terça-feira, 12 de maio de 2009

...Haja Fé !!!


Enviado por Zé Manel

8 comentários:

  1. A palavra de honra das pessoas tinha obrigação de 'fazer fé'. :-)
    O problema é que as pessoas 'mudaram-se' e a 'honra' ficou lá para trás, sózinha e solteira. :-(

    Tristes trópicos, como diria o C.L-S. a propósito de outra coisa...

    ResponderExcluir
  2. Um exercício interessante e muito elucidativo seria ver-se a prcentagem de faltas de cada Partido para se perceber quem respeita os eleitores e quem se utiliza da Assembleia como mais um tacho.

    ResponderExcluir
  3. E viva a República!!Mais os nossos amados deputados!!
    E viva "nóis" que somos uns anjinhos!!!

    ResponderExcluir
  4. Se nós nem podemos confiar na palavra dos Ministros, incluindo o 1º, porque confiar nos Deputados ?

    ResponderExcluir
  5. Isto já só mesmo com fé.

    ResponderExcluir
  6. Margarida Ferreira dos Santos12 de maio de 2009 14:47

    Quimera, acho mesmo que já nem com fé :)

    ResponderExcluir
  7. Sanear os mercados e sanear a política

    Teresa de Sousa Sem Fronteiras – 20090513


    Para os deputados britânicos, não se tratava de cumprir ou não a lei mas de fazerem jus ao título a que têm direito:

    1.O primeiro-ministro britânico Gordon Brown acaba de pedir publicamente desculpa pelo comportamento dos deputados britânicos. David Cameron, o líder dos conservadores, já tinha feito o mesmo e ontem intimou os membros da sua bancada nos Comuns a devolverem o dinheiro que receberam indevidamente dos cofres do Estado. Nos jornais britânicos, a polémica ferve há já alguns dias. O caso é conhecido. Um número significativo de membros do Parlamento britânico usou e abusou dos subsídios a que têm direito para ajudar à manutenção de duas residências – uma em Londres e outra na respectiva circunscrição –, utilizando-os em gastos no mínimo tão ridículos como comida para o cão e, no máximo, tão inadmissíveis como arranjar esquemas para comprar casa com vantagem. O escândalo começou por ser revelado pelo Daily Telegraph, apontando o dedo aos trabalhistas, mas rapidamente se estendeu aos conservadores. A primeira reacção dos deputados visados foi argumentar que tudo o que fizeram estava estritamente dentro da lei. Resposta errada, sobretudo num país que se rege em muitas coisas pela tradição da "common decency".
    O problema é, naturalmente, outro. Não é um problema legal, é um problema moral. E é hoje tanto mais grave quanto a desmoralização da opinião pública perante a origem desta crise económica, global e brutal em que estamos todos mergulhados já estava no seu ponto mais baixo. Primeiro, foram os banqueiros, a gigantesca confusão que criaram, os seus bónus verdadeiramente ofensivos. Agora, são os políticos, com as suas pequenas artimanhas para tornarem a vida mais agradável.
    Esta desmoralização fez-se sentir imediatamente nas sondagens, que penalizaram o New Labour e os tories (cada um caiu quatro pontos) e beneficiaram os liberais-democratas (o terceiro partido de Westminster, aparentemente ainda não tocado pelo escândalo), mas também o Partido Nacional, de extrema-direita. É este o risco, que recomenda que se evite toda a espécie de demagogia.

    2.Ninguém duvidará que a grande maioria dos deputados britânicos não são nem gananciosos nem corruptos. É perfeitamente legítimo acreditar que muitos deles mantêm o mesmo idealismo que os levou a escolher a actividade política e não outra profissão qualquer, possivelmente mais bem remunerada. Os seus vencimentos não são elevados (em termos relativos) e é, aliás, por isso que o subsídio para compensar a necessidade de manter duas residências e de estar em permanentes deslocações pode fazer todo o sentido. Convém também recordar que, no Reino Unido, não há outro caminho que não o Parlamento para se chegar ao Governo.
    Mas vale, talvez, a pena reflectir sobre os valores que se tornaram dominantes nas nossas sociedades democráticas e que levaram quer aos excessos escandalosos dos executivos das grandes companhias, quer a um clima excessivamente "condescendente" no comportamento dos políticos.
    Os dois fenómenos podem ter a mesma raiz.
    A ideologia que acabou por dominar as últimas décadas e que nasceu da revolução liberal simbolizada por Ronald Reagan e por Margaret Thatcher assentava em duas ideias fundamentais. A primeira, que o igualitarismo que dominou o pensamento político depois da II Guerra e que levou à construção do Estado de bem-estar tinha gerado efeitos sociais perversos e que era preciso regressar à valorização da responsabilidade individual e à compensação do mérito, do esforço e do risco. A segunda, que enriquecer era um objectivo legítimo, para não dizer "glorioso". Nenhuma destas ideias é má em si própria. O facto de terem sido levadas ao extremo e erigidas em valores quase absolutos tornou-as perversas. Perdeu-se o sentimento de decência e de equilíbrio.
    A dimensão da crise já revelou até que ponto os banqueiros não mereciam o dinheiro que ganhavam. Não deve haver ninguém, mesmo os mais convictos cultores do liberalismo económico, que não reconheça isso e que não tenha tido o seu ataque de fúria contra a displicência ou a arrogância dos "donos do universo" que nos meteram nesta tremenda confusão.
    Olhando para o comportamento de alguns deputados britânicos, ele também pode encontrar explicação nessa inversão de valores e nessa mentalidade que se tornou dominante. Se o sucesso é a riqueza, onde fica a ideia de serviço público? Se mérito se traduz em dinheiro, onde fica a recompensa moral? O problema maior é que, quando a política tem de regressar ao posto de comando para limpar a confusão e recolocar a economia de novo em bases mais sãs e a sociedade em bases mais justas, a reputação dos políticos seja também afectada.

    3.Dir-se-á que tudo isto é óbvio e é banal. Seja como for, sair desta crise passa também pela revisão dos valores a que atribuímos socialmente maior importância e da avaliação das sociedades em que queremos viver. Vamos ter de voltar a valorizar aquilo que é público (incluindo o Estado, que ganhou muito mau nome nos últimos tempos), em detrimento do que é privado, a igualdade em detrimento da desigualdade, o bem público em detrimento da simples realização individual.
    É tão necessário proceder à regulação dos mercados financeiros como restituir à política a sua missão essencial de serviço público e a sua responsabilidade "de inventar o futuro", para usar uma expressão feliz de Fernando Henrique Cardoso. A ideia de "common decency" tem de voltar a fazer sentido.
    A questão está em não deitar fora o bebé com a água do banho. Ou, por outras palavras, será preciso encontrar um novo equilíbrio, nos mercados como na sociedade, que não retire às pessoas a sua responsabilidade e a sua capacidade individual, nem retire aos mercados o princípio da compensação do risco.
    Para os deputados britânicos, não se tratava de cumprir ou não a lei. Trata-se apenas de fazerem jus ao título a que têm direito. Honourable. Há coisas que nunca deveriam ter de mudar.


    Jornalista

    ResponderExcluir
  8. Depois de ter conhecido a malandragem brasileira até acho os políticos portugueses uns caras honestos.

    ResponderExcluir