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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Um Século de Amizade - ( 1960 - 2010) X 2

Corria o ano de 1960...corria, não, porque, nessa época, os tempos não eram de correrias.
Algures, numa praia situada entre a Costa da Caparica, ou 'de Caparica' como preferem os puristas, e a Trafaria, mais propriamente na Praia da FNAT, actualmente de São João, um grupo de adolescentes, entre os 13 e os 15 anos, descobria as primeiras borbulhas, as primeiras turbulências hormonais e os primeiros amores...de Verão.

Reparem, agora, na imagem acima, uma donzela magricela mas de sorriso radioso ( a menina da seta rosa), filha tardia de um casal da média burguesia, e ( ver o menino da seta azul) um magrelas esquelético, de cabelo espetado e um sorriso pretensamente cool, mas que se assemelhava mais a um esgar, pais separados( a Concordata não permitia o divórcio), com alguns problemas existênciais, que não desapareceram totalmente até aos dias de hoje - estes os protagonistas de uma bela história de Amor, Cumplicidade, Apoio, Afastamento, Aproximação, enfim, Vida e, principalmente, Amizade.

A Natália ( a menina da seta rosa) e o João ( o menino da seta azul) conheceram-se nesse tal ano de 1960, durante a projecção do filme 'King Creole', com Elvis'The King'Presley.
Depois disso, tornaram-se amigos, namoradinhos, tipo Celly Campelo, amigos e cúmplices, namorados do género 'Ne me quitte pas',amigos afastados e reencontrados, amantes do estilo
' L'amour l'après -midi'( ...este texto já estava escrito quando soube da morte do Rohmer!), amigos e sócios, amigos/irmãos, forever friends, amigos para a Vida...

E é esse Século de Amizade ( se cada um de nós é amigo do outro há 50 anos, somos na realidade, amigos há um século, ou, então, a lógica é uma batata!) que eu quero hoje celebrar.

Talvez tenha sido o, hipotético, 75º aniversário do King Presley que me tenha feito vir esta ideia à superfície, talvez tenha sido a importância da presença da Natália na minha vida e, espero eu, melhor dizendo, sei eu, a minha importância na vida dela, que me ditaram estas palavras que aqui ficam gravadas para todo o sempre na blogosfera, mais definitivas do que a Muralha da China, a Pedra da Roseta ou as Pirâmides de Gizé.

...Definitivas, profundas e eternas como a nossa Amizade!
Avancemos para o próximo Século, Natalinha...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

As Romãs


Adoro Romãs. Começando pelo desenho
- uma esfera meio amolgada com uma coroa graciosa
a culminar, lá em cima.
Continuando na textura da casca, rugosa

e meio brilhante, com manchas,
como que feita de lâminas finas
de madeira envernizada, mal envernizada.
E ao abrir, com muito de sensual,
surgem dezenas de pequenos hímens
de onde saltam aglomerados compactos
de grãos iluminados por uma transparência etérea.
O gosto fresco, o líquido a desfazer-se na boca.
O comer, glutão, às mãos cheias.
O relembrar da infância.
Das poucas coisas boas da minha infância.
Romãs, para mim,

significava que o Natal estava logo ali.
E o Natal sempre era um dia diferente.
Um dia que se destacava do cinzento dos outros.
Um dia que eu sentia vermelho grenadine.
Da cor das Romãs...