sábado, 20 de junho de 2009

Divagações Expressas

O Expresso não é um jornal, é uma instituição.
O Expresso não é uma leitura obrigatória,
é um hábito, um vício, ou como lhe quisermos chamar.
Antigamente dizia-se "Não há Sábado sem Sol, nem Domingo sem Preguiça".
Mas o Sol não vingou, agora diz-se " Não há Sábado sem Expresso...".
Para muitos de vós, entre os quais não me incluo, uma boa refeição inclui um cigarro e um expresso, sem trocadilhos, logo de seguida.
É automático, faz-se sem pensar.
Assim é a compra do Expresso, ao sábado de manhã, na tabacaria, no quiosque, no mini mercado, na estação de serviço, mais perto de si.
Comprar o Expresso é dar início ao Fim-de-Semana.
E depois, vem-se com a saqueta ( a invenção do saco de plástico foi muito importante para a implantação do hábito) até casa, deita-se para o lixo mais de metade dos cadernos especiais, passam-se os olhos pelos títulos, lê-se um ou outro cronista mais do nosso agrado ( no meu caso, é o Miguel Sousa Tavares, embora esteja, muitas vezes, em desacordo com ele), guarda-se a revista, para ler mais tarde e com mais detalhe e, zás, mais uma leitura Expressa cumprida, e não comprida, porque cada vez demoro menos tempo a ler o que, realmente, me interessa.
Ora, com as novas tecnologias, eu poderia ler tudo isto directamente na net, sem sair de casa, sem fazer gastar tanto papel ( árvores, ecologia, recordam-se?) mas...sem o tal saco de plástico, sem a pergunta sacramental"Então D.Bia tem o Expresso ?". Rituais...
Agora, uma confissão politicamente incorrecta, eu gostava mais do Expresso nos tempos do José António Saraiva.
Entenda-se, eu não gostava do José António Saraiva.
Ficava muitas vezes possesso com os seus editoriais, considerava-o um cretino convencido, que se achava (acha?) o homem mais inteligente do planeta ("quando escrever é para ganhar o Nobel"), mas o jornal transmitia-me emoções.
O Henrique Monteiro , que eu gostava de ler quando escrevia as Cartas do Comendador, conseguiu, muito depressa, tornar o jornal uma peça fria, sem sentimentos. E eu gosto de sentimentos...
Não digo que o Expresso não continue a ser um semanário de referência, mas não tem Alma.
E então porque não comecei a ler o Sol? Confesso que comprei os dois ou três primeiros números, mas desde o logótipo bacoco, aos slogans primários ( defeitos de ex publicitário), passando pela megalomania Saraivana, levada ao exagero, tudo me desagradou.

Bem, mas as divagações já vão longas...
Tenho que ir à D. Bia comprar o Expresso, e voltar para casa ...com o saco de plástico.
Boas leituras e bom Sábado !

2 comentários:

  1. Eu também durante anos cumpri esse ritual de ir comprar o Expresso.
    Depois sentava-me numa esplanada ou num café, dependendo das condições climatéricas, e passava duas agradáveis horas bebendo um ou dois cafés.
    Quando voltava para casa já tinha o jornal lido.
    Mas depois também me cansei do Expresso e mudei para o Sol, que tem vindo sempre a melhorar.
    Agora esse é o meu semanário de eleição.

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  2. Como não me deixo levar por hábitos instalados, não compro o Expresso, por isso nada tenho a acrescentar a esta discussão.

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