sábado, 11 de abril de 2009

Brio Profissional

Bateu à campainha com insistência, como era seu hábito.
O carrilhão cheio de trinados ecoou por toda a casa.
A porta abriu-se e a jovem morena capciosa
recebeu-o com um sorriso tão aberto, como a dita cuja.
Beijaram-se sôfregos no hall de entrada e, logo,
subiram, apressados, até ao andar de cima. Ao quarto de dormir.
As dezenas de almofadas que estavam sobre a cama
voaram em todas as direcções.
Amaram-se debaixo dos lençóis. Uma luz suave coava-se pela janela.
Algum tempo depois, o homem vestiu-se.
A jovem morena, meio adormecida, sorriu-lhe, ao de leve.

Na porta da casa ao lado, bateu com os nós dos dedos.
A campainha, sabia bem, não funcionava.
Quando a loura, falsa como já constatara, o recebeu
empurrou-a de encontro ao roupeiro do vestíbulo
e, foi mesmo ali , que se possuíram em silêncio
mas com violência q.b.
Depois, ainda a sentou sobre a cómoda da entrada
para uma última despedida.
Ajeitou as roupas e atirou-lhe um beijo.

Antes de tocar a campainha da terceira casa, olhou o relógio.
Estava ligeiramente atrasado. Tinha que se apressar um pouco mais…

…para conseguir fazer, durante a manhã, toda a distribuição
da correspondência e pequenas encomendas.

6 comentários:

  1. Quantas vezes toca o carteiro nesta estoria?

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  2. Moira de Trabalho12 de abril de 2009 14:33

    Que profissão inteligente...
    Além de Funcionário Público ainda é Empresário em nome individual.
    Isto, sim, é empreendedorismo. Ponham os olhos nestas oportunidades, meus amigos!
    Façam uma "perninha" - se bem que neste caso é outra parte anatómica - sempre que possam!

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  3. Posso jurar, com eventual pena minha, que este não é o carteiro da minha zona.

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  4. Este carteiro devia receber um subsídio para vitaminas e suplementos alimentares.

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  5. Tem graça embora, mais uma vez, as mulheres, em casa sem fazerem nada, não saiam muito bem da história.Mas tem graça, já não é mau...

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  6. Diz ao carteiro que pode levar encomenda em minha casa várias vezes ao dia.

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