sábado, 29 de novembro de 2008

Frank Gehry, Arquitecto do(de) Futuro

Este senhor aqui em cima nasceu em Toronto, em 1929, com o nome de Ephraim Owen Goldberg e, só depois do seu primeito casamento, a instâncias da mulher, é que mudou para aquele com que ficaria conhecido - Frank Gehry.
Amado por uns e odiado por outros, como acontece no geral com os Artistas mais subversivos, Gehry passaria de Arquitecto de Papel
( como são conhecidos aqueles que criam projectos muito arrojados, mas que não passam do papel) para Arquitecto com Obra feita, depois de ter construido a sua própria, e pouco convencional, Mansão que o lançou para as luzes da ribalta.





As suas obras, e mesmo a sua casa aqui ao lado, são objecto de peregrinações constantes.
Os detractores afirmam que o espectáculo dos edifícios por ele desenhados, como Museus ou Salas de Concerto, sobrepôe-se à sua utilização.
Isso é mesmo verdade, porque uma amiga minha foi a Bilbao ver o Guggenheim, olhou o Museu por fora, comeu umas tapas e voltou para trás...
Entre os seus trabalhos mais famosos, para além do já falado Museu Guggenheim,
temos o Walt Disney Concert Hall, o Experience Music Project em Seattle, a Dancing House em Praga, o Weisman Art Museum em Minneapolis e o Santana Mayer Park em Lisboa ( oh, desculpem...esse não chegou a ser feito!!!).












Quando uma personalidade contemporânea aparece nos Simpsons, isso significa a sua máxima consagração. Aqui temos Gehry em plena actividade criativa.


































Frank Gehry afirma inspirar-se
tanto para o seus edifícios ,
como para o mobiliário e peças de joalharia,
ou mesmo, esculturas,
na forma de um Peixe.
Os esboços começam todos com o esquiço
de um peixe e depois vão evoluindo...

Gehry é um dos poucos Arquitectos mundiais que tem o direito de ser apelidado de Starchitect, neologimo que se aplica àqueles que pelo dramatismo e espectacularidade dos seus projectos se tornam celebridades galáticas como é o caso Zaha Hadid, Thom Mayne, Michael Graves, Ren Koohaas ou Norman Foster.





Para além do prestígio, sofisticação e notoriedade imediata que a assinatura Gehry transmite a qualquer projecto, os clientes deste apreciam o seu cumprimento rígido do budget e orçamento iniciais.
Para termos uma noção, a Ópera de Sidney, muitas vezes comparada ao Museu de Bilbao, custou cerca de 1600% mais do que este.
São três as explicações que Gehry avança para explicar o seu sucesso nesta área:
- Organização do Artista
- Custo estimado ao detalhe de forma realista
- Uso do CATIA( Computer-Aided Three-Dimensional Interactive Application) que controla, em prmanência, os custos durante a construção.

O Realizador Sidney Pollack, amigo de Gehry realizou um documentário Sketches of Frank Gehry, abordando a Vida, Obra e as pequenas histórias da carreira do Mestre.


Também no campo da Joalharia, com colecções para a Tiffany's, no desenho de Mobiliário ou no campo da escultura, Frank Gehry tem deixado sua marca naquilo que se convencionou chamar
o pós-estructuralismo.


Casado pela segunda vez, com duas filhas do primeiro casamento e dois filhos do segundo, Gehry é, também, um ilustre Professor de
Arquitectura nas Universidades de Columbia e na de Yale.
Por isso se explica o seu ar vitorioso a erguer a taça que desenhou para o Mundial de Futebol.
Só para terminar, quando fôr a Bilbao, não faça como a minha amiga.
Coma os boquerones e as patatas bravas, mas entre no Museu...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Pensamento do Dia

" The financial situation, at the moment,
is so bad that women are now marrying for love".

Enviado por Maria Moura


Engineers Guide to Women ( Part III )

Nós somos mesmo simplórios...( ou seremos simplificados?!???)

Enviado por Contessa

Anedota Reacionária












Quando o Papa Paulo VI veio a Portugal, vivíamos em Ditadura,
sendo Salazar, o Presidente do Conselho.
O Papa perguntou-lhe qual o motivo de ter tantos Ministros,
obtendo a seguinte resposta:
- Santidade, Jesus tinha 12 Apóstolos, eu tenho 12 Ministros.
Em 2009, quando o Papa Bento XVI visitar Portugal
e perguntar ao 1º Ministro para quê 40 Ministros e Secretários de Estado,
este, certamente, responderá:
- Bem, Santidade... Ali Babá tinha 40 Ladrões!


Enviado por Contessa

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Biciclista

O pelotão dos ciclistas arrancou com ímpeto.
Comecei a pedalar furiosamente.
Os corredores inclinaram-se para ganhar velocidade.
Crispei as mãos no guiador.
Três ou quatro atletas tentaram fugir
e despegar-se dos restantes.
Os músculos começavam a doer-me,
mas insisti no mesmo ritmo.
Um dos ciclistas sofreu uma queda aparatosa.
O suor escorria-me em bica.
A meta aproximava-se.
Os competidores recolheram as últimas energias
para o sprint final.
Já não sentia as pernas e tinha fortes dores
nos abdominais, mas não parei.
O camisola amarela cortou a meta em primeiro lugar.
A Minha mulher gritou: - Artur, a sopa está a ficar fria...

...só então saltei da bicicleta
que comprara para me fazer perder barriga
e desliguei o rádio, onde acabara de ouvir
a 3ª Etapa da Volta a Portugal.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Milagre de...Eunice Munoz

Sei que não vão acreditar, mas os aplausos irromperam
e toda a plateia manteve-se de pé durante cerca de meia hora
(... sim, eu sei que meia hora é muito tempo!) numa intensa ovação,
como muito poucas vezes assisti,
depois dessa noite memorável de 1963.
Eu tinha apenas 18 anos, o Teatro era o Avenida, a peça O Milagre
de Anne Sullivan, " The Miracle Worker", do dramaturgo
William Gibson, e as actrizes que interpretavam Helen Keller
e a sua professora Anne Mansfield Sullivan, eram, respectivamente,
a jovem Guida Maria, com apenas 13 anos, e Eunice Munoz.
Esse papel dar-lhe-ia, aliás, um dos inúmeros prémios que recebeu
na sua longa carreira- neste caso, o Prémio de Melhor Actriz do SNI,
ex-aequo com Laura Alves.
Nesse mesmo ano, tive o prazer de ver Eunice, numa outra peça,
O Adorável Mentiroso, de Jerome Kilty, que dramatizava
a longa correspondência entre Bernard Shaw, num registo
pouco vibrante de Jacinto Ramos, com Stella Campbell,
sua amiga/amante, insuportável e, em simultâneo, imprescindível.
De novo, Eunice Munoz esteve bem, mas nem o tema,
nem a encenação, com a continuada leitura das missivas,
nem o seu partenaire, permitiram a mesma comunhão,
com o público, da obra anterior.
O espectáculo foi no Teatro Monumental, e a minha companhia
lembrava a protagonista, insuportável, algumas vezes,
e imprescindível, na maioria do tempo.
Uma Amizade que ficaria para sempre...









A carreira de Eunice seguiu, depois, caminhos muito variados,
quase sempre aproximando-se da excelência, nos seus desempenhos.
Verão e Fumo de Tenessee Williams, Fedra de Racine,
As Criadas de Jean Genet, Felizmente Há Luar de Luís de Sttau Monteiro, A casa de Bernarda Alba de Garcia Lorca
ou a, de novo, inesquecível Mãe Coragem de Bertolt Brecht.
Mais recentemente, Miss Daisy ou Dúvida, com Diogo Infante dariam a conhecer Eunice, às gerações mais jovens.






No Cinema trabalhou com os Realizadores Lauro António, Fernando Lopes, José Nascimento ou João Botelho em películas como Manhã Submersa, Matar Saudades, Repórter X ou Tempos Difíceis.


Tendo recusado, durante anos, entrar no mundo da Televisão, protagonizou a célebre
Dona Branca, na telenovela
A Banqueira do Povo, com êxito assinalável, a que se seguiram Todo o tempo do Mundo,
com Ruy de Carvalho,
Porto dos Milagres
ou Coração Malandro.








Como o "Galo" é, também, uma espécie
de caderno de viagens deste vosso criado,
não resisto a contar uma pequena estória.
Um Domingo, estando eu no Mercado de Artesanato de Nampula,
que se realizava, todos os fins-de-semana em frente à Catedral,
a apreciar as habituais esculturas em madeira feitas pelos Macondes,
ao olhar para o lado, vi a Eunice Munoz, no auge dos seus quarenta anos, com uma indumentária meio hippie, meio indiana, acompanhada por um homem bastante mais novo, muito bonito,
todo vestido de branco, como que acabados de sair do Out of Africa ( ...que ainda não existia).
A companhia masculina, vim a saber depois, era o poeta e ensaísta
António Barahona da Fonseca, seu terceiro marido, que poucos anos
depois se converteria ao islamismo e adoptaria
Muhammed Rashid, como nome alternativo.
Aqui fica esta pequena curiosidade narcisística...

Uma vida dedicada à arte da Representação tão cheia como a de Eunice não cabe nos limites deste post, mas para além do já referido, esta Artista dedicou-se à divulgação dos seus poetas preferidos, como Florbela Espanca ou António Nobre, abordou a encenação com A Voz Humana de Jean Cocteau ,
fundou a Companhia Somos Dois com José de Castro ( com quem viajou em digressão a Moçambique, na historieta narrada acima) e a CPC, Companhia Portuguesa de Comediantes com Raúl Solnado, foi condecorada por Mário Soares, tem um Auditório, com o seu nome, em Oeiras, e, em 2008, foi agraciada com o Globo de Ouro de Mérito e Excelência.
Para uma pessoa que nasceu há 80 anos, em Amareleja (... mas alguém nasce em Amareleja?) é quase ...um Milagre, não lhes parece?!????

Uma Diferença de 30 Anos (1978/2008)


Situação: O Pedro está a pensar ir até ao Monte depois das aulas,
assim que entra no colégio mostra uma navalha ao João,
com a qual espera poder fazer uma fisga
1978: O Director da Escola vê, pergunta-lhe onde se vendem,
mostra-lhe a sua, que é mais antiga, mas que também é boa.
2008: A Escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária
e levam o Pedro para um Reformatório.
A SIC e a TVI apresentam os Telejornais desde a porta da Escola.

Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas
1978: Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha.
Dão as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.
2008: A Escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar,
o Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema,
e a TVI insiste em colocar a Manuela Moura Guedes à porta da Escola
a apresentar o Telejornal, mesmo debaixo de chuva.

Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os colegas
1978: Mandam o Jaime ir falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca
de todo o tamanho.
O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não interrompe mais.
2008 : Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalina.
O Jaime parece um zombie. A Escola recebe um apoio financeiro
por terem um aluno incapacitado.

Situação: O Luís parte o vidro dum carro do bairro dele.
O pai pega um cinto e espeta-lhe umas vergastadas
1978: O Luís tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente,
vai à Universidade e converte-se num homem de negócios bem sucedido.
2008: Prendem o pai do Luís por maus-tratos a menores.
Sem a figura paterna, o Luís junta-se a um gang de rua.
Os psicólogos convencem a sua irmã que o pai abusava dela
e metem-no na cadeia para sempre.
A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo.
O programa da Fátima Lopes mantém durante meses o caso em estudo,
bem como o 'Você na TV' do Manuel Luís Goucha.

Situação: O Zézinho cai enquanto praticava atletismo, arranha um joelho.
A sua professora, Maria, encontra-o sentado na berma da pista a chorar.
Maria abraça-o para o consolar
1978: Passado pouco tempo, o Zézinho sente-se melhor e continua a correr.
2008: A Maria é acusada de perversão de menores e vai para o desemprego.
Confronta-se com 3 anos de prisão.
O Zézinho passa 5 anos de terapia em terapia.
Os seus pais processam a Escola por negligência e a Maria
por trauma emocional, ganhando ambos os processos.
Maria, no desemprego e cheia de dívidas suicida-se
atirando-se de um prédio.
Ao aterrar, cai em cima de um carro, mas antes
ainda parte com o corpo uma varanda.
O dono do carro e do apartamento processam os familiares da Maria
por destruição de propriedade. Ganham.
A SIC e a TVI produzem um filme baseado neste caso.

Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada
por um ter chamado 'chocolate' ao outro
1978: Depois de uns socos esquivos, cada um vai para sua casa.
Amanhã são colegas.
2008: A TVI envia os seus melhores correspondentes.
A SIC prepara uma grande reportagem dessas com investigadores
que passaram dias no colégio a averiguar os factos.
Emitem-se programas e documentários sobre jovens problemáticos e ódio racial.
A juventude Skinhead finge revoltar-se a respeito disto.
O Governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.

Situação: Tens que fazer uma viagem de avião
1978: Viajas num avião de TAP, dão-te de comer, convidam-te
a beber seja o que for, tudo servido por assistentes de bordo espectaculares,
num banco onde cabem dois como tu.
2008: Entras no avião a apertar o cinto nas calças, que te obrigaram a tirar no controle.
Enfiam-te num banco onde tens de respirar fundo para entrar
e espetas o cotovelo na boca do passageiro ao lado
e se tiveres sede um hospedeiro efeminado apresenta-te
um menu de bebidas com os preços inflacionados 150%, só porque sim.
E não protestes muito, senão, quando aterrares, revistam-te todo
para ver se trazes drogas.

Situação: Fazias uma asneira na sala de aula
1978: O professor espetava duas valentes latadas bem merecidas.
Ao chegares a casa o teu pai dava-te mais duas porque 'alguma deves ter feito...!'
2008:
Fazes uma asneira. O professor pede-te desculpa.
O teu pai pede-te desculpa e compra-te uma Playstation 3.

Situação: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno
1978: Não se passa nada.
2008: As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e diarreia.

Situação: O fim das Férias
1978: Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana
puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, terminam as Férias.
No dia seguinte vai-se trabalhar.
2008: Depois de voltar de Cancún de uma viagem com tudo pago,
terminam as Férias.
As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, seborreia e diarreia.


Enviado pela Ana Dulce via Contessa (desculpem os pequenos retoques...)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O Silêncio dos Inocentes

Não me recordo se já teria visto alguma vez Anthony Hopkins,
antes de The Silence of the Lambs, mas quando ouvi a voz calma e profunda
de Hannibal Lecter tornei-me seu admirador incondicional.
O inteligente e sobredotado psiquiatra Hannibal The Canibal, como é também conhecido,
é uma personagem para entrar directamente no Top imaginário
de qualquer cinéfilo que se preze.
A fixidez do seu olhar, a voz sussurrada, o leve sorriso,
encontram na provinciana e modesta Clarice Starling,
superiormente interpretada por Jodie Foster, uma adversária/cúmplice à altura.
Realizado por Jonathan Damme, em 1990, O Silêncio dos Inocentes ganhou os Óscares
para A Melhor Realização, para O Melhor Actor e para A Melhor Actriz.


As cenas de terror são poucas,
mas suficientes para que
um frisson percorra
as plateias.

A fuga do Cannibal é bom exemplo
de um desses momentos.

Scott Glenn, compõe
um chefe da Clarice
seguro mas sem
grande destaque
enquanto Ted Levine
tem a seu cargo
um serial killer,
que em comparação
com o personagem chefe,
lembra um jovem escuteiro.







O Filme foi baseado no mega sucesso,
escrito por Thomas Harris
e que era o segundo de uma trilogia
sobre o mesmo personagem.
Todos esses romances foram
adaptados ao Cinema, existindo mesmo
duas versões do primeiro livro.


Numa noite chuvosa e com trovões, revejam este magnífico trabalho...
...se tiverem pesadelos, a culpa não é do "Galo".