quarta-feira, 1 de abril de 2009

O Grito

Sufocado entre a multidão de seres iguais,
tentei soerguer-me, respirar o ar que previa existir
acima daquelas cabeças.
Por um breve segundo, senti o beijo do vento frio.
Um grito, há muito reprimido, soltou-se.
Foi um pequeno instante, que valeu uma eternidade.

Depois a multidão, envolveu-me, de novo.
E lá segui, rumo a coisa nenhuma.

8 comentários:

  1. Para começo de dia, um verdadeiro pesadelo...

    ResponderExcluir
  2. Belo texto a ilustrar, na perfeição, o quadro do Edvard Munch.

    ResponderExcluir
  3. Pode ser tão libertador um grito.

    ResponderExcluir
  4. Só que gritos individuais não se ouvem...
    O grito deveria ser da multidão.

    ResponderExcluir
  5. Excelente texto.
    E ao lê-lo, só me recordava de Soren Kierkegaard: "A Multidão é a Mentira".

    ResponderExcluir
  6. Pequenino, mas com um belo par de...frases!

    ResponderExcluir
  7. Margarida Ferreira dos Santos1 de abril de 2009 12:27

    O "rumo a coisa nenhuma" consegue ser ainda mais sufocante do que a formatação da "multidão de seres iguais"!

    ResponderExcluir
  8. É como eu me sinto alguns dias.
    Belo poema/conto.

    ResponderExcluir