sábado, 15 de maio de 2010

Adeus até ao teu regresso, Luiz. Até já, Margarida...

"...Ei-los que partem
novos e velhos
buscando a sorte
noutras paragens
noutras aragens
entre outros povos
ei-los que partem
velhos e novos..."


Era assim que Manuel Freire cantava a ida dos nossos emigrantes, rumo a destinos que lhes eram recusados na nossa terra.
Geralmente pessoas sem estudos ou preparação técnica que encontravam lá longe, à custa de muito trabalho físico, as condições mínimas de subsistência que não conseguiam alcançar por estas bandas.

Mas o que se passa agora é ainda mais preocupante e penoso.
São os jovens mais talentosos e bem preparados que procuram trabalho(...vidas?) noutras paragens.
São os técnicos experientes e com notáveis currículos que se vêm obrigados a deixar a sua terra, filhos, família e amigos, para poderem exercer o seu trabalho com dignidade e continuidade.
Muitas vezes a soldo de empresas estrangeiras...

Este Portugal em que vivemos não premeia o esforço, a exigência, a qualidade.
Os privilégios vão para os colegas de Partido, clube ou 'capelinha'...
A honestidade, palavra e frontalidade passaram a ser defeitos.
O laxismo, o 'jeitinho', o 'mais ou menos', palavras de ordem.
De 'orgulhosamente sós' (...e atrasados, e na cauda da Europa) passámos a 'envergonhadamente acompanhados'(...e atrasados, e na cauda da Europa).

E qual o porquê desta minha diatríbe, nesta manhã meio cinzenta de sábado (...mas não andará tudo meio acizentado por estas bandas?), qual a razão próxima deste texto algo amargo sobre partidas, eu que sempre conjuguei todas as formas do verbo ir?

Porque há meses o meu Amigo Luiz se viu forçado a deixar casa e filhos, amigos e família (não necessariamente por esta ordem) e rumar a Angola para prosseguir uma vida profissional rica de experiências e sucessos mas que, pelos vistos, já não tinha aplicação neste recanto onde os jobs são para os boys, independentemente da sua filiação política.
Claro está que com todo o seu dinamismo e criatividade o Luiz está a fazer da sua experiência angolana algo de proveitoso e enriquecedor. Mas não o poderia fazer, igualmente, mais perto de todos nós?

E agora, amanhã mais precisamente, é a vez da Margarida rumar para o mesmo destino...
Já o 'outro' dizia "Para Angola, em força..."
Nunca terá pensado que iria acertar em pleno.
Angola oferece a muitos bons profissionais, experientes e sabedores, as oportunidades que este projecto de país eternamente adiado não consegue proporcionar-lhes.
E o país fica cada vez mais pobre, cada vez mais mediocre...
Porque a Margarida e o Luiz fazem falta a Portugal.
Fazem falta aos Filhos e Pais que cá deixam.
Falta aos Amigos.

Fazem-me falta a mim.
Voltem depressa.

3 comentários:

  1. Margarida Ferreira dos Santos15 de maio de 2010 09:12

    Obrigada João, também tu me farás falta.
    O país está como o descreves, de facto quase impossível de se aguentar! Não escolhi, mas acho que foi a altura certa para aceitar este convite. Será mais um desafio nos meus percursos africanos e a possibilidade de responder ao irresistível apelo do sul que sinto sempre.
    Nos próximos meses andarei entre Lisboa, Luanda e Maputo...por aqui também.
    Até já!

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  2. Excelente texto o do "ADEUS.....".
    Mais não digo por ser este o meu país...

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  3. Margarida...
    O nosso amigo João, sempre a surpreender-nos...
    Volta, ainda mais esplendorosa!

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