Uma escultura de bronze de Giacometti, L'Homme qui Marche, foi ontem arrematada em Londres, num leilão que durou apenas oito minutos, por 65 milhões de libras (74,2 milhões de euros), batendo assim o recorde mundial de uma obra de arte vendida num leilão internacional, como reconheceu, com visível orgulho, um porta-voz da Sotheby's.
O recorde precedente tinha sido atingido por um quadro pintado por Pablo Picasso, Rapaz de Cachimbo, vendido, em Maio de 2004, pela Sotheby's, em Nova Iorque, por 104,2 milhões de dólares (74,8 milhões de euros).
"Após oito minutos de uma batalha de licitações rápida e furiosa entre pelo menos dez potenciais compradores" a peça foi vendida "por telefone, a um licitador anónimo", contou o porta-voz da Sotheby's.
A escultura emblemática do artista suíço Giacometti (1901-1966), cujo valor estava estimado entre 12 e 18 milhões de libras, foi vendida por um preço três vezes mais elevado. Há pelo menos 20 anos que nenhuma obra deste género era posta no mercado.
E, depois, ainda se fala em Crise...
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
XXII - Pastéis de Belém, como sobremesa
Estava a terminar o jantar, um simples arroz de salmão acompanhado por um branco bem gelado, quando tocaram à porta.
Era a Cristina. A ‘Foxy Lady’, se preferirem.
Pediu-me desculpa por estar a chegar tão cedo, mas, afinal, o compromisso que tinha marcado, ficara sem efeito.
Trazia-me meia dúzia de pastéis de Belém. Como é que ela teria descoberto que eu sou doido por essas bombas calóricas salpicadas de canela?
Teria sido resultado das suas investigações preliminares?
“ Espero que seja apreciador…”
Afinal, talvez me estivesse a precipitar.
Sentámo-nos na sala e preparei-lhe, sem precisar de grande insistência, um prato com o arroz que, modéstia aparte, estava uma verdadeira delícia.
Era um prazer observar a maneira sensual e gulosa como Cristina saboreava as lascas cor de salmão, do propriamente dito.
Dez minutos depois, perguntava-me se podia fumar e, sem me dar tempo para responder, sacou de um cigarro, semicerrou os olhos, recostou-se para trás e começou a falar.
“ Como lhe expliquei, o primeiro encontro deste mês vai ser neste próximo fim-de-semana no tal palacete de Sintra, e os códigos de acesso e tema geral da reunião vão-se basear na letra B. O jantar que ia ter hoje era precisamente para investigar qual vai ser a palavra que nos vai colocar lá dentro e qual o tema das fantasias que teremos que usar…”
Nesse momento, a minha mente, sempre criativa e sonhadora, já construíra um cenário do tipo do Eyes wide shut do Kubrik. Soberbas mulheres nuas fazendo amor pelos recantos do palacete, enquanto cavalheiros de dominós escuros e máscaras venezianas as seguiam obedientes…
Mais uma vez, a assertividade da minha convidada fez-me regressar à terra.
“ Agora não comece a imaginar grandes orgias à filme, porque sexo deve ser a única coisa que não acontece nessas reuniões…”
E, bebendo mais um gole do vinho gelado “… política, racismo, religião, finanças, mas nada de sexo…” perante o meu ar desiludido continuou “…mas não me parece que o Nuno esteja mal servido nessa área, ou estarei enganada?”
Não me deixei levar para esses terrenos perigosos. Levantei-me e fui buscar a caixa que o Comendador mandara entregar.
Cristina mostrou-se surpreendida com a encomenda e escutou, com interesse, as minhas explicações acerca de muitas das peças que constituíam o pequeno espólio.
“ Nesta foto, pode-se ver o Hemingway na presença de dois dos principais adversários de Franco, durante a Guerra Civil Espanhola – o mais velho é o sindicalista Largo Caballero e o que tem o braço por sobre os ombros do escritor é Buenaventura Durruti, torneiro mecânico anarquista, visita habitual das prisões durante a ditadura de Primo de Rivera” gostei de ver o interesse que despertara na minha atraente visita.
“ Durruti combatia lado a lado com os seus camaradas, sempre vestido de fato- macaco.”
Levantei-me para ir colocar outro CD. A música deslizou pelos cantos da sala e deve ter acordado o Leónidas que se veio roçar pelas pernas da minha visita. A festa que esta lhe fez, na cabeça, pô-lo a ronrronar , feliz. Como eu o compreendo...
Depois, continuei a minha prelecção “ Em Novembro de 1936, Durruti foi com a sua milícia defender Madrid que estava a ser ameaçada pelas tropas franquistas e foi mortalmente ferido, por uma bala proveniente da retaguarda…”
Há muito calada, a bela morena, concluiu “ Mais um dos muitos mistérios em que esta ‘novela’ é pródiga…”
Como que cronometrado ao segundo, o telefone soou, lá longe, no meu quarto.
Passam-se semanas sem o telefone fixo tocar.
Todos os meus amigos, ou relações profissionais, utilizam o telemóvel, desconhecendo, até, o meu número de casa.
A última vez que alguém utilizara este meio para me contactar tinha sido a tal B. misteriosa.
Pedi à “ Foxy Lady” que fosse ela a atender, para vermos qual seria a reacção.
Pareceu-me que ela até achou graça à sugestão…
Antes de levantar o auscultador, lançou um olhar apreciativo à sobriedade do quarto, onde a grande cama com imensas almofadas era a peça principal.
“ Allô, quem fala?”
A resposta não se fez esperar “ Carago, que é que a Cristina faz em casa do Nuno?
Que raios…?”
Era o Comendador Salcedas.
Era a Cristina. A ‘Foxy Lady’, se preferirem.
Pediu-me desculpa por estar a chegar tão cedo, mas, afinal, o compromisso que tinha marcado, ficara sem efeito.
Trazia-me meia dúzia de pastéis de Belém. Como é que ela teria descoberto que eu sou doido por essas bombas calóricas salpicadas de canela?
Teria sido resultado das suas investigações preliminares?
“ Espero que seja apreciador…”
Afinal, talvez me estivesse a precipitar.
Sentámo-nos na sala e preparei-lhe, sem precisar de grande insistência, um prato com o arroz que, modéstia aparte, estava uma verdadeira delícia.
Era um prazer observar a maneira sensual e gulosa como Cristina saboreava as lascas cor de salmão, do propriamente dito.
Dez minutos depois, perguntava-me se podia fumar e, sem me dar tempo para responder, sacou de um cigarro, semicerrou os olhos, recostou-se para trás e começou a falar.
“ Como lhe expliquei, o primeiro encontro deste mês vai ser neste próximo fim-de-semana no tal palacete de Sintra, e os códigos de acesso e tema geral da reunião vão-se basear na letra B. O jantar que ia ter hoje era precisamente para investigar qual vai ser a palavra que nos vai colocar lá dentro e qual o tema das fantasias que teremos que usar…”
Nesse momento, a minha mente, sempre criativa e sonhadora, já construíra um cenário do tipo do Eyes wide shut do Kubrik. Soberbas mulheres nuas fazendo amor pelos recantos do palacete, enquanto cavalheiros de dominós escuros e máscaras venezianas as seguiam obedientes…
Mais uma vez, a assertividade da minha convidada fez-me regressar à terra.
“ Agora não comece a imaginar grandes orgias à filme, porque sexo deve ser a única coisa que não acontece nessas reuniões…”
E, bebendo mais um gole do vinho gelado “… política, racismo, religião, finanças, mas nada de sexo…” perante o meu ar desiludido continuou “…mas não me parece que o Nuno esteja mal servido nessa área, ou estarei enganada?”
Não me deixei levar para esses terrenos perigosos. Levantei-me e fui buscar a caixa que o Comendador mandara entregar.
Cristina mostrou-se surpreendida com a encomenda e escutou, com interesse, as minhas explicações acerca de muitas das peças que constituíam o pequeno espólio.
“ Nesta foto, pode-se ver o Hemingway na presença de dois dos principais adversários de Franco, durante a Guerra Civil Espanhola – o mais velho é o sindicalista Largo Caballero e o que tem o braço por sobre os ombros do escritor é Buenaventura Durruti, torneiro mecânico anarquista, visita habitual das prisões durante a ditadura de Primo de Rivera” gostei de ver o interesse que despertara na minha atraente visita.
“ Durruti combatia lado a lado com os seus camaradas, sempre vestido de fato- macaco.”
Levantei-me para ir colocar outro CD. A música deslizou pelos cantos da sala e deve ter acordado o Leónidas que se veio roçar pelas pernas da minha visita. A festa que esta lhe fez, na cabeça, pô-lo a ronrronar , feliz. Como eu o compreendo...
Depois, continuei a minha prelecção “ Em Novembro de 1936, Durruti foi com a sua milícia defender Madrid que estava a ser ameaçada pelas tropas franquistas e foi mortalmente ferido, por uma bala proveniente da retaguarda…”
Há muito calada, a bela morena, concluiu “ Mais um dos muitos mistérios em que esta ‘novela’ é pródiga…”
Como que cronometrado ao segundo, o telefone soou, lá longe, no meu quarto.
Passam-se semanas sem o telefone fixo tocar.
Todos os meus amigos, ou relações profissionais, utilizam o telemóvel, desconhecendo, até, o meu número de casa.
A última vez que alguém utilizara este meio para me contactar tinha sido a tal B. misteriosa.
Pedi à “ Foxy Lady” que fosse ela a atender, para vermos qual seria a reacção.
Pareceu-me que ela até achou graça à sugestão…
Antes de levantar o auscultador, lançou um olhar apreciativo à sobriedade do quarto, onde a grande cama com imensas almofadas era a peça principal.
“ Allô, quem fala?”
A resposta não se fez esperar “ Carago, que é que a Cristina faz em casa do Nuno?
Que raios…?”
Era o Comendador Salcedas.
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A Amante Misteriosa
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Na morte do verdadeiro 'Rain Man'
Num dia futuro dispensaremos o Google por desnecessário.
Cada ser humano integrará no cérebro toda a informação do Google acrescida das principais enciclopédias mundiais.
Mas esse dia está ainda um bocadinho longe. Ou talvez não.
Passou despercebida a morte recente de Kim Peek, o homem que no filme Rain Man inspirou a personagem principal, o inesquecível Raymon Babbit. Esta obra memorável de Barry Levinson, estreada em 1988, viria a ganhar quatro Óscares, incluindo o de melhor actor, Dustin Hoffman).
E, no entanto, poucos seres humanos terão concitado, durante a segunda parte do século XX, um tão grande interesse por parte da comunidade científica internacional. Kim Peek sofria desde o nascimento de uma singular enfermidade do espectro autista, deficiência associada à síndrome de Savant. Os "savants", como são denominados, não somam mais de dez por cento dos pacientes autistas, mas Kim Peek era especialíssimo, um "mega-savant" (apenas uma ou duas ocorrências por século). A sua capacidade de memorização era inacreditável, tanto que cientistas do mundo inteiro viajaram para os EUA porque descriam dos relatos difundidos pelas publicações médicas. De facto, Kim Peek retinha toda a informação que lia ou ouvia. Em contrapartida, deparava com dificuldades invencíveis para realizar os mais singelos actos quotidianos, como vestir-se ou calçar-se.
Era o pai, Fran Peek (ainda vivo e autor de um livro sobre o filho), quem tinha de o acompanhar para todo o lado, ajudando-o nas inúmeras e triviais tarefas diárias, ao longo de 58 anos de vida.
É longo, nesse livro e em revistas científicas, o repositório de "façanhas" de Kim Peek. Ingressa-se no género "a realidade ultrapassa a ficção". Tentemos uma síntese: com dois anos, Kim já conseguia ler e memorizava largos trechos dos livros; com 16 memorizou toda a obra de Shakespeare; em 2006, com 55 anos, Kim Peek sabia de cor 7 500 livros, entre os quais a Bíblia e volumosas enciclopédias. Depois disso foram enumerados 12 mil livros memorizados; todavia, por testemunho científico, o cômputo validado correspondeu apenas aos referidos 7 500.
A síndrome de Savant pode ser congénita ou adquirida após um dano cerebral. Característica recorrente nos "savants" é a de apresentarem, em termos volumétricos, grandes cabeças. Alguns cientistas observam cautelosamente nem sempre ser correcta a sinonímia grande cabeça = grande cérebro = grande inteligência, embora, no caso de Kim Peek, lhe tivesse sido reconhecida uma inteligência mediana ou mesmo acima da média.
Interessante coincidência, sem relação directa com Kim Peek: seis dias depois da sua morte, o diário Público preenchia mais de metade da primeira página com uma chamada para a entrevista de Ana Gerschenfeld, publicada no interior, com o paleontólogo francês Yves Coppens. Título: "Vamos tornar-nos cada vez mais cabeçudos". À pergunta "Como vamos evoluir?", Coppens responde:
«Vamos transformar-nos noutra coisa. Não em mil ou dois mil anos, mas mais para a frente: vejo um desenvolvimento do encéfalo, do cérebro, que vai tornar-se mais complexo, mais denso, mais rico em neurónios, com mais sinapses, mais volumoso também – o que quer dizer: partos mais problemáticos. Mas isso pode resolver-se naturalmente com uma redução do tempo de gestação, dando ao crânio da criança a possibilidade de crescer tranquilamente fora da barriga da mãe.»
Sorri. O escritor e cientista Carl Sagan é um dos meus dilectos. Morreu prematuramente, deixando uma obra magistral que gosto de revisitar.
Em Os Dragões do Éden Sagan apresenta ao leitor uma série de factos a partir dos quais desenvolve teorias cristalinas. Há cem mil anos, o cérebro humano já era um problema para as parturientes. Continua a sê-lo, cada vez mais, a ponto de violentar a própria biologia matricial. Somos únicos, irrepetíveis, acidentais. «O parto», nota Sagan, «só é doloroso para uma espécie de entre milhões existentes na Terra: os seres humanos. (...) consequência do contínuo aumento do volume craniano.»
Coppens, na entrevista ao Público, tem razão ao vaticinar um futuro de super-sapiens cabeçudos: «Em vez de termos 1 500 centímetros cúbicos de volume craniano, o que não é nada, vamos ter 5 000 centímetros cúbicos.»
Curiosa a expressão «não é nada». Este é o momento de chamarmos ao palco um dos maiores estudiosos mundiais do cérebro humano, o lendário biólogo evolucionista John Eccles (Prémio Nobel de Medicina, 1961) que confirma: os Neandertalienses, há cem mil anos, tinham cérebros praticamente tão grandes como os nossos.
Esta gravura, do próprio Eccles, mostra quatro crânios fósseis vistos de perfil, sendo que os dois superiores (a) e (b) são modernos e os inferiores (c) e (d) representam o Homem de Neandertal. As diferenças são mínimas, sendo manifesto, contudo, que os crânios anatomicamente modernos descrevem uma caixa cerebral mais alta e mais redonda. Significará isso que nos distinguiremos dos Neandertalienses tão-só por um punhado de centímetros cúbicos acrescidos ao cérebro? Claro que não. Porque a evolução agrega não só a volumetria e a forma mas também e sobretudo a complexidade. E a uma velocidade cada vez maior. Mais cérebro, mais complexidade, mais velocidade. O nosso ritmo evolutivo é incomparavelmente superior ao percurso temporal que o Homo habilis fez para chegar a sapiens. Yves Coppens exemplifica com bom humor: «Apenas um bocadinho de cérebro a mais e sobe-se logo para o nível acima. Acontece como nos impostos: basta ganhar mais uns cêntimos para passar para o escalão superior e pagar três vezes mais...». Ou seja, não teremos de esperar cem mil anos para obter o acréscimo de "cubicagem" que nos separa dos Neandertalienses.
Mas... que papel desempenha Kim Peek na grinalda destes acontecimentos fantásticos? Inspirar-me-ei no estilo de Coppens para o exemplo seguinte, imaginando que o cérebro de Kim seria um supercomputador construído por nós próprios. Fomos escrupulosos e sábios em todo o processo de fabrico, equipámo-lo com um incomensurável espaço de memória, deveras inusual, porém cometemos a inadvertência de fazer todo esse trabalho na parca estrutura de um computador doméstico. O resultado imediato, tão logo o pusemos a funcionar, foi quase crashar. Mas aguentou-se, espantosamente. E armazenou a diluviana informação que sobre ele jorrámos. Infelizmente não foi possível evitar alguns danos colaterais. A todo o momento lhe detectamos deficiências de operacionalidade no sistema motor. Quando empreendermos a construção de um novo computador tentaremos suprir esse erro de desproporção física, procedimento jamais exequível em relação ao cérebro de Kim Peek.
A Ciência vangloriou-se com esta prova real do potencial inimaginável do cérebro humano, mas Kim Peek saiu derrotado. Uma vida tropeçuda de olhares e gestos enviesados, passos instáveis, palavras entarameladas. De nada valerá sabermos de cor toda a informação contida no Google e conseguirmos papaguear página a página as principais enciclopédias mundiais se, acto contínuo, tivermos de pedir a alguém o favor de nos meter o sapato no pé.
Lamento agora ter de encerrar com más notícias. O género Homo não existirá na Terra daqui a centenas de milhares de anos. Muito antes de alcançar os 5 000 centímetros cúbicos de volume cerebral, como pretende Coppens, este planeta, exangue, devastado, ter-se-á rendido. Estaria preparado, vá lá, para continuar a acolher o Homo erectus, esse pacóvio que não vai além de mil e picos centímetros cúbicos cranianos. Mais do que isso… logo começa a escangalhar a Criação.
No entanto, é possível que tal não signifique a extinção dos super-sapiens-cabeçudos. No apogeu evolutivo dos dois ou três mil centímetros cúbicos de cachimónia cerebral estarão aptos a migrar para as estrelas. Terão muito por onde escolher: cem mil milhões de destinos na nossa galáxia, entre cem mil milhões de outras galáxias.
Mas ai, coitadas das estrelas.
Cada ser humano integrará no cérebro toda a informação do Google acrescida das principais enciclopédias mundiais.
Mas esse dia está ainda um bocadinho longe. Ou talvez não.
Passou despercebida a morte recente de Kim Peek, o homem que no filme Rain Man inspirou a personagem principal, o inesquecível Raymon Babbit. Esta obra memorável de Barry Levinson, estreada em 1988, viria a ganhar quatro Óscares, incluindo o de melhor actor, Dustin Hoffman).
E, no entanto, poucos seres humanos terão concitado, durante a segunda parte do século XX, um tão grande interesse por parte da comunidade científica internacional. Kim Peek sofria desde o nascimento de uma singular enfermidade do espectro autista, deficiência associada à síndrome de Savant. Os "savants", como são denominados, não somam mais de dez por cento dos pacientes autistas, mas Kim Peek era especialíssimo, um "mega-savant" (apenas uma ou duas ocorrências por século). A sua capacidade de memorização era inacreditável, tanto que cientistas do mundo inteiro viajaram para os EUA porque descriam dos relatos difundidos pelas publicações médicas. De facto, Kim Peek retinha toda a informação que lia ou ouvia. Em contrapartida, deparava com dificuldades invencíveis para realizar os mais singelos actos quotidianos, como vestir-se ou calçar-se.
Era o pai, Fran Peek (ainda vivo e autor de um livro sobre o filho), quem tinha de o acompanhar para todo o lado, ajudando-o nas inúmeras e triviais tarefas diárias, ao longo de 58 anos de vida.
É longo, nesse livro e em revistas científicas, o repositório de "façanhas" de Kim Peek. Ingressa-se no género "a realidade ultrapassa a ficção". Tentemos uma síntese: com dois anos, Kim já conseguia ler e memorizava largos trechos dos livros; com 16 memorizou toda a obra de Shakespeare; em 2006, com 55 anos, Kim Peek sabia de cor 7 500 livros, entre os quais a Bíblia e volumosas enciclopédias. Depois disso foram enumerados 12 mil livros memorizados; todavia, por testemunho científico, o cômputo validado correspondeu apenas aos referidos 7 500.
A síndrome de Savant pode ser congénita ou adquirida após um dano cerebral. Característica recorrente nos "savants" é a de apresentarem, em termos volumétricos, grandes cabeças. Alguns cientistas observam cautelosamente nem sempre ser correcta a sinonímia grande cabeça = grande cérebro = grande inteligência, embora, no caso de Kim Peek, lhe tivesse sido reconhecida uma inteligência mediana ou mesmo acima da média.
Interessante coincidência, sem relação directa com Kim Peek: seis dias depois da sua morte, o diário Público preenchia mais de metade da primeira página com uma chamada para a entrevista de Ana Gerschenfeld, publicada no interior, com o paleontólogo francês Yves Coppens. Título: "Vamos tornar-nos cada vez mais cabeçudos". À pergunta "Como vamos evoluir?", Coppens responde:
«Vamos transformar-nos noutra coisa. Não em mil ou dois mil anos, mas mais para a frente: vejo um desenvolvimento do encéfalo, do cérebro, que vai tornar-se mais complexo, mais denso, mais rico em neurónios, com mais sinapses, mais volumoso também – o que quer dizer: partos mais problemáticos. Mas isso pode resolver-se naturalmente com uma redução do tempo de gestação, dando ao crânio da criança a possibilidade de crescer tranquilamente fora da barriga da mãe.»
Sorri. O escritor e cientista Carl Sagan é um dos meus dilectos. Morreu prematuramente, deixando uma obra magistral que gosto de revisitar.
Em Os Dragões do Éden Sagan apresenta ao leitor uma série de factos a partir dos quais desenvolve teorias cristalinas. Há cem mil anos, o cérebro humano já era um problema para as parturientes. Continua a sê-lo, cada vez mais, a ponto de violentar a própria biologia matricial. Somos únicos, irrepetíveis, acidentais. «O parto», nota Sagan, «só é doloroso para uma espécie de entre milhões existentes na Terra: os seres humanos. (...) consequência do contínuo aumento do volume craniano.»
Coppens, na entrevista ao Público, tem razão ao vaticinar um futuro de super-sapiens cabeçudos: «Em vez de termos 1 500 centímetros cúbicos de volume craniano, o que não é nada, vamos ter 5 000 centímetros cúbicos.»
Curiosa a expressão «não é nada». Este é o momento de chamarmos ao palco um dos maiores estudiosos mundiais do cérebro humano, o lendário biólogo evolucionista John Eccles (Prémio Nobel de Medicina, 1961) que confirma: os Neandertalienses, há cem mil anos, tinham cérebros praticamente tão grandes como os nossos.
Esta gravura, do próprio Eccles, mostra quatro crânios fósseis vistos de perfil, sendo que os dois superiores (a) e (b) são modernos e os inferiores (c) e (d) representam o Homem de Neandertal. As diferenças são mínimas, sendo manifesto, contudo, que os crânios anatomicamente modernos descrevem uma caixa cerebral mais alta e mais redonda. Significará isso que nos distinguiremos dos Neandertalienses tão-só por um punhado de centímetros cúbicos acrescidos ao cérebro? Claro que não. Porque a evolução agrega não só a volumetria e a forma mas também e sobretudo a complexidade. E a uma velocidade cada vez maior. Mais cérebro, mais complexidade, mais velocidade. O nosso ritmo evolutivo é incomparavelmente superior ao percurso temporal que o Homo habilis fez para chegar a sapiens. Yves Coppens exemplifica com bom humor: «Apenas um bocadinho de cérebro a mais e sobe-se logo para o nível acima. Acontece como nos impostos: basta ganhar mais uns cêntimos para passar para o escalão superior e pagar três vezes mais...». Ou seja, não teremos de esperar cem mil anos para obter o acréscimo de "cubicagem" que nos separa dos Neandertalienses.
Mas... que papel desempenha Kim Peek na grinalda destes acontecimentos fantásticos? Inspirar-me-ei no estilo de Coppens para o exemplo seguinte, imaginando que o cérebro de Kim seria um supercomputador construído por nós próprios. Fomos escrupulosos e sábios em todo o processo de fabrico, equipámo-lo com um incomensurável espaço de memória, deveras inusual, porém cometemos a inadvertência de fazer todo esse trabalho na parca estrutura de um computador doméstico. O resultado imediato, tão logo o pusemos a funcionar, foi quase crashar. Mas aguentou-se, espantosamente. E armazenou a diluviana informação que sobre ele jorrámos. Infelizmente não foi possível evitar alguns danos colaterais. A todo o momento lhe detectamos deficiências de operacionalidade no sistema motor. Quando empreendermos a construção de um novo computador tentaremos suprir esse erro de desproporção física, procedimento jamais exequível em relação ao cérebro de Kim Peek.
A Ciência vangloriou-se com esta prova real do potencial inimaginável do cérebro humano, mas Kim Peek saiu derrotado. Uma vida tropeçuda de olhares e gestos enviesados, passos instáveis, palavras entarameladas. De nada valerá sabermos de cor toda a informação contida no Google e conseguirmos papaguear página a página as principais enciclopédias mundiais se, acto contínuo, tivermos de pedir a alguém o favor de nos meter o sapato no pé.
Lamento agora ter de encerrar com más notícias. O género Homo não existirá na Terra daqui a centenas de milhares de anos. Muito antes de alcançar os 5 000 centímetros cúbicos de volume cerebral, como pretende Coppens, este planeta, exangue, devastado, ter-se-á rendido. Estaria preparado, vá lá, para continuar a acolher o Homo erectus, esse pacóvio que não vai além de mil e picos centímetros cúbicos cranianos. Mais do que isso… logo começa a escangalhar a Criação.
No entanto, é possível que tal não signifique a extinção dos super-sapiens-cabeçudos. No apogeu evolutivo dos dois ou três mil centímetros cúbicos de cachimónia cerebral estarão aptos a migrar para as estrelas. Terão muito por onde escolher: cem mil milhões de destinos na nossa galáxia, entre cem mil milhões de outras galáxias.
Mas ai, coitadas das estrelas.
Pedro Foyos
Jornalista
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Traço Descontínuo
Autobiografia - Rosa Lobato Faria
"...Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia. Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores, passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo. Fazíamos quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca aprendidas.
Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom.
Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.
E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).
Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.
Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.
Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.
Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves.
Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).
Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.
Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.
Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).
Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.
Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.
Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.
Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo.
Encontramo-nos no meu próximo romance..."
(esta auto-biografia foi escrita por Rosa Lobato Faria há dois anos e publicada no Jornal de Letras)
Enviada por Miss Sixty
Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom.
Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.
E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).
Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.
Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.
Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.
Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves.
Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).
Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.
Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.
Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).
Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.
Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.
Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.
Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo.
Encontramo-nos no meu próximo romance..."
(esta auto-biografia foi escrita por Rosa Lobato Faria há dois anos e publicada no Jornal de Letras)
Enviada por Miss Sixty
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Leituras em Dia,
O Poeta é um Fingidor
A Capa do Dia
Hoje só me apetece comentar uma manchete (...posso, não?).
PS quer publicar na Internet rendimentos dos cidadãos, e que tal começarem pelos rendimentos ( ilícitos) dos políticos?
PS quer publicar na Internet rendimentos dos cidadãos, e que tal começarem pelos rendimentos ( ilícitos) dos políticos?
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1ª Página
Mário Crespo enganou-se - Ferreira Fernandes
João Vieira Pereira, subdirector do Expresso, escreveu isto no Twitter, ontem: "Ferreira Fernandes critica [que] Crespo 'invoca testemunhas, mas não as revela', isto no DN que denunciou fontes de outro"... Critiquei? A sério?
João Vieira Pereira, subdirector do Expresso, é daqueles que quando lê "João Vieira Pereira, subdirector do Expresso", lê, entende, isto e só isto: "sub".
E isso é um drama. Dos subdirectores do Expresso e dos portugueses em geral.
Leiam a generalidade dos jornais ou ouçam, o que é quase igual, o Sô Bento da mercearia.
Eu escrevo curto porque tenho essa ideia do jornalismo, usar os pormenores para contar o que sei do mundo.
Tenho um infinito cuidado em dar um passo pequenino de cada vez.
Mas há sempre os que abrem os braços como os pescadores aldrabões - pensam que tudo é geopolítica. Ontem, o que eu quis dizer - e disse - foi que Mário Crespo é um bom profissional.
O que é notório, acrescentei também.
Então, se alguém ouviu dizer, como se disse, que Mário Crespo é um "impreparado profissional", a primeira questão é: foi dito? Mesmo?
Essa era a minha crónica de ontem: sobre a minha incredulidade de que alguém tivesse considerado Crespo um "impreparado profissional".
E não se veja nisto um elogio corporativo.
Sei que também há jornalistas sub.
Ferreira Fernandes in Um ponto é tudo ( Diário de Notícias)
João Vieira Pereira, subdirector do Expresso, é daqueles que quando lê "João Vieira Pereira, subdirector do Expresso", lê, entende, isto e só isto: "sub".
E isso é um drama. Dos subdirectores do Expresso e dos portugueses em geral.
Leiam a generalidade dos jornais ou ouçam, o que é quase igual, o Sô Bento da mercearia.
Eu escrevo curto porque tenho essa ideia do jornalismo, usar os pormenores para contar o que sei do mundo.
Tenho um infinito cuidado em dar um passo pequenino de cada vez.
Mas há sempre os que abrem os braços como os pescadores aldrabões - pensam que tudo é geopolítica. Ontem, o que eu quis dizer - e disse - foi que Mário Crespo é um bom profissional.
O que é notório, acrescentei também.
Então, se alguém ouviu dizer, como se disse, que Mário Crespo é um "impreparado profissional", a primeira questão é: foi dito? Mesmo?
Essa era a minha crónica de ontem: sobre a minha incredulidade de que alguém tivesse considerado Crespo um "impreparado profissional".
E não se veja nisto um elogio corporativo.
Sei que também há jornalistas sub.
Ferreira Fernandes in Um ponto é tudo ( Diário de Notícias)
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Crónicas dos Bons Malandros
Norman Rockwell o Pintor e Ilustrador do 'American Way of Life'
Confesso que se não tivesse sido o 'lembrete' do Google, não me iria recordar que hoje é dia de aniversário de um dos clássicos da ilustração norte-americana, e mundial - Norman Rockwell.
Criador de muitas, e minuciosas, imagens em que o 'american dream' de homens valentes e desajeitados, à maneira de James Stewart, e miudagem sardenta e traquina, inspirada no Tom Sawyer, é retratado de uma forma tradicional e conservadora, com toques de ironia, Norman Rockwell é um dos nomes incortonáveis da cultura contemporânea dos States. Parabéns Norman...
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PINTA Coteca
XXI - A letra B, de novo
Quando, a meio da tarde, voltei a casa e abri a porta, surpreendi-me com a caixa colocada no chão, mesmo junto à entrada.
Já não me lembrava da encomenda que a minha vizinha do lado me entregara nessa manhã e que eu para ali deixara sem lhe ligar importância nenhuma.
Mas, entretanto, muita coisa se passara.
Toda a conversa tida com a Cristina Almeida, ou ‘Foxy Lady’ como, por vezes, ainda continuava a achar mais adequado chamá-la, para além de assustadora em certos aspectos, fora agradável e esclarecedora.
Estava metido numa camisa de onze varas e, se queria sair deste caso com honra e proveito, tinha que ter muito cuidado com todas as atitudes que tomasse daqui para a frente.
Peguei na caixa. Encostei o ouvido à mesma, tentando perceber se algum engenho explosivo tiquetaqueava no seu interior.
Transportei-a para a bancada da cozinha.
O Leónidas olhava-me, de longe, com o ar antipático e sobranceiro de quem não está a gostar das mudanças introduzidas na nossa rotina diária.
Fui rasgando o papel grosso envolvente, com cautela, para não despoletar qualquer mecanismo sofisticado.
A série da Missão Impossível, do McGuyver e similares tinham - me dado elementos preciosos, na maneira de como lidar com tais situações.
Só que as explosões dentro do televisor são bem menos destrutivas que uma que, eventualmente, ocorresse na minha atraente cozinha decorada em preto, branco e cinza.
Meia hora depois, com a testa perlada de suor, apesar da casa não estar excessivamente aquecida, consegui atingir a caixa interior.
Uma caixa de uma conhecida marca inglesa de sapatos feitos por medida.
Abri-a, com a noção que no seu interior não iria encontrar calçado.
E, assim foi. Primeiro deparei-me com um envelope…
Dentro um cartão com breves linhas, assinadas pelo Comendador Salcedas.
“ Caro amigo
Envio-lhe mais material que certamente o ajudará no seu trabalho.
Dei ordens ao meu motorista para em caso de não o encontrar em casa entregar esta caixa à sua vizinha do lado.
Espero que não se importe
Abraço
A.S.”
Talvez andasse a ficar com o síndrome das conspirações mas, destas breves linhas, uma frase ressaltou .
“…à sua vizinha do lado”. Como é que o Comendador sabia que eu tinha uma ‘vizinha do lado’?
Não teria sido mais natural escrever ‘ um dos seus vizinhos’?
Observei o conteúdo da caixa…
Cartas amarelecidas, fotografias várias, um mapa velhinho dobrado em várias partes, um anel com uma grande pedra preta, uma bússola…
Adivinhava-se muito trabalho pela frente.
Possivelmente, nova noitada.
Lembrei-me, de repente, que convidara a Cristina para passar lá por casa para tomar café depois do jantar.
Aliás, perguntara-lhe se ela queria ir lá jantar mas ela, a pretexto de um anterior compromisso, escolhera a hipótese do café.
Parece-me que se esforça por manter a nossa relação num plano estritamente profissional
Recuei algumas horas, ao momento em que me tinha afirmado não querer ser cúmplice da minha morte…
Fora talvez essa a única vez, até essa altura, em que eu vi que por trás da imagem da mulher forte, segura e irónica, com uma resposta pronta e apropriada para todas as situações, existia uma mulher sensível e frágil.
Mas essa exposição durou apenas breves segundos.
Logo, logo, a máscara do profissionalismo voltou a cobrir o rosto de traços perfeitos, a linha da boca endureceu e os olhos perderam o breve orvalho da emoção.
“Mas agora o que temos que fazer é estudar uma estratégia que volte as coisas a nosso favor. Para que saiamos de toda esta confusão mais ricos, que é o que mais me interessa, mais famosos, no seu caso concreto e, mais importante que tudo o mais…com vida.”
Pedimos a conta e voltamos de novo para o carro.
Já dentro do bólide observámos, de novo, o casarão que me tinha sido indicado antes.
“ É ali que, todos os meses, se realizam duas reuniões dos Cavaleiros do Ocidente, com excepção de Janeiro que tem apenas uma.”
Pausa para acender o primeiro cigarro pós almoço.
“ Cada uma das reuniões, num total de vinte e três anuais, tem como tema uma letra.
O meeting de Janeiro foi subordinado à letra A, e este agora, o primeiro de Fevereiro andará à volta da letra B.”
Não deixei de achar curiosa, a coincidência.
Lá estava eu, de novo, às voltas com a letra B...
Já não me lembrava da encomenda que a minha vizinha do lado me entregara nessa manhã e que eu para ali deixara sem lhe ligar importância nenhuma.
Mas, entretanto, muita coisa se passara.
Toda a conversa tida com a Cristina Almeida, ou ‘Foxy Lady’ como, por vezes, ainda continuava a achar mais adequado chamá-la, para além de assustadora em certos aspectos, fora agradável e esclarecedora.
Estava metido numa camisa de onze varas e, se queria sair deste caso com honra e proveito, tinha que ter muito cuidado com todas as atitudes que tomasse daqui para a frente.
Peguei na caixa. Encostei o ouvido à mesma, tentando perceber se algum engenho explosivo tiquetaqueava no seu interior.
Transportei-a para a bancada da cozinha.
O Leónidas olhava-me, de longe, com o ar antipático e sobranceiro de quem não está a gostar das mudanças introduzidas na nossa rotina diária.
Fui rasgando o papel grosso envolvente, com cautela, para não despoletar qualquer mecanismo sofisticado.
A série da Missão Impossível, do McGuyver e similares tinham - me dado elementos preciosos, na maneira de como lidar com tais situações.
Só que as explosões dentro do televisor são bem menos destrutivas que uma que, eventualmente, ocorresse na minha atraente cozinha decorada em preto, branco e cinza.
Meia hora depois, com a testa perlada de suor, apesar da casa não estar excessivamente aquecida, consegui atingir a caixa interior.
Uma caixa de uma conhecida marca inglesa de sapatos feitos por medida.
Abri-a, com a noção que no seu interior não iria encontrar calçado.
E, assim foi. Primeiro deparei-me com um envelope…
Dentro um cartão com breves linhas, assinadas pelo Comendador Salcedas.
“ Caro amigo
Envio-lhe mais material que certamente o ajudará no seu trabalho.
Dei ordens ao meu motorista para em caso de não o encontrar em casa entregar esta caixa à sua vizinha do lado.
Espero que não se importe
Abraço
A.S.”
Talvez andasse a ficar com o síndrome das conspirações mas, destas breves linhas, uma frase ressaltou .
“…à sua vizinha do lado”. Como é que o Comendador sabia que eu tinha uma ‘vizinha do lado’?
Não teria sido mais natural escrever ‘ um dos seus vizinhos’?
Observei o conteúdo da caixa…
Cartas amarelecidas, fotografias várias, um mapa velhinho dobrado em várias partes, um anel com uma grande pedra preta, uma bússola…
Adivinhava-se muito trabalho pela frente.
Possivelmente, nova noitada.
Lembrei-me, de repente, que convidara a Cristina para passar lá por casa para tomar café depois do jantar.
Aliás, perguntara-lhe se ela queria ir lá jantar mas ela, a pretexto de um anterior compromisso, escolhera a hipótese do café.
Parece-me que se esforça por manter a nossa relação num plano estritamente profissional
Recuei algumas horas, ao momento em que me tinha afirmado não querer ser cúmplice da minha morte…
Fora talvez essa a única vez, até essa altura, em que eu vi que por trás da imagem da mulher forte, segura e irónica, com uma resposta pronta e apropriada para todas as situações, existia uma mulher sensível e frágil.
Mas essa exposição durou apenas breves segundos.
Logo, logo, a máscara do profissionalismo voltou a cobrir o rosto de traços perfeitos, a linha da boca endureceu e os olhos perderam o breve orvalho da emoção.
“Mas agora o que temos que fazer é estudar uma estratégia que volte as coisas a nosso favor. Para que saiamos de toda esta confusão mais ricos, que é o que mais me interessa, mais famosos, no seu caso concreto e, mais importante que tudo o mais…com vida.”
Pedimos a conta e voltamos de novo para o carro.
Já dentro do bólide observámos, de novo, o casarão que me tinha sido indicado antes.
“ É ali que, todos os meses, se realizam duas reuniões dos Cavaleiros do Ocidente, com excepção de Janeiro que tem apenas uma.”
Pausa para acender o primeiro cigarro pós almoço.
“ Cada uma das reuniões, num total de vinte e três anuais, tem como tema uma letra.
O meeting de Janeiro foi subordinado à letra A, e este agora, o primeiro de Fevereiro andará à volta da letra B.”
Não deixei de achar curiosa, a coincidência.
Lá estava eu, de novo, às voltas com a letra B...
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A Amante Misteriosa
Será por causa do acordo ?
Se ainda houvesse algumas dúvidas acerca da eloquência do senhor Presidente...
Não fiz, não faço, nem façarei!
Até agora, a declaração mais relevante sobre a crise no PSD foi produzida na Madeira.
E, claro está, por Cavaco Silva.
Disse o Presidente que não faz declarações sobre a vida dos partidos, acrescentando:
'Nunca o fiz, não faço, nem façarei!
Querem confirmar?
Oiçam no link selecionando:
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/portugal/Interior.aspx?content_id=913933
(para ouvir basta clicar na setinha junto do terminal do fio do microfone à esquerda)
Enviado por Contessa/Quimera
Não fiz, não faço, nem façarei!
Até agora, a declaração mais relevante sobre a crise no PSD foi produzida na Madeira.
E, claro está, por Cavaco Silva.
Disse o Presidente que não faz declarações sobre a vida dos partidos, acrescentando:
'Nunca o fiz, não faço, nem façarei!
Querem confirmar?
Oiçam no link selecionando:
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/portugal/Interior.aspx?content_id=913933
(para ouvir basta clicar na setinha junto do terminal do fio do microfone à esquerda)
Enviado por Contessa/Quimera
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Imagens da Nossa Terra
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Rosa Lobato Faria, Mulher dos 7 Instrumentos
Morreu hoje Rosa Lobato Faria, 77 anos, escritora, actriz e letrista portuguesa
Uma cara conhecida dos ecrãs da televisão, Rosa Lobato Faria estava internada há uma semana com uma anemia grave, mas há mais de meio ano que a artista sofria de complicações, motivadas por uma infecção intestinal.
Popularizada pelos vários papéis em séries televisivas como A Minha Sogra é uma Bruxa , Humor de Perdição (com Herman José) ou Nem o Pai Morre Nem a Gente Almoça , Rosa Lobato Faria participou também em vários filmes e escreveu numerosos romances, alguns dos quais em parceria com outras escritoras, como Alice Vieira ou Rita Ferro..
Da produção variada de Rosa Lobato Faria destacam-se, ainda, as letras de canções como "Amor de Água Fresca", "Chamar a Música", "Baunilha e Chocolate" e "Antes do Adeus", todas vencedoras nas respectivas edições do Festival da Canção.
Misturando, com alguma graça, o ar de 'tia' tradicional, com os seus tailleurs e colares de pérolas e a provocação sensual em muitos dos seus textos, a Rosinha, como os amigos lhe chamavam, escreveu muitos poemas, dos quais transcrevemos um, à laia de despedida.
Quem me quiser há-de saber as conchas
Uma cara conhecida dos ecrãs da televisão, Rosa Lobato Faria estava internada há uma semana com uma anemia grave, mas há mais de meio ano que a artista sofria de complicações, motivadas por uma infecção intestinal.
Popularizada pelos vários papéis em séries televisivas como A Minha Sogra é uma Bruxa , Humor de Perdição (com Herman José) ou Nem o Pai Morre Nem a Gente Almoça , Rosa Lobato Faria participou também em vários filmes e escreveu numerosos romances, alguns dos quais em parceria com outras escritoras, como Alice Vieira ou Rita Ferro..
Da produção variada de Rosa Lobato Faria destacam-se, ainda, as letras de canções como "Amor de Água Fresca", "Chamar a Música", "Baunilha e Chocolate" e "Antes do Adeus", todas vencedoras nas respectivas edições do Festival da Canção.
Misturando, com alguma graça, o ar de 'tia' tradicional, com os seus tailleurs e colares de pérolas e a provocação sensual em muitos dos seus textos, a Rosinha, como os amigos lhe chamavam, escreveu muitos poemas, dos quais transcrevemos um, à laia de despedida.
Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.
Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
Rosa Lobato Faria
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A Caixa que mudou o Mundo,
Leituras em Dia
XX - Os Cavaleiros do Ocidente
Mesmo, após alguma insistência da minha parte, a empregada continuou a afirmar que os dois homens que eu vira a almoçar, não passavam de criações da minha imaginação.
Tentei descrever melhor à ‘Foxy Lady’ aquele que eu observara bem, pois estava de frente para mim e não tirara os olhos dela.
“Bastante alto, de cabelo ondulado penteado para trás, blazer azul sobre camisa aberta, sem gravata …”
Percebi que despertara a atenção da minha companhia.” E sei que o conheço de qualquer lado. Penso que até o vi, recentemente, em qualquer coisa relacionada com as eleições…”
Pela maneira como a minha frase foi cortada, deu para entender que a arguta Cristina já deveria ter alguma suspeita acerca de quem eu estava a falar.
“ Bem, quem é que é esse meu ‘admirador secreto’ não interessa nada, de momento. Deixe-me, antes, contar-lhe toda a tramóia em que o Nuno está metido…”
Durante mais de uma hora, fui ouvindo o que parecia ser um argumento de filme de espionagem ou, melhor ainda, de um novo romance do John Le Carré.
Segundo a nossa head hunter, estava em curso uma conspiração de elementos muito poderosos, oriundos dos mais altos níveis do Poder – político, religioso, financeiro – que pretendiam tornar realidade o sonho de alguns, a unidade ibérica.
Entre essas pessoas, portuguesas e espanholas, contavam-se vários membros dos actuais, e passados, governos, alguns dos homens mais ricos de ambos os países, entre os quais o ‘nosso’ Comendador, figuras de destaque das artes, desportistas, enfim muitas das pessoas que estavam presentes, diariamente, nos noticiários mas, igualmente, outros, que manobravam na sombra.
Para os projectos megalómanos que tinham em mente - a união da península numa única e poderosa nação - eram precisos fundos inesgotáveis.
Apesar do investimento e apoio de alguns dos banqueiros envolvidos no projecto, embora, recentemente, duas dessas eminências pardas tivessem levado as instituições a que presidiam à mais vergonhosa e total falência, era, ainda, preciso muito mais capital.
“ E é aí que entra o Nuno…”
Abri a boca, num espanto sincero ”Eu?!??? Mas, as minhas poucas economias não chegam para nada…”
Nunca vira a ‘Foxy’ tão bem disposta”Ah, ah…não é por aí. O que eles esperam é que o Nuno consiga deslindar o mistério do Tesouro do Sindicato Libre.”
Esta expressão fez-me recuar ao manuscrito de Hemingway que me fizera estar acordado na véspera ( os meus dias estavam a ficar tão preenchidos que tudo parecia ter acontecido há mais de uma semana) e à sua fantasiosa teoria acerca de um tesouro colossal composto por jóias, ouros e quadros valiosíssimos envolvendo nomes como Goya, Velasquez e El Greco.
Todo esse espólio, que para o Nobel norte americano tinha o nome de Tesouro do Sindicato Libre, provinha dos roubos e pilhagens que o grupo de extermínio, com o mesmo nome, juntara após os assassínios dos principais militantes dos sindicatos existentes, muitos eles abastados comerciantes, industriais e membros de uma aristocracia liberal.
Com a dissolução da Companhia de Jesus, esse tesouro fora aumentado e, segundo a lenda, tinha sido escondido em Gijón, onde durante os 13 dias que durara a Comuna das Astúrias, não tinha sido deixada pedra sobre pedra na sua busca.
Sem qualquer resultado aparente…
Continuando, ainda, na versão ’hemingwana’ da história, esse imenso conjunto de peças, de uma riqueza incalculável, estava algures escondido em território luso e no seu manuscrito poder-se-iam encontrar as pistas necessárias para a sua descoberta.
E, era com a minha argúcia e conhecimento das metáforas do grande escritor que, aquele grande e poderoso grupo de conspiradores secretos, contava, para a descoberta do tal espólio que lhes resolveria todos os problemas materiais e lhes poderia dar o alento necessário para o arranque final do objectivo que tinha em vista – a unificação ibérica.
Nessa altura da história, senti a necessidade de fazer a pergunta que há muito me arranhava a garganta.
“ E porque é que a Cristina está a trair a confiança do seu cliente e a contar-me tudo isto?”
A resposta não se fez esperar. Frases curtas, sintéticas e incisivas, marca registada da minha interlocutora.
“As hipóteses são várias. Porque, associada a si, posso ter acesso a uma parte do quinhão. Porque tenho nojo de toda esta escumalha para quem trabalho há anos, demasiados anos…”
E, depois de breves segundos de intervalo “…ou porque, conhecendo os métodos dos Cavaleiros do Ocidente, como eles mesmo se baptizaram, sei que nunca deixam pontas soltas, atrás de si…”
Os olhos claros fixaram-me “ …e eu não quero ser cúmplice da sua morte!”
Tentei descrever melhor à ‘Foxy Lady’ aquele que eu observara bem, pois estava de frente para mim e não tirara os olhos dela.
“Bastante alto, de cabelo ondulado penteado para trás, blazer azul sobre camisa aberta, sem gravata …”
Percebi que despertara a atenção da minha companhia.” E sei que o conheço de qualquer lado. Penso que até o vi, recentemente, em qualquer coisa relacionada com as eleições…”
Pela maneira como a minha frase foi cortada, deu para entender que a arguta Cristina já deveria ter alguma suspeita acerca de quem eu estava a falar.
“ Bem, quem é que é esse meu ‘admirador secreto’ não interessa nada, de momento. Deixe-me, antes, contar-lhe toda a tramóia em que o Nuno está metido…”
Durante mais de uma hora, fui ouvindo o que parecia ser um argumento de filme de espionagem ou, melhor ainda, de um novo romance do John Le Carré.
Segundo a nossa head hunter, estava em curso uma conspiração de elementos muito poderosos, oriundos dos mais altos níveis do Poder – político, religioso, financeiro – que pretendiam tornar realidade o sonho de alguns, a unidade ibérica.
Entre essas pessoas, portuguesas e espanholas, contavam-se vários membros dos actuais, e passados, governos, alguns dos homens mais ricos de ambos os países, entre os quais o ‘nosso’ Comendador, figuras de destaque das artes, desportistas, enfim muitas das pessoas que estavam presentes, diariamente, nos noticiários mas, igualmente, outros, que manobravam na sombra.
Para os projectos megalómanos que tinham em mente - a união da península numa única e poderosa nação - eram precisos fundos inesgotáveis.
Apesar do investimento e apoio de alguns dos banqueiros envolvidos no projecto, embora, recentemente, duas dessas eminências pardas tivessem levado as instituições a que presidiam à mais vergonhosa e total falência, era, ainda, preciso muito mais capital.
“ E é aí que entra o Nuno…”
Abri a boca, num espanto sincero ”Eu?!??? Mas, as minhas poucas economias não chegam para nada…”
Nunca vira a ‘Foxy’ tão bem disposta”Ah, ah…não é por aí. O que eles esperam é que o Nuno consiga deslindar o mistério do Tesouro do Sindicato Libre.”
Esta expressão fez-me recuar ao manuscrito de Hemingway que me fizera estar acordado na véspera ( os meus dias estavam a ficar tão preenchidos que tudo parecia ter acontecido há mais de uma semana) e à sua fantasiosa teoria acerca de um tesouro colossal composto por jóias, ouros e quadros valiosíssimos envolvendo nomes como Goya, Velasquez e El Greco.
Todo esse espólio, que para o Nobel norte americano tinha o nome de Tesouro do Sindicato Libre, provinha dos roubos e pilhagens que o grupo de extermínio, com o mesmo nome, juntara após os assassínios dos principais militantes dos sindicatos existentes, muitos eles abastados comerciantes, industriais e membros de uma aristocracia liberal.
Com a dissolução da Companhia de Jesus, esse tesouro fora aumentado e, segundo a lenda, tinha sido escondido em Gijón, onde durante os 13 dias que durara a Comuna das Astúrias, não tinha sido deixada pedra sobre pedra na sua busca.
Sem qualquer resultado aparente…
Continuando, ainda, na versão ’hemingwana’ da história, esse imenso conjunto de peças, de uma riqueza incalculável, estava algures escondido em território luso e no seu manuscrito poder-se-iam encontrar as pistas necessárias para a sua descoberta.
E, era com a minha argúcia e conhecimento das metáforas do grande escritor que, aquele grande e poderoso grupo de conspiradores secretos, contava, para a descoberta do tal espólio que lhes resolveria todos os problemas materiais e lhes poderia dar o alento necessário para o arranque final do objectivo que tinha em vista – a unificação ibérica.
Nessa altura da história, senti a necessidade de fazer a pergunta que há muito me arranhava a garganta.
“ E porque é que a Cristina está a trair a confiança do seu cliente e a contar-me tudo isto?”
A resposta não se fez esperar. Frases curtas, sintéticas e incisivas, marca registada da minha interlocutora.
“As hipóteses são várias. Porque, associada a si, posso ter acesso a uma parte do quinhão. Porque tenho nojo de toda esta escumalha para quem trabalho há anos, demasiados anos…”
E, depois de breves segundos de intervalo “…ou porque, conhecendo os métodos dos Cavaleiros do Ocidente, como eles mesmo se baptizaram, sei que nunca deixam pontas soltas, atrás de si…”
Os olhos claros fixaram-me “ …e eu não quero ser cúmplice da sua morte!”
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A Amante Misteriosa
...Os Irmãos Metralha serão Portugueses ?!???
Não me perguntem qual a razão, mas hoje, depois de ter dado uma olhadela pelas notícias do dia, ter lido a crónica do Mário Crespo ( ver post abaixo), analisar a Capa do Dia, ver as espertezas 'saloias' em relação à falsa morte do Johnny Depp, ainda com a recordação fresca do Prós e Contras de ontem, deparei-me com esta imagem dos Irmãos Metralha, criação imortal de Carl Barks para os Estúdios Disney.
E achei, vá-se lá saber porquê, que toda a venalidade, impunidade e imunidade, com muita boçalidade à mistura, que se vive, hoje em dia, estavam aqui perfeitamente ilustradas...
E achei, vá-se lá saber porquê, que toda a venalidade, impunidade e imunidade, com muita boçalidade à mistura, que se vive, hoje em dia, estavam aqui perfeitamente ilustradas...
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ANIMA São,
Banda Desenhada
Mário Crespo - Crónica de uma Morte anunciada
O jornalista termina
colaboração com JN
após recusa
na publicação de artigo
O jornalista Mário Crespo terminou a sua colaboração como colunista no Jornal de Notícias, após ter sido informado que a sua coluna semanal de opinião – onde revelava conversas hostis de membros do Governo - não ia ser publicada no jornal.
O artigo em causa descreve conversas mantidas entre José Sócrates, o ministro da presidência, Silva Pereira, o ministro dos assuntos parlamentares, Jorge Lacão, e um executivo de media, onde os membros do governo se referiram a Mário Crespo como “mais um problema a resolver”.
O jornalista adianta ainda que entrou contacto com Zita Seabra, dona da editora Alêtheia, e ficou acordado que no dia 11 deste mês será lançado um livro de crónicas intitulado “A última Crónica”.
O livro arranca com o texto que não foi publicado e é constituído ainda por outros artigos escritos por Mário Crespo para o “JN” e para o “Expresso”.
colaboração com JN
após recusa
na publicação de artigo
O jornalista Mário Crespo terminou a sua colaboração como colunista no Jornal de Notícias, após ter sido informado que a sua coluna semanal de opinião – onde revelava conversas hostis de membros do Governo - não ia ser publicada no jornal.
O artigo em causa descreve conversas mantidas entre José Sócrates, o ministro da presidência, Silva Pereira, o ministro dos assuntos parlamentares, Jorge Lacão, e um executivo de media, onde os membros do governo se referiram a Mário Crespo como “mais um problema a resolver”.
O jornalista adianta ainda que entrou contacto com Zita Seabra, dona da editora Alêtheia, e ficou acordado que no dia 11 deste mês será lançado um livro de crónicas intitulado “A última Crónica”.
O livro arranca com o texto que não foi publicado e é constituído ainda por outros artigos escritos por Mário Crespo para o “JN” e para o “Expresso”.
Fim de Linha
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.
O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.
Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor.
Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”).
Fui descrito como “um profissional impreparado”.
Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente.
A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”.
Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.
Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”.
É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado.
Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar.
Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade.
Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta.
Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.
Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência.
Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”.
Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.
Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.
O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.
Foi-se o “problema” que era o Director do Público.
Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”.
Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.
Mário Crespo
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Crónicas dos Bons Malandros,
Divagando se vai Longe
A Capa do Dia
Funcionários públicos vão descontar mais para a ADSE, boa...
Bruno Alves punido depois de estalos, Boa...
Finanças regionais voltam à estaca zero, BOA...
Fracasso no sistema de faltas de alunos, BOA...
Governo pára quatro estradas e revê TGV, BOA...
Beyoncé voltou a bater recordes nos Grammys, BOA ( ...a rapariga é mesmo 'boa' !)
Bruno Alves punido depois de estalos, Boa...
Finanças regionais voltam à estaca zero, BOA...
Fracasso no sistema de faltas de alunos, BOA...
Governo pára quatro estradas e revê TGV, BOA...
Beyoncé voltou a bater recordes nos Grammys, BOA ( ...a rapariga é mesmo 'boa' !)
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1ª Página
Morte falsa de Johnny Depp para roubar informações pessoais
Um link sobre a morte do actor Johnny Depp, que circula na rede social Twitter desde o dia 29 de Janeiro, está a ser usado por “hackers” para roubar passwords e outras informações pessoais dos cibernautas.
Segundo este link de origem criminosa, Johnny Depp morreu num acidente de carro - devido a excesso de álcool -, em França.
Nas redes sociais, circulam links falsos da CNN News, que incluem uma fotografia e vídeos dos destroços do acidente inventado.
Muitos cibernautas reencaminharam a notícia sobre a morte do actor, o que fez de "Johnny Depp RIP" uma das mais comentadas no Twitter o que, por consequência, aumentou consideravelmente o boato da falsa morte.
Segundo este link de origem criminosa, Johnny Depp morreu num acidente de carro - devido a excesso de álcool -, em França.
Nas redes sociais, circulam links falsos da CNN News, que incluem uma fotografia e vídeos dos destroços do acidente inventado.
Muitos cibernautas reencaminharam a notícia sobre a morte do actor, o que fez de "Johnny Depp RIP" uma das mais comentadas no Twitter o que, por consequência, aumentou consideravelmente o boato da falsa morte.
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Fait Divers,
ICONS
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Uma Águia na 'capoeira'...
É bem verdade que no melhor pano 'cai a nódoa'...
O Afonso Viegas ( o último à direita) embora vivendo num 'covil de leões'(...mas amestrados!) é um Benfiquista ferrenho (...mas não será essa a mística dos 'encarnados'?).
E, assim, fez a sua estreia na 'Catedral', no passado sábado, no jogo Benfica- Guimarães, em que os visitados ganharam por 3-1.
Aqui fica a imagem histórica, registada pelo Mário Ortet, e onde se podem ver, da esquerda para a direita, o Diogo Caria, o Miguel e a Marta Barros, o Rúben Agostinho e o 'Homenageado'.
Força, Afonso, mantem sempre as tuas convicções...mesmo em ambientes adversos!!!
O Afonso Viegas ( o último à direita) embora vivendo num 'covil de leões'(...mas amestrados!) é um Benfiquista ferrenho (...mas não será essa a mística dos 'encarnados'?).
E, assim, fez a sua estreia na 'Catedral', no passado sábado, no jogo Benfica- Guimarães, em que os visitados ganharam por 3-1.
Aqui fica a imagem histórica, registada pelo Mário Ortet, e onde se podem ver, da esquerda para a direita, o Diogo Caria, o Miguel e a Marta Barros, o Rúben Agostinho e o 'Homenageado'.
Força, Afonso, mantem sempre as tuas convicções...mesmo em ambientes adversos!!!
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Amigos do Galo,
Fait Divers,
Imagens da Nossa Terra
Beyonce e Taylor Swift as grandes vencedoras dos Grammy
Beyonce triunfou ontem nos Grammy Awards, conquistando seis dos prestigiados prémios da música popular norte-americana, mas a sua jovem rival country-pop Taylor Swift acabou por garantir o galardão de álbum do ano.
Aos 28 anos, a rainha do R&B obteve o prémio de canção do ano para "Single Ladies (Put a ring on it)", confirmando o seu estatuto de grande favorita na 52ª edição dos Grammys, para a qual recebeu 10 nomeações.
No entanto, o seu álbum "I Am... Sasha Fierce" perdeu a corrida para "Fearless", de Taylor Swift, que, aos 20 anos, recebeu oito nomeações.
Para além do álbum do ano, Taylor Swift garantiu ainda mais três galardões.
Estas foram, pois, as duas grandes vencedoras dos Grammy deste ano.
Aos 28 anos, a rainha do R&B obteve o prémio de canção do ano para "Single Ladies (Put a ring on it)", confirmando o seu estatuto de grande favorita na 52ª edição dos Grammys, para a qual recebeu 10 nomeações.
No entanto, o seu álbum "I Am... Sasha Fierce" perdeu a corrida para "Fearless", de Taylor Swift, que, aos 20 anos, recebeu oito nomeações.
Para além do álbum do ano, Taylor Swift garantiu ainda mais três galardões.
Estas foram, pois, as duas grandes vencedoras dos Grammy deste ano.
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Música no Coração
A Imaginação não tem limites...
Estes são alguns bons anúncios de Imprensa, começando por um Exaustor de Fumos poderoso e treminando com uma Tomada, igualmente especial. Mas especiais são também todos os outros. Vejam o que alerta para o excessivo consumo do frigorífico, o do Tetris, o que incentiva a mais e melhor trabalho, o do design Ice Cream, o do Super Herói que é, afinal, a um cartão de jogos...Enjoy.
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Fun Ads
XIX - O Cantinho de São Pedro
Depois de nos termos sentado junto à janela, olhei à volta a decoração, com a rusticidade das pedras à vista, e recordei a forma, algo insólita, como se dera o meu primeiro encontro com aquele restaurante.
Alguns anos atrás, recebera a visita de um casal californiano, a Cherry e o Paul, recomendados por uma amiga minha, sua conterrânea.
A empatia surgiu, de imediato, e fiquei a saber que a sardenta e simpática Cherry tinha vivido a sua infância em Carcavelos, devido ao facto do pai ter sido CEO de uma qualquer multinacional.
Dessa época, tinha apenas vagas recordações, mas lembrava-se com muito carinho da sua nanny, uma portuguesa com quem ficara a corresponder-se, tipo cartão de Boas Festas, at Christmas time.
E era essa senhora que ela me pedia que a ajudasse a encontrar, passados mais de vinte anos sobre a última vez que se tinham visto.
Com algum trabalho detectivesco, e, confessemos, muita sorte, consegui descobrir que a ama portuguesa estaria agora a trabalhar no tal restaurante, onde neste momento a ‘Foxy Lady’ observava o exterior com o olhar incisivo e perscrutador, que era uma das suas imagens de marca.
Quando, um dia, à hora do jantar rumámos a Sintra, qual não foi a nossa surpresa ao descobrirmos que a tal senhora era afinal uma das três sócias do restaurante, juntamente com o marido e um cozinheiro francês que, mais tarde, saiu da sociedade.
Muitos risos, abraços e lágrimas à mistura, que terminaram com o convite para um jantar inesquecível onde fui apresentado a uns quenelles e uns crepes de lagosta divinais, que passaram a ser a minha escolha permanente, nas vezes seguintes, em que já sem os gringos, continuei a visitar ‘O Cantinho’.
E foram, de novo, esses mesmos pratos que resolvi escolher para partilhar com a minha companheira que, inquieta, continuava a olhar para o exterior, enquanto eu aproveitava para examinar, em pormenor, todos os outros comensais que dividiam a sala de refeições connosco.
A maioria eram estrangeiros, de meia idade e bom aspecto. Um casal jovem, com ar de estar em lua-de-mel dividia ternurices e a mesa junto a nós.
Numa outra, lá mais para o fundo, estavam dois homens no que, à primeira vista, poderia parecer um almoço de negócios, porém o que estava voltado para nós, uma figura que, mesmo sentado, se via ser de elevada estatura, não tirava os olhos da minha companheira.
Tal facto não era de estranhar dada a invulgaridade da beleza da mesma, mas havia algo no semblante do fulano que me fez fixá-lo melhor.
Aquela não era uma expressão de quem vê uma mulher pela primeira vez.
O seu rosto transformara-se e mostrava admiração, desejo e uma intensidade de sentimentos que me assustou.
Além disso eu conhecia aquela cara de qualquer lado.
Seria da política, do jornalismo, alguma ligação ao Cinema? Sentia que seria por aí…
E até mesmo o nome, tinha-o debaixo da língua.
Algo relacionado com uma ave…
Águia, Condor…Gavião?
Nesse momento, chegaram os quenelles de pescada, e a Cristina Almeida, pareceu, finalmente relaxar, tendo atacado a iguaria com um evidente prazer.
“Cada vez aprecio mais o peixe” afirmou-me com um sorriso cativante, servindo-se de uma garfada generosa “ como é que descobriu esta maravilha?”
Resumi-lhe a história que vos contei acima e ela riu-se com uma gargalhada que lhe fez brilhar os olhos
“ Ah, então Nuno já tem experiência como detective. Talvez, no futuro, essa experiência lhe venha a ser útil…”
Resolvi aproveitar aquela maré de boa disposição, que como já tinha percebido poderia não durar muito, para lhe perguntar “ A Cristina conhece aquele fulano alto que está na mesa lá do fundo?”
Quando olhámos os dois, a mesa estava vazia…
Chamei a empregada.
“Sabe como é que se chamam os senhores que acabaram agora de almoçar e que estavam naquela mesa?”
A empregada, respondeu-me de olhos baixos “ Desculpe mas deve estar enganado…naquele lugar, hoje, ainda não se sentou ninguém…”
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A Amante Misteriosa
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