quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Violência nos trópicos

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Os primeiros tempos até não tinham sido maus de todo.
A inexperiência de Gabriela não lhe permitia fazer comparações.
Confundia a agressividade permanente do marido, com desejo e paixão.
E depois as viagens constantes, os negócios fora de horas, as reuniões pela noite dentro, as jogatanas com, segundo ele, clientes, faziam com a maior parte das vezes, dormisse sozinha nas variadas camas por onde passava.
Ela até nem se importava, porque na realidade o sexo, julgava ela, não lhe dizia muito.
As intensas sensações, que conhecia dos livros, não aconteciam consigo.
Gostava das ternuras preliminares mas, até estas, foram sendo substituídas
por tentativas dum sexo mais violento, envolvendo algemas e chicotes, brinquedos sexuais, vídeos e toda uma colecção variada de acessórios que, de início, a ajudavam a excitar-se.
Na fase seguinte, Sérgio tentou trazer, em tom de brincadeira, mais parceiras para a sua cama.
Associar as noites de sexo à droga, ao álcool e a práticas sádicas, que ela abominava.
Começaram as discussões e situações humilhantes que ela preferia nem recordar.
As contínuas manifestações de carinho, transformaram-se em indiferença, e continuas faltas de respeito.
Múltiplas mulheres eram presença assídua nas diversas casas que possuíam, passando as noites em ruidosas orgias nos aposentos do seu marido, que entretanto eram já separados dos seus.
Habituada, desde sempre, a ter o seu próprio dinheiro, era agora obrigada a receber das mãos de Miltinho do Pagode uma espécie de mensalidade que lhe chegava, à justa, para as necessidades mais básicas.
Miltinho era, aliás, outra das razões do pavor constante em que vivia.
Vigiava-lhe os passos e os telefonemas que, estava certa, ia transmitir ao patrão por quem parecia ter uma admiração canina.
Aliás, Sérgio, extremamente arrogante e frio com toda a gente, ela inclusive, tratava este homem entroncado, rude e de poucas palavras, com uma amizade e consideração que não manifestava por mais ninguém.
Aos poucos, foi-se formando na sua cabeça a ideia de fugir daquela gaiola, aparentemente, dourada.
Foi reunindo cópias de documentos comprometedores, que ia encontrando por aqui e por ali.
Fotografou, escondida, muitos dos misteriosos visitantes, que apareciam quando a julgavam já adormecida.
Falou com a mãe, que já se apercebera de que algo não estava bem, e que lhe deu toda a força.
A prova de que os seus telefonemas eram gravados, ou escutados, teve-a no dia seguinte.
Sérgio irrompeu furioso quarto adentro e disse-lhe com um esgar de crueldade no rosto:
”- Nenhuma mulher me deixa…a não ser morta !”

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6 comentários:

  1. A coisa tá melhorando...

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  2. Além de mafioso, violência doméstica?

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  3. Então, Sapho?
    Cadê sua hosptalidade brasileira?
    Convida a moça pra pousar lá em casa enquanto não arruma um ap legau pra ela, minina!

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  4. Isto ainda vai dar muito que falar...

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  5. Adorei a colecção variada de acessórios que..., as ruidosas orgias, as práticas sádicas, o pavor constante e os documentos comprometedores (issso existe ???)


    Ganda estória, J. !!!

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  6. Ah, e a parte de
    ”- Nenhuma mulher me deixa…a não ser morta !”
    dá-me vontade de mudar de sexo assim muito que temporáriamente, para poder entrar na estorinha, e obrigar o gajo a engolir uma coisa muito cá de casa, e depois perguntar-lhe, baixinho, e uma oitava abaixo da voz normal:

    "Sabes qual é o diâmetro que uma 9 mm te deixa à entrada, em relação ao diâmetro que te deixa à saída ? Queres experimentar para ver ? É claro que depois alguém te há-de contar... Eu não." :-)


    O meu único problema é que um dos meus melhores amigos também se chama Sérgio, também adoro a mulher dele e até o diabinho que eles têm por filho, e assim fica tudo mais complicado... :-))


    Uma vez mais, parabéns pela Violência tropical :-)))



    Salut i força al canut per totes !

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