quarta-feira, 6 de maio de 2009

Os Gajos Porreiros

Nunca se deve dar poder
a um tipo porreiro .

"O porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país
No início, ninguém dá nada por eles.
Mas, pouco a pouco, vão conseguindo afirmar o seu espaço.
Não se lhes conhece nada de significativo, mas começa a dizer-se deles que são porreiros. Geralmente estes tipos porreiros interessam-se por assuntos também eles porreiros e que dão notícias porreiras.
Note-se que, na política, os tipos porreiros muito frequentemente não têm qualquer opinião sobre as matérias em causa mas porreiramente percebem o que está a dar e por aí vão com vista à consolidação da sua imagem como os mais porreiros entre os porreiros.
Ser considerado porreiro é uma espécie de plebiscito de popularidade.
Por isso não há coisa mais perigosa que um tipo porreiro com poder.
E Portugal tem o azar de ter neste momento como primeiro-ministro um tipo porreiro.
Ou seja, alguém que não vê diferença institucional entre si mesmo e o cargo que ocupa.
Alguém que não percebe que a defesa da sua honra não pode ser feita à custa do desprestígio das instituições do Estado e do próprio partido que lidera.
O PS é neste momento um partido cujas melhores cabeças tentam explicar ao povo português por palavras politicamente correctas e polidas o que Avelino Ferreira Torres assume com boçalidade: quem não é condenado está inocente e quem acusa conspira.
Nesta forma de estar não há diferença entre responsabilidade política e responsabilidade criminal.
Logo, se os processos forem arquivados, o assunto é dado por encerrado. Isto é o porreirismo em todo o seu esplendor.
Acontece, porém, que o porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país.
Fomos porreiros e fizemos de conta que a sua licenciatura era tipo porreira, exames por fax, notas ao domingo.
Enfim tudo "profes" porreiros.
A seguir, fomos ainda mais porreiros e rimos por existir gente com tão mau gosto para querer umas casas daquelas como se o que estivesse em causa fosse o padrão dos azulejos e não o funcionamento daquele esquema de licenciamento.
E depois fomos porreiríssimos quando pensámos que só um gajo nada porreiro é que estranha as movimentações profissionais de todos aqueles gajos porreiros que trataram do licenciamento do aterro sanitário da Cova da Beira e do Freeport.
E como ficámos com cara de genuínos porreiros quando percebemos que o procurador Lopes da Mota representava Portugal no Eurojust, uma agência europeia de cooperação judicial?
É preciso um procurador ter uma sorte porreira para acabar em tal instância após ter sido investigado pela PGR por ter fornecido informações a Fátima Felgueiras.
Pouco a pouco, o porreirismo tornou-se a nossa ideologia.
Só quem não é porreiro é que não vê que os tempos agora são assim: o primeiro-ministro faz pantomina a vender computadores numa cimeira ibero-americana?
Porreiro. Teve graça não teve? Vendeu ou não vendeu?
Mais graça do que isso e mais porreiro ainda foi o processo de escolha da empresa que faz o computador Magalhães.
É tão porreiro que ninguém o percebeu mas a vantagem do porreirismo é que é um estado de espírito: és cá dos nossos, logo, és porreiro.
E foi assim que, de porreirismo em porreirismo, caímos neste atoleiro cheio de gajos porreiros.
O primeiro-ministro faz comunicações ao país para dizer que é vítima de uma campanha negra não se percebe se organizada pelo ministério público, pela polícia inglesa e pela comunicação social cujos directores e patrões não são porreiros.
Os investigadores do ministério público dizem-se pressionados.
O procurador-geral da República, as procuradoras Cândida Almeida e Maria José Morgado falam com displicência como se só por falta de discernimento alguém pudesse pensar que a investigação não está no melhor dos mundos...
Toda esta gente é paga com o nosso dinheiro.
Não lhes pedimos que façam muito.
Nem sequer lhes pedimos que façam bem.
Mas acho que temos o direito de lhes exigir que se portem com o mínimo de dignidade.
Um titular de cargos políticos ou públicos pode ter cometido actos menos transparentes.
Pode ser incompetente. Pode até ser ignorante e parcial.
De tudo isto já tivemos.
Aquilo para que não estávamos preparados era para esta espécie de falta de escala.
Como se esta gente não conseguisse perceber que o país é muito mais importante que o seu egozinho.
Infelizmente para nós, os gajos porreiros nunca despegam. "
Helena Matos
Jornalista ( Público)

10 comentários:

  1. Porreiro, Helena Matos !
    Porreiro, continuamos a ser uns anjinhos.
    Porreiro e também uma carneirada.
    Porreiro, levam-nos alegremente para um buracão financeiro.
    Porreiro,não nos vamos conseguir livrar desta geração de aproveitadores.
    Porreiro, bardamerda (versão Pinheiro de Azevedo à janela da do Palácio de S.Bento)para os politicos que nos obrigam a suportar.
    E finalmente, perdão pela minha linguagem mas ando farto de ver tanta porcaria neste País da cauda da Europa!!

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  2. A justiça. O disfuncionamento da justiça é o que mais me custa. Como se fosse o cancro deste país que agora parece ter entrado em estado terminal. E todos juntos parecemos poucos e impotentes para combatê-lo. Felgueiras, Isaltinos, Pintos da Costa, Casa Pia, Freeport, só para mencionar os casos que são mediáticos... parecem novelas que acompanhamos e que ficam naquele ponto em que, exaustos, não nos importamos com o final.Porque somos porreiros.

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  3. Moira de Trabalho6 de maio de 2009 06:36

    Caro Marau,

    Estou preocupada com a sua geografia.
    É sabido que Portugal não mais pertence à "cauda" da Europa.

    Decididamente, já nos soltámos da cauda e somos, agora, um alegre e pioneiro excremento da Europa.

    Adoro Portugal! Prezo muito a minha cidadania.
    É por isso mesmo que não quero ser confundida com esta "coisa" rectangular que boia a oeste do continente europoeu.

    O último a sair apague a luz, sim?

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  4. Afinal estamos todos de acordo.
    Isto vai mal e não há vacina disponível.
    A força da propaganda politica em beneficio do nacional porreirismo, ainda encanta ou melhor, ainda anestesia muitos dos votantes.
    À vassourada e para baixo do tapete, seria o ideal para uma limpeza geral.
    Ou com a pá de Aljubarrota...

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  5. Pois eu já não consigo aturar essa Helena, diga ela o que disser, ódiozinho de estimação.
    Essa gaja é parva até dizer chega... :-(
    Por mim, ela que rasteje de volta pra debaixo da pedra do MR de onde saiu.

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  6. Porreiro significa, na actualidade portuguesa ,esperteza saloia, compadrio,venalidade,cunhas, mediocridade, falta de seriedade, incompetência, partidarismo, falta de visão, promessas vãs,pobreza intelectual e falta de espírito cívico.

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  7. Ela pode ser parva, pode debitar ódios, pode até ser antipática e proteger interesses escusos, tudo isso aceito e não rebato mas que o País não vai bem, presumo que poucos serão os que conscientemente neguem.
    E daí não saio !!

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  8. Marau, e não tens que sair...
    "Isto" anda assim a modos que estragado, e não é de hoje... :-(

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  9. A MTH já deu o signficado do "Porreiro"mas sabem o que quer dizer o "PÁ"?
    P = Povo ou População
    Á = Ártolas

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  10. Um artigo certeiro.
    Uma análise inteligente.

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