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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Um Homem de mudanças

Tive um periodo na minha vida que era só concertos e rave parties, muita droga, sexo e Rock'n'Roll
Foi uma época de grande degradação física, em que vivia nas ruas e ia batendo no fundo...
Mas a fé salvou-me. Tornei-me um verdadeiro fanático e consegui libertar-me dos pecados...

Foi uma fase que não me deixou saudades. Puz a'chavala' a render e fiquei a viver à conta dela...
Depois entrei no pós modernismo. Comecei a frequentar exposições e restaurantes da Moda...
Mas deu-me novo ataque de misticismo e resolvi espalhar a palavra do Senhor...
Nova volta de 180º. Tornei-me motard, fiz tatuagens e coloquei piercings...
Numa evolução natural, transformei-me num fashion addicted, sofisticado...mas piroso.
Agora, resolvi assentar, comprar uma roulotte e passar férias em Benidorm. Será de vez?

domingo, 17 de janeiro de 2010

O Romantismo já não é o que era

Tinha visto esta cena, em tempos, no célebre 'Titanic',
e achara-a ultra romântica...
Há anos que esperava pelo momento certo,
para tentar reproduzi-la.
Escolhi a companhia com cuidado,
aguardei que o rio estivesse calmo,
seleccionei um cacilheiro em boas condições.
Por fim, embarquei rumo à Trafaria...Tudo perfeito.

E, logo, tinha que vir a fdp da gaivota
lixar-me o efeito...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Como é que vai essa imaginação?

Vamos lá fazer um breve exercício...
Olhem para a imagem, inspirem-se, respirem fundo
e façam um pequeno texto, 5 a 10 linhas, alusivo.
Tentem um ângulo insólito...
Fico à espera.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

As Faces Ocultas

Nem todas as Faces Ocultas,
escondem uma face negra...
Algumas, tapam, apenas, o rosto de mulheres
cercadas por fundamentalismos vários.


















Mas, ambas, as nossas e as outras, são sinal
de terceiro mundismo, atraso
e que algo está podre no Reino da Dinamarca,
ou melhor, no de Portugal,
da Arábia Saudita e outros lugares que tal...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Uma Vida a Cores, e em bom

Desde sempre, a sua vida era um mosaico
de cores e emoções.

Um mar desfocado e contínuo das mais variadas experiências.

Diziam-lhe que a sua perspectiva de ver as coisas
era diferente.

Que o seu coração apercebia os sentimentos
de uma forma sui generis.

Tentou pôr ordem na sua vida, disciplina
e organização.
Mas, até a sua alimentação saía
dos cânones convencionais.

As bebidas que mais apreciava tinham nomes
de ilhas tropicais.
O perfume preferido misturava fragrâncias
de flores raras.
Teve muitas dezenas, centenas,
de amizades coloridas.
Todas muito rápidas.
Ardiam em menos de um fósforo.
Os anos iam passando e tudo continuava
exactamente na mesma...
Começou a entrar em depressão,
a abusar dos barbitúricos.
Os seus objectivos de vida estavam desfocados,
o futuro era algo de difuso.

E os dias, apesar de sempre diferentes, pareciam ser sempre iguais.

Resolveu, então, dar uma volta de 180º
à sua rotina diária.
E, agora, é vê-lo a brilhar nos céus,
radioso de felicidade...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O Homem Emparedado

A primeira vez que aquele paciente entrou no meu consultório, pareceu-me uma pessoa equilibrada e racional.
Mas, só até ter aberto a boca.
"Doutor, as paredes da minha casa estão a mover-se e a fazer com que as divisões fiquem cada vez mais pequenas".
Na vez seguinte, já lhe achei um ar mais paranóico e desvairado.
"Doutor, tem que ir ver a minha casa. A sala, onde já dei festas para 50 pessoas, está mais pequena que este seu gabinete".
Durante mais de um mês, em todas as consultas semanais em que o via, ouvi-lhe as queixas da redução do quarto para uma espécie de canil, da grande cozinha transformada em kitchinette, da sala num hall de entrada.
Na última vez em que o vi, disse-me:
"Doutor, já durmo todo encolhido. Qualquer dia, nem vou conseguir passar pela porta."
Depois, durante três semanas não deu nenhum sinal de vida.
Comecei a ficar preocupado e resolvi fazer-lhe uma visita surpresa.
Na morada que me tinha dado encontrei, apenas, um terreno vazio, entre duas moradias.
Olhei à volta, nada.
Quando me ia a retirar, reparei numa pequena caixa, que me pareceu de fósforos.
Com a mania que tenho da limpeza, apanhei-a e deitei-a no contentor do lixo.
Do meu paciente, nunca mais tive qualquer notícia.
Será que a caixa...?
Nota do"Galo":
Este pequeno texto foi totalmente inspirado
pelas magníficas ilustrações de Brian Biedul

domingo, 25 de outubro de 2009

Rhapsody in Blue...e Rosa

Presos à tirania das cores
o colar Rosa tornou-se gargantilha
e a sandália Azul, passou a sapato.
Pela concordancia dos géneros,
os bons costumes agradeceram...
Logo à nascença , o Rosa é para as meninas
E, os rapazes, ficam-se pelo Azul
Mas, e se a menina for Maria-rapaz
e ele gostar de brincar com bonecas?
Tecidos de padrões variados
em que o Rosa e o Azul se cruzam
mas não se misturam...
A única vez que isso aconteceu
nasceu a cor-de-burro-quando-foge...
E se fosse Azul, o coração?
A Pantera cor-de-Rosa passasse a cor-de-Azul?
A rosa, flor, azulasse?
O céu ficasse Rosa?( esse já fica, às vezes...)
E se o inesperado pintasse em(as) nossas vidas?
A Rosa, rosae, rosarum
encontrou o Azul, azul é, azul eram...
...e rozularam os dois!
O Azul virou cor-da-manteiga
e a Rosa, enrubesceu.

Fotos de Fer Guimarães Rosa (The Chatterbox)
Texto de JV ( O Galo de Barcelos ao Poder)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

As Cores dos meus Amores

Tive um Amor vermelhão.
A paixão mais violenta.
Mas descobri, com horror,
era Amarelo e Magenta.
Tive um Amor amarelo.
Amarelo desespero.
Se tê-lo foi desespero
mais desespero, foi perdê-lo.
Tive Amores de várias cores,
violentos, matizados.
Foram dores e alegrias
nos mais variados tons.



Tive um Amor de cor púrpura
cor, p'ra mim, desconhecida.
De fugida, lhe toquei
mas deixei-o à deriva.



Tive um Amor transparente
transparente como água.
Mas com mágoa, de repente
perdi a sede de tê-lo.

Tive um Amor que foi pó

que ao assentar se desfez.

Ao procurar, não o vi.

e fiquei só, outra vez.