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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Beso - Julio Cortázar

"...Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano por tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.

Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio.
Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura.
Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella.
Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua ..."

Julio Cortázar in Rayuela

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Myra, de Maria Velho da Costa, ganha Prémio Literário

O Prémio Literário Casino da Póvoa foi atribuido à obra de Maria Velho da Costa - Myra.

As outras concorrentes eram A Eternidade e o desejo (de Inês Pedrosa), A não esquerda de Deus (Pedro Almeida Vieira), A Sala Magenta (Mário de Carvalho), O apocalipse dos trabalhadores (de valter hugo mãe), O Cónego (A. M. Pires Cabral), O Mundo (Juan José Millás), O verão selvagem dos teus olhos (Ana Teresa Pereira), Rokushisho (Adriana Lisboa) e Três Lindas Cubanas (Gonzalo Celorio).

O júri foi constituído por Carlos Vaz Marques , Dulce Maria Cardoso, Fernando J.B. Martinho, Patrícia Reis e Vergílio Alberto Vieira.

À vencedora, de quem já não lemos nada há bastante tempo, enviamos as nossas saudações 'galináceas'...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Deixei-te o sorriso em casa - António Santos

Do meu antigo, e quem sabe se futuro, cúmplice,
em tantas aventuras, o António Santos, vai surgir um novo romance
- Deixei-te o sorriso em casa.
À medida que for tendo mais elementos, informo.
Entretanto, parabéns para o António,
Big Von ou Tonecas Pintassilgo, como preferirem...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Autobiografia - Rosa Lobato Faria

"...Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia. Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores, passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo. Fazíamos quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca aprendidas.

Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom.

Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.

E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).

Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.

Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.

Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.

Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves.

Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).

Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.

Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.

Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).

Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.

Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.

Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.

Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo.

Encontramo-nos no meu próximo romance..."

(esta auto-biografia foi escrita por Rosa Lobato Faria há dois anos e publicada no Jornal de Letras)

Enviada por Miss Sixty

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Rosa Lobato Faria, Mulher dos 7 Instrumentos

Morreu hoje Rosa Lobato Faria, 77 anos, escritora, actriz e letrista portuguesa

Uma  cara conhecida dos ecrãs da televisão, Rosa Lobato Faria  estava internada há uma semana com uma anemia grave, mas há mais de meio ano que a artista sofria de complicações, motivadas por uma infecção intestinal.

Popularizada pelos vários papéis em séries televisivas como A Minha Sogra é uma Bruxa , Humor de Perdição (com Herman José) ou Nem o Pai Morre Nem a Gente Almoça , Rosa Lobato Faria participou também em vários filmes e escreveu numerosos romances, alguns dos quais em parceria com outras escritoras, como Alice Vieira ou Rita Ferro..

Da produção variada de Rosa Lobato Faria destacam-se, ainda, as letras de canções como "Amor de Água Fresca", "Chamar a Música", "Baunilha e Chocolate" e "Antes do Adeus", todas vencedoras nas respectivas edições do Festival da Canção.

Misturando, com alguma graça, o ar de 'tia' tradicional, com os seus tailleurs e colares de pérolas e a provocação sensual em muitos dos seus textos, a Rosinha, como os amigos lhe chamavam, escreveu muitos poemas, dos quais transcrevemos um, à laia de despedida.

Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.

Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.

Rosa Lobato Faria

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

'O Canto do Galo' na Imprensa

Na edição da última 'Negócios & Franchising' saiu
uma simpática nota acerca de ' O Canto do Galo'.
E, você, estimado visitante aqui do blog, já tem o seu exemplar?
Para encomendar basta clicar na capa à direita e seguir as indicações...
Boa leitura !

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O Orgasmo da Clara





Clara Pinto Correia, mulher inteligente e provocadora, que quase sempre divide opiniões, resolveu expôr os seus orgasmos, acompanhados por textos da sua autoria.
Nada de muito estimulante, na minha opinião, nem interessante, mas que vai atingir, já o está a conseguir, o objectivo pretendido - que falem na CPC, uns com admiração, outros com horror q.b.
"Sexpressions" mostra uma viagem ao mundo do amor e do sexo através de fotografias íntimas da Escritora/Bióloga, pelas mãos do fotógrafo Pedro Palma.
A exposição está aberta ao público até ao dia 7 de Fevereiro, no Centro Cultural de Cascais.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Livros em papel, 'espécie' em vias de extinção

2009, o ano de viragem no mundo dos livros electrónicos, originou uma data histórica - no Dia de Natal a Amazon, pela primeira vez, vendeu mais livros electrónicos do que livros em papel...A Amazon informou, igualmente, que o Kindle (o mais conhecido leitor de e-books no mercado) foi o produto mais vendido durante a época natalícia.
Ao todo, a Amazon tem 390 mil livros electrónicos disponíveis, muitos dos quais best-sellers. Para comprar estes livros não é necessário ter um Kindle.
Os e-books podem ser lidos num iPhone ou iPod Touch ou simplesmente num computador.
Em todos esses casos, é necessária uma aplicação da Amazon.

Portanto, comece a olhar com um sentimento de saudade para as belas lombadas dos livros que, quais cogumelos, se espalham pelas nossas casas enchendo estantes, prateleiras, caixas e caixotes, garagens e arrumações - são uma espécie que, mais ano, menos ano, será olhada como os discos de 78 rotações, os telemóveis tijolo ou as grafonolas, o são agora.
E aquele conto da Pinta ( em que uma fulana fica muito decepcionada por, numa primeira visita ao apartamento de um mancebo, não vislumbrar nenhum livro) deixa de ter razão de ser, porque os livros, milhares deles, poderão estar arquivados no computador, no iPod ou em qualquer iPhone.
Le Livre est Mort, Vive le Livre ( electronique)...

sábado, 5 de dezembro de 2009

Araújo Pereira na capa da Playboy

Ricardo Araújo Pereira
foi eleito "Homem do Ano"
pela Playboy
e é capa da edição de Dezembro,
nas bancas a partir de hoje.

Agora, sim, está o MUNDO PERDIDO!
O último reduto dos homens de barba dura
( eu escanhôo-me três vezes ao dia)
foi ocupado por um gaijo
e, ainda por cima do Benfica!

"... A próxima edição da revista Playboy Portugal tem na capa o humorista Ricardo Araújo Pereira, sendo esta a primeira vez ( nós somos sempre os primeiros nestas coisas), nos 55 anos da marca, que um homem surge sozinho ( ainda o podiam ter colocado ensaduichado entre a Sofia Aparício e a Diana Chaves) na primeira página da revista masculina, segundo a directora de comunicação, Sara Esteves Cardoso (ó MEC, viste bem o que fizeste?).
Na origem da escolha para a edição especial de Natal estão "a influência, o mediatismo, a importância político-social e o respeito transversal conferido pela sociedade portuguesa" ( então, e as curvas, a peitaça, não contam nada?).
Araújo Pereira "é, desde 2003, presença assídua nas vidas de todos os portugueses. Assume-se em 2009 com um estatuto ímpar, provando a sua influência em todos os quadrantes sociais e políticos", refere a directora de comunicação da revista, em comunicado ( então, ponham-no como Primeiro Ministro, mas deixem a capa da Playboy para as babes...)..."

Nota do "Galo":
Antes que comecem a desancar-me,
quero dizer que foi só uma brincadeirinha,
perante o insólito do facto
e o Politicamente Correcto que grassa por aí...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A esquina do Rio - Manuel Falcão

Lido hoje no Jornal de Negócios, no suplemento Weekend.

" LER - Eu gosto de histórias curtas, pequenos contos.
Confesso que é uma forma literária que me cativa.
Há tempos o blog"O Galo de Barcelos ao Poder"lançou um concurso de microcontos, peças pequenas, histórias rápidas.
Esta semana foi publicado o livro que recolhe os melhores contos recebidos (cerca de duas dezenas) e uma selecção de contos do próprio autor do blog e da ideia, João Viegas.
Há histórias poderosas, que deixam no ar o apetite para um filme que podiam inspirar.
E outras, intimistas e fortes, que captam a atenção numa frase, como aquela história do homem que, não fumando, procurava cigarros.
"O Canto do Galo"é o nome da colectânea de microcontos, editada pela Bizâncio."

Manuel Falcão

A Festa d'O CANTO DO GALO - Parte 3

E, hoje, nesta que é a terceira e última parte do post que tratou do Lançamento d' O Canto do Galo, começamos da melhor maneira, com o curto speech da Margarida Ferreira dos Santos que, assim como a sua saia, foi mais curto do que o habitual.
Mas sempre optimista e bem disposto, isso sim, dentro dos parâmetros normais.


A assistência, sempre entusiasmada e cooperante, foi, sem sombras de dúvida, um dos motivos que mais contribíram para o êxito do acontecimento.





A Sofia Silveira acumulou 2 em 1.
Primeiro foi aplaudida como designer pela capa e grafismo do livro.
E, logo depois, como autora de um cos contos.
Foi a única que teve direito a Clube de Fãs, e tudo...
Sentiu-se um frisson entre o público feminino, era o Zé Viegas Soares, que tinha finalmente chegado e ia botar faladura...

Mas, o Feeling Estranho, sacou de um papel em branco e o discurso ficou por isso mesmo.
Excelente maneira de terminar uma festa que foi tudo, menos habitual e cinzenta.
Os sorrisos foram muitos, os parabéns e cumprimentos idem, idem, aspas, aspas...

Pela parte que me toca, espero que tenham gostado
e o meu obrigado pessoal a todos.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A Festa d' O CANTO DO GALO - Parte 2

Como prometido, cá estamos nós a apresentar a 2ª parte da trilogia do Post-Foto-Reportagem do lançamento d'O CANTO DO GALO, que terminará amanhã, neste mesmo local...
E recomeçamos com a Dalila Almeida, o que é sinónimo de entrarmos com o pé direito, pois a sua breve alocução foi um misto de inteligência, beleza e ironia acutilante, como é seu costume.
A seu lado, o Manuel Falcão escutava-a, embevecido.


Como nem tudo podia ser beleza, na noite que já ia avançada, surgiu, depois o Jorge Nascimento que apresentou, a uma plateia em delírio, a ária operática em que se tem baseado a sua, já longa, carreira artística - A Canção do Bandido.

Demonstrando que a concorrência é saúdavel, o Luís Costa ( do Don Pomodoro, nas Docas) esteve presente e, aproveitou, para fazer publicidade ao livro.

Depois de várias caipirinhas, entre a assistência, começava a notar-se um certo ar mais para lá do que para cá...











E por hoje, terminamos com um senhor respeitável ( bem, mais ou menos...), o Zé Manel de Sousa que nos apresentou o discurso mais longo do lançamento, pelo menos no tamanho do papel.

Toda a gente esteve bem disposta, com excepção de algumas crianças que devem ter achado isto tudo uma grande seca.
Mas, Criança sofre...
...Não perca, amanhã o final (...ufa!), desta saga empolgante !!!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A Festa d'OCANTO DO GALO - Parte 1

O Post-Foto-Reportagem do lançamento
de O Canto do Galo
será publicado hoje, amanhã e depois,
neste mesmo local e horário.
Se gostar do original, não perca a trilogia...
Todos já estão carecas de saber que o lançamento do nosso Livro ( o primeiro) foi ontem, ao fim da tarde no Sabor a Brasil, Parque Expo.

A coisa até começou bem, com o fleumático Luís Alves, responsável máximo da Bizâncio, editora do best seller, a dar as boas vindas a todos e a tecer umas breves considerações.




O prosseguimento, com João Viegas sim, eu, moi même!,
deu a perceber que a cerimónia avançava rapidamente para a anarquia total.
A Vencedora do 1º Lugar do Prémio Galo/Bizâncio, Susana Moura-Carvalho, e o seu jeito irreverente e rufião, não ajudaram em nada a que a festa se tornasse algo de decente, bem comportado e, porque não dizê-lo, exemplo para algumas das crianças presentes.

Quando se aguardava, com ansiedade, que a 2ª classificada, Natália Gonçalo, debitasse algumas pérolas de cultura, eis que, também ela
começou por referir Mário-Henrique Leiria, exemplo bem acabado do anarco-sindicalista nacional.
A partir daí, já nada se podia esperar de bom...
A assistência era muito variada e eclética, abrangendo grupos etários muito variados, mas permitam-me (que remédio têm vocês, já que sou eu quem tem o teclado nas mãos)que refira quatro amigos que já não via há muito - o Francisco Faria Paulino, o Fernando Pinto, o Pedro Calapez e o João Cóias ( por coincidência, ou talvez não, todos ligados às artes, embora em campos distintos).


Por fim, lá chegou alguém com um discurso articulado - a Vanda Fidalgo,
3ª Classificada, que contou com o apoio e ajuda preciosa
da filha.


Já que não consegui nenhuma foto da Delfina com os nossos filhos, fica apenas a da Mãe que, na realidade, é a única pessoa decente lá de casa.

Entretanto a Vencedora e a designer Sofia Silveira ( ou SOFIA SILVEIRA!!! como gritava um admirador enlouquecido) continuavam na macacada, com o intúito, infelizmente alcançado , de abandalharem a cerimónia...
Pelos semblantes risonhos, as muitas dezenas de convidados presentes ( quase 200) divertiram-se bastante.
Esperemos que O Canto do Galo
lhes dê um prazer, no mínimo, igual...
Nota do "Galo": Não perca, amanhã, a continuação desta Saga.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Fico à espera...

Daqui a pouco, mais para o fim da tarde,
temos encontro marcado Aqui
para tratarmos do Lançamento deste...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Abel...ou Caim?

José Saramago, mais envelhecido mas sempre pujante na produção literária, acaba de lançar o seu último trabalho - Caim ( penso que a grafia correcta é Caín).
Mais uma vez, o seu alvo preferencial é a Igreja Católica e o Catolicismo, como tem demonstrado nas polémicas afirmações proferidas.
A Igreja, por sua vez, dizendo não querer publicitar e empolar o assunto, dá as respostas clássicas, conservadoras e , também elas, envelhecidas, o que só ajuda a extremar posições.

As perguntas( respostas não temos) que aqui deixamos, são as seguintes:

- Da parte do Escritor, conhecido por assumir frontalmente as suas opções políticas e religiosas, esta posição é apenas uma manobra de marketing ou a exposição e defesa das suas ideias?

- A Igreja no geral, e os Católicos, no particular, têm razão ao sentirem-se ofendidos e a obrigação de defenderem as suas convicções ou estamos perante um simples caso de livre direito de expressão?

Uma conclusão é certa, o livro, independentemente do seu presumível valor literário, vai ser um êxito de vendas, em grande parte devido a esta polémica, que ainda está no início...

As repostas às perguntas acima, serão os Comentadores do "Galo" que as irão dar.
Eu fico à espera, no poleiro...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Agustina Bessa-Luís, 87 anos de escrita


Agustina Bessa-Luís, que festeja hoje o seu 87º aniversário,
nasceu em Vila Meã, Amarante em 1922, descendente
de uma família de raízes rurais de Entre Douro e Minho
e de uma família espanhola de Zamora, por parte da mãe.
A sua infância e adolescência passou-as nesta região,
cuja ambiência marcou fortemente a obra da escritora.
Fixou-se, depois, no Porto, onde reside.

Estreou-se como romancista em 1948, com a novela
Mundo Fechado, tendo mantido um ritmo de publicação
pouco usual nas letras portuguesas e ultrapassado já,
a meia centena de obras.

Em 1954, com o romance A Sibila, Agustina Bessa-Luís
impõe-se como uma das vozes mais importantes
da ficção portuguesa contemporânea.
Vários dos seus romances foram já adaptados ao cinema
pelo realizador Manoel de Oliveira,
caso de Fanny Owen ("Francisca"), Vale Abraão
e As Terras do Risco ("O Convento"), para além de "Party",
cujos diálogos foram escritos pela escritora.

É também autora de peças de teatro e guiões para televisão,
tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro
e encenado por Filipe La Féria.

Recebeu aos 81 anos o mais importante prémio literário
da língua portuguesa: o Prémio Camões, em 2004.

E, hoje, tem direito aos Parabéns do "Galo",
o que, reconheçamos, não é menos importante...

domingo, 11 de outubro de 2009

Herta Mueller - Nobel da Literatura 2009

Herta Mueller:
"sem palavras" ao saber do
Nobel da Literatura


A escritora alemã, nascida em Nitzkydorf, na Romênia, Herta Mueller, que escreveu acerca das dificuldades e humilhações impostas pelo regime brutal de Nicolae Ceausescu, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 2009 por retratar "a paisagem dos desfavorecidos".
A Academia Sueca, que elogiou "a densidade da sua poesia e a franqueza da sua prosa", disse que Mueller, 56 anos, ficou sem palavras ao ser informada de que recebera o prêmio, no valor de 10 milhões de coroas suecas (mais de um milhão de euros).
"Ela ficou muito, muito feliz. Disse que ficou sem fôlego, que a sensação era irreal e que ficara sem palavras", disse à Reuters o secretário permanente da Academia, Peter Englund, acrescentando: "Mas prometeu, também, que, quando nos encontrarmos novamente, em Dezembro (para a cerimônia da entrega dos prêmios), já terá reencontrado as palavras."
Mueller é conhecida por obras como "The Land of Green Plums", que dedicou a amigos romenos mortos sob o governo comunista de Ceausescu, e "The Appointment", na qual uma romena prende bilhetes, dizendo "case-se comigo", nos fatos dos homens que vão viajar para a Itália.
"Existe uma força real na maneira como ela escreve. ", disse Englund. "Parte disso, deve-se à sua história pessoal, como vítima de perseguição política na Romênia, mas também ao facto de ser estrangeira no seu próprio país."
Em Portugal , apenas foram editados "A terra das Ameixas verdes"pela Difel e "O Homem é um grande Faisão sobre a Terra" pela Cotovia.
Confesso que não li nenhum deles... e penso que não vou ter paciência para o fazer. Mea culpa...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Carreirismo - Mário-Henrique Leiria


Após ter surripiado por três vezes
a compota da despensa,
seu pai admoestou-o.
Depois de ter roubado a caixa
do senhor Esteves da mercearia da esquina,
seu pai pô-lo na rua.
Voltou passados vinte e dois anos,
com chofér fardado.
Era Director Geral das Polícias.
Seu pai teve o enfarte...
Mário-Henrique Leiria, in Contos do Gin-Tonic, 1973

sábado, 26 de setembro de 2009

A Velha e as coisas

Verdade se diga que o país era pequeno, bem pequeno mesmo.
Logo, é evidente, as coisas também tinham de ser pequenas, para caberem.
Daí os partidos.
Havia o Partido Blicano e o Partido Crático; assim reduzidos, cabiam. Eram a Oposição.
Além disso, havia a Posição.
O General, os Dois Coronéis, o Sargento (justicialista), o Professor Mustache, autor da Constituição e de «Cartas Patrióticas ao Corneta Pir» e a Velha dirigindo, claro.
Portanto as coisas lá iam, o comportamento geral era bastante aceitável, as cebolas vendiam-se a contento, o nabo aguentava-se, havia a nêspera e o export-import funcionava mais ou menos.
Mas também havia as eleições à porta.
Era preciso tento, nada de imprevidências.
E chamou-se o Galvez, dos Suplementos Literários, para montar o processo jurídico, organizar e levar o assunto a bom termo, como devia ser.
O Galvez organizou.
Leram-se as dignidades do preparo.
O discurso activou-se e a pátria foi avisada que estava em perigo.
Houve quermesses.
A Velha explicou tudo ao país, mais uma vez, pela televisão.
Elegeram-se misses e praticou-se música histórica, própria da conjuntura.
Assim se foram três meses, com várias bofetadas esclarecedoras aos que, pelos cafés, ainda não sabiam.
Então chegou o dia do voto.
Todos deram o papel que lhes tinha sido entregue.
Alguns espancamentos disciplinares, para clarear o voto, e a contagem fez-se.
A informação foi a seguinte:
Sopa de Feijão Branco (candidato Blicano)............. -- 13 728
O Bode (candidato Crático).....................................-- 13 727
D.ª Josefa Sur-Mer (candidata independente)......... -- 13 726
O General (candidato).............................................-- .......13
Donde, conforme a Constituição, o General foi eleito de novo,
por maioria absoluta.
Havia os seguintes impedimentos legais:
Sopa de Feijão Branco não residia há mais de cinco anos no país (inconstitucional, portanto).
O Bode era menor e não estava inscrito nos cadernos eleitorais (inconstitucional, evidente).
D.ª Josefa Sur-Mer não sabia Matemáticas Modernas, já residia há mais de cinco anos no país e, além disso, era Sur-Mer (totalmente inconstitucional).
Vendo o acontecimento, o Galvez ameaçou escrever para mais Suplementos, pondo tudo em pratos limpos, já que lhe parecia – tinha até provas – que Sopa era residente perpétuo.
O Galvez foi chamado.
A Velha falou-lhe. O Galvez escutou.
A Velha explicou-lhe. O Galvez era patriota.
O Galvez ficou convencido.
Daí em diante o Galvez passou a negociar – com exclusivo próprio – na exportação da nêspera conservada, do pescado enlatado e da camisa em renda de bilros.
Teve também o Turismo e o Gabinete Alfandegário.
Aqui se vê, portanto, que a coisa pública seguiu esclarecida, firma, como era de desejar.
No entanto, dado o tamanho realmente pequeno do país, como aliás já fiz notar, houve que fazer mais umas reduções.
A Oposição passou a chamar-se só Ó e os Independentes, devido à situação económica e à outra, ficaram apenas Pendentes.
Visto isto, o Galvez foi de ministro plenipotenciário para Tombuctu.
Como dizia a Velha, no seu habitual «Colóquio à Lareira» pela televisão:
– Para a frente, meus filhos. A pátria nos contempla e o passado nos espera.

Mário-Henrique Leiria, in Contos do Gin-Tonic, 1973

terça-feira, 22 de setembro de 2009

2666, de Roberto Bolaño, talvez, o Livro do Ano


Roberto Bolaño, que nasceu no Chile, em 1953, e morreu em Barcelona, em 2003, foi um Escritor e Poeta com grande influência na moderna Literatura Hispano - Americana.

Em 1998, com a sua obra Los Detectives Salvajes recebeu o Herralde Award,
e o Prémio Rómulo Gallegos, no ano seguinte.

Uma ano após a sua morte, em 2004,
ganhou o Prémio Salambó
para o melhor Romance em Língua espanhola,
com 2666.

E é precisamente esse livro, 2666,
que vai ser lançado na noite de 25 para 26,
com pompa e circunstância,
tendo direito inclusive a um autocarro especial,
o 2666 claro está, para transportar as pessoas para o local do lançamento , no Cais do Sodré.
Nessa altura serão vendidos exemplares únicos ao preço de 26,66€.
Folclore à parte, parece que o romance merece, mesmo, ser lido...