado um negão com dois metros de altura
e outros tantos de largura, com um camisola interior de alças
que pouco devia à higiene, olhou-o, de soslaio,
enquanto limpava o suor copioso com um lenço,
ou pedaço de pano, imundo.
Foi até ao, relativamente perto, Parque do Flamengo.
Empregadas domésticas, piranhas* e outras jovens cariocas
passeavam-se, comendo picolês*, empurrando carros com nénés
ou paquerando* os poucos homens que por lá se encontravam.
Não conseguiu, com facilidade, diferenciar
as diversas faunas femininas, que por ali deambulavam.
Os anos seguintes, e os variados encontros íntimos
com as indígenas, não o ajudaram muito a melhorar essa definição.
No dia seguinte começou a procurar emprego.
Indicaram-lhe na lista telefónica, a agência de publicidade
que ficava mais perto do local onde se encontrava.
Os donos disseram-lhe que podia começar a trabalhar
nesse mesmo dia.
À noite quando regressou ao tugúrio onde estava a viver,
lágrimas quentes escorriam-lhe pela cara.
Três meses depois era sócio da agência.
Alugou um apartamento num prédio com mais de trinta andares.
Paredes de vidro de onde se via o Pão de Açúcar e o Jockey Club.
Começou, então a conhecer outra face da Cidade,
essa sim, Maravilhosa.
Mas isso faz parte já, de outra história…
Nota do Tradutor: *As Mangueiras, árvores das mangas, exalam
um cheiro que faz lembrar uma fuga de gás, o que, inicialmente,
assusta os "maçaricos"* Garoa, chuva fina ( a nossa "molha tolos")
*Piranhas, prostitutas *Picolé, gelado com pauzinho, tipo Olá
* Paquerar, namoriscar.
Só que as circunstâncias eram completamente diferentes.
Da primeira chegara como turista. Com dólares no bolso.
Hospedara-se num hotel de Ipanema.
Espreguiçara-se nas praias…
Agora vinha como emigrante. Por tempo indeterminado.
Com meia dúzia de tostões. Sem trabalho. Nem contactos.
A não ser aquela prima distante que o esperava no Aeroporto.
Viúva de uma familiar afastado. Com o filho.
Um adolescente meio disléxico
que o olhava com um sorriso acriançado.
Meteram-se num táxi.
A prima, tia como lhe chamava, a falar sem paragens.
A contar da Ditadura Militar. Dos estudos do filho.
Da luta pela herança com os herdeiros do falecido marido.
E ele a olhar lá fora a sujeira da Avenida Brasil.
O ar decrépito das fábricas, a anarquia do trânsito.
A pobreza dos transeuntes.
O calor sufocante e, ao mesmo tempo, húmido.
O cheiro apodrecido das jacas. O gás das mangueiras.*
Chegaram, por fim, ao Catete.
Nunca ouvira, como era natural, falar de tal bairro.
Antes só conhecera os endereços charmosos do Rio.
Ipanema, Leblon, Copacabana, Barra e pouco mais.
O Catete era outro campeonato.
Ruas, prédios, lojas, passeios e pessoas de uma sujidade endémica.
A escuridão envolvente e a fina garoa*que caía
Acentuaram, ainda mais, essa sua primeira impressão.
Que viria a aumentar, e muito, no dia seguinte, Domingo.
O “ apartamento” que a “tia” gentilmente lhe cedera.
Era o que os brasileiros baptizaram de “conjugado”
e, agora chamam de estúdio.
Uma única divisão com uma pequena kitchenette e,
a um dos cantos, um banheiro mínimo.
Que tinha que dividir com o tal primo meio débil mental.
Mas com uma grande vantagem, era de graça.
E, além disso, com direito a uma refeição sempre igual.
Filê com “arroiz”, ou com "fritas".
Ao descer no”ascensor” pareceu-lhe estar a viver um filme de terror.
A seu lado um negão com dois metros de altura
e outros tantos de largura, com um camisola interior de alças
que pouco devia à higiene, olhou-o, de soslaio,
enquanto limpava o suor copioso com um lenço,
ou pedaço de pano, imundo.
Foi até ao, relativamente perto, Parque do Flamengo.
Empregadas domésticas, piranhas* e outras jovens cariocas
passeavam-se, comendo picolês*, empurrando carros com nénés
ou paquerando* os poucos homens que por lá se encontravam.
Não conseguiu, com facilidade, diferenciar
as diversas faunas femininas, que por ali deambulavam.
Os anos seguintes, e os variados encontros íntimos
com as indígenas, não o ajudaram muito a melhorar essa definição.
No dia seguinte começou a procurar emprego.
Indicaram-lhe na lista telefónica, a agência de publicidade
que ficava mais perto do local onde se encontrava.
Os donos disseram-lhe que podia começar a trabalhar
nesse mesmo dia.
À noite quando regressou ao tugúrio onde estava a viver,
lágrimas quentes escorriam-lhe pela cara.
Três meses depois era sócio da agência.
Alugou um apartamento num prédio com mais de trinta andares.
Paredes de vidro de onde se via o Pão de Açúcar e o Jockey Club.
Começou, então a conhecer outra face da Cidade,
essa sim, Maravilhosa.
Mas isso faz parte já, de outra história…
Nota do Tradutor: *As Mangueiras, árvores das mangas, exalam
um cheiro que faz lembrar uma fuga de gás, o que, inicialmente,
assusta os "maçaricos"* Garoa, chuva fina ( a nossa "molha tolos")
*Piranhas, prostitutas *Picolé, gelado com pauzinho, tipo Olá
* Paquerar, namoriscar.
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terça-feira, 14 de abril de 2009
O Adultério
Naquele dia consegui despachar-me mais cedo do consultório.
Magali ia ficar radiante…
Queixava-se de que eu chegava todos os dias tardíssimo.
Comprei uma garrafa de champagne e as suas trufas preferidas.
Durante o breve trajecto, imagens inebriantes
enchiam-me o pensamento.
Magali a abraçar-me com os seus braços marmóreos,
a aconchegar-me no seu seio generoso,
a apertar-me entre as ginasticadas coxas.
Resolvi prolongar a surpresa.
Não toquei à porta do apartamento.
Procurei as chaves no bolso do sobretudo, abri a porta devagar.
Já na sala, libertei-me do sobretudo, despi o casaco,
atirei a gravata para o sofá, descalcei-me.
Não se ouviam quaisquer ruídos em toda a casa.
Só uma leve música que vinha do quarto.
Percorri os poucos metros do corredor.
E então parei, surpreso…
Comecei a ouvir, de modo inequívoco, gemidos de amor.
Primeiro leves, ronronados, depois gritados,
urgentes, selvagens.
Petrificado, tentei alinhar os pensamentos.
Magali, a minha fiel Magali a enganar-me?E com quem?
Empurrei, ligeiramente, a porta…
No nosso leito de amor, Magali desfalecia nos braços de…
Tonas?!??? O meu amigo Tonas? O meu melhor amigo?
Esta segunda surpresa, deixou-me em estado de choque.
Tonas? O meu amigo dos futebóis e das farras.
O meu companheiro do Poker às quinta feiras.
A cólera começou a subir por mim acima.
A vista toldou-se-me de vermelho…
Não sei como cheguei à cozinha, e apanhei um facalhão.
Dei um pontapé na porta e entrei no quarto de rompante…
A primeira a ver-me foi a Magali.
Pudera, o Tonas na posição em que estava
tinha pouco ângulo de visão.
Vi-a a fazer gestos desesperados e a apontar para o Tonas.
Na altura não percebi, e exclamei furioso:
“- Magali, Tonas, como é que me puderam fazer isto a mim?”.
Só então, um despenteado Tonas se soergueu
e olhando-me espantado, perguntou:
“- Silvério, o que fazes tu aqui ?
E logo hoje que troquei de turno e não trabalho à noite?
Logo hoje que estava com a minha estimada esposa
a pormos as contas em dia. Não é Magali ?”
Magali ia ficar radiante…
Queixava-se de que eu chegava todos os dias tardíssimo.
Comprei uma garrafa de champagne e as suas trufas preferidas.
Durante o breve trajecto, imagens inebriantes
enchiam-me o pensamento.
Magali a abraçar-me com os seus braços marmóreos,
a aconchegar-me no seu seio generoso,
a apertar-me entre as ginasticadas coxas.
Resolvi prolongar a surpresa.
Não toquei à porta do apartamento.
Procurei as chaves no bolso do sobretudo, abri a porta devagar.
Já na sala, libertei-me do sobretudo, despi o casaco,
atirei a gravata para o sofá, descalcei-me.
Não se ouviam quaisquer ruídos em toda a casa.
Só uma leve música que vinha do quarto.
Percorri os poucos metros do corredor.
E então parei, surpreso…
Comecei a ouvir, de modo inequívoco, gemidos de amor.
Primeiro leves, ronronados, depois gritados,
urgentes, selvagens.
Petrificado, tentei alinhar os pensamentos.
Magali, a minha fiel Magali a enganar-me?E com quem?
Empurrei, ligeiramente, a porta…
No nosso leito de amor, Magali desfalecia nos braços de…
Tonas?!??? O meu amigo Tonas? O meu melhor amigo?
Esta segunda surpresa, deixou-me em estado de choque.
Tonas? O meu amigo dos futebóis e das farras.
O meu companheiro do Poker às quinta feiras.
A cólera começou a subir por mim acima.
A vista toldou-se-me de vermelho…
Não sei como cheguei à cozinha, e apanhei um facalhão.
Dei um pontapé na porta e entrei no quarto de rompante…
A primeira a ver-me foi a Magali.
Pudera, o Tonas na posição em que estava
tinha pouco ângulo de visão.
Vi-a a fazer gestos desesperados e a apontar para o Tonas.
Na altura não percebi, e exclamei furioso:
“- Magali, Tonas, como é que me puderam fazer isto a mim?”.
Só então, um despenteado Tonas se soergueu
e olhando-me espantado, perguntou:
“- Silvério, o que fazes tu aqui ?
E logo hoje que troquei de turno e não trabalho à noite?
Logo hoje que estava com a minha estimada esposa
a pormos as contas em dia. Não é Magali ?”
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domingo, 12 de abril de 2009
Call Girl
Não gostava de pensar em si, como puta.
Essas eram as que andavam pelas ruas.
Ou em bares de alterne.
Que discutiam os preços com os clientes e acabavam a entregar os parcos proventos a um qualquer chulo ranhoso.
Ela tinha estudos. Acabara o 12º Ano. Falava Inglês e Espanhol.
Frequentava os melhores Hotéis e Restaurantes.
Ia a Spas e Salões de Beleza.
Os mesmos onde as vedetas da Televisão e das Revistas eram atendidas.
Algumas até já lhe falavam e gabavam as novas
madeixas, as extensões, o silicone dos lábios.
Os seus clientes, melhor, patrocinadores, eram empresários,
políticos, advogados, médicos, a fina flor da sociedade.
Levavam-na em viagens de negócios a Londres, a Maputo,
fins de semana em Bariloche.
Ofereciam-lhe roupas de marca. Relógios.
Tinha um Cartier com brilhantes.
Em jantares com clientes substituía, muitas vezes, as legítimas.
Conversava, com graça, sobre o Freeport ou os preservativos do Papa, acerca do último livro da Margarida Rebelo Pinto ou do hipotético divórcio da Jolie.
O cliente, perdão, patrocinador, com que estava hoje era um cavalheiro.
Sempre que se encontravam, naquela suite às Amoreiras, oferecia-lhe chocolates e flores, a acompanhar algo mais substancial.
Hoje era um pulseira da Toots, que ela andava namorar há algum tempo, e um saia e casaco BCBG, que , estava certa, lhe iria ficar a matar.
E ainda por cima era dos que pouco trabalho lhe davam.
Alguns minutos de preliminares. Sexo oral à maneira.
Uma hora de divagações filosóficas e até à próxima, minha querida.
Instalou-o numa posição confortável e concentrou-se no que tinha a fazer.
Apesar de já ter estado naquela postura centenas de vezes,
gostava de não fazer as coisas de modo mecânico.
Afastava o longo cabelo da cara, sorria ao cliente, mau…semicerrava os olhos.
Mas naquele dia os seus pensamentos voaram para longe.
Para o padrasto que a molestara desde ao quatro anos.
Para o gangue do bairro que a encurralou e sodomizou aos doze.
Para o primeiro patrão que aos dezoito a obrigara a….
Horas mais tarde, encontraram o cadáver do conhecido empresário
com a cabeça esmagada pelo candeeiro de cabeceira.
A polícia procura, ainda, a jovem prostituta que foi vista a subir
para os aposentos do mesmo.
Aventa-se a hipótese de roubo ou crime passional.
Essas eram as que andavam pelas ruas.
Ou em bares de alterne.
Que discutiam os preços com os clientes e acabavam a entregar os parcos proventos a um qualquer chulo ranhoso.
Ela tinha estudos. Acabara o 12º Ano. Falava Inglês e Espanhol.
Frequentava os melhores Hotéis e Restaurantes.
Ia a Spas e Salões de Beleza.
Os mesmos onde as vedetas da Televisão e das Revistas eram atendidas.
Algumas até já lhe falavam e gabavam as novas
madeixas, as extensões, o silicone dos lábios.
Os seus clientes, melhor, patrocinadores, eram empresários,
políticos, advogados, médicos, a fina flor da sociedade.
Levavam-na em viagens de negócios a Londres, a Maputo,
fins de semana em Bariloche.
Ofereciam-lhe roupas de marca. Relógios.
Tinha um Cartier com brilhantes.
Em jantares com clientes substituía, muitas vezes, as legítimas.
Conversava, com graça, sobre o Freeport ou os preservativos do Papa, acerca do último livro da Margarida Rebelo Pinto ou do hipotético divórcio da Jolie.
O cliente, perdão, patrocinador, com que estava hoje era um cavalheiro.
Sempre que se encontravam, naquela suite às Amoreiras, oferecia-lhe chocolates e flores, a acompanhar algo mais substancial.
Hoje era um pulseira da Toots, que ela andava namorar há algum tempo, e um saia e casaco BCBG, que , estava certa, lhe iria ficar a matar.
E ainda por cima era dos que pouco trabalho lhe davam.
Alguns minutos de preliminares. Sexo oral à maneira.
Uma hora de divagações filosóficas e até à próxima, minha querida.
Instalou-o numa posição confortável e concentrou-se no que tinha a fazer.
Apesar de já ter estado naquela postura centenas de vezes,
gostava de não fazer as coisas de modo mecânico.
Afastava o longo cabelo da cara, sorria ao cliente, mau…semicerrava os olhos.
Mas naquele dia os seus pensamentos voaram para longe.
Para o padrasto que a molestara desde ao quatro anos.
Para o gangue do bairro que a encurralou e sodomizou aos doze.
Para o primeiro patrão que aos dezoito a obrigara a….
Horas mais tarde, encontraram o cadáver do conhecido empresário
com a cabeça esmagada pelo candeeiro de cabeceira.
A polícia procura, ainda, a jovem prostituta que foi vista a subir
para os aposentos do mesmo.
Aventa-se a hipótese de roubo ou crime passional.
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sábado, 11 de abril de 2009
Brio Profissional
Bateu à campainha com insistência, como era seu hábito.
O carrilhão cheio de trinados ecoou por toda a casa.
A porta abriu-se e a jovem morena capciosa
recebeu-o com um sorriso tão aberto, como a dita cuja.
Beijaram-se sôfregos no hall de entrada e, logo,
subiram, apressados, até ao andar de cima. Ao quarto de dormir.
As dezenas de almofadas que estavam sobre a cama
voaram em todas as direcções.
Amaram-se debaixo dos lençóis. Uma luz suave coava-se pela janela.
Algum tempo depois, o homem vestiu-se.
A jovem morena, meio adormecida, sorriu-lhe, ao de leve.
Na porta da casa ao lado, bateu com os nós dos dedos.
A campainha, sabia bem, não funcionava.
Quando a loura, falsa como já constatara, o recebeu
empurrou-a de encontro ao roupeiro do vestíbulo
e, foi mesmo ali , que se possuíram em silêncio
mas com violência q.b.
Depois, ainda a sentou sobre a cómoda da entrada
para uma última despedida.
Ajeitou as roupas e atirou-lhe um beijo.
Antes de tocar a campainha da terceira casa, olhou o relógio.
Estava ligeiramente atrasado. Tinha que se apressar um pouco mais…
…para conseguir fazer, durante a manhã, toda a distribuição
da correspondência e pequenas encomendas.
O carrilhão cheio de trinados ecoou por toda a casa.
A porta abriu-se e a jovem morena capciosa
recebeu-o com um sorriso tão aberto, como a dita cuja.
Beijaram-se sôfregos no hall de entrada e, logo,
subiram, apressados, até ao andar de cima. Ao quarto de dormir.
As dezenas de almofadas que estavam sobre a cama
voaram em todas as direcções.
Amaram-se debaixo dos lençóis. Uma luz suave coava-se pela janela.
Algum tempo depois, o homem vestiu-se.
A jovem morena, meio adormecida, sorriu-lhe, ao de leve.
Na porta da casa ao lado, bateu com os nós dos dedos.
A campainha, sabia bem, não funcionava.
Quando a loura, falsa como já constatara, o recebeu
empurrou-a de encontro ao roupeiro do vestíbulo
e, foi mesmo ali , que se possuíram em silêncio
mas com violência q.b.
Depois, ainda a sentou sobre a cómoda da entrada
para uma última despedida.
Ajeitou as roupas e atirou-lhe um beijo.
Antes de tocar a campainha da terceira casa, olhou o relógio.
Estava ligeiramente atrasado. Tinha que se apressar um pouco mais…
…para conseguir fazer, durante a manhã, toda a distribuição
da correspondência e pequenas encomendas.
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sexta-feira, 10 de abril de 2009
Adeus até o meu Regresso
Enquanto ajeitava o quico, ligeiramente inclinado
e com a pala a sombrear-lhe os olhos, foi-se lembrando
de como tinham sido aqueles dois últimos anos.
O embarque em Santos, numa manhã ensolarada de Agosto.
Os avôs, recém chegados da província, a substituírem os pais,
desaparecidos quando ele era ainda miúdo
A avó de lenço à cabeça, abraçada a ele
” Ai, o meu rico menino, ai, o meu rico menino”.
O avô, de face granítica, a tentar engolir em seco as lágrimas
que levavam a melhor.
O barco enorme a afastar-se. O camarote dividido com três colegas,
camaradas, “porque colegas são as p…”.
Mar a perder de vista durante dias.
Luanda, a euforia de conhecer os bares da cidade.
Lourenço Marques. Beira. Nacala. E, por fim, Porto Amélia.
O bafo quente africano. A coluna até ao aquartelamento em Mueda.
As instalações exíguas, e ele era miliciano.
As dos soldados, para esquecer.
O conhecer os outros oficiais.
O comandante Barros, racista e reaccionário, capitão lateiro,
ex-sargento da manutenção, onde ganhara muito dinheiro,
segundo as más línguas.
Os alferes Santos e Rodrigues, que se tornariam bom amigos.
E depois a primeira missão.
Dois soldados mortos mesmo ao seu lado.
A evacuação dos feridos de helicóptero para Nampula.
Para o hospital, onde um deles, o cabo Nelson,
viu ser-lhe amputada uma perna. Desse nunca mais ouviu falar.
Foi desmobilizado e voou para a Metrópole.
A grande bebedeira, com cerveja Manica misturada
com a aguardente de zimbro, que o Santos recebia periodicamente.
A ida até à manchaba. Os olhos de espanto da jovem Fátima.
O riso rasgado transformado em esgar de medo.
O possuí-la quase à força. O desfalecimento.
O experimentar da erva, fácil de arranjar entre os furriéis.
Sentir-se a voar para longe daquele calor peganhento.
Dos mosquitos. Dos tiros. Do rebentar das minas.
Dos gritos de dor. Dos mortos. Dos pesadelos..
O prazer ao receber os aerogramas amarelos
da madrinha de guerra. A Alice, Cinha como ele lhe chamava.
Os planos a dois. O receber a ordem de marcha.
Voava amanhã para LM e de lá para Lisboa.
Não cabia em si de contente. Disse adeus aos amigos.
E o comandante.
“Parabéns Silva, para despedida leve quatro homens
e faça o último abastecimento de água.
E, mais uma vez, parabéns, desta já se safou…”
A viatura cisterna. Dois batedores à frente. Outros dois atrás.
Soprava um brisa morna. O sol encandeava.
Quis pisar, uma última vez a picada.
Caminhou à frente dos soldados…
O clique do armadilhar da mina apanhou-o desprevenido.
A explosão foi logo a seguir.
Ficou espalhado, em mil pedaços, por terras africanas.
e com a pala a sombrear-lhe os olhos, foi-se lembrando
de como tinham sido aqueles dois últimos anos.
O embarque em Santos, numa manhã ensolarada de Agosto.
Os avôs, recém chegados da província, a substituírem os pais,
desaparecidos quando ele era ainda miúdo
A avó de lenço à cabeça, abraçada a ele
” Ai, o meu rico menino, ai, o meu rico menino”.
O avô, de face granítica, a tentar engolir em seco as lágrimas
que levavam a melhor.
O barco enorme a afastar-se. O camarote dividido com três colegas,
camaradas, “porque colegas são as p…”.
Mar a perder de vista durante dias.
Luanda, a euforia de conhecer os bares da cidade.
Lourenço Marques. Beira. Nacala. E, por fim, Porto Amélia.
O bafo quente africano. A coluna até ao aquartelamento em Mueda.
As instalações exíguas, e ele era miliciano.
As dos soldados, para esquecer.
O conhecer os outros oficiais.
O comandante Barros, racista e reaccionário, capitão lateiro,
ex-sargento da manutenção, onde ganhara muito dinheiro,
segundo as más línguas.
Os alferes Santos e Rodrigues, que se tornariam bom amigos.
E depois a primeira missão.
Dois soldados mortos mesmo ao seu lado.
A evacuação dos feridos de helicóptero para Nampula.
Para o hospital, onde um deles, o cabo Nelson,
viu ser-lhe amputada uma perna. Desse nunca mais ouviu falar.
Foi desmobilizado e voou para a Metrópole.
A grande bebedeira, com cerveja Manica misturada
com a aguardente de zimbro, que o Santos recebia periodicamente.
A ida até à manchaba. Os olhos de espanto da jovem Fátima.
O riso rasgado transformado em esgar de medo.
O possuí-la quase à força. O desfalecimento.
O experimentar da erva, fácil de arranjar entre os furriéis.
Sentir-se a voar para longe daquele calor peganhento.
Dos mosquitos. Dos tiros. Do rebentar das minas.
Dos gritos de dor. Dos mortos. Dos pesadelos..
O prazer ao receber os aerogramas amarelos
da madrinha de guerra. A Alice, Cinha como ele lhe chamava.
Os planos a dois. O receber a ordem de marcha.
Voava amanhã para LM e de lá para Lisboa.
Não cabia em si de contente. Disse adeus aos amigos.
E o comandante.
“Parabéns Silva, para despedida leve quatro homens
e faça o último abastecimento de água.
E, mais uma vez, parabéns, desta já se safou…”
A viatura cisterna. Dois batedores à frente. Outros dois atrás.
Soprava um brisa morna. O sol encandeava.
Quis pisar, uma última vez a picada.
Caminhou à frente dos soldados…
O clique do armadilhar da mina apanhou-o desprevenido.
A explosão foi logo a seguir.
Ficou espalhado, em mil pedaços, por terras africanas.
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quarta-feira, 8 de abril de 2009
Bus Stop
Viu-a na paragem. De passagem, de corrida.
Ela estava a subir para o autocarro.
Mas ouve um relance de olhos.
Um afogueamento súbito.
A pele muito branca. O cacheado louro do cabelo.
O polpudo dos lábios.
Um certo ar perverso. Que o perturbou.
E depois o prolongar do olhar
já dentro do veículo.
O sinal de amanhã (?) no mesmo local.
Durante todo o dia, a imagem dela perseguiu-o.
Cenários eróticos foram-se construindo.
Diálogos. Gestos. Toques.
No dia seguinte, ainda antes da hora,
ele lá estava na mesma paragem.
Minutos depois, chegou ela.
Serena. Imperturbável. Deusa viva de volúpia.
Não trocaram palavra. Mal se olharam.
No momento em que o autocarro chegava,
ele entregou-lhe um cartão.
Preparado na véspera. Nome e telefone.
Ela recebeu-o, sem um aceno.
Hora depois telefonou.
Nesse mesmo dia, fizeram amor.
Amor, não, sexo.
Sexo descontrolado, selvático.
Nos limites da violência.
Ela, a esfíngica, atingia êxtases de loucura.
Orgasmos múltiplos, num histerismo contagiante.
Durante anos encontraram-se.
Diálogos monossilábicos.
Só sexo. Sem limites.Tabus. Ou moral.
Anos, em que soube o seu nome.
E pouco mais.
Também não interessava.
Ao vestirem-se, tornavam-se dois estranhos.
Sem nada a partilhar.
Sem confidências, nem ternuras.
Sem projectos. Nem futuro.
Apenas sexo no estado mais primitivo.
Puro e selvagem
Animais em cio.
Apenas sexo.
Mas já era muito...
Ela estava a subir para o autocarro.
Mas ouve um relance de olhos.
Um afogueamento súbito.
A pele muito branca. O cacheado louro do cabelo.
O polpudo dos lábios.
Um certo ar perverso. Que o perturbou.
E depois o prolongar do olhar
já dentro do veículo.
O sinal de amanhã (?) no mesmo local.
Durante todo o dia, a imagem dela perseguiu-o.
Cenários eróticos foram-se construindo.
Diálogos. Gestos. Toques.
No dia seguinte, ainda antes da hora,
ele lá estava na mesma paragem.
Minutos depois, chegou ela.
Serena. Imperturbável. Deusa viva de volúpia.
Não trocaram palavra. Mal se olharam.
No momento em que o autocarro chegava,
ele entregou-lhe um cartão.
Preparado na véspera. Nome e telefone.
Ela recebeu-o, sem um aceno.
Hora depois telefonou.
Nesse mesmo dia, fizeram amor.
Amor, não, sexo.
Sexo descontrolado, selvático.
Nos limites da violência.
Ela, a esfíngica, atingia êxtases de loucura.
Orgasmos múltiplos, num histerismo contagiante.
Durante anos encontraram-se.
Diálogos monossilábicos.
Só sexo. Sem limites.Tabus. Ou moral.
Anos, em que soube o seu nome.
E pouco mais.
Também não interessava.
Ao vestirem-se, tornavam-se dois estranhos.
Sem nada a partilhar.
Sem confidências, nem ternuras.
Sem projectos. Nem futuro.
Apenas sexo no estado mais primitivo.
Puro e selvagem
Animais em cio.
Apenas sexo.
Mas já era muito...
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terça-feira, 7 de abril de 2009
Monstros Nocturnos
Em miúdo, vivia numa casa grande.
Triste e sombria.
Cheia de choros e desespero.
Fatalismo e descrença. Angústias e temores.
A casa grande tinha corredores compridos.
Ou, então, era eu que era muito pequeno.
Com sombras e recantos.
Seres ocultos que me espiavam.
Vozes que me sopravam medos.
Mãos gélidas que me tocavam o rosto.
Risos sinistros, gargalhadas tétricas.
Que me afastavam o sono.
Que me acordavam no escuro.
Que me faziam ver teatros de sombras,
projectadas no tecto.
Com o coração a galope,
levado por uma força irresistível.
Por uma ordem irrecusável.
Percorria os longos corredores, pé ante pé,
num silêncio total, escutando às portas.
Adivinhando gemidos, antecipando suspiros.
E, depois, parado num canto, ganhava coragem
para regressar à cama.
Cobrir a cabeça com os cobertores
e esperar a luz da madrugada.
E só quando o aguado do sol pintava, de novo, as paredes
é que os monstros, seres escuros, vampiros e afins
se escondiam nas gretas do chão,nas fissuras das paredes,
nas traves do tecto, por trás dos móveis borolentos.
Até ao anoitecer seguinte, em que saíam, outra vez.
Para ocuparem as minhas noites...
Triste e sombria.
Cheia de choros e desespero.
Fatalismo e descrença. Angústias e temores.
A casa grande tinha corredores compridos.
Ou, então, era eu que era muito pequeno.
Com sombras e recantos.
Seres ocultos que me espiavam.
Vozes que me sopravam medos.
Mãos gélidas que me tocavam o rosto.
Risos sinistros, gargalhadas tétricas.
Que me afastavam o sono.
Que me acordavam no escuro.
Que me faziam ver teatros de sombras,
projectadas no tecto.
Com o coração a galope,
levado por uma força irresistível.
Por uma ordem irrecusável.
Percorria os longos corredores, pé ante pé,
num silêncio total, escutando às portas.
Adivinhando gemidos, antecipando suspiros.
E, depois, parado num canto, ganhava coragem
para regressar à cama.
Cobrir a cabeça com os cobertores
e esperar a luz da madrugada.
E só quando o aguado do sol pintava, de novo, as paredes
é que os monstros, seres escuros, vampiros e afins
se escondiam nas gretas do chão,nas fissuras das paredes,
nas traves do tecto, por trás dos móveis borolentos.
Até ao anoitecer seguinte, em que saíam, outra vez.
Para ocuparem as minhas noites...
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