domingo, 2 de novembro de 2008

Jamie Oliver, a minha Maria de Lurdes Modesto

Eu vi a Luz quando menos esperava. A minha Estrada de Damasco aconteceu, quando olhei distraído para o televisor e estava lá um rapaz com ar de DJ a falar de comida, de uma forma descontraída, aparentemente fácil e, muito importante, divertida.
Se agora presenteio os meus amigos com Marmite de Poisson et Crevettes de Goa ou Saumon en Croute, é graças à capacidade de comunicação daquele jovem inglês, o Jamie Oliver, que me mostrou que a Cozinha, contrariamente ao que toda a vida tinha ouvido dizer, era acessível, até para nabiças como eu.
Eu cresci com a Maria de Lurdes Modesto ou a Filipa Vacondeus, duas excelentes cozinheiras, a falarem de Cabritos à Padeiro ou Polvo à Lagareiro, horas de forno a temperaturas precisas, uma atenção permanente, e uma linguagem cifrada que envolvia pontos de estrada,
escabeches, lardear, fios de ovos, e um nunca mais acabar de termos só para iniciados.
E os iniciados, ou melhor iniciadas, eram só as Mulheres...






















Com o Jamie,
(posso tratar-te assim ?)
tudo mudou, e aventurei-me
a entrar naquele lugar de
Ritos e Mistérios estranhos
- a Cozinha.
Comprei os livros dele em Londres,
cá ainda não existiam,
adquiri tachos e panelas no Ikea, virtualhas no El Corte inglês ,
e nunca mais parei...

O Jamie Oliver, para além de ser o meu guru culinário, não é apenas mais um cozinheiro talentoso, ou um comunicador nato.
Graças à popularidade alcançada, conseguiu pressionar o Governo inglês de modo a alterar as ementas escolares
das crianças, eliminando fritos e gorduras, que foram substituídos por alimentos saudáveis.







Outra acção que Oliver pensou e fez, foi a criação do Eleven.
Aqui, onze jovens com problemas vários, droga, alcoól, prisão ou similares, são recuperados, é-lhe ensinado um métier dentro do ramo ( empregado de mesa, escanção, cozinheiro...) e são depois lançados no mercado, com todas as condições de sobrevivência , e êxito.
Para os lugares deixados em aberto, entram, então, novos candidatos, e a história repete-se.


















Por isso a próxima vez que fizer uma das inúmeras, fáceis e saborosas receitas de um dos vários livros de Jamie Oliver, agora até já há dois ou três em português, lembre-se que o chavalo para além de cozinhar bem, é um gajo porreiro.












Ex-Citação 16

"- Os dois maiores mitos a meu respeito são - que sou um intelectual, porque uso óculos e que sou um artista, porque o meus filmes rendem dinheiro.
Estas duas ideias prevalecem há já imensos anos..."


Woody Allen

sábado, 1 de novembro de 2008

Woody Allen, o Grande Conquistador

Jim Carrey pode esforçar-se em histriónicas expressões gestuais, Ben Stiller mostrar toda a sua panóplia de caras mais ou menos imbecis, Eddie Murphy soltar as suas gargalhadas características, Jack Black, Richard Pryor ou Chris Rock ensaiarem as suas gracinhas mais divertidas que, eu no escuro da sala de cinema, não esboço o mínimo sorriso.
Porém quando Mr.Allan Stewart Konigsberg, com a sua expressão de cachorrinho abandonado, diz uma simples frase de cinco ou seis palavras, desmancho-me a rir, rebento os diques das gargalhadas, deixo-me invadir pela felicidade que o humor, o bom Humor, nos proporciona.
Talvez conheçam, melhor, o causador deste momentos de êxtase pelo seu pseudónimo - Woody Allen.





















Woody Allen, Realizador, Argumentista, Músico, Escritor e Actor, nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, em 1935.
Profissional desde os 15 anos, quando já escrevia Programas para a Rádio e Crónicas para os Jornais, viria a conhecer o êxito com Annie Hall, Filme com o qual ganhou 4 Óscares.
Antes já tinha participado em Casino Royale, o primeiro filme em que aparece um 007 não oficial desempenhado por David Niven,What's new Pussycat ? ou Everything you always wanted to know about Sex.















Como é habitual em Portugal, os tradutores trataram, muitas vezes, os títulos originais de Allen com os pés.
Assim Everything you wanted..., originou O ABC do Amor, Take the Money and Run foi traduzido por Inimigo Público, enquanto Play it Again, Sam ( que reportava directamente, como convinha, para Casablanca) recebeu estranhamente O Grande Conquistador, que aproveitámos, justamente, como título para este post.

Paralelamente com a profusão de Filmes, Livros, Música e Argumentos que Woody Allen tem produzido, no decorrer da sua carreira, também a sua vida amorosa tem sido profícua e acidentada.
Com dois casamentos e dois divórcios, com Harlene Rosen e Louise Lasser, antes da Fama ter chegado, viveu depois com várias colegas, sendo as mais famosas Dianne Keaton e Mia Farrow, a que se seguiu, com laivos de escândalo, a filha adoptiva desta, Soon Yi, com quem viria a casar.

Em alguns dos seus últimos Filmes, Match Point e Scoop, descobriu Scarlett Jonhanssen, que depois de Dianne Keaton e Mia Farrow, se tornou a sua Musa ( o que, aliás, só abona a favor do seu bom gosto).



Entre a vastidão dos filmes que escreveu e realizou, contam-se Ana e as suas Irmãs, Manhattam, Crimes e Escapadelas,
A Rosa Púrpura do Cairo e Uma Comédia Sexual numa Noite de Verão, todos a merecerem lugar destacado nos Filmes da Minha Vida.






Embora não possa ter a certeza, penso que muitos dos argumentos e frases que Allen tem criado são feitos a pensar EM MIM !!!
As angústias, fragilidades, idiossincracias, complexos, temores, heranças milenárias, do Homem Moderno e Urbano, no geral, e do João Viegas, no particular, estão lá todas representadas, como se se tratasse de um catálogo, bem elaborado.

A Obra de Woody Allen, tem sofrido influências várias que ele próprio refere, como Felinni e Bergman, tendo este último estado bem presente em dois filmes, Stardust Memories e Interiors, que tinham carcterísticas pouco habituais, na filmografia do cineasta.
Muito bem aceite pela crítica e público europeus, Allen faz visitas frequentes ao Velho Continente, algumas das vezes para se apresentar, com a sua banda, como Músico apaixonado, que é.














































Os dois títulos mais recentes, que ainda não vi, são O Sonho de Cassandra e Vicky Christy Barcelona. A não perder...

Batalha Naval



O tiro apanhou o contratorpedeiro a meio.
Foi ao fundo,em menos de dois minutos.
As bombas, continuavam a cair, seguidas.
Foi por um triz que o porta aviões não foi atingido.
As cargas de profundidade alcançaram dois submarinos.
Dos tripulantes, nem um só se salvou.
O porta-aviões, que ainda resistia, foi a pique.
O Almirante Gordon, guardou o caderninho no bolso e falou para o seu colega Smirnoff:
"- Perdeste mais uma Batalha Naval. Deves-me uma mini !"

Cromos


Manuel Luís Goucha e Cicciolina.
" ... E agora, como é que eu me safo desta ?!?!???"

Jeff Koons - O Kitsch como forma de Arte

Jeff Koons, o artista com carinha de tótó que vemos acima, é um antigo corretor da Bolsa de Wall Street, que se tornou um pintor/escultor de sucesso.
Quanto desse êxito se deve à sua capacidade de chocar e de se auto-promover, é difícil definir pois Koons, nascido na Pennsylvania, em 1955, é uma personalidade que arrasta admiradores ou detractores em fúria. Um destes últimos,Michael Kimmelman, crítico de Arte do New York Times afirma " Koones representa o que de pior produziram os anos 80 em auto promoção e sensacionalismo" e define-o assim" ...artificial, cínico e reles...".
Por outro lado, Jeff Koons que chegou a ser casado com Ilona Staller "La Cicciolina", a porno star húngara naturalizada italiana, é um dos artistas contemporâneos mais representados nos principais Museus de todo o Mundo, e cujas obras ultrapassam os 20 milhões de dólares, o que não é ususal para um artista vivo.
Narciso e megalómano, Koons publica páginas de auto publicidade em muitas revistas de grande tiragem, faz habitualmente sessões de fotografias em que , mais do que as suas obras, é ele o centro das atenções, encomendou uma música a seu respeito, fala sempre de si próprio na terceira pessoa, etc...
Tendo criado um atelier onde trabalham 30 assistentes, na linha da Factory de Andy Warhol, Jeff Koons vai continuar a causar polémica e controvérsia, mas ficará na História da Arte como o mais representativo exemplo da Neo Pop ou Post Pop, como a sua Arte é habitualmente classificada.
Terminamos com palavras suas "...vocês poderão encontrar ironia no meu trabalho...mas eu não consigo ver absolutamente nenhuma".