segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Humor sem Palavras
























































Cartoons por Lancast

10 Coisas que levei anos para aprender - Luís Fernando Veríssimo

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.

2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.

4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.

6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.

7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".

8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".

9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.

10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.

Luís Fernando Veríssimo

Learn Something Everyday


Happy Birthday Sir Isaac Newton

Faz hoje anos Isaac Newton (Woolsthorpe, 4 de Janeiro de 1643 — Londres, 31 de Março de 1727) cientista inglês, que embora mais conhecido como físico e matemático, foi também astrónomo, alquimista, filósofo e teólogo.
A sua obra, Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, é considerada uma das mais influentes da História da Ciência.
Publicada em 1687, essa obra descreve a Lei da Gravidade e outras três leis de Newton, em que se baseou toda a Mecânica clássica.
A imagem de um cientista a descansar, sentado debaixo de uma macieira, e, ao levar com uma maçã na cabeça, descobrir de repente a Lei da Gravidade faz parte da nossa iconografia popular.
Agora, imaginem, só, se o senhor estivesse debaixo de um coqueiro... ?!?!!!
Numa pesquisa realizada pela Royal Society, Newton foi considerado o cientista que causou maior impacto na História da Ciência.
De personalidade sóbria, fechada e solitária, para ele, a função da ciência era descobrir leis universais e enunciá-las de forma precisa e racional.
...Parabéns Sir Isaac !!!

Paciência

domingo, 3 de janeiro de 2010

Aeroporto de Lisboa - Flash Mob do Final do Ano

A ANA e a TAP repetiram a experiência, e fizeram novo Flash Mob no Aeroporto de Lisboa, desta feita a 30 de Dezembro.
Em parte, como reacção aos comentários à fraca aderência dos passageiros portugueses no Flash anterior, mas também devido à melhor escolha do horário, desta vez, a adesão já foi muito maior e mais participativa.
Que em 2010 também sejamos assim, mais divertidos, activos e descontraídos...

Cinema 2009 by Kees Van Dijkhuizen

O holandês Kees Van Dijkhuizen fez uma compilação de cenas de 342 filmes que estrearam em 2009.
É lógico que faltarão alguns, que poderemos considerar essenciais, mas isso não tira valor ao trabalho que deixamos à vossa apreciação...
Um destaque para a banda sonora com 'Malabar front' If these trees could talk - 'Death' White Lies - ' Crying Lightning' Arctic Momkeys - '1901' Phoenix e 'Wake up' Arcade Fire.

Soneto da Separação - Vinicius de Moraes

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Moraes

A Tourada do Aldo Lima

Como hoje é Domingo e terão, em princípio,
mais tempo livre, deixo-vos Aqui um Vídeo
com cerca de 10 minutos, em que Aldo Lima,
um comediante um pouco irregular,
tem alguns momentos de antologia
ao recriar os highlights de uma Tourada à Portuguesa.
Espero que se divirtam, para começarem bem o Ano...

Sexo em 2010 - Marta Crawford

NEM TUDO se consegue sozinh@!
Para mudar é preciso trabalhar em equipa e saber-se acertar os ponteiros a toda a hora.
Só assim podemos construir um mundo melhor, mais livre e satisfatório.
Deixemos de lado preconceitos, rancores, inveja, incompreensão, passividade, frustração, vaidade, arrogância, maldade, ignorância e estupidez.
Para construir o futuro, é necessário ser-se actuante, persistente, optimista e saber-se defender aquilo em que se acredita sem medo, para que, todos juntos, possamos viver muito melhor.
Este ano comi as doze passas, com a convicção e a vontade de que os meus desejos se realizem, sei que peço muito, sei que não posso apenas pedir, sei que acima de tudo tenho de actuar.
É esse o meu compromisso: Agir!

I. Respeito e aceitação pela diferença

II. Direitos iguais para todos os homens e mulheres

III. Igualdade e respeito entre géneros

IV. Desmistificação de mitos e preconceitos

V. Aceitação da sexualidade como um bem precioso e fundamental para o ser humano

VI. Diálogo sobre sexualidade em todas as suas vertentes

VII. Incentivo do uso correcto do preservativo

VIII. Prevenção de gravidezes indesejadas através de mais informação e de planeamento familiar

IX. Prevenção eficaz das infecções sexualmente transmissíveis

X. Combate ao abuso sexual e ao tráfico de seres humanos

XI. Impedir o aumento da violência domestica

Estamos em 2010 e desejo a tod@s um excelente ANO e a capacidade de actuarmos tod@s juntos!

Marta Crawford Sexóloga

Caracteres

(Alguma) Gordura é Formosura ?

Na sondagem feita pela maior empresa britânica de educação alimentar, a "Slimming World", as Mulheres consideradas com os melhores corpos não são esqueléticas, ostentando, pelo contrário, curvas generosas.
Tal é o caso da eleita "The Best Body", a famosa Kate Winsley, que alcançou o estrelato com o célebre Titanic.
Na lista seguem-se as actrizes Kelly Brook e Halle Berry, com a cantora Beyonce na quarta posição.
Tudo Mulheres, com curvas abundantes, embora no Top 10 esteja, igualmente presente, a mais magrinha Kate Moss.






Portanto, gordinhas de todo o Mundo, aceitem-se como são.
Esqueçam as lipoaspirações e as dietas draconianas.
Mudem para uma alimentação mais saudável, façam algum exercício
e, a partir daí, gozem as vossas curvas...que NÓS agradecemos !!!

Um só


sábado, 2 de janeiro de 2010

2010 - Ano do Tigre

Segundo o calendário chinês, 2010 é o Ano do Tigre.

O Tigre é o terceiro dos 12 signos chineses e caracteriza-se pela coragem.
Os antigos chineses consideravam o Tigre como sendo o único signo capaz de proteger a sua casa dos 3 perigos mais temidos: o fogo, os assaltantes e os fantasmas.

Quem nasce sob o signo do Tigre tem uma personalidade activa, atrevida e segura de si própria.
Este signo representa efectivamente a potência, a ousadia e a paixão.
Só contrariedades a nivel profissional ou críticas da pessoa amada, podem causar num Tigre uma reacção de profunda depressão.

Esta situação será momentânea pois quem pertence a este signo tem efectivamente uma excelente capacidade de recuperação.




O Tigre ama as competições e dificilmente aceita perder um desafio; é líder por natureza, tem uma grande auto-estima e consciência do seu valor.

O Tigre é inteligente, previsivel e planeia os seus movimentos cuidadosamente.
É um signo que nunca se deve substimar!
O Ano Novo Chinês vai começar a 14 de Fevereiro de 2010.
Ah, Tigre !!!

Reforço de Plantel

Ser do Benfica ( cruzes, canhoto!) é dar de beber a um milhão de portugueses...
Por isso é que há para aí tanta cirrose!

Algumas páginas de glória - Mário Bettencourt Resendes

O cenário que se segue é puramente ficcional, o que não impede a eventualidade de coincidências com realidades, passadas, presentes ou futuras.
Sentados frente a frente, o ministro e o seu assessor de imprensa, ambos estreantes nos respectivos poderes, remeteram-se a uma breve pausa de silêncio.
A face carregada do governante não escondia o incómodo. "Oh homem", disse finalmente o ministro, "deve haver maneira de se conseguir; outros já o fizeram, porque é que eu ainda não tive nenhuma entrevista de fundo?"
Embalado, prosseguiu: "Aqui entre nós, a verdade é que ninguém me conhece. Já fiz algumas tentativas, entro num café, vou a um centro comercial, e nada… um ilustre anónimo. E como as coisas estão, ainda acaba o Governo e eu nem sequer existi."
O assessor ensaiou uma justificação: "Sabe, senhor ministro, é a primeira vez que estou nestas funções, ainda não estou rotinado com os mecanismos que operam deste lado… mas acho que é uma questão de tempo. Deve estar a cair o primeiro pedido…"
O ministro irritou-se e levantou a voz: "Cair, caímos nós, se não tomarmos a iniciativa. Até eu, que não sou jornalista, sei o que é a concorrência selvagem no palco mediático. São demasiados para o mesmo osso… Ouça, se não consegue, peça auxílio a quem sabe. Tenho vários colegas que trabalham com empresas de comunicação eficientes. E já tiveram capa de revista, títulos de primeira página. Enfim, já existem…e há meia dúzia de meses andavam por aí…"
Abandonemos a ficção e passemos à realidade. Sabe-se bem, nas redacções, como é fraca a "carne" de novos membros do quando confrontados com a vertigem dos microfones. Dificilmente resistem à tentação da notoriedade, fascinam-se com os interrogatórios públicos, com a abordagem dos grupos de jornalistas, deslumbram-se com o eco de meia dúzia de palavras de circunstância. Muitas vezes, horrorizados, acabam por perceber que falaram de mais, ou de menos, e ganham cedo lugar na galeria dos gaffeurs.
De qualquer forma, as primeiras semanas de vigência de um Governo não costumam ser pródigas em grandes notícias e é uma boa altura para os media partirem à descoberta dos novos governantes. Se não houver, a nível da direcção do Governo, uma política de comunicação que refreie esses instintos oratórios dos estreantes, multiplicam-se entrevistas de interesse reduzido, em que se sugere, por norma, que tudo vai mudar para melhor, sem se explicar bem como, pouco mais se diz do que repetir as linhas gerais do programa do Governo, mas, enfim, estão ganhas algumas páginas de glória. Os mais ingénuos não resistem mesmo a abrir a porta da sua privacidade e a proporcionar efémera celebridade a agregados familiares que não estão preparados para a sequência da história do capuchinho vermelho e do lobo mau.
O primeiro Governo de José Sócrates estava recheado de pesos-pesados da política. Era gente que conhecia bem a dialéctica da relação com o media e não desperdiçava palavras públicas fora do tempo certo. O próprio primeiro-ministro ganhou, em 2005, nas urnas, uma autoridade política que funcionou, quase de forma automática, como uma linha de orientação em termos de coerência do discurso político do Executivo. Atento, Sócrates não deixava de intervir quando um ou outro deslize poderia comprometer essa coerência.
Os resultados de 27 de Setembro sobrecarregaram Sócrates com tarefas e responsabilidades que estavam diluídas na vigência da maioria absoluta. E nota-se algum défice de coordenação em matéria de comunicação pública ministerial. O que é tanto mais surpreendente quanto este primeiro-ministro foi, na história recente da nossa democracia, aquele que, para o "bem e para o mal", maior sensibilidade evidenciou face ao funcionamento da constelação dos media.
Uma referência de excepção, a terminar, para Isabel Alçada. Herdeira de um dos dossiers mais sensíveis da governação, tem sabido resguardar-se e medir, com inteligência e tacto, as suas escassas intervenções. E por isso está, no mínimo, a ganhar a "batalha da opinião pública" face a direcções sindicais que parecem convencidas de que "o céu é o limite"…

Mário Bettencourt Resendes in Provedor dos Leitores ( Diário de Notícias)

A Capa do Dia

Nuno Gomes e Cardozo na mira dos turcos, casalinho encarnado; histórias de casamento entre polícias, casais com autoridade; Cavaco quer acordo de regime, casamento interpartidos...

Learn Something Everyday


Notícias da Frente de Guerra - Ferreira Fernandes

No aeroporto holandês onde entrou o terrorista nigeriano do voo para Detroit havia scanners de corpo inteiro que teriam descoberto os explosivos com que ele tentou rebentar o avião.
Havia, até, 15 scanners.
Supermodernos, capazes de olhar para lá da roupa e vasculhar tudo.
Esse tudo é que foi o problema.
Os scanners existem mas não se usam, por pudor.
O passageiro passa pelo scanner de corpo inteiro e o corpo inteiro vê-se no ecrã do computador da segurança.
E isso é um horror, como se sabe...
Por exemplo, Ian Dowty, um advogado britânico dos direitos das crianças, da organização Action on Rights for Children, considera que fazer passar um menor de 18 anos pelo scanner viola as leis contra a pornografia infantil.
Daí, os scanners estarem explicitamente proibidos aos menores, na Grã-Bretanha.
E eu que pensava que não havia nada mais pornográfico do que um corpo de criança rebentado por uma bomba.
Além de que, a haver a excepção infantil, ela vai dar ideiazinhas aos radicais islâmicos: suspeito que vão aparecer portadores de bombas inocentes e sem direito a prémio de 70 virgens.
Em todo o caso, a oposição aos scanners faz-me lembrar as minhas iniciais reticências a mostrar as meias nos aeroportos.
Hei-de tirar o resto da vergonha como já tiro os sapatos.

Ferreira Fernandes

2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A Capa do Dia

Cavaco reforça, Assis aconselha, Mourinho debita, Armando Vara regressa... Ano Novo, Cromos Velhos !

Ivette Sangalo ganha o Prémio do Melhor Twitter 2009

O Twitter da cantora brasileira Ivete Sangalo foi eleito como o melhor do ano passado.
Por causa desse prémio a cantora usou a sua página naquela rede social para comemorar com os seus seguidores.
“Vocês viram no site EGO que nós ganhamos como melhor Twitter do ano? Mas eu tô me achando muito, gente. Vocês estão demais”.
Pode ter sido o pontapé de partida para repetir o feito em 2010.

A produtividade à mesa

Enfim o regresso a uma existência civilizada.
Nos últimos tempos, foi-me quase impossível marcar um jantar num restaurante com amigos.
O motivo? Os restaurantes estavam ocupados com jantares de empresa e os amigos recrutados para os mesmos.

Não sei até que ponto este tipo de eventos, invariavelmente realizados na época pré-natalícia, é ritual indígena ou importado, género Dia dos Namorados ou Dia das Bruxas (às vezes as senhoras em questão permitem acumular).
Sei que o jantar de empresa é uma ideia luminosa, e não só para a restauração: que outro pretexto facilitaria o convívio de colegas que evitam o ano inteiro encontrar-se fora das obrigações estritamente relacionadas com o trabalho?
Nesse sentido, é o prolongamento profissional da consoada tradicional, a qual reúne os familiares que, decerto por boas razões, evitam encontrar-se nas restantes 364 noites.

Mal por mal, a consoada dura um singelo serão: os jantares de empresa estendem-se por uma quantidade indefinida deles.
Por estranho que pareça, cada cidadão consegue (ou é forçado a) ir a muito mais do que um mero jantar de empresa.
Assim de repente, calculo uns cinco repastos por cabeça.
Uma das causas do desemprego deve passar pela quantidade de gente que desempenha cargos simultâneos em múltiplas firmas.
Outra causa do desemprego talvez passe pela relação entre os jantares de empresas e o número de falências: é interessante notar que a proliferação dos primeiros varia em função do aumento das segundas.
Ou vice-versa: não é claro se as empresas fecham porque preferem jantar a produzir ou se antecipam o fecho e jantam a título de última vontade.

Claríssimo é que esta voga representa um transtorno para o cidadão alheio ao mundo empresarial, que todos os meses de Dezembro vê a vida social reduzida a escombros.
Para já, acabou. Mas para o ano há mais (jantares) e menos (empresas).

Alberto Gonçalves

A Pomba da Paz








































































Embora os diversos cartunistas,
aqui representados,
não pareçam muito crentes
em relação à Paz,
queremos acreditar
que algo irá mudar em 2010.

Feliz Ano Novo Capoeira !

Para todos os Galinácios, Frangas e Franguinhas, Galinhas Poedeiras, Pitas e Pavões, Patos Bravos e Fracas, Pintos e Gansos, desde que não defensores do passo dos ditos cujos, Perús e Peruas, Pombos e Borrachos, inclusive, um Ano Novo em que todos os dias sejam um verdadeiro Reveillón, um permanente Cantar de Galo !!!




2010 : O ano da Segunda Odisseia

O escritor Arthur C. Clarke
foi o primeiro homem
a chegar ao ano 2010.
Mas não havia necessidade.


O que tem de ser tem muita força e Arthur C. Clarke escreveu um livro que comprova o singelo aforismo. Quem viu ou leu 2001 – Odisseia no Espaço (o filme de Stanley Kubrick e respectiva novelização de Clarke) sabe bem que poucas obras de ficção tornariam tão excrescente, como esta, um projecto de sequência. O filme possui um não-fim sublime. Qualquer palavra a mais resultaria supérfula, quebraria a voluptuosidade dos grandes enigmas que desejamos indefiníveis, opacos, insondáveis como sonhos secretos. Todavia, Clarke publicou anos depois 2010 – Segunda Odisseia.
Porfiando numa justificação para a inesperada sequela, o autor desconcerta-nos ao afirmar que a mesma teve origem nos «montes de cartas de leitores que queriam saber o que aconteceu a seguir.» Mais informa ter enviado um resumo a Kubrick. Por «mera cortesia», assinala, mas parece óbvio que a iniciativa correspondeu a uma discreta expectativa de lograr a adesão do cineasta, por uma segunda vez. Adivinha-se o destino que o realizador deu à cópia, pois Clarke esclarece, adiante: «... Eu já sabia que ele nunca se repete.»
O que se passou na realidade é que o escritor jamais conseguiu sobrelevar airosamente o antigo contencioso com Kubrick. A colaboração entre ambos durante os quatro laboriosos anos que demorou a rodagem de 2001 foi muito fecunda mas culminou numa quase ruptura afectuosa. Desde então, sempre que se referia ao cineasta, Clarke dissimulava mal as velhas mágoas. Para ele, a história atingiria o seu zénite normal mediante a comunicação explícita com inteligências extraterrestres. Kubrick, menos tecnológico, menos explificativo, menos racionalista, rejeitou esse e outros cenários descritos pelo escritor na órbita próxima da sua novela The Sentinel, na qual se inspirou a obra cinematográfica.
Kubrick resgatou tão-só a ideia, sem dúvida belíssima, de um astronauta que chega à Lua e descobre, espantado, um mecanismo enigmático, de origem extraterrestre, com a forma de uma pequena pirâmide. Este artefacto (que no filme se transfigurou no famoso monólito negro, ainda mais impressivo) fora ali colocado por uma superior civilização alienígena para aguardar a emergência da Humanidade como um planeta de passagem da espécie. «Até lá», nas palavras do escritor, «estava implícito, seríamos demasiado primitivos para suscitar qualquer interesse.»


Clarke, homem de ciência, histórico inventor do satélite de comunicações, avesso a todo o género de ambiguidades, zeloso cumpridor das normas didácticas vernianas, não poderia aceitar de bom grado as abstracções estelares de um Kubrick ilógico e inconcludente.
Mais tarde, 2010 tornar-se-ia O Ano do Contacto, título adoptado para o filme de Peter Hyams (1984). O ano do finca-pé de Clarke: a odisseia consuma-se enfim na ambicionada comunicação com uma inteligência superior, universal. Um epílogo, portanto, do tema e da trama de 2001, passado pelo crivo virtuoso da normalidade. Como prescreve a cartilha.

Pedro Foyos
Jornalista