Eu vi a Luz quando menos esperava. A minha Estrada de Damasco aconteceu, quando olhei distraído para o televisor e estava lá um rapaz com ar de DJ a falar de comida, de uma forma descontraída, aparentemente fácil e, muito importante, divertida.Se agora presenteio os meus amigos com Marmite de Poisson et Crevettes de Goa ou Saumon en Croute, é graças à capacidade de comunicação daquele jovem inglês, o Jamie Oliver, que me mostrou que a Cozinha, contrariamente ao que toda a vida tinha ouvido dizer, era acessível, até para nabiças como eu.
Eu cresci com a Maria de Lurdes Modesto ou a Filipa Vacondeus, duas excelentes cozinheiras, a falarem de Cabritos à Padeiro ou Polvo à Lagareiro, horas de forno a temperaturas precisas, uma atenção permanente, e uma linguagem cifrada que envolvia pontos de estrada,
escabeches, lardear, fios de ovos, e um nunca mais acabar de termos só para iniciados.
E os iniciados, ou melhor iniciadas, eram só as Mulheres...





(posso tratar-te assim ?)
tudo mudou, e aventurei-me
a entrar naquele lugar de
Ritos e Mistérios estranhos
- a Cozinha.
Comprei os livros dele em Londres,
cá ainda não existiam,
adquiri tachos e panelas no Ikea, virtualhas no El Corte inglês ,
e nunca mais parei...

O Jamie Oliver, para além de ser o meu guru culinário, não é apenas mais um cozinheiro talentoso, ou um comunicador nato.
Graças à popularidade alcançada, conseguiu pressionar o Governo inglês de modo a alterar as ementas escolares
das crianças, eliminando fritos e gorduras, que foram substituídos por alimentos saudáveis.

Aqui, onze jovens com problemas vários, droga, alcoól, prisão ou similares, são recuperados, é-lhe ensinado um métier dentro do ramo ( empregado de mesa, escanção, cozinheiro...) e são depois lançados no mercado, com todas as condições de sobrevivência , e êxito.
Para os lugares deixados em aberto, entram, então, novos candidatos, e a história repete-se.













































