sexta-feira, 1 de maio de 2009

O 1º de Maio

Naquele dia, levantou-se muito mais cedo
do que o habitual.
Pudera, com tanta coisa para preparar.
Deixou a barba por fazer,
mas tomou um banho mais demorado.
Penteou-se, enquanto secava o cabelo.
Gostou do que viu. Aparou o bigode.
Para escolher a roupa é que foi pior.
A camisa nova, do Colombo, dava-lhe um ar de beto.
Até podiam pensar que era do Bloco.
A dos quadrados era demasiado rural.
A vermelha, muito óbvia.
Optou por uma t-shirt preta. Estava sol.
E com preto, não me comprometo.
Nas calças, pôs de lado as Calvin Klein
e procurou as mais velhas
guardadas para ocasiões como esta.
Nos ténis o mesmo cuidado, nada de marcas.
Os Adidas, os Nike ou os DC eliminados.
Onde estariam os da Feira do Relógio?
Ao fim de hora e meia estava pronto.
Saiu para a rua, apressado, e foi até ao Partido.
Deixou o BMW, estacionado longe,
e fez o resto do percurso a pé.
Quando chegou foi recebido com efusão.
"- Então pá que tens feito?
Há um ano que não te víamos..."
Fez um ar misterioso.
"- O quê? tens estado infiltrado?"
Sorriu e subiu a escada,
cumprimentando à esquerda e direita.
Depois foi ajudar as mulheres a fazer sandes de presunto
para os camaradas que estavem a chegar de Beja.
Foi pintar cartazes de pano, com letras garrafais.
Dividiu os cravos em molhos de dúzia.
Distribuiu autocolantes pelos que estavam a entrar.
Teve tempo, ainda, para criar novas palavras de ordem
Dá-lhe Forte, manda-o pró Freeport
que foram aplaudidas por todos.
Tudo isto entre abraços, promessas de
Agora é que isto vai...ou racha
sempre acompanhadas de fortes palmadas nas costas.
Depois, foi a vez de irem todos para a rua,
descerem a Avenida, fazerem discursos,
manifestarem-se em frente à porta do 1º Ministro,
gritarem palavras de ordem,
cantarem a Grândola e o Uma gaivota voava, voava...
discutirem com a Polícia, ouvirem impropérios,
quase chegarem às vias de facto,
apoiarem os Sindicatos, distribuirem panfletos,
comerem as sandochas, parcas e todas amolgadas.
No regresso vinham cheios de adrenalina.
Até discutiram Futebol e o Licínio Baptista.
Mais abraços, promessas de encontros para breve.

Quando chegou a casa, estava extenuado.
Nunca trabuquira tanto num dia...
Safa, ainda bem que o Dia do Trabalhador,
era só uma vez por ano !!!

15 comentários:

  1. É preciso muita coragem. Vou estar colado no computador à espera da resposta...

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  2. Atendendo ao significado do dia de hoje, não farei comentários o que certamente se traduzirá em grande alivio para todos os "penetradores" habituais.

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  3. O que eu gosto mais nas manifestações é quando passam a mão na minha bunda.

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  4. Moira de Trbalho1 de maio de 2009 06:31

    Pronto. Chegou a Sapho!
    Por onde você andou, mulher?
    Já se sentia a falta da sua saphadeza...

    Short storis - great 'microcontos', as usual..

    Já não se fazem mais comunas como antigamente...

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  5. Prometo passar a mão na sua bunda, se 'océ passar a sua mão na minha... :-D

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  6. Oh Galo como é que conhece tão bem os bastidores? (dizer que foi à gaveta da MTH não vale...)
    E se logo vir o "Dá-lhe forte..." já sei donde vem!!!

    Abraço de Solidariedade...

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  7. Agora a sério, e infelizmente só em inglês:

    "May Day - the Real Labor DayMay 1st, International Workers' Day, commemorates the historic struggle of working people throughout the world, and is recognized in every country except the United States, Canada, and South Africa. This despite the fact that the holiday began in the 1880s in the United States, with the fight for an eight-hour work day.

    In 1884, the Federation of Organized Trades and Labor Unions passed a resolution stating that eight hours would constitute a legal day's work from and after May 1, 1886. The resolution called for a general strike to achieve the goal, since legislative methods had already failed. With workers being forced to work ten, twelve, and fourteen hours a day, rank-and-file support for the eight-hour movement grew rapidly, despite the indifference and hostility of many union leaders. By April 1886, 250,000 workers were involved in the May Day movement.

    The heart of the movement was in Chicago, organized primarily by the anarchist International Working People's Association. Businesses and the state were terrified by the increasingly revolutionary character of the movement and prepared accordingly. The police and militia were increased in size and received new and powerful weapons financed by local business leaders. Chicago's Commercial Club purchased a $2000 machine gun for the Illinois National Guard to be used against strikers. Nevertheless, by May 1st, the movement had already won gains for many Chicago clothing cutters, shoemakers, and packing-house workers. But on May 3, 1886, police fired into a crowd of strikers at the McCormick Reaper Works Factory, killing four and wounding many. Anarchists called for a mass meeting the next day in Haymarket Square to protest the brutality.

    The meeting proceeded without incident, and by the time the last speaker was on the platform, the rainy gathering was already breaking up, with only a few hundred people remaining. It was then that 180 cops marched into the square and ordered the meeting to disperse. As the speakers climbed down from the platform, a bomb was thrown at the police, killing one and injuring seventy. Police responded by firing into the crowd, killing one worker and injuring many others.

    Although it was never determined who threw the bomb, the incident was used as an excuse to attack the entire Left and labor movement. Police ransacked the homes and offices of suspected radicals, and hundreds were arrested without charge. Anarchists in particular were harassed, and eight of Chicago's most active were charged with conspiracy to murder in connection with the Haymarket bombing. A kangaroo court found all eight guilty, despite a lack of evidence connecting any of them to the bomb-thrower (only one was even present at the meeting, and he was on the speakers' platform), and they were sentenced to die. Albert Parsons, August Spies, Adolf Fischer, and George Engel were hanged on November 11, 1887. Louis Lingg committed suicide in prison, The remaining three were finally pardoned in 1893.

    It is not surprising that the state, business leaders, mainstream union officials, and the media would want to hide the true history of May Day, portraying it as a holiday celebrated only in Moscow's Red Square. In its attempt to erase the history and significance of May Day, the United States government declared May 1st to be "Law Day", and gave us instead Labor Day - a holiday devoid of any historical significance other than its importance as a day to swill beer and sit in traffic jams.

    Nevertheless, rather than suppressing labor and radical movements, the events of 1886 and the execution of the Chicago anarchists actually mobilized many generations of radicals. Emma Goldman, a young immigrant at the time, later pointed to the Haymarket affair as her political birth. Lucy Parsons, widow of Albert Parsons, called upon the poor to direct their anger toward those responsible - the rich. Instead of disappearing, the anarchist movement only grew in the wake of Haymarket, spawning other radical movements and organizations, including the Industrial Workers of the World.

    By covering up the history of May Day, the state, business, mainstream unions and the media have covered up an entire legacy of dissent in this country. They are terrified of what a similarly militant and organized movement could accomplish today, and they suppress the seeds of such organization whenever and wherever they can. As workers, we must recognize and commemorate May Day not only for it's historical significance, but also as a time to organize around issues of vital importance to working-class people today.

    As IWW songwriter Joe Hill wrote in one of his most powerful songs:

    Workers of the world, awaken!
    Rise in all your splendid might
    Take the wealth that you are making,
    It belongs to you by right.
    No one will for bread be crying
    We'll have freedom, love and health,
    When the grand red flag is flying
    In the Workers' Commonwealth."
    This article written and distributed by: l.gaylord@m.cc.utah.edu

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  8. Lamento, já comentou!
    Grato.

    Bom feriado...

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  9. Somos todos trabalhadores...julgo eu. Mas o 1º de Maio parece ser apenas dos trab. precarizados ou de esquerda. Não faz sentido.

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  10. Não faz não, Mário, de todo.

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  11. "Change in isolation is impossible. And to understand this implies a formidable change in consciousness."Alfred Willi Rudi Dutschke (1940–1979)

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  12. Moira de Trabalho em luta pelo proletariado2 de maio de 2009 07:11

    Ontem, 1º de Maio, quando regressava do meu passeio de bicicleta, optei por subir a Av. Liberdade, para chegar ao Rato.

    Meninos!... Que cortejo! Entre bombos de Zés Pereiras e Viras do Minho, ainda pude ver e ouvir:

    ... uma ameaça de bomba prontamente desarmada por um elemento das Minas e Armadilhas da PSP que trajava uns eficientes... óculos escuros na testa! (só neste rectangulozinho, mesmo);

    ... toda a espécie de piropos enquanto subia com a bicla pela mão, oriundos de todas as províncias na voz dos seus destacados representantes; a saber: Zé do Pipo, Manel das Taipas, Jaquim das Moinas e Sebastião Papa Tudo;

    Fiquei ainda deveras desiludida por constatar que as faixas dos marchantes (não confundir com talhantes) já não são vermelhas e nem sequer pintadas à mão! São alvas como a neve e diitalmente impressas com direito a logotipos coloridos em nuances de todas as cores. Sinais do tempo...

    No conjunto, foi um momento preponderante no meu fim de semana. Ri, cantei e, acima de tudo, percebi que o Povo, instrumentalizado ou não, estava lá, sem medo, a mostrar o seu descontentmento. Aliás como em TODOS os anos, com crise ou se ela. Faz parte.

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  13. Margarida Ferreira dos Santos2 de maio de 2009 08:47

    Já dei para este peditório, embora respeite quem ainda se manif :-)
    Estou de praia, fiquem bem também!

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  14. Fiquei desiludido. Afinal não houve discussão...

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