
sábado, 21 de novembro de 2009
Os Galos Mexicanos

Vamos lá fazer um Teste
Comecemos por um fácil.Ora, digam lá o nome de todos os actores que interpretaram
a figura de James Bond, agente 007.
Da esquerda para a direita, please...
E, agora, compliquemos just a little bit...Quem são estes consagrados Realizadores de Cinema?
A Capa do Dia
Oliveira Costa diz que está falido, coitadinhodo Costa; Godinho ganhou seis contratos
no Exército esta semana, coitadinho do Godinho;
Oposição vai travar os contentores de Alcântara,
coitadinhos dos contentores;
juristas não se entendem
sobre a legalidade da destruição de escutas,
coitadinhos de NÓS...
As más companhias - Miguel Sousa Tavares
Manda a verdade que se diga, porém, que estes dois golpes de audácia de José Sócrates em abono de um amigo e compagnon de route político foram devidamente medidos: aparentemente, Sócrates contava com o silêncio e aceitação cúmplice com que toda a classe empresarial e financeira recebeu a meteórica ascensão de Armando Vara aos céus da banca e o take-over do PS sobre o BCP, como se de coisa naturalíssima se tratasse. O escândalo não ultrapassou as fronteiras da opinião pública, de modo a perturbar o núcleo duro do regime. E isso foi um primeiro sinal do nível de promiscuidade aceite entre o político e o económico a que estamos agora a assistir. E, em silêncio sempre, toda a classe empresarial clientelar foi assistindo a uma série de notícias perturbadoras sobre operações bancárias a favor de algumas empresas ou investidores que, por acaso certamente, pertencem ao tal núcleo duro do regime, que goza do favor político da actual maioria. Sempre escrevi aqui que, em minha opinião, o problema do PS não é o que ele deixa de fazer em benefício dos pobres, mas o que faz e consente em benefício dos potentados. O fascínio com o grande capital e os grandes negócios (inspirados, promovidos ou pagos pelo Estado) é a perdição do PS. Aos poucos, este PS tem vindo a copiar o modelo de gestão introduzido por Alberto João Jardim na Madeira: negócios privados com oportunidades e dinheiros públicos, em troca da solidariedade política para com o Governo. Um capitalismo batoteiro, com chancela 'social' e disfarce de 'interesse público'(...).
(...)Como se tudo isto não fosse já alarmante, eis que a justiça implodiu de vez e à vista de todos, em sucessivas cenas lamentáveis na praça pública. A coisa ficou tão anárquica que já se tornou normal ver os jornalistas irem pedir opiniões sobre os casos mediáticos pendentes aos sindicatos dos juízes e do Ministério Público! Não fosse a PJ (única entidade da justiça que ainda merece algum crédito) e um seu investigador de Aveiro, e a 'Face Oculta' nunca teria conhecido a luz do dia ou teria logo patinado. Mas, como os maus hábitos nunca se perdem, eis que tudo já entrou na normalidade, com as escandalosamente normais fugas do segredo de justiça a invadirem a imprensa, tratando de sabotar alegremente uma investigação até aqui conduzida num exemplar silêncio e profissionalismo. E já só pode dar vontade de rir (ou de chorar!) assistir ao espectáculo único de ver os dois mais altos magistrados do país - o presidente do Supremo e o PGR - trocando galhardetes de antiga amizade fundada em rivalidades sindicais, empurrando um para o outro as malditas escutas entre Armando Vara e José Sócrates. Seja qual for o conteúdo de tão sensível material, e mesmo que jamais o venhamos a saber, eles conseguiram já o pior de todos os resultados: instalar uma suspeita mortal sobre o primeiro-ministro e o funcionamento da própria justiça, que não tem reparação possível. É, de facto, notável que o único cidadão deste país que não entende que há coisas que não podem esperar dois meses ou até oito dias para serem reveladas, seja o cidadão que ocupa o lugar de procurador-geral da República! Realmente, o lugar parece estar amaldiçoado e desde há muito.
Junte-se então um governo cujo primeiro-ministro é dado a companhias comprometedoras, um sistema em que se fundem e confundem o político e o económico, o público e o privado, uma justiça que verdadeiramente se tornou cega e surda, mas não muda, um Presidente da República que se desautorizou a si próprio no pior momento, e um país onde as noções de interesse público e serviço público já quase se perderam por completo sem vergonha alguma, e tudo isto começa já a cheirar indisfarçadamente mal.
Cheira a fim de regime e só os loucos ou os extremistas é que podem achar isso uma boa perspectiva para o futuro.
Miguel Sousa Tavares in Expresso
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
O Funeral de Deolinda
Para um qualquer transeunte menos informado, a fila imensa que seguia o carro funerário lembrava o cortejo fúnebre de um artista de novela famoso, um jogador de futebol de primeira linha ou, no mínimo, de um político bem popular.
A longa procissão, que envolvia desde carros topo de linha aos fuscas mais remendados da cidade, misturava os senhores do crime que queriam demonstrar o seu apoio a Sérgio Cassini com elementos do povaréu, comovidos com a morte brutal daquela portuguesa na flor da idade e esperançosos de entreverem algumas figuras gradas do society local.
As viaturas seguiram a passo de caranguejo pela Rua do Jardim Botânico, por entre choros convulsivos e aplausos dos passantes que projectavam para o acontecimento o gosto pelo dramalhão mexicano e pela folia constante, sentimentos contrastantes, ou talvez não, que são dos mais queridos do povo brasileiro.
O percurso pela Rua Umaitá continuou vagaroso, até chegarem ao cemitério de São João Batista, onde uma multidão aguardava para se despedir de mais uma infeliz vítima do criminoso desconhecido, mas a que a imaginação popular já dera contornos de cérebro do Mal.
No momento em que os famosos começaram a sair das suas limusines e carros blindados, ouviu-se um bruááá imenso…
Dezenas de socialites, turbinadas pelo bisturi de Ivo Pittanguy e sucessores, ombreavam, lado a lado, com as vedettes do show bizz, podendo reconhecer-se o mulherão que é Cláudia Raia, amparada pelo marido, Regina Duarte e o seu eterno sorriso de orelha a orelha, que não seria o mais apropriado para a ocasião, ladeada pelos manos Caetano, enquanto o ex-Ministro da Cultura, Gilberto Gil, conversava com a ex- governadora de São Paulo Martha Suplicy,
sua colega pêtista.
O cemitério de São João Batista, sem “p” à boa maneira brasileira, situa-se no bairro do Botafogo, na Real Grandeza.
Tendo sido inaugurado há mais de 150 anos, ocupa uma área considerável e alberga muitas das figuras mais importantes da Cultura brasileira, com destaque para o Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, onde estão muitos dos “Imortais” da mesma.
Quando o ataúde da nossa heroína desceu do carro fúnebre fez-se um silêncio respeitoso entrecortado aqui e ali por lamentos vários.
Logo atrás do caixão, caminhavam, de braço dado, Gabriela Torres e Sérgio Cassini. Um casal de grande beleza física, representantes máximos, pelo menos na aparência, de uma elite bafejada pela perfeição física e pela riqueza.
Teodorico, um pouco mais atrás, olhava-os com inveja, perdido nos seus sentimentos contraditórios.
Começava a odiar aquela mulher que lhe despertara uma paixão violenta para agora o tratar com soberana indiferença…mas ao mesmo tempo, desejava-a de uma maneira tão total, como nunca o sentira antes.
Nota do "Galo"
Nunca fiz uma chamada de atenção como esta. "Bullying" e praxes cruéis em Portugal: história inédita de uma reportagem
Comemoram-se hoje em todo o mundo civilizado os cinquenta anos da sucinta Declaração Universal dos Direitos da Criança e os vinte anos da Convenção sobre os Direitos da Criança – o tratado internacional com maior número de adesões.Mais importante que as extremosas manifestações que sempre envolvem estas efemérides será alertar para o tanto que falta fazer, também em Portugal, no sentido de intervir e prevenir a violência na escola. É o que procurarei fazer neste texto, não na perspectiva de profissional da educação, que não sou, tão-só na de jornalista que há anos acompanha o tema específico da "violência infanto-juvenil entre pares".
Beatriz Pereira, in "A Escola e a Criança em Risco"
SUICÍDIO "POR CAUSA INDETERMINADA"
Comecei a interessar-me especialmente pelo fenómeno negro do "bullying" (tirania juvenil, de forma continuada, em ambiente escolar) há três anos, quando circulou a notícia do suicídio de um jovem estudante português, numa localidade do Norte. As primeiras notícias referiam um «acto de desespero por causa indeterminada", porém um ou outro órgão de informação avançaria mais tarde que não seria alheio à tragédia o clima de violência «no estabelecimento de ensino frequentado pelo estudante.» O que na ocasião deu maior visibilidade ao caso, diminutamente noticiado, viria a ser o insurgimento público de algumas personalidades das ciências da educação contra a forma como em Portugal se ignorava ou subestimava o suicídio juvenil, não raro encoberto sob a falácia da "causa indeterminada". Destacaram-se nesse movimento dois prestigiados pedagogos, Beatriz Pereira, professora e investigadora do Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho, e Alexandre Ventura, do departamento de Ciências da Educação da Universidade de Aveiro, que alertaram para o facto de o suicídio de jovens no País estar relacionado muitas vezes com o "bullying", embora nunca assumido como tal. Beatriz Pereira, co-autora da obra notável citada na epígrafe e de outras congéneres, já passara pelo trauma de três suicídios nas escolas onde leccionara (dois rapazes e uma rapariga). Sempre "por causa indeterminada".
Aos depoimentos somou-se na internet uma avalancha de testemunhos dramáticos. As vítimas, de costume resignadas a sofrer em silêncio, ganhavam coragem e começavam a desocultar-se. Muita gente – eu próprio – apercebia-se da amplitude inimaginável do problema. Lendo aqueles relatos de sevícias indizíveis, não surpreendia que alguns jovens mais introspectivos e fragilizados tentassem a fuga por meio do suicídio.
A nossa colega mergulhara no poço mais escuro da natureza humana, sobremaneira insuportável ao ter de render-se a uma cruel constatação: não eram adultos os protagonistas das cenas atrozes, antes jovens com idades entre os dez e os quinze anos. Debatia-se agora com um terrível dilema: era urgente denunciar, mas a denúncia poderia acarretar mais sofrimento para as vítimas, porventura a morte. E não era só o caso do "Francisco". Em meia dezena de escolas existiam outros "Franciscos" sob outros nomes fictícios: o caso da "Sara" (a "Vaca"), o "Daniel" (o "Orelhas")... De pouco valeria alterar os nomes se fossem identificadas as escolas. Também estas, em consequência, teriam de ser omitidas. A reportagem corria o risco de converter-se numa suspeitosa montagem de ficções e de omissões. Um medo insidioso apossou-se da jornalista ao inferir, dos avisos do "Francisco", que ela própria corria, de facto, um sério risco. Vieram-lhe à memória olhares de desconfiança que vislumbrara nas escolas, antes e depois de contactar pessoalmente elementos dos respectivos conselhos executivos. «Eles vão matar-me. E também vão matar a senhora.»
Por isso se predispunha, a nossa colega, a desistir. Acompanhei o caso de perto.
Um elemento da direcção do jornal (notável jornalista com quem mantive durante largos anos um companheirismo profissional bem vivo na minha memória), soube do que se passava e interveio de uma forma ponderada. Para ele era crucial que a jornalista estivesse certa de que eram verdadeiros os factos a noticiar. Sendo essa a situação, a reportagem seria publicada com alteração dos nomes das vítimas, e das escolas nomear-se-iam apenas as respectivas regiões (arredores de Lisboa, Margem Sul, etc.). Entretanto, na véspera da publicação, o jornal comunicaria por via directa e formalmente a cada um dos conselhos executivos escolares os nomes verdadeiros das vítimas, com vista às emergentes medidas de protecção das mesmas e informação aos pais. Pediu-se à jornalista um esforço adicional: reencontrar alguns dos jovens entrevistados e fotografá-los com máscaras por forma a impedir em absoluto a identificação dos mesmos.
Assim se fez.
O Ministério da Educação esclarecia, por esse tempo, que o "bullying" em Portugal representava apenas cinco por cento dos problemas do sistema de ensino.
"CATÁLOGO" INFINDO DE HORRORES
Nesse mesmo mês ressurgiu a eterna controvérsia à volta das praxes cruéis. Evocou-se a morte do jovem Diogo Macedo, em Famalicão, durante um ritual praxístico que lhe provocou múltiplas escoriações corporais, além da fractura de uma vértebra cervical (causa da morte, segundo a autópsia). Outro jovem sofrera edema na laringe em resultado de uma prova "popular" denominada "Berraria" (o caloiro é forçado a berrar durante horas, perseguindo um insecto ou um pequeno vertebrado prepositadamente mutilado para lhe dificultar a locomoção).
Subindo de escalão etário, desviemo-nos por momentos do “bullying” infanto-juvenil. As crianças vítimas de “bullying” tornam-se mais tarde, com frequência, agressivas. No limite reencontramo-las como autoras das “chacinas de vingança” como as ocorridas sobretudo em estabelecimentos de ensino norte-americanos. Pedagogos consideram que alguns dos mais inclementes universitários praxantes (os “veteranos”) foram outrora crianças agredidas física e psicologicamente de forma continuada. E os praxados de hoje serão os praxantes de amanhã, tendendo a “refinar” os actos da chamada “tradição académica”.
Encontram-se documentadas em vídeo ou por meio de registos fotográficos algumas praxes insuportavelmente bárbaras. Menciono quatro:
"Shot". O praxado mastiga uma malagueta, após o que ingere um "shot" de vinagre e azeite.
Simulação de actos sexuais. A rapariga caloira simula fazer sexo oral com os "veteranos" ou praticando outros actos com um poste. O rito completo passa por simulação de orgasmos.
"Barrelada". Corte de pêlos púbicos (há dois anos, um jovem sofreu ferimentos graves no escroto).
"Elefante Pensador". O praxado, de joelhos, deve mergulhar a cabeça num balde cheio de excrementos de porco ou de vaca (esta praxe confinava-se à Escola Agrária de Santarém, crê-se ter cessado).
Admite-se que mais de 50 por cento dos rituais praxísticos que continuam a praticar-se em Portugal são «ofensivos, intimadores e violadores da dignidade da pessoa humana». O "catálogo" de praxes é infindo. Numa extensa reportagem dedicada ao tema, a jornalista Fernanda Câncio fez uma síntese lapidar: «Há praxes para tudo, ou de tudo nas praxes» .
O "CORREDOR DA MORTE"
Retornando à reportagem do Diário de Notícias. O mais jovem testemunho chegado ao jornal era o de um menino de oito anos que usava a expressão "corredor da morte" para designar uma espécie de praxe na sua escola cuja singularidade era prolongar-se por todo o ano lectivo. Com fantasioso exagero e a propensão tão habitual nas crianças para captar palavras e ditos do quotidiano audiovisual, o "corredor da morte" era de facto um corredor formado por duas fileiras de alunos do 2º ciclo que batiam (pontapés, "carolos") nos novatos do 1º ano obrigados a fazer aquele percurso. Quem chorasse teria de passar segunda vez. E todos recebiam ameaças de morte se denunciassem aos pais ou professores as agressões. «Por que fazem isso aos vossos colegas mais novos?» – perguntou a jornalista. Resposta:. «Fizeram-me o mesmo quando vim para a escola.» Resposta idêntica darão os universitários "veteranos" promotores das praxes.
Ainda antes de publicada a reportagem, soubemos que o "Francisco" se encheu de coragem e contou à mãe o que se passava com ele na escola. O pai assumiu pessoalmente a protecção do filho, recorrendo à colaboração de um polícia amigo.
Pelo menos dois jovens citados naquela investigação jornalística ("Daniel" era um deles) foram transferidos para outras escolas.
E poucos meses depois, em Fevereiro de 2007, comecei a delinear um novo livro ao qual daria o título de Botânica das Lágrimas.
O Homem Emparedado
A primeira vez que aquele paciente entrou no meu consultório, pareceu-me uma pessoa equilibrada e racional.Mas, só até ter aberto a boca.
"Doutor, as paredes da minha casa estão a mover-se e a fazer com que as divisões fiquem cada vez mais pequenas".
Na vez seguinte, já lhe achei um ar mais paranóico e desvairado."Doutor, tem que ir ver a minha casa. A sala, onde já dei festas para 50 pessoas, está mais pequena que este seu gabinete".
Durante mais de um mês, em todas as consultas semanais em que o via, ouvi-lhe as queixas da redução do quarto para uma espécie de canil, da grande cozinha transformada em kitchinette, da sala num hall de entrada.Abaixo o Regime, Viva o Gordo - Jô Soares
No princípio eram as trevas.Aí Deus criou o couvert.
Depois do couvert vieram as entradas, depois das entradas, o pernil.
Depois do pernil veio a farofa, a maionese e o feijão tropeiro, além da cerveja, é claro, bem gelada, que não podia faltar.
Deus achou tudo aquilo muito bom mas achava que faltava um doce.
Aí apareceu o quindim, depois do quindim veio o café.
O café e um licor.
E a conta. A gordura é a desgraça do mundo moderno.
Vendo que estava engordando, tomei uma coca cola e uma decisão drástica: vou comer menos.
E para mostrar que não estava brincando entrei imediatamente num Mc Donald's e pedi um Big Mac sem cebola.
Começou aí o meu regime. Sim, pois o primeiro passo para quem decide começar uma dieta é, antes de mais nada, escolher entre os milhares de métodos de regimes à disposição.
Logo eu que gosto de tudo... que como tudo... Como até aquele queijo do Mc Donald's que é feito do mesmo material da caixinha em que vem o sanduíche.
O gordo vive eternamente revoltado com a natureza.
Por que só a cerveja dá barriga? Por que alface não dá barriga? Por que agrião não dá celulite?
Está tudo errado no mundo, menos o pastel do Álvaro's.
O primeiro sentimento de quem começa uma dieta é o de revolta.
A vida passa a ser igual comida de hospital - não tem graça nenhuma.
Dá vontade de acabar com tudo, a começar pelo que tem na geladeira, continuando a fúria devastadora de Gengis Khan até a loja de doces que colocaram na esquina só pra te sacanear.
O emagreando (ou regimando), é um indivíduo macambúzio, triste e cabisbaixo.
Para ele nada faz sentido, só uma empadinha.
A balança, depois da roleta do ônibus, é a sua maior inimiga.
No geral, todas as dietas seguem o mesmo princípio: nada que é gostoso pode!
E o pior são os médicos de dieta querendo convencer você das delícias do chuchu, do sabor da cenoura, que um tomate no lanche substitui um Big Bob e que o chá de camomila relaxa mais que um chopp.
Só quem ganha com os regimes são os médicos de dieta, que devem gastar todo o dinheiro em banquetes monumentais, em porres homéricos nos congressos que eles organizam só pra contar piada e zombar dos pacientes que eles deixaram suspirando na frente de uma folha de alface.
Mas como você não consegue emagrecer, o jeito é ir para um Spa.
Alguns indivíduos têm de ser trancados em jaulas para agüentar a rotina do Spa.
Num Spa um irmão esfaqueia o outro por causa de uma bomba de chocolate, o marido estrangula a e esposa por um cream-cracker.
Fugitivos destes campos de alimentação, quando conseguem escapar dos cães farejadores de comida, andam quilômetros para buscar refúgio na padaria mais próxima.
Quando voltam para casa, vários quilos mais magros, cheios de rugas e cicatrizes, trazem a marca de quem escapou vivo do inferno e mais tarde, nas noites frias de inverno, contam para seus netinhos como pagaram uma fortuna por um cheese-burguer sem catchup!
Comida pra ser boa tem que fazer mal, dar dor de barriga: mocotó, feijoada, leitão à pururuca, rabada, xinxim de galinha, vatapá, caruru, bobó, barreado, virado à paulista, baconzitos, cheesito s, doritos, pizza, batata frita de latinha, cheeseeggtudoburguer com molho e sem alface, bacalhau à zé do pipo, salame, salchichão e, é claro, o porco como um todo!!!!!
Isso sim é que é comida de verdade!
Comida só funciona com culpa. E tem mais: se a gula é um pecado, o inferno deve ser ótimo pra fazer churrasco.
Ninguém no sábado depois do almoço bate na barriga satisfeito e vai puxar um ronco depois de comer uma salada.
Ninguém convida um amigo: "vai sábado lá em casa que vai ter alfaçada".
É mais fácil perder um amigo se você fizer um convite desses do que os 30 quilos que estão sobrando!
Jô Soares
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Já só faltam 5 dias !!!

Teo enche a cara e pega um porre
A notícia da morte de Deolinda Simões foi abertura do Jornal Nacional.
Não por se tratar de um assassinato.
No Rio ocorrem dezenas de crimes violentos por dia e, por isso, já não são novidade, a não ser quando a vítima, o assassino ou o método utilizado saem da vulgaridade.
Era o caso.
Uma detective portuguesa, mulata e bonita, um serial killer perseguido pela polícia de vários países e um empurrão de um dos pontos turísticos da cidade.
Uma pessoa cair, melhor dizendo, ser projectada lá do alto, voar dezenas de metros em queda livre e parar, bem lá em baixo, completamente desmembrada, é insólito até mesmo no Rio, onde o mais insólito se torna, rapidamente, corriqueiro.
Uma verdadeira tripla.
Teo tinha sabido da triste notícia algum tempo antes,
graças a um telefonema de Marcos Tupinambá.
Quando mostrou vontade de se dirigir à morgue, necrotério segundo o policial brasileiro, este afirmou peremptório que o cadáver de Deo não era a coisa mais linda de se ver, que seria melhor guardar da ajudante a imagem da moça bonita, sorridente e prestável que ela era até algumas horas antes.
Teodorico Santana acedeu, contrafeito, mas reconheceu que o brasileiro tinha razão.
Não queria guardar ad eternum, a recordação de um monte de membros destorcidos ou de uma cabeça partida em bocados…
Subiu até ao bar do hotel , no topo do edifício, com uma varanda de onde se avistavam as praias desde o Leme até ao Arpoador.
A altura a que se encontrava, reforçou-lhe a angústia de imaginar a sua velha, ou melhor dizendo, nova, amiga, cúmplice de tantas horas, ombro para tantas dores de corno, a cair desamparada no abismo.
Os três primeiros whiskies bebeu-os de um só trago.
Depois perdeu-lhes a conta e começou a ver tudo enevoado.
A viagem que, de início, lhe parecia vir a trazer grandes proveitos, financeiros, amorosos e profissionais, estava a revelar-se um autêntico fracasso.
Depois do adiantamento inicial, ocorrido ainda em Lisboa, nunca mais recebera um euro, nem sequer um real, e as despesas tinham disparado em flecha.
A nível amoroso, após o clímax ocorrido , na véspera, no motel, Gabriela Torres mal lhe digira palavra e sempre que o fizera fora, apenas, para o manter no seu lugar.
Por fim, a nível profissional, o caso estava a revelar-se um fracasso, ainda maior.
Os assassínios continuavam a suceder-se e pistas, nada…
O perfil dos homens do grupo da Gabriela fazia, de todos eles, excelentes suspeitos, mas isso não era o suficiente.
E, agora, a morte da compatriota tinha sido a machadada final…
Teo sentia-se entontecido, sem grande discernimento, mas uma ideia começou a formar-se, ganhou consistência e veio rebentar à superfície, por entre os vapores etílicos.
Tinha que vingar a morte de Deolinda.
...Tinha que deitar a mão ao autor d’”Os Crimes do Galo”
A argamassa alegórica dos muros metafóricos - Ricardo Araújo Pereira
de construtores civis da metáfora,
de patos-bravos da figura de estilo
- o que não tem mal nenhum
As carinhosas irmãs vicentinas que me educaram até à quarta classe suportaram o meu ateísmo sem o mais pequeno queixume.
E suportaram-me a mim com o mesmo silêncio, o que é ainda mais notável. O facto de não terem tentado sequer convencer-me a fazer ao menos o baptismo revela um respeito tão firme pela liberdade religiosa que chega a comover-me.
Por outro lado, pode dar-se o caso de não terem querido oferecer um sacramento ao pecadorzinho pertinaz que, sem dúvida nenhuma, perceberam que estava ali a despontar.
Também comove: senhoras que viviam em reclusão, com pouca experiência do mundo real, conseguiam mesmo assim topar um selvagem aos seis anos.
Mas, mesmo não tendo desperdiçado proselitismo que lhes fazia falta para salvar almas mais merecedoras da salvação, ainda assim ensinaram-me canções religiosas.
Esta semana, recordei uma que se chamava Os muros vão cair.
É interessante quando certos pormenores da biografia do cronista se adequam ao tema tratado na crónica, não é?
Ficamos com a sensação de que o tempo passa pelo mundo e pelo cronista do mesmo modo, que deixa em ambos a mesma marca, e sobretudo que o mundo e o cronista têm a mesma importância, o que é especialmente agradável. (Para o cronista. Para o mundo, é relativamente desprestigiante.) Por isso, sempre que posso invento um facto biográfico que se relacione com os principais acontecimentos da semana.
Desta vez, não precisei de fazê-lo. As freiras ensinaram-me mesmo a música político-religiosa Os muros vão cair, que falava de muros metafóricos em geral para falar do muro de Berlim em particular.
A esta distância, constato que as vicentinas tinham duplamente razão: dez anos depois, o muro de Berlim caiu mesmo, e 20 anos depois da queda as metáforas sobre muros continuam pujantes.
Quando, na passada segunda-feira, se comemorou o aniversário da queda do muro, ficou claro que as metáforas com muros estão para o muro de Berlim como a pergunta "Queria, já não quer?" está para os clientes dos cafés que, por educação, fazem o pedido no pretérito imperfeito.
A queda do muro é uma efeméride que, ano após ano, ouve sempre as mesmas piadas.
Todos, mas mesmo todos os comentadores lembraram outros muros que, à semelhança do de Berlim, devemos derrubar.
O muro da intolerância, o muro da injustiça ou o muro da desigualdade social foram alguns dos muros mais citados.
E todos, mas mesmo todos, apontaram a seguir as pontes que devem ser construídas nas ruínas dos muros.
A ponte da esperança e a ponte do entendimento entre os povos foram as duas infra-estruturas metafóricas mais referidas.
Se juntarmos a estes muros e pontes as auto-estradas da informação, percebemos que as metáforas sobre obras-públicas são, sem dúvida nenhuma, as mais populares do espaço público português.
Somos um povo de construtores civis da metáfora, de patos-bravos da figura de estilo - o que não tem mal nenhum.
Estou só a observar um fenómeno sem o julgar.
Por favor, não me enfiem no túnel da incompreensão.
Ricardo Araújo Pereira in Boca do Inferno (Visão)
Anatomia
"Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que nas mulheres fica muito melhor"
Millôr Fernandes
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Sodade(s) de Cabo Verde - A Ilha do Fogo
Há muito ligada, no meu espírito, a uma coreografia de Pina Bausch, criada para a EXPO 98, em Lisboa - Mazurka Fogo - muitas vezes me interroguei sobre que magia tão especial a Ilha do Fogo teria exercido sobre aquela Mulher para, dela e também da sua música, ir retirar tanta e tamanha inspiração. De facto, para além das muitas "caricaturas" que nos dá das gentes de Lisboa, existe em "Mazurka Fogo" uma força telúrica de olhares e sentires nascidos naquela Ilha. Foram precisos mais de dez anos, mas creio que, finalmente, percebi...
A Ilha do Fogo é um lugar mágico
É uma terra de gente cheia de morabeza, que herdou dos rios de lava negra das erupções de 51 e 95, a grandiosidade esmagadora daqueles desfiladeiros, a descer até ao mar para, lá no fundo, se fundirem com as longas praias de areia preta e com o branco da espuma das ondas.
Exaltação pelo mistério do desconhecido!
No avião, de regresso a Santiago, a visão daquela Ilha provocava-me já muita sodade, nascida, certamente, daquele mesmo enamoramento de que fala Alberoni...
Pedro Almodóvar, no seu magnífico filme "Fala com Ela", também ele feito de desmesura e intensidade, utiliza na banda sonora uma mazurka - Raquel - maravilhosamente interpretada por Bau, o músico do Cavaquinho, do Violão e da Guitarra de dez Cordas, que fabrica, artesanalmente, os seus próprios instrumentos.
http://www.youtube.com/watch?v=TqUr3dpopNc&feature=related
Pina Bausch, que passou algum tempo na Ilha do Fogo, sempre "sentiu" o que fazia...
Terra da memória
há sempre uma impossibilidade
feita de terra espessa
ou de coisa nenhuma
afogando nas lágrimas um segredo último
e apertando no coração
a memória do primeiro segredo.
O Galo ganha Asas
Marcos Tupinambá estivera em desacordo com a ideia de Deo, desde o primeiro minuto.
Mal lera no papel” Vista Chinesa.7 horas”, ainda junto à porta do Copacabana Palace, sentira que aquela estória iria acabar mal.
A explicação da moça, por quem se sentia cada vez mais atraído, não o ajudara a ficar mais descansado.
Uma ténue suspeita, sem nomes nem factos a alicerçarem-na, um misterioso encontro, num local muito difícil de vigiar…
Mas a patrícia era teimosa, havia que reconhecê-lo, e valente, não hesitando em dizer-lhe que com, ou sem, a sua aprovação ela iria estar a tempo e horas no local do encontro, mesmo que para tal fosse necessário pegar um táxi.
Perante essa decisão, e porque já percebera ser-lhe muito complicado negar algum pedido que viesse daquele lado, Marcos limitou-se a gerir a crise e tentar diminuir os seus efeitos que poderiam vir a ser, como se comprovou, devastadores.
O microfone, que a convencera a deixar-lhe prender no peito, fizera-o entrever uns seios morenos com toque aveludado, o que não contribuíra em nada para a necessária frieza de raciocínio e manutenção do seu nível, geralmente alto, de profissionalismo.
Depois de deixar a jovem na Vista Chinesa, Tupinambá escondera a viatura num trilho estreito, longe da vista de eventuais curiosos.
As árvores frondosas eram a camuflagem perfeita e dispôs-se a esperar.
Habituado a muitas horas de vigília, perseguindo suspeitos, tinha trazido um termos com café, um sanduíche de bauru e um gibi com as últimas tiras da Rêbordosa.
Instalou-se confortável, deu duas dentadas na sandes e engoliu um gole de café.
Praparava-se para iniciar a leitura dos quadrinhos do Angeli, quando escutou no transmissor a voz de Deo.
“1,2,3, experiência…1,2…”
Sorriu, para consigo mesmo, mas essa alegria foi sol de pouca dura.
Logo de seguida, ouviu-se o som de um forte embate e o inconfundível grito de um corpo em queda.
E, depois o silêncio…
Sem saber bem como, Marcos percorreu as poucas centenas de metros que o separavam da Vista Chinesa.
Uma coisa era certa, embora de momento isso não lhe servisse de consolação.
O assassino não poderia escapar.
O trilho que acabara de percorrer, era o único acesso para chegar lá ao topo.
A outra possibilidade …era pelo ar.
Quando chegou à Vista Chinesa esta estava vazia.
Nem Deo, nem sombras do assassino…
Depois, ouvindo ao longe um ruído, olhou o céu sem nuvens.
Lá à frente, mergulhando em direcção a São Conrado, um asa delta de forte colorido, afastava-se numa planagem perfeita.
O assassino fugira pelos céus da Guanabara…
terça-feira, 17 de novembro de 2009
10 Homens e uma Mulher
numa corda, num helicóptero.
Eram dez homens e uma mulher.
Como a corda não era forte o suficiente para
segurar todos, decidiram que um deles
teria que se soltar da corda.
O grupo não conseguia decidir quem,
até que, finalmente,
a mulher disse que se soltaria da corda,
pois as mulheres estão acostumadas a largar tudo
pelos seus filhos e, até, pelo marido,
dando tudo aos homens e recebendo pouco
ou nada de volta e que os homens,
como sendo a primeira criação de Deus,
mereceriam sobreviver, pois eram também
mais fortes, mais sábios
e capazes de grandes façanhas...
Quando ela terminou de falar,
todos os homens começaram a bater palmas.
Nunca subestime o poder
e a inteligência de uma mulher...
Enviado por Paula Bárbara
A Vista Chinesa
Contudo, a pronta reacção de D. Pedro II, que mandou replantar muitas espécies naturais, tornou aquela área de mais de 3,3 mil hectares, numa das maiores florestas urbanas do mundo, com uma flora rica e diversificada.
Ipês-amarelos, angicos e jequitibás abrigam saguis, quatis, tatus, tamanduás e uma profusão de pássaros, voando em total liberdade.
Era ao som dessas aves que Deo estava atenta, pois os conselhos repetidos, à exaustão, por Marcos Tupinambá, já a começavam a cansar…
Pela enésima vez, o brasileiro dizia, enquanto conduzia o carro, emprestado por um colega, pelo trilho ladeado de cachoeiras
“Tenha cuidado com o cara, moça. Se você acertou no palpite, ele já matou, no mínimo, cinco mulheres. E matar mais uma…”
A Vista Chinesa, ponto do encontro marcado nessa manhã, construída em homenagem à comunidade asiática e ao trabalho desenvolvido na plantação de chá em terras brasileiras, ergue-se num dos pontos mais altos da floresta, propiciando uma vista magnífica sobre a cidade, com destaque para a Lagoa Rodrigo de Freitas e toda a malha urbana que a rodeia.
Um ponto mágico, entre o inferno das favelas e a paz das alturas.
Deo extasiada com a visão panorâmica a que tinha acesso pela primeira vez, não se conseguia alhear de tudo o que se passara desde a sua saída do Copacabana Palace, nessa mesma manhã, na companhia do policial.
Quando mostrara a este o papel que lhe tinham passado, ele exclamara:
“ Vista Chinesa? 7 horas? Que significa isto?”
Em poucas palavras, mas sem entrar em detalhes, nem identificar as personagens, Deo contara-lhe tudo e ouvira a primeira chamada de atenção do dia.
“Nem pensar nisso é bom, Deozinha: O local é muito isolado e esse pessoal não está brincando, não…”
Muita conversa mole e persuasão depois, Marcos acedeu, desde que ele a levasse, ficando a vigiar por perto. E uma condição mais…
Que ela o deixasse colocar-lhe um microfone, para ficarem em permanente contacto, e ele poder avançar ao menor sinal de perigo.
Era nesse aparelhómetro que Deo tocava ao de leve, lembrando a atrapalhação do brasileiro quando, na colocação do micro, lhe pressionara os seios.
Uma sensação bem agradável, suspirou a detective, ensaiando, em tom de brincadeira: “1, 2, experiência…1,2…”
A vista lá em baixo era deslumbrante.
Deolinda, excitada, não deu pela sombra que se aproximava.
O forte empurrão fê-la voar sobre o murete de protecção e cair no vácuo.
Depois, fez-se escuro…
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Surrealismo(em)Comprimido
Desde o acidente, nunca mais saira de casa.Criara um mundo idílico à sua medida.
Céu sempre azul, com algumas nuvens brancas de neve.
Prados infinitos, verdes, frescos e macios.
O sol a iluminar as paredes.
Uma temperatura constante, nem muito fria, nem quente.
Mas, naquele dia, encheu-se de coragem e resolveu sair.
Enfrentar, de novo, o mundo lá fora.
Abriu a janela.
Só que, pelo sim pelo não, levou o guarda chuva...
Moleskine
Sítios. Principalmente sítios a visitar.
E também nomes de músicas, avulso. Conforme se ia lembrando.
Também livros. Que não queria deixar de ler.
Fora sempre muito organizada. Aqueles caderninhos pretos arrumavam-lhe os assuntos e assim até parecia que a vida estava arrumada. Como ela gostava.
O primeiro trouxera-lho uma amiga, de Paris, com cheirinho ao Maio de 68.
Cá, nem sabiam o que isso era.
Usou-o como bandeira. Intelectual. Libertária.
Mantinha esse costume antigo, do tempo em que de ouvido colado ao gira-discos, caçava letras de músicas.
Agulha para cá, agulha para lá.
Até acertar, vezes sem fim, na faixa certa. Horas nisto, enquanto sonhava.
E apontava no Moleskine.
Tantas folhas para letras de canções, outras tantas para livros, muitas para sítios.
Sítios, onde sonhava ir.
Depois chegou ele.
O Moleskine continuou a organizar-lhe a vida.
Mais por recordações. Factos novos, muito poucos.
Lembra-se de quando os domingos se espreguiçavam, entrando sem cerimónia nas manhãs de segunda-feira.
E ele sussurava-lhe ao ouvido.
Amor é tarde. Pediste para te acordar mais cedo.
Olhou o caderno e desfolhou-o. Organizado. Como ela gostava.
Primeiro, alguns Poemas.
Amor é fogo que arde sem se ver...
Depois, letras de canções, ordenadas por tendências, acompanhando o evoluir dos tempos.
Love is a many splendored thing…
O Amor é louco. Não faças pouco dessa loucura...
Amor é bossa-nova, sexo é carnaval…
Sítios, muitos. Onde o Amor aconteceu.
Olhou para trás, no tempo.
Ensaiou uma definição.
O Amor está definido por tanta gente!
O que fazia ela, ali? Ás voltas, à procura do indefinível!
Arriscou.
O AMOR É tudo isto. E o céu também.
Santa Ignorância
http://www.youtube.com/watch?v=yuBGHWAo2tw&feature=fvw
A Capa do Dia
Agentes da PSP ganham metade do ordenado dos inspectores da PJ e do SEF, têm que aprender a ser poupadinhos; hospitais travam infecção à entrada com testes a doentes, é para poupar nas vacinas; Sporting poupa 33mil€/mês com Carvalhal, o clube tem que ganhar nalguma área; a semana dos interrogatórios dos notáveis, não os poupem, não os poupem...A atenção é o Dólar - Miguel Esteves Cardoso
está disponível para download,
a custo zero,
num blogue associado
a uma grande universidade brasileira.
Os meus livros sempre andaram por aí, na Internet.
Mas nunca tão descaradamente.
Ontem vi que O Amor É Fodido está disponível para download, a custo zero, num blogue associado a uma grande universidade brasileira.
Os meus livros sempre andaram por aí, na Internet. Mas nunca tão descaradamente.
Não só não me importo como acho uma honra ser, como se diz, pirateado.
Não é só pelo facto de eu próprio ser um pirata. É porque o mundo mudou.
A moeda mudou. Dantes a moeda era a posse.
A propriedade nunca esteve em causa. Comprava-se uma cópia de um disco para poder ouvi-lo. Comprava-se um bilhete de acesso àquele livro ou àquele filme.
Agora a moeda é a atenção. As pessoas só têm um xis número de minutos para dedicar às coisas que outras pessoas fazem para entretê-las.
Há milhões de bandas e coisas para ler e ver, de graça - e gratas pelo tempo que lhes concedamos.
Compram-se menos discos mas vendem-se mais bilhetes para concertos.
As pessoas pagam pela atenção de cá virem, de se mostrarem, de nos ouvirem, de respirarem o mesmo ar e de partilharem a vergonha de dizerem "Olá Portugal" ou "Boa noite, Matosinhos!"
Tudo isto está certo; tudo isto é esperto; tudo isto é facto.
Já (quase) ninguém paga para ter acesso a uma coisa já feita.
Querem vê-la a ser feita - ou, pelo menos, reproduzida.
Entretanto, aqueles que se fazem escassos e não se prestam a aparecer para serem apalpados têm de agradecer a atenção que nos pagam os que nos lêem e ouvem e vêem de borla.
Pagam-nos em tempo e em preferência.
É uma moeda valiosa, a atenção.
Miguel Esteves Cardoso
Make my Day
Alegria indisfarçada da Deo, que estava um verdadeiro avião, temor nos venezuelanos, ódio no capanga brasileiro, ironia em Velic, desprezo do lado do Sérgio, curiosidade no detective português, partilhada também por um magricela de óculos Ray-Ban e uma soberana indiferença por parte da ex-modelo, ex-actriz ou lá o que era a dondoca Cassini...
domingo, 15 de novembro de 2009
A nova Vacina

Vinho tinto usado para prevenir gripe
Um zoo da Sibéria adoptou
uma vacina sui generis para evitar
uma eventual gripe entre macacos
Veterinários de um jardim zoológico na Sibéria, Rússia, encontraram uma espécie de "vacina" para prevenir uma eventual gripe entre os macacos. Nada mais do que doses diárias de vinho tinto.
Os responsáveis do parque de Krasnoiarsk garantem que "50 gramas de vinho" são suficientes para prevenir a gripe, seja qual for a estirpe, segundo a edição de hoje do jornal russo Komsomolskaia Pravda.
"A gripe, tanto H1N1, como a normal, propaga-se em todo o lado. Os macacos podem ser infectados porque o seu organismo se assemelha muito com o dos humanos", argumentam.
O método parece agradar aos animais que, segundo os veterinários, bebem o vinho com satisfação e tentam, muitas vezes, roubar as garrafas.
EXPRESSO
A Pessoa Certa

Pensando bem em tudo o que a gente vê e vivencia
e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa faz tudo certinho!
Chega na hora certa, fala as coisas certas,
faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor...
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
que é pra na hora que vocês se encontrarem
a entrega ser muito mais verdadeira.
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
Essa pessoa vai tirar seu sono.
Essa pessoa talvez te magoe e depois te enche de mimos pedindo seu perdão.
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você.
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo,
porque a vida não é certa.
Nada aqui é certo!
O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo,conseguindo...
E só assim, é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade, tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente...
Luís Fernando Veríssimo

















































