quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mais Catarina, já !

"...Assim como há raivas atravessadas na garganta, à espera de serem cuspidas cá para fora com um amargo que envenena com o tempo, também há louvores que, de tanto nos adoçarem o coração, nos vamos recusando a soltar, guardando-os só para nós.
Comigo é assim com a Catarina Portas.
Gosto dela há mais de 20 anos e admiro tudo o que ela faz e não faz.
À portuguesa, digo-o a toda a gente menos a ela. Chega.
Ontem, no P2, maravilhei-me a ler o artigo sobre os três quiosques da Catarina em Lisboa, escritos e descritos por Alexandra Prado Coelho, ainda por cima.
São difíceis de escrever estes elogios.
Parecemos bolinhas de amor à espera de serem injectadas por uma chuva de setas ácidas que sibilam "Mas o que é que nós temos a ver com isso?"
No caso da Catarina, muito.
Mesmo que visite Lisboa de vez em quando, o trabalho dela melhora instantaneamente a qualidade estética e sensual do nosso dia-a-dia.
Como é cosmopolita, sabe escolher e readaptar, sempre para melhor, os pedaços mais aprazíveis e civilizados da vida portuguesa.
É esse o nome da loja dela e assenta-lhe bem, com toda a inteligência, elegância e imaginação da autora e dona.
Como é de esquerda, consegue livrar-se do elitismo e da nostalgia que costumam contaminar estas recuperações.
Os refrescos e as sanduíches são exclusivos e deliciosos, mas, crucialmente, também são baratas e acessíveis a todos.
Suspiro.
Pela primeira vez tenho pena de não viver em Lisboa outra vez..."

Miguel Esteves Cardoso

Enviado por Alv ega

Nota do Galo : A loja de Catarina Portas a que o MEC
se refere, "Vida Portuguesa", fica na Rua Anchieta 11,
ao Chiado, perto da Livraria Bertrand.
Quanto aos quiosques são três, para já, chamam-se
"Quiosques de Refresco" e localizam-se na Praça das Flores,
no Príncipe Real e na Praça Luís Camões.
Os dois primeiros estão abertos das 7h30 da manhã até à meia noite
e o do Camões fecha uma hora mais tarde

Um comentário:

  1. Moira de Trabalho29 de abril de 2009 17:26

    A loja dá vontade de comer.
    Não as coisas que lá estão; a loja mesmo.

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