quinta-feira, 2 de abril de 2009

Tristão e Isolda - Richard Wagner

Wilhelm Richard Wagner nasceu em Leipzig, na Saxônia,
terra onde já tinham vivido outros artistas famosos,
como Bach, Schumann, Mozart, Mendelssohn e Goethe.
O pequeno Richard foi criado num ambiente artístico,
mas não musical, onde tudo que dizia respeito ao teatro o atraía.
O conteúdo dos guarda-roupas de suas irmãs actrizes
"exercia uma sedução sutil, um tal charme
sobre minha imaginação, que meu coração
batia loucamente quando eu tocava
um daqueles vestidos",
afirmou Wagner na sua autobiografia, Mein Leben.
Em 1828, Wagner começou a estudar harmonia
e dois anos mais tarde iniciou lições de violino,
assim como de técnicas de sonata.
Antes de fazer dezanove anos, já tinha composto
duas sonatas para piano, um quarteto de cordas,
uma ária para soprano e duas aberturas.
Iniciou então os estudos na Universidade de Leipzig,
tendo no ano seguinte, composto uma sinfonia
executada pela orquestra da Gewandhaus,
e muito bem recebida pelo público
A primeira ópera completa de Wagner,
Die Feen (As Fadas) foi escrita
em 1834, mas só estreou
após a sua morte.
A primeira ópera do músico,
apresentada ao grande público,
Das Liebesverbot
foi um fracasso de proporções colossais,
que abriu um rombo gigantesco
nas já combalidas finanças do compositor.
Em fins de 1836, no meio de um casamento infeliz,
as dívidas de Wagner tinham-se acumulado de tal modo
que ele corria o risco de ir parar na prisão.
Os seus credores estavam espalhados por toda a Alemanha,
e a única solução que ele teve foi fugir do país.
Depois de uma longa série de complicações em Riga, Paris, Dresden,
Veneza e Zurique, (onde viria a terminar Tristão e Isolda),
que envolveram actividades revolucionárias, cenas de adultério
e brigas passionais, rodeadas sempre de gastos luxuosos,
num exílio que duraria 11 anos ,
Wagner viria a ser chamado por Luís II da Baviera, grande admirador
do seu talento, que lhe concedeu uma pensão anual
que permitiu ao compositor viver,com todo o conforto,
numa mansão perto da casa de verão do rei.
Há muito tempo Wagner sonhava com a construção de um teatro que fosse uma meca,
um centro de peregrinação para os amantes da sua arte de todo o mundo.
Luís II, que tinha paixão por arquitectura
e adorava construir majestosos castelos
e sumptuosos palácios, apoiou-o nesse projecto, debilitando, ainda mais, as frágeis finanças do reino.
As óperas são o principal legado artístico de Wagner, podendo ser divididas em três períodos.
O primeiro começou com os esboços de Die Hochzeit,
abandonada ainda no início.
As primeiras três óperas terminadas
foram Die Feen, Das Liebesverbot e Rienzi .
O estilo de composição é convencional sem
as inovações que viriam a colocar
o compositor na História da Música.
O segundo período é, talvez, o de maior qualidade.
Começa com Der fliegende Holländer,
seguido de Tannhäuser e Lohengrin.
As últimas óperas de Wagner formam o terceiro período.
Alguns críticos opinam que Tristão e Isolda é a maior ópera do compositor.
Os Mestres Cantores de Nuremberg é a única comédia
e uma das suas óperas mais extensas.
O Anel do Nibelungo é uma tetralogia de óperas
baseadas na mitologia germânica.
A obra levou vinte e seis anos a ser terminada,
sendo composta por O Ouro do Reno, A Valquíria,
Siegfried e o Crepúsculo dos Deuses.
A última ópera de Wagnerf foi Parsifal,
inspirada na lenda do Santo Graal.














PRIMEIRO ACTO:
O 1º acto começa no navio do cavaleiro Tristão que transporta
Isolda, uma princesa irlandesa, para a Cornualha,
onde esta vai casar com seu tio, o velho rei Mark.
Ao perceber a atracção que sentem um pelo outro,
a princesa pede à sua aia Brangânia que
prepare uma taça com veneno.
Ambos partilham a bebida mas a aia enganara-se
e, em vez de veneno, a taça tinha um filtro de amor
que transformou a atracção entre
os dois jovens numa paixão mágica.
Os gritos da tripulação, anunciando a chegada à Cornualha,
interrompem o êxtase entre ambos.









SEGUNDO ACTO:
O 2º acto passa-se nos jardins do castelo do Rei ,
onde Tristão e Isolda vivem a sua paixão, quando o escudeiro
Kurvenal os avisa que Melot, um nobre, tendo descoberto
o amor dos dois, vai denunciá-los ao Rei.
Mas é demasiado tarde: o monarca já sabe de tudo e acusa
o sobrinho de traição, que este admite,
dispondo-se a partir para o exílio.
Nesse momento, Melot fere-o com gravidade.






















TERCEIRO ACTO:
O último acto decorre no castelo de Tristão na Bretanha.
Gravemente ferido, o cavaleiro vê chegar a sua amada
que vem tentar salvar Tristão através
dos poderes mágicos que possui.
Porém ao vê-la, o cavaleiro em delírio, arranca as ligaduras
e morre nos braços de Isolda.
O Rei da Cornualha informado, entretando, por Brangânia
da troca involuntária das bebidas, no navio,
dispôs-se a perdoar os dois jovens partindo ao seu encontro.
Só que Kurvenal ao ver o Rei com os soldados
faz-lhes frente, matando Melot.
Sem ouvir as palavras do Rei e da sua aia,
Isolda olha o cadáver de Tristão, até que,
não suportando mais o desgosto, cai morta sobre o corpo deste.




















E assim chegamos ao fim
de mais uma Ópera famosa
em que, de novo, a Morte está presente.
Desta feita, dos dois protagonistas
e do mau da fita.
...Os connaisseurs devem estar satisfeitos !!!




















Várias foram as versões
para Cinema deste caso de Amor,
mas sem contribuições muito significativas.
A primeira, ainda a preto e branco e no tempo
do cinema mudo, foi em 1909.
Em 1948, foi a vez de Jean Marais encarnar
o jovem cavaleiro e Madeleine Sologne, a sua amada,
numa realização de Jean Delannoy.
A mais recente versão, de 2006, que foi um êxito de bilheteira,
com direcção de Kevin Reynolds,
teve James Franco e Sophia Myles, como protagonistas.

E por hoje é tudo, não se esqueçam dos visons
e sobretudos de pelica, que deixaram no bengaleiro.
Au revoir...
video

5 comentários:

  1. Liebestod:

    Waltraud Meier
    http://www.youtube.com/watch?v=qGbmjX7AYyU

    Birgit Nilsson
    http://www.youtube.com/watch?v=_mOA8pZ_I4M

    Leontyne Price
    http://www.youtube.com/watch?v=1ymtsbaMKNY

    Kirsten Flagstad
    http://www.youtube.com/watch?v=3dfbZ6S6DU4

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  2. Uma das minhas óperas favoritas.
    Boa mistura de temas e abordagens,Galo.
    E excelente, a ária escolhida.

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  3. Uma das minhas favoritas! Não sendo uma connaiseuse, mas uma amante de ópera,a escolha das primeiras fotografias não me comoveu, já o video é uma das melhores encenações do Tristão&Isolda.

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  4. Muito boa esta recolha de várias óperas de estilos e escolas variados.A continuar.

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  5. Desculpem-me a provocação...
    Alguém disse um dia " Ópera tem que ser numa língua que eu não perceba,para poder dormir à vontade".

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